Monday, 18 August 2025

PROLONGANDO A AGONIA MORTAL: SURGIMENTO, QUEDA E RECONSTIUICAO DA SOCIAL DEMOCRACIA EUROPEIA

REVOLUTIONARY COMMUNIST PARTY N. 8  - FRANK RICHARD 

INTRODUCAO

Quando Trotsky disse em 1933 que "...claro, nao se pode pensar em uma regeneracao seria e duradoura do reformismo" ele estava somente repetindo uma proposicao basica bolshevique.[1] Mas Historia provou que ele estava errado. Reformismo sobreviveu a crise politica e economica da decada de 1930 e mesmo os partidos comunistas oficiais se integraram no sistema capitalista. Durante a reconstrucao economica do pos-guerra partidos operarios reformistas contevem  as lutas do proletariado.. Agora eles estado de prontidao para suprimir o conflito de classes agravado pela recessao.

Neste artigo vamos examinar a fundacao ideologica e material do reformismo da classe operaria europeia. Fazer isto e essencial distinguir entre as intencoes subjetivas dos reformistas e o reformismo como um processo objetivo. O engajamento de alguem a uma politica reformista pode ser uma questao de escolha pessoal, mas se a opcao reformista se torna uma forca politica importante depende uma serie de fatores historicamente especificos: o movimento do capital, a estabilidade da dominancia burguesa, a conscieencia da classe operaria e o balanco de forcas. O papel do reformismo nesse relacionamento entre a classe trabalhadora e o capital nao e estatico. Atraves da lutas de classes o equiulibrio social e constantemente modificado conforme essas relacoes sao reorganizada.

Um estrato da classe trabalhadora intimamente conectada com a burguesia e essencial para a sobrevivencia da burguesia. Esse estrato social funciona como o meio pelo qual os interesses de classe da burguesia sao traduzidos na linguagem do movimento trabalhista. Contudo seria incorreto apontar uma categoria particular de operaria como a base social do reformismo.. A transformacao constante da composicao da classe operaria nao permite um prucesso definido de diferenciacao. Posicao economica, por exemplo, nao e decisiva. Operarios com maior salario nao sao necessariamwente mais reformistas do que os de  baixos salarios sao necessariamente revolucionarios. Para compreender a base social do reformismo temos que estudar o processo historico atraves do qual a burguesia formou um relacionamento pelos menos limitado com um estrato da classe trabalhadora. Nossa analise mostra o papel decisivo da burocracia trabalhista em formentar politicas burguesass entre a classe operaria.

Nao pode haver teorias gerais de reformismo. A reproducao das relacoes sociais capitalistas constantemente altera o terreno da lutas de classe. A propria classe operaria e restruturada e o balanco de forca entre as classes sao alterados. Algumas caracteristicas do reformismo - organizacoes operarias, tradicoes e ideologia percorre persistem em todas as fases imperialista do capitalismo. A continuidade dessas instituicoes tendem a cegar a esquerda europeia para as transformacoes que tem ocorrido no ambiente social onde essas instituicoes opera. Em consequencia as teorias sobre reformismo tendem a serem generalizacoes a-historicas.

Dintinguimos tres etapas no desenvolvimento do reformismo.. Durante as quatro ultimas decadas do Seculo XIX, sindicatos e partidos politicos da classe operaria foram estabelecidos, muitas vezes com encorajamento do estado..O surgimento do imperialismo da etapa de competicao livre estimulou o surgimento dessas instituicoes operarias e levou para a segunda etapa do reformismo:Social Democracia classica. A crise imperialista intensa e a severidade das lutas de classes entre 1917 e 1921 inaugurou a terceira e prolongada e ultima etapa. Social Democracia classica morreu. Onde os partidos social democratas nao foram destruidos ou eles se estagnaram ou se transformaram em agencias da ordem social. A derrota da classe operaria pelo impacto combinado de fascismo e stalinismo criou o potencial para uma renascenca da social democracia. Na decada que seguiu apos o fim da Segunda Guerra Mundial reformismo exerceu um papel muito limitado. E somente agora, sob o impacto da crise economica capitalista mais grave desde 1930s que a burocracia trabalhista esta se movendo para se reconstituir como uma alternativa social democrata.

Nosso objetivo nao e fornecer uma historia do movimento trabalhista europeu. selecionamos da historia da classe operaria experiencias importantes que moldaram as politicas reformista. Parte I discute a historia das teorias do reformismo, examinando as maneiras em que a esquerda do movimento trabalhista  tentou lidar com as forcas burguesas em seus meios. Na Parte II examinaremos o surgimento do reformismo ao ponto mais alto de seu desenvolvimento com a social democracia classica. Parte III examina as derrotas de classe operarisa o papel do Stalinismo em criar espaco para o ressurgimento do reformismo. Por ultimo examinaremos o problema do reformisto atual.

Notas;- 1; L. Trotsky, 'Nossas Tarefas imediatas' em Writings of Leon Trotsky 1933-34, New York, 1972, pag. 137

2. A maioria das teorias da esquerda radical sobre reformismo tendem a ser uma reproducao ou modificacao da teoria de Lenin. Mas diferentes da teoria de  Lenin, elas pecam por nao ter especificacao historica. Como mostraremos, reformismo definido por seus objetivos de atingir o socialismo atraves de acumulacao de reformas por meios de agencias do Estado, tem muitas formas sociais.

PARTE I

HISTORIA DA TEORIA DO REFORMISMO

Discussoes do problema do reformismo comecou no movimento revolucionario no meio do do Seculo XIX. Contudo, foi somente quando a luta contra o reformismo se tornou um assunto de viver ou morrer que a necessidade de uma teoria de reformismo se tornou um assunto prioritario

A DOENCA BRITANICA

Em geral, os revolucionarios do seculo XIX tinha uma opiniao limitada do reformismo, considerando-o uma aberracao temporaria do desenvolvimento global do movimento socialista internacional como um todo. Usualmente reformismo era considerado uma desvio peculiar do movimento trabalhista britanico. Marx e Engels perceberam a influencia da aristocracia trabalhista britanica em abafar sentimentos revolucionarios na classe operaria.[3] Engels conectou os interesses egoista limitado da aristocracia trabalhista com a dominacao bem sucedida do comercio mundial pelo capitalismo britanico,[4] Kautsky vinculou essa concepcao engelsiana da aristocracia trabalhista com a  perspectiva categorial sindicalista. Ele percebeu "...a tendencia para desenvolver o desenvolvimento de um espirito egoista  corporativo bitolado buscando conseguir posicoes privilegiadas as custas de seus camaradas proletarios.[5] Contudo, Kautsky era muito inclinado a restringir sua analise de reformismo a Gran Bretanha, apresentando a classe operaria britanica como um caso especial. Ao mesmo tempo que seu proprio partido estava se tornando cada vez mais reformista em suas perspectivas, Kautsky conseguia escrever em 1909: "Agora oxala, nos somente aprendemos da Englaterra como nao fazer coisas, como uma classe operaria grande  poderosa  se torna impotente assim ela perde o vinculo espiritual que mantem as varias categorias do movimento trabalhistas unidas que a faz um todo irresitivel.[6]

A rejeicao do Marxismo pelos lideres trabalhistas britanico e sua aderencia claramente expressa ao gradualismo era um contraste acentuado  com os pronunciamentos oficiais da Social Democracia Continental. Assim era facil ver o reformismo como uma doenca britanica. Contudo alguns revolucionarios na Segunda Internacional perceberam que nem tudo estava bem na Social Democracia. A esquerda do Partido Social Democrata Alemao (SDP) estava bem consciente do carater reacionario da ala reformista do partido. Lideres importantes, como Pannekoek era explicitos em suas denunciacoes da burocracia do SPD.[7] Rosa Luxemburgo emprendeu uma campanha vigorosa contra o revisionismo.[8] Mas a Esquerda da Segunda Internacional nao pode dar a sua oposicao ao reformismo uma expressao teorica ou organizacional.

A batalha de Lenin contra o Menshevismo formou a base para uma critica a variante Russa do reformismo. Mas nessa epoca sua perspectiva sobre o reformismo coincidia mais ou menos com aquela da ala revolucionaria da Segunda Internacional. Seguindo as linhas tracadas pelo enfoque que prevalecia entre a esquerda do SPD, ele apontou o desenvolvimento unico da classe operaria britanica, a fraqueza da social democracia Britanica, e robustes do Liberalismo e o carater reacionario dos sindicatos Britanicos. Assim ele escreveu em 1906: "Infelizmente, o movimento trabalhista britanico promete servir por um longo tempo como um exemplo triste de como o abandono do movimento trabalhista do socialismo leva necessariamente a ele adquirir um carater superficial e burgues".[9]

A analise que Lenin fez do movimento trabalhista britanico estava correto, mas o fenomeno que ele descreveu nao se restringia a Gran Bretanha.

Apesar da avaliacao limitada do problema feita por Lenin, ele nao estava cego para o desenvolvimento do oportunismo no movimento trabalhista europeu. Em 1906 ele anotou a difusao da Doenca Britanica em sua reportagem do Congresso de Jena do SDP:- "Esta ficando mais  evidente nesse Congresso que mesmo na Alemanha, onde as tradicoes do Marxismo e sua influencia sao mais fortes, tendencias anti-socialistas rumo ao "sindicalismo puro" britanico,( isto e sindicatos de tipo absolutamente burgues, e nao esqueca, sindicatos social democratas),  estao se desenvolvendo....Na Alemanha, como na Russia e de fato em todos lugares, um sindicalismo bitolado, ou Economismo, esta se vinculando com oportunismo (revisionismo).[10]

Nos anos que seguiram Lenin se tornou mais convencido que a tensao entre a ala revolucionaria e a ala reformista da social democracia nao poderia ser resolvida dentro de uma mesma organizacao. [11] Memo em 1913 ele ainda caracterizava os partidos social democratas como basicamente socialistas. Comentando em outro caso aparte, - o Partido Trabalhista Australiano - Lenin insistia que sua dinamica era romper-se com o Liberalismo rumo ao Socialismo:- "Naturalmente, quando Australia finalmente de desenvolver e se consolidar como um estado capitalista independente, as condicoes dos trabalhadores se transformarao, como tambem o Partido Trabalhista Liberal, que swe transformara num partido socialista operario. Australia e uma ilustracao das condicoes sob as quais excecoes para o que e a norma sao possiveis.  A norma e: um partido operario socialista num pais capitalista. A excecao e; um partido trabalhista liberal  surge somente por um periodo curto por virtudes de condicoes especificas que sao anormais para o capitalismo como um todo".[12]

O colapso da Segunda Internacional forcou Lenin pensar novamente sobre a social democracia. Onde antes ele via partidos trabalhistas liberais como "excecao" ele concluiu em 1916 que "o fato e que "partidos trabalhistas burgues" como um "fenomeno politico, ja se formaram em todos os principais paises capitalistas"[13]

A subestimacao inicial de Lenin da extensao do reformismo dentro da social democracia era amplamente compartilhada pelo movimento revolucionario internacional, Essa compreensao superficial do reformismo nao se devia inteiramente deficiencias teoricas: e que antes de 1914 o conteudo reformista das politicas social democratas nao haviam sido exposta na pratica. Quando a direcao da social democracia e as consequencias do reformismo se manifestaram com a explosao da Primeira Guerra Mundial uma critica revolucionaria poderia avancar.

A SINTESE LENINISTA

Entre 1914 e 1916, Lenin e seus colaboradores desenvolveram uma importante critica do reformismo. A teoria de Lenin marcou um rompimento decisivo com  as discussoes anteriores. Pela primeira vez a discussao do reformismo ocorreu a partir de fundamentos materialistas.[15] Lenin agora relacionou o surgimento do reformismo com o periodo de expansao imperialista.  A prosperidade relativa  desfrutada por uma camada da classe operaria nos paises imperialistas teve uma serie de consequencias importantes:

1. ausencia de guerras importantes ou revolucoes entre 1871 e 1914 formentou oportunismo que foi consolidado com a burocracia trabalhista e que influenciou  categorias significantes do movimento trabalhista.

2. Expansao economica leveou ao surgimento da aristocracia trabalhista. A posicao privilegiada dessa camada criou as bases para sua alianca com a burguesia.

3. A aristocracia trabalhista e seus aliados assumiram controle do movimento trabalhista e usou suas instiuicoes para conseguir a aderencia da classe operaria para uma politica de colaboracao de classe.

4. A extensao da democracia burguesa, o crescimento da intgervencao estatal e a criacao de vinculos entre a aristocracia trabalhista e o estado formentou ilusoes no carater do estado burgues[16]

Muitos historiadores radicais reduziram a critica de Lenin ao reformismo a sua analise da aristocracia trabalhista. Mas sua identificacao da aristocracia trabalhista como a base social para o reformismo e somente uma parte da sua teoria. De fato, o papel da aristocracia havia sido amplamente discutido antes da critica de Lenin. O que e mais importante na analise de Lenin foi o vinculo que ele estabeleceu entre imperialismo e reformismo. Atraves da expansao imperialista uma estrato da classe trabalhista foi atraida para uma colaboracao ativas com a burguesia. Essa colaboracao foi possivel nao somente por simples cooptacao, mas atraves da intervencao estatal na vida politica e social. A prosperidade que a expansao imperialista proporcionou fez possivel para o estado criar as condicoes necessarias para a integracao da burocracia trabalhista e o estabelecimento de paz entre as classes.

Contudo, a aristocracia trabalhista por si so nao poderia ter influenciado o movimento trabalhista para adotar uma perspectiva reformista. O papel da aristocracia foi agir como "veiculo do reformismo e do chauvinismo"[17] E o caminho para esses veiculos foipreparado pelos partidos trabalhistas burgues.[18] Esses paises pode exercer o papel mediador porque eles eram nao somente partido trabalhista Burgues expressando os interesses da aristocracia trabalhistas, mas tambem porque eram partidos trabalhistas burgues refletindo os ineresses imediatos dos trabalhadores. Foi atraves dos partidos social democratas e das burocracias sindicais que a alianca entre a classe operaria e a burguesia foi consumada.

. A classe dominante comecou  conscientemente a tarefa de formar uma alianca com o movimento trabalhista oficial. Lenin chamou essa estrategia "Lloyd Georgismo": a politica de reformas para estabilizar as relacoes trabalho-capital.

Reformas do tipo promovida por Lioyd George, lider do Partido Liberal britanico foi crucial em fornecer as bases politicas e ideologicas dentro das quais reformismo podia florescer. Intervencao estatal nas lutas de classes na fase de expansao imperialista foi um forte estimulo para criar as ilusoes reformistas sobre o carater neutro e mesmo benevolente do Estado. Esta e a razao que  escritos de Lenin sobre o Estado (em particular Estado e Revolucao)sao um componente essencial de sua critica ao reformismo.[19]

A consolidacao da posicao da burocracia trabalhista dependia de seu reconhecimento do estado. A democracia burguesa e suas instituicoes assimilaram a direcao do movimento trabalhista e criaram as condicoes politicas para estabilizacao dos conflitos sociais. Lenin examinou esse processo em detalhe: "Sobre a base economica mencionada acima, as instiuicoes politicas do capitalismo moderno - imprensa, parlamento, associacoes, congressos, etc criaram privilegios politicos e subornos para trabalhadores de escritorios e operarios patriotas, reformistas humilde e respeitsadores correspondente com os subornos e privilegios economicos. Trabalhos faceis e lucrativos no governo ou nos comites da industria de material belico, no parlamento e em diversos comites, no corpo editorial dos jornais "respeitados" legalmente produzidos ou na gerenciando os  departamentos dos sindicatos agora obediente da lei e respeitavel, - essa e a isca com a qual a burguesia imperialista atrai e compensa os apoiadores e representantes dos partidos trabalhista burgues"[20]

Intervencao do Estado deu reformismo sua coerencia. Atraves de seu relacionamento com o Estado a burocracia trabalhista garantiria sua sobrevivencia enquanto o estdo oferecia a possibilidsde de novas reformas.

O elemento final na critica de Lenin ao reformismo refere se a consciencia de classe. O colapso da Segunda Internacional expressou "a desercao de um estrato da aristocracia trabalhista para a burguesia."[21] Ja nao se tratava de uma questao de debate teorico mas de uma luta politica contra colaboradores ativos com o imperialismo.

Donde Lenin insistiu que deve ocorrer um rompimento decisivo entre reformistas e revolucionarios. Somente com a construcao de uma nova Internacional Comunista (IC) podera a consciencia de classe da classe operaria ser dada uma expressao organizacional. A IC e uma luta global contra politicas imperialistas no movimento trabalhista foram vitais para purgar o movimento trabalhista de sua direcao decadente.

NOTAS:

3. Ver Marc e Engels, Volume 1, Collected Works pag 514 Em maneiras diferentes a critica de Marx e Engeles de socialistas pequenos burgueses como Owen, Proudhon e Duhring sao mais pertinentes para elaboracao da teoria do reformismo. Contudo essas tendencias desenvolveram entre a pequena burguesia e nao no movimento trabalhista. Como resultado, socialismo pequeno burgues, apesar de suas afinidades ideologicas com o reformismo moderno de hoje representava um enfoque politico pre-imperialista. Assim que o oportunismo comecou-se manifestar como uma tendencia coerente, Engeles foi rapido em responder. Sua critica devastasdora ao Programa de Erfurt aponta para a critica de Lenin sobre o tema. Ver F Engels, Critique of the Erfut Programme, no East Kent Bulletin of Marxist Studies, n. 1, 1977..

4. Engels to Sorge, 19 Abril 1895, Selected correpondence, pag 570.

5. Citado em M. Salvadori, Kautsky and the Socialist Revolution 1880-1938, London, 1979, p 74

6. K. Kautsky, The Socialist Revolution, London 19909, "o prefacio de Kautsky para a traducao inglesa pag III"

7. Ver D A Smart Pannekoek and Gorter's Marxism, Pluto Press, 1978

8. Luxemburgo bem conhecido Reforma Social ou Revolucao e dedicado a uma refutacao ao revisionismo.

9. Lenin, Collected Work, vol 9, pag413

10. Lenin Collecte Work vol 9 pag 292-293

11. "Varias tendencias estao surgindo dentro da Social Democracia Aleman e lutando para ssir dela. Por dentro o partido esta fermentando. Acao resoluta esta para acontecer. Um conflito entre os reformistas e os social democratas revolucionasrios e inevitavel" Relato Sobre o trabalho do Bureau Socialista Internacional no Lenin Collected Work vol 41, pag428.

12. Lenin, "In Australia, 13 junho 1913, CW, vol 14.

13. Lenin, Imperialismo e o racha no socialismo, CW vol 213 pag 118

14. Num discurso para o Terceiro Congresso da Internacional Comunista em 19221, Trotsku disse: Durante a guerra e mesmo antes da guerra a gurguesi manteve seus mecanismos em balanca - embora isso nos nao tinhamos percebidos na epoca - atraves da dos Sociais Democratas. Ver Trotsky, The First Five Years of the Communist International, vol 1, Pathfinder, p 181.

15. Rudolf Hifelding's Finance Capital, publicado em 1910, provavelmente foi a analise do imperialismo mais abrangente do ponto de vista da classe operaria. Entretanto ele completamente ignora o fenomeno do reformismo. O panfleto de Rosa Luxemburgo Jnius Pampphlets (1915) fornece uma critica completa da crise da democracia social mas deixa de oferecer uma criticca do oportunismo e dela tirar as conclusoes politicas que uma nova internacional seria  necessaria. Em contraste Lenin no Imperialismo analisa as raizes economicas do oportunismo e desenvolve uma critica dele.

16. O desenvolvimento desses pontos podem ser encontrados nos escritos de Lenin entre 1914 e 1917. O colaborador de Lenin Zinoviev tambem contribuiu com a critica bolshevique do reformismo, escrevendo documentos em conjunto publicados  em 1916.

17. Lenin Imperialism, the Highest Stage of Capitalism, CW vol 22 pag193

18. Lenin Imperialism and the split... op cit pag 117

19. Para uma discussao das confusoes ideologicas criada pela intervencao estatal ver Frank Richard, Revisionism, Imperialism and the state: the method of Capital and the dogma of State Monopoly Capitalism, Revolutionary Communist Papers, n 4, February 1979 (em processo de traducao, john amaral)

20. Lenin, Imperialism and the Split pag 117

PARTE II

A FACE MUTAVEL DO REFORMISMO - O SURGIMENTO DO REFORMISMO

GRAN BRETANHA

Reformismo evoluiu por diferentes caminhos ate atingir seu completo desenvolvimento politico. Na Britania, o pais na frente do poder capitalista na epoca, o crescimento do reformismo estava intimamente ligado com a surgimento da aristocracia trabalhista.

A aristocracia trabalhista no seu sentido classico foi um produto do periodo de livre competicao do capitalismo. Os trabalhadores aristocratas eram artesoes que eram capaz de tirar vantagens com suas especializacoes para se protegerem das flutuacoes nos mercados dentrabalho. Eles podiam conseguir concecoes dos capitalistas, exercer um pouco de controle sobre o trabalho que faziam e evitar o grau de inseguranca de empregos que era o destino da passa da populacao de trabalhadores. Eles portanto experimentavam o capitalismo de maneira diferente do resto da classe trabalhadora. No que se refere a posicao social deles eles estavam mais proximos dos pequenos empregsdores e comerciantes do que da massa de trabalhadores nao-especializados. Durante a maior parte do seculo XIX eles desfrutaram virtualmente direitos exclusivos de se organizarem em organizacoes tipo sindicais, Tambem adquiriram o direito de votos bem antes do resto da classe trabalhadora.

Muito da discussao sobre aristocracia trabalhista e excessivamente sociologica. A maioria dos que escrevem sobre o tema tendem a enfatizar a posicao materisl da aristocracia trabalhista e nao sua posicaso relativa ao resto da classes trabalhadora, outras classes e o estado. Como um conceito sociologico, aristocracia trabalhista se tornou parte aceitavel da analise burguesa. [26] Mas a sociologia da aristocracia trabalhista esclarece somente um aspecto da maneira que esse estrato da classe trabalhista forneceu as condicoes para o reformismo.

A aristocracia trabalhista como um grupo relativamente privilegiado de trabalhadores nao poderias funcionar como o elo mediador necessario para operacao de politica reformista. Para compreender essa  funcao teremos de examinar o relacionamento entre aristocracia trabalhista, sindicatos e o Estado..

O "modelo novo" de sindicato que surgiu em 1850s eram organizacoes da aristocracia trabalhista. Esses sindicatos de trabalhadores especializados usaram o poder deles para controlar o mercado de trabaslho e restringir entrada de trabalhadores em suas categorias. O novo modelo de sindicato defendia privilegios das categorias contra a massa da classe trabalhadora. Suas lutas eram tanto contra outros trabalhadores como contra o patronato, principalmente pelo fato que muitos trabalhadores especializados eram sub empregadores. Clegg corretamente os classificou como "acima de tudo uma associacao de sub-empregadores"[27]

Mas esse novo modelo de sindicato por si so nao poderia funcionar como instrumentos de controlar a classe operaria como um todo. Para comeco de conversa eles excluiam a maioria dos trabalhadores. A as organizacoes da aristocracia trabalhista eram tambem uma ameaca ao patronato. Pelo seu controle de sua propria profissao, esses trabalhadores especializados eram inclinados limitar a capacidade dos patroes introduzir novas praticas de trabalho.  Durante as decadas 1850 e 1860 a aristocracia trabalhista foi capaz de bloquear certas prerrogativas da classe gerencial.[28]

A burguesia britanica percebeu logo o problema de luta de classes nao mediada nas suas fabricas e oficinas: sua resposta foi instituitizar as relacoes de classes . Em 1860 as classes dominantes se moveram para formalizar a politica das relacoes com a classe trabalhista, estabelecendo tribunais  de arbitragem e conciliacao entre patroes e empregados.[29] Na decada seguinte o Estado interveio para legalizar os sindicatos, embora restringindo o direito de greves com o Trade Union Act of 1871. Legislacoes subsequentes em 1875 e 1876 cmpletaram o processo de reconhecimento legal dos direitos trabalhistas. Durante a decada de 1880, a depressao economica fortaleceu a burguesia e muitos desses tribunais de arbitragem e conciliacao desapareceram. Mas na decada seguinte a instituicionalizacao das relacoes patroes empregados procedeu com vigor renovado, incorporando ate os sindicados de trabalhadores nao especializados. Por volta da passagem do seculo o processo de incorporacao das organizacoes trabalhistas no sistema capitalista estava quase completo.

EUROPA

A aristocracia trabalhista nao foi de fato, um fenomeno exclusivamente Britanico. Na Europa ele ja existia numa forma primitiva. A expansao limitada do capitalismo resultou numa revolucao lenta da classe operaria no continente. O setor de operarios especializados muito superficialmente haviam se separados da pequena burguesia. Como resultado os sindicatos se desenvolveram muito lentamente e tendiam ser associacoes locais de trabalhadores especializados. No seculo XIX na Franca, por exemplo, so os impressores ganhavam o suficiente para pagar as mensalidades para os sindicatos as taxas de seguros e assim permitir os sindicatos manter financeiramente uma administracao[31]

Nao foi somente o tamanho reduzido da aristocracia trabalhista no continente europeu que previniu ela exercer o mesmo papel mediador que a britanica exerceu. O desenvolvimento lento do capitalismo tambem limitava o poder da burguesia europeia. Como resultado ela nao tinha os recursos para fazer concecoes necessarias para integrar a classe trabalhadora.  A relacao entre trabalhadores especializados e os capitalistas nao era mediados por canais reconhecido pelo Estado e portsanto essa relacaso tendia ter um carater mais violento do que na Gran Bretanha. Mesmo na Alemanha, onde o capitalismo comecou desenvolver muito rapidamente as classes dominantes temiam os sindicatos ate meados de 1890s. Um observador perspicaz alemao das relacoes industriais inglesas que havia recomendado que a politica sindical britanica fosse adotada na Alemanha foi severamente denunciado pelos colegas dele na burguesia.[32] 

No Continente, a ausenciA de instiuicoes mediadoras deu impeto ao surgimento do Marxismo e do sindicalismo no movimento trabalhista. Conflito de classes eram diretos e a natureza classista do Estado se revelava nas em seus tracos coersivos. Mas as diferencias nacionais podem obscurecer a similaridade fundamental no desenvolvimento do movimento trabalhista na Gran Bretanha e no Continente.

Sindicatos em todos os paises foi a pedra fundamental do movimento trabalhista. Este foi o caso ate em paises como Italia, Franca e Alemanha onde as condicoes objetivas e leis anti trabalhistas levaram a formacao de partidos socialistas antes da formacao de sindicatos. Nesses paises partidos social democratas tentaram estimular a formacao de organizacoes sindicais, Onde eles nao conseguiram, como na Italia, por exemplo, reformismo nao conseguiu estabelecer uma base firme no movimento trabalhista. 

A primeira vista parece haver muitas diferencas entre os sindicatos Britanicos e as organizacoes sindicais do Continente. Os sindicatos britanicos ersm conservadores e compartilhavam a perspectiva capitalista do patronato.  Por exemplo teceloes investiam as economias pessoais e sindical nas industrias de tecelagem, e os trabalhadores das docas e industrias navais faziam o mesmo. Em contraste os sindicalistas franceses eram radicais e nao hesitavam em denunciar a sociedade burguesa.

A diferenca em perspectivas entre os trabalhadores especializados britanicos e continentais eram resultados dos ambientes politicos diferentes em que eles operavam. Legislacao antitrabalhista radicalizaram os trabalhadores continentais. 

NOTAS

21. ibid

22. ibid

23. Para uma discussao dessa tatica, ver Frank Richards, "Frente Unida" ni The Next Step, n. 13, Maio 1981

24. Ver Lenin "Remarks on tthe Drafts Theses on Tactics for the Third Congress of the Communist Internacional, in CW, Vol 42, pp 320-321.

25. O Labouring Men de Hobsbawn ainda e o melhor tratamento do assunto. Apesar de sua enfase sociologica ele tambem tenta tratar das mudancas na posicao social da aristocracia trabalhista. O Tratamento de John Foster e mais satisfatorio nesse tema, mas infelizmente ele nao consegue explicar a forma pela qual a perspectiva da aristocracia trabalhista foi instituicionadas no movimento trabalhista. Ver J Foster British Imperialism and the Labour Aristocracy, 1976. Exemplos de um focu bitolado sobre a aristocracia trabalhista fora do contexto das mudancas nas relacoes de classes, ver A,E. Musson, Class Struggle and the Labour Aristocracy, 1830-60, em Social History, Janeiro 1978 e A Reid. Politics and Economics in the formation of the British working class, in Socal History, October 1978.

26. Um historiador antimmarxista identifica a aristocracia trabalhista como os 19 para 15 por centos dos salariados mais bem pagos. E.H. Hunt, British Labour History 1815-1914, Weidenfild & Nicolson, 1981. Usado nesse sentido o conceito de aristocracia trabalhista nao tem significado.

27. H A Clegg et al A History of British Trade Unions since 1889 Vol 1, 1884-1910, Oxford, 1964, p15.

28. R. Price, Master, Unions and Men, 1830-1914, Cambridge University Press, 1980. Esse livro e uma das mais importantes analises da relacoes de classe na Gran Bretanha publicado na decada passada.

29. Por uma excelente apresentacao desse processo R Price, ibid.

30. Acordos coletivos que requeriam relacoes industriais cresceu de apenas 100 em 1890 para 800 em 1916. Ver R Price, ibid, p 164.

31. F Ridley, Revolutionary syndicalism in France, Cambridge 1970, p 17.

32. See G von Schulze-Gaevernitz, Social Peace, (Traducao inglesa), Swann&Sonneschern, London, 1893. Ele declarou: "Com a legislacao de 1871-1876, a razao para a desconfianca que ate aqui separavam os trabalhadores das classes dominantes, principalmente do patronato, ,  desaparecerm. E maravilhoso como tao rapido a revolucao progrediu desde entao, transformando os Sindicatos, antes considerado um perigo para o Estado, numa importante ala do Partido Liberal, e tendo influencian cada vez maior. ibid pp103-4

ARISTOCRACIA TRABALHISTA

O estagio imperialista resultou no declinio da aristocracia trabalhista em sua forma classica.  Inovacoes tecnologicas na Gran Bretanha destruiu a industria baseada no trabalho artesao e transformou a classe operaria. A aristocracia trabalhista classica foi substiuida por um novo estrato de trabalhadores especializados.[33]  Embora relativamente privilegiado e socialmente distante das massas de trabalhadores esses operarios qualificados nao desfrutaram da posicao  estabilidade segura que os velhos artesaos desfrutaram. Uma linha tracada de maneira clara agora separava o estrato mais alto da classe operaria da pequena burguesia. Os operarios qualificados agora era sem nenhuma possibilidade de engano ser visto como parte da classe operaria salariada. Novas tecnologias rebaixaram o padrao de habilidades e reduziram o controle do mercado de trabalho que criava condicoes  para aristocracia trabalhista exercer seu poder social. Mesmo os operarios mais qualificados e melhores organizados agora enfrentava um grau de inseguranca. Mas esse estrato da classe operaria ainda podia defender seus interesses atraves de seus controles dos sindicatos.[34]

No Continente um processo similar estava ocorrendo. embora num sitimo mais lento. O nvo grupo de operarios qualificados se tornaram a forca de vanguarda no movimento trabalhista oficial. Entre 1890 e 1914 os representsantes dos operarios qualificados nos sindicatos e nos partidos social democratas vieram constituirem em uma forca social claramente definida - a burocracia trabalhista. Essa burocracia nao somente expressava os interesses categoriais dos operarios qualificados mas tambem assimilaram todos tipos de preconceitos  dos funcionarios pequeno burgueses. Em 1915 o sociologista burgues Michels comentou o surgimento dessa camada burocratica na classe operaria:- "Existe no proletariado um estrato consistindo de diretores de sociedades cooperativas, secretarios de sindicatos, lideres de confianca de varias organizacoes, cuja psicologia e inteiramente moldada na da classe burguesa com quem eles associam.[35]

A transformacao dos lideres operarios em burocratas trabalhistas possivel pela consolidacao da dominacao imperialista do mercado mundial.

Imperialismo forneceu a fundacao material para o crescimento de uma camada relativamente privilegiada da classe operaria Europeia. Expansao economica e um mercado de trabalho relativamente estavel aplaciu a hostilidade da classe operaria ao sistema capitalista. E como a posicao da burguesia europeia se fortaleceu na frente de um sistema de exploracao global, ela estavsa em condicao de abrandar sua atitude geralmente repressiva com asorganizacoes da classe operaria. Os sindicatos em particular conseguiram cada vez mais reconhecimento ppelo Estado.

Na medida que os imperios das potencias europeias de expandiram no mundo a burocracia trabalhista florescia na Europa. O estabelecimento de tribunais de jurisdicao, procedimentos aceleraram a burocratizacao dos sindicatos. A partir de 1870 na Inglaterra os lideres sindicais ampliaram a esferas de atividades deles.. Nao era mais apenas apenas delegados que discutiam aumentos de salarios com o patronato, agora eles eram reconhecidos como portavozes da classe operarias sobre uma variedade de assuntos. Procedimentos de arbitragens lhes deram um status especial nessa operacoes com reconhecimento total pelos governantes.[36]

Os desenvolvimentos mais dramaticos ocorreram na Alemanha. La a revogacao das legislacoes anti socialistas resultou num a expansao do sindicalismo. Entre 1996 e 1900 filiados de sindicatos duplicou para 600.000 e em 1904 ja tinha alcancado 1.000.000.[37] Em 1884, o estado frances finalmente concedeu o direito legal aos operarios estabelecerem organizacoes. Embora a classe dominante havia por muito tempo temido e lutado contra o desenvolvimento de sindicatos, dentro de 10 anos 400.000 operarios estavam organizados em 2200 sindicatos locais.[38]  Nas partes mais atrasadas da Europa a burguesi nao tinha a confianca necessarias para reconhecer o direito dos trabalhadores se organizarem. Sindicatos italianos formarm uma federacao nao rigorosamente centralizada em 1893 mas repressao do estado a manteve muito fragil.Violencia por parte do Estado e obstaculos legais previniram o estabelecimento de organizacoes trabalhistas estaveis. [39] Assim no sul da Europa acoes trabalhistas normalmente ersm violentas e a burguesia teve grande problemas em instituicionalizar as relacoes entre o capital e o trabalho.

Nos principais paises capitalistas um relacionamento proximo surgiu entre os sindicatos e o estado. O estado Alemao adotou o exemplo Britanico por exemplo e Bismarck foi um passo a frente. Bismarck promoveu medidas de bem-estar como meios de conter a influencia da social democracia. Por volta da passagem do seculo, o movimento trabalhista alemao havia abandonado suas tradicoes anti-estado. 

Os lideres sindicais viram reformas pelo Estado como um meio de fortalecer suas organizacoes. No Congresso dos Sindicatos de 1896 a oposicao tradicional  dos sindicatos aos contratos e procedimentos  de trabalhos  foi decisivamente derrotada. Tres anos mais tarde no Congresso de Frankfurt, a burocracia abandonou sua oposicao de participar em mercados de trabalhos municipais e encourajaram oficiais dos sindicatos entrarem neles em termos de paridsades com os patroes.[40] Em 1902, o Congresso de Struttgart apoiou a participacao dos representantes dos sindicatos em orgaos do estsado que tratavam de politica social.

Dirante todo o Seculo XIX a classe dominante britanica foram relitantes em intervir na esfera do bem-estar social. Mas com as rivalidades imperialistas aumentando por volta da passagem do seculo, e a luta de classes ameacando assumir proporcoes mais graves, a burguesia britanica comecou  emular Bismarck. A partir de 1906 o Estado tentou criar meios para reduzir os efeitos mais duros do mercado capitalista de trabalho nas camadas mais fracas da classe trabalhadoras. Lloyd George e Churchil foram os advogados mais proeminentes desse curso de acao. Tres atos foram aprovados pelo Parlamento - The Labour Exchange Act, The National Insurance Act e o Development Act -que procuravam a participacao e cooperacao  ativa dos lideres sindicais. Essas reformas eram consideradas como sendo essenciais para conseguir a aderencia do movimento trabalhista ao status quo. Como Churchill disse ao Daily Mail em 1909: Com algo no pais, na forma  de seguros contra os dias ruins esses trabalhadores nao vao querer ouvirem as promessas vagas do socialismo revolucionarios:[41] Essa estrategia teve o efeito desejado. Jack Murphy um militante trabalhista proeminente, escreveu mais tarde como essa politica transformou a relacao do estado com os sindicatos. Os sindicatos foram atraidos mais proximos do Estado por um meio engenhoso de oferecer atraves deles uma parte na administracao dos fundos estatal de seguros.[42]

A regulamentacao pelo Estado do relacionamento trabalho-capital teve um efeito dramatico no sindicalismo. Na Gran Bretanha e na Alemanha os sindicatos se tornaram em instituicoes legitimas totalmente sancionadas pela lei. A crescente respeitabilidade dos sindicatos promoveu e um crescimento no numero de afiliados e encoranou a carreira de muitos burocratas. Em 1898 o Sindicato livre Alemao tinha 104 oficiais assalariados, seis anos mais tarde o numero ja era de 677 e na vespera ds guerra de 1914 era quase 3.000 oficiais. [43] Na medida que os sindicatos abriam escritorios cada vez maior e empregava um numero cada vez maior de oficiais, mais seus lideres se tornavam mais indentificados com o sistema capitalista. Quando o lider sindical ferroviario Richard Bell se moveu do seu posto no seu sindicato como um oficial altamente remunerado para assumir um posto do Board of Trade/Camara do Comercio em 1910, foi um sinal dos novos tempos. Bell encontrou muito ex colegas dos tempos de sindicatos para lhe fazer compania. Entre 1906 e 1912, 117 sindicalistas ativos foram apontados para a Camara do Comercio. Mais 124 foram apontados para ocupar posicoes conectadas com os Departamentos Nacional Seguros, 48 par o Departamento da Justica e 85 em outros departamentos de funcionarios civis. Ministro liberais se deram ao luxo de fazer "discriminacao positiva" em favor de burocratas sindicalistas. - eles estavam preparados baixar o padrao de qualidade e "sacrificar" o principio de recrutamento atraves de concursos.[44]

AUTONOMIA DOS SINDICATOS

Lideres sindicalistas tinham pavor a qualquer tipo de acao politica que ameacava o sistema capitalista. Suas organizacoes dependiam de um mercado de trabalho estavel e ser reconhecido pelo Estado. Embora sindicatos fossem um instrumento importante para defender o padrao de vida da classe operaria no que se refere aos lideres sindicais eles eram  eles eram o melhor compromisso com o sistema capitalista.  Qualquer acao que colocava em risco o capitalismo colocava em risco tambem as organizacoes sindicais e a burocracia sindicalistas. Dai burocratas sindicalistas alemaes, britanicos e outros rejeitarem o envolvimento de suas organizacoes em acoes politicas e a insistencias deles em separar lutas politicas das lutas sindicais.

O principio de autonomia dos sindicatos, independencia dos partidos sociais democratas, surguram de diferentes formas no continente europeu. Seus exponentes mais sistematicos foram os lideres sindicalistas alemao. No Congresso dos Sindicatos  de 1892, um dos lideres sindicalistas, Carl Legien, formulou seu argumento para manter a neutralidsde dos sindicatos  como declaracsao de independencia da social democracia.[45]

Burocratas sindicalistas britanicos viam a neutralidade como sendo uma vantagem positiva para poder negociar com o Estado capitalista. O lider sindicalista liberal Shakleton declarou ao Congresso do TUC/Central Sindical de 1910:- "Nas nossas constantes  negociacoes com o Governo....as vantagens de ter um corpo sindical separado de um partido politico ficou evidente. Sentimos que se nao existir aquele elemento sindical distintivo nos sempre estaremos em condicoes de lutar contra o governo no poder. E nos desejamos continuar nossas negociacoes com quaisquer governantes  separados das lutas que ocorrem no pais entre os tres partidos.[46]

Nem todos burocratas eram tao servil como Shackleton mas no geral eles aceitaram a mesma separacao entre politica e lutas sindicais. O principio da autonomia sindical operava, embora de formas diferentes, nos paises onde a burocracia trabalhista ainda estava subdesenvolvida. Na Francas, onde o Estado tinha pouquissimos amigos no movimento trabalhista, muitos trabalhadores viam politicas como irrelevante para suas necessidsdes e viam os sindicatos como a principal forca para transformar a sociedade.. Esse enfoque sindicalista foi formalmente adotado pela CGT, Confederacao Geral do Trabalho francesa em seu Congresso de 1906. O Documento de Amiens afirmou a a necessidade pela "independencia" dos sindicatos e rejeitou colaboracao com qualquer partido politico.[47] Apesar de sua retorica radical a enfase da CGT na autonomia nao era uma pratica muito diferente do que ocorria nos sindicatos  da Alemanha e da Gran Bretanha. Na Alemanha e Gran Bretanha autonomia sindical significava colaboracao ativa com o Estado - na Franca significava recusa em tomar acoes politicas donde significava recusa em desafiar o estado burgues.

NOTAS

33. Hobsbaem avalia que esse estrato constituia mais ou menos 15% da classe operaria britanica, Op cit. p284.

34. Mesmo sindicatos de trabalhadores nao especializados eram liderados por artesoes como Tom Msann, John Burn e George Barnes.

35. Political Parties, Dover Publications, New York 1959.

36. C.E. Shorske, German Social Democracy 1905-17: o desenvolvimento da grande cisao, Cambridge, Mass, 1972.

37. Os afiliados dos sindicatos nao estavam em posicao de opor esse processo. De fato o estabelecimento de novos orgaos para arbitrar relacoes capital trabalho pelo estado normalmente refletia derrotas dos trabalhadores.  Price diz que eles "foram estabelecidos exatamente onde aquele forte poder que os homens possuiam sobre o processo produtivo tinha sido compromissado ou derrotado", Ver op cit, pag 119.

38. F Ridley, op. cit p 17

39. Ver G D Cole, A Segunda Internacional 1889-1914, Vol 3 parte 2, MacMillan, 1956, p713.

40. C.E. Shorske, op cit, p14

41. Citado em J Harris, Unemployment and politics, Oxford, 1972 p346.

42. J.T. Murphy, Modern trade unionism. Routledge & Sons. 1935,p. 7. O estudo de Murphy fornece uma analise clara da convergencia entre burocracia trabalhista e o estado. Ele localiza a predilecao reformista britanica pelo nacionalismo como oriundo desse periodo. "O estado asumiu nova importancia para os sindicatos. Ideias de Socialismo estatal espalhou como fogo em mato seco. A demands por nacionalizacao dessa ou aquela industria ficou populsr", ibid.

43. R. Schelesinger, Central European democracy and its background, Routledge & Kegan Paul, 1953, pp 70-71.

44. Ver R.M. TUC, the growth of a preasure group 1868-1976, Oxford, 1980, p 195.

45. C.E. Shorske, op cit, p11.

46. Citado em R. M. Martin, op cit, pp118-19.

47. F Ridley, op cit

48Como resultado de seu declinio como poder global, Gran Bretanha experimentou grande agitacoes trabalhistas na decada que antecedeu a primeira guerra mundial. A guerra paralizou temporariamente esse processo e deu espaco para burguesia reorganizar as relacoes de classes

A POLITICA DA BUROCRACIA SINDICALCALISTA

 Com variacoes nacionais consideraveis o movimento trabalhista europeu caminhava  na mesma direcao reformista. As diferencas era na rapidez  em que  o processo de colaboracao de classes estava sendo institucionalizado.

Intervencao estatal transformou o sindicalismo. Legislacao trabalhista e formalizacao das relacoes trabalhistas estabilizaram as organizacoes sindicais.. Sindicatos ainda operava como a primeira linha de frente na defesa dos padroes de vida da classe trabalhadora. Mas um hiato entre os afiliados e a direcao dindicalistas.  Trabalhadores procurando defender seu padrso de vida enquanto a direcao dos sindicatos tinha que tinham que avaliar as consequencias de uma acao industrial sobre os recursos financeiros dos sindicatos. Dirigentes sindicalistas procuravam balancar entre atender as reivindicacoes dos membros dos sindicatos e manter suas posicoes. Procuravam convencer o estado reconhecer suas reinvidicscoes e garantir concessoes no interesse de uma relacao trabalho capital sem conflitos.. Dirigentes sindicalistas raramente aprovavam greves, e eram cuidsdosos quando essas ocorriam para que elas nao chegasse ao ponto que ameacasse o seu relacionamento com o estado.

Crescimento economico criou condicoes para a burocracia trabalhista conseguir concessoes para seus membros ao mesmo tempo que mantiveram seus vinculos com o estado. Como resultado a direcao sindicalistas indentificaram inteiramente com o estado, a nacao e o futuro da industria. E com a elevacao em padrao de vida desfrutada por uma vasta camada da classe operaria fez possivel que a perspectiva da burocracia sindicalistas ressonace bem forte no movimento trabalhista.

Apoio para a doutrina de autonomia sindical espalhou no movimento trabalhista. Muitos trabalhadores aceitaram as restricoes nas lutas de classes nas lutas sobre aumentos salariais. Na pratica isso significava que a classe operaria nao tinha nenhuma posicao politica sobre qualquer assunto que nao fosse relacionados com seus padroes de vida. Assim sindicalismo, memo os sindicalismo mais militantes, podiam coexistir com uma perspectiva social burguesa. Os pontos de vistas da burguesia, principalmente sobre assuntos internacionais, prevaleceu em todo o movimento trabalhista. Como um observador perspicaz alemao comentou em 1906 sobre o sindicalismo bitolado e amplamente pro-imperialismo do trabalhismo britanico:- "Essa posicao poderosa do trabalhador nao e arriscado para a Gran Bretanha, pois meio seculo de sindicalismo e treinamento politico ensinou o trabalhador identificar seus interesses com aqueles de suas industrias. E verdade que ele opoem o patrao em questoes de nivel de salario, horas de trabalho etc, mas externamente ele esta com o empregador em todos os assuntos onde os interesses de suas industrias esta em jogo. Nao e raro organizacoes dos empregadores e sindicatos agir em conjunto em questoes economicss. Por exemplo, os sindicatos de Lancashire apoiaram bimetalismo ate a moeda indiana fosse lastreada em ouro; hoje eles estao cooperando com a introducao do cultivo  de algodao na Africa."[49]

Schulze-Gaevernitz exagerou a extensao da colaboracao de classe, mas, no entanto, ele estava correto em apontar o sucesso das organizacoes sindicais em limitar a amplitude do conflito de classes.

A formalizacao das relacoes de classes transformaram o relacionamento entre a direcao e os membros dos sindicatos. A preocupacao dos dirigentes sindicalistas com os problemas dos membros do sindicatos estava relacionado com o interesse deles em manter a maquina sindical. Para as classes dominantes uma nova forca de coersao apareceu na luta contra o capital. Os trabalhadores agora tinham que enfrentar nao somente seus patroes mas tambem regulamentos, procedimentos forcados pela burocracia sindical. Impor o poder da classe trabalhadora agora implicava desafiar nao somente a burguesia mas tambem a burocracia trabalhista. 

Poderia ser anotado que o relacionamento entre a burocracia sindicalista e o estado, embora cada vez mais harmonioso, nao estava livre de conflitos. Mesmo na fase inicial da expansao imperialista o padrao de vida dos trabalhadores estava sempre sujeita a ser atacado e os sindicatos tinha que lutar intensamente para conseguir qualquer beneficio.. Assim, os dirigentes sindicalistas nao poderiam permanecer indiferente a politica. Cadaa vez mais eles passaram preocupar com o que passava no Parlamento. Autonomia sindical na pratica significava nao a rejeicao da politica mas a inclusao do sindicalismo ao Parlamento. Para completar esse quadro examinaremos agora o relacionamento entre as organizacoes politicas e economicas da aristocracia trabalhista. 

CLASSICAL SOCIAL DEMOCRACIA -  SINDICATOS E SOCIALISMO

Arriscando ser parcial, e essencial chamar atencao para o padrao comum do desenvolvimento do sindicalismo na Europa. A separacao dos sindicatos do socialismo e da politica - um fenomeno internacional - teve um efeito decisivo na evolucao da social democracia. Como o importante porta=voz sindicalista bolshevique anotou em sua analise do movimento sindicalista internacional;" a questao fundamental...era a relacao mutua entre organizacoes economica e politica da classe trabalhista".[50]

O relacionamento entre sindicato e social democracia e mais obvia no casao britanico, onde dirigentes sindicalistas tomou a iniciativa em estabelecer um partido parlamentar. Eles criasram o Partido Trabalhista para defenderem interesses sindicais no Parlamento - pressionar para introducsao de lesgislacao favoraveis ao movimento trabalhista. O Labour Representation Commitee/Comite de representacao Trabalhista(LRC) e mais tarde o Labour Party/Partido Trabalhista tinha a tarefa de defender objetivos politicos dos sindicatos sem prejudicar o relacionamento industrial. O perspicaz escritor burgues observou que o LRC assumiu as funcoes da Central Sindical "que trazia o risco de transtorno para um corpo amplamente baseado como a Central Sindical. [51]A simples busca de objetivos politicos pelos sindicatos ja solaparia  o relacionamento  de beneficio mutuo estabelecido entre a burocracia trabalhista e o estado. Em separando as funcoes politicas das atividades economicas salariais, passando a funcao dapolitica para o partido trabalhista, os dirigentes sindicais removeram temas controvertidos da esfera sindical ao mesmo tempo que criavam um instrumento para defender seus interesses no parlamento. 

Na Gran Bretanha o relacionamento entre os sindicatos e o partido trabalhista era transparente. A direcao do partido reconheceu explicitamente sua raizes nos sindicatos Ramsay MacDonald. um dirigente trabalhista importante escreveu em 1908: "O Partido Trabalhista foi formado porque o Sindicalismo havia percebido que guerra entre classes nao leva a nada"[52], Em outras palavras, a politica tinha que ser retirado das relacoes industriais e canalizadas atraves das instituicoes representativa da sociedade burguesa.

Muito historiadores identificaram a formacao do Partido Trabalhista pelos sindicatos como um fenomeno peculiarmente britanico, quando em comparacao com a maioria dos paises europeus onde  os partidos  social democracatas tomaram a iniciativa em estabelecer sindicatos. Outros apontaram a ideologia "Marxista" da Social Democracia europeia  com contraste com a philosofia reformista do Partido Trabalhista. Mas em realidade nao existe nada peculiar sobre a experiencia britanica.

E fato que no Continente Marxismo teve influencia consideravel sobre a classe operaria. Marxismo correspondia com a experiencia politica de muitas camadas da classe operaria europeia: subdesenvolvimento da democracia burguesa, a natureza coersiva do estado. As condicoes socio-economica que prevalecia na Europa retardava o desenvolvimento de sindicatos. A falta de espaco para atividades sindicais formentava o surgimento de organizacoes politicas operarias. Uma consequencia importante desse processo foi a existencia de uma tradicao e objetivos  revolucionarios na social democracia Europeia. 

Contudo, a chegada tardia da expansao capitalista e a extensao da democracia burguesa teve um poderoso impacto na social democracia continental no final do Seculo XIX. Melhoria no padrao de vida, reformas politicas e sociais, fortaleceram a ideologia reformista dentro da social democracia. A busca de ganhos imediatos e metas de curtos prazos levaram a social democracia abandonar a busca dos objetivos socialistas de longo prazo. E o local na qual lutar por melhorias sociais imediatas foi os sindicatos. Politicos sociais democratas comecaram dar enfase cada vez maior ao sindicalismo. eles adquiriram um interesse em fortalecer as organizacoes sindicais e em articular os interesses da burocracia sindical.

No final do seculo XIX , von Volmar, um social democrata direitista, glorificou os sindicatos nesses termos:- "Para fazer possivel as lutas sociais e economicas produzirem resultados positivos e sem gasto inuteis de energia e sacrificios, e necessario substituir as massas incoerentes, inexperiente que cambaleia cegamente entre paixao, excitamento e desespero por um agregado de trabalhadores que sabem o que querem educadas, auto disciplinada ecom comprensao geral de toda situacao afim de que possam avaliar acuradamente aqueles fatores que influencia sobre o suas forcas e os prospectos de vitoria. Desse ponto de vista um governo esclarecido facilitaria o fortalecimento das orgasnizacoes sindicais, ou pelo menos garantiria para elas um minimo de disturbio"[53]

Para von Volmar a luta social democrata por reformas significava aprofundar a institucionalizacao do relacionamento trabalho-capital. Trabalhando bracos dados politicos social democratas e dirigentes sindicais policiaria a "massa incoerente".

A social democracia Aleman pode ter sido estabelecida antes dos sindicatos Alemao, mas a sequencia de eventos nao previniu o estabelecimento de uma divisao de trabalho similar o que havia ocorrido entre a Central Sindical Britanica e o Partido Trabalhista. A maioria dos estudos do PSD alemao mostra que o crescimento de sua ala reformista surgiu paralelo com o surgimento dos sindicatos.[54] Entre 1891 e 1913 a Central Sindical Aleman cresceu de 275.000 membros para 2.500.000 e ultrapassou ate a forca  dos sindicatos britanicos. A consequencia politica - a consolidacao do reformismo - foi a mesmo tanto  na Alemanha quanto na Inglaterra:- "Dirigentes da Social Democracia aleman gostavam de imaginar que eles exerciam forte influencia sobre a politica dos sindicatos. Ate certo ponto, isso era fato; mas os sindicatos sem duvida alguma tinham uma influencia mais profunda sobre o partido, e uma influencia que era especificamente reformista.[56]

A divisao de trabalho entre dirigentes sidicalistas e social democratas funcionou bem na Gran Bretanha e na Alemanha. Contudo, em Franca, os partidos socialistas surgiram numa direcao reformista com muita rapidez. Em 1894 um dos social democrata frances mais importante, Millerand entrou no governo burgues de Waldeck-Rousseau - um regime sem nenhuma condicao de fazer concecao para a classe operaria.  Parlamentares Socialistas tinham muito pouco a oferecer aos sindicatos. Em 1900, quando muitos operarios grevistas foram mortos a tiro em Chalon-sur-Saone, os deputados socialistas se dividiram e 16 deles apoiaram o governo de Waldeck-Rousseau.[57] Trabalhadores franceses obviamente suspeitavam dos politicos socialistas e sindicalistas recusaram se afiliar com a partido socialista. Sindicalismo frances era assim mantido pela natureza subdesenvolvida da social democracia. Trabalhadores militantes procuravam os sindicatos para defender seus interesses e o sindicalismo florecia. A convergencia entre a direcao da social democracia Francesa e os movimento sindicalista so foi consumada quando ambos se uniram atras dos esforcos da burguesia na Guerra de 1914.

SOCIALISMO E SOCIAL DEMOCRACIA

Ate aqui examinamos a social democracia a partir de sua relacao com o movimento sindicalista. Mas a social democracia nao foi apenas uma extensao dos sindicatos. No Continente em particular, a social democracia comecou como uma expressao dos sentimentos anti capitalista da classe trabalhadora. O programa social democrata proclamava o Socialismo como sendo sua meta e todos partidos europeus contavam com elementos revolucionarios dentro de suas fileiras.

Sindicalismo puro era somente uma influencia na social democracia. Imperialismo criou as condicoes no qual partidos sociais democratas pode operar abertamente e legitimamente. A extensao da democracia burguesa e reformas sociais pelo estado pegou a social democracia de surpresa. Por muito anos ativistas socialistas concentravam suas lutas contra a coersao autoritaria e arbitraridades burocraticas. O crescente sucesso da social democracia no parlamento fortaleceu a ideologia gradualista e enfraqueceu as pwerspectivas anti estado.

a Social democracia nao precisou renunciar seu  Marxismo ou seus objetivos formais porque sucesso parecia estar levando a meta final que era o Socialismo. De fato,  politicos socialistas comecaram colaborar com partidos burgueses e os governos nao eram considerados como o opostos ao socialismo, mas como uma resposta pragmatica para novas oportunidades. Mesmo revolucionarios podia relegar o envolvimento de lideres sociais democratas em medidas anti socialistas como episodio sordidos num movimento trabalhista que no seu todo era considerado sadio. O crescimento do reformismo nao foi devido a uma crise intelectual na social democracia. As condicoes materiais que permitiram  a integracao dos sindicatos no sistema capitalista tambem  envolveu a social democracia. A partir do momento que a direcao social democrata colocou ganhos do dia a dia acima dos objetivos finais  a longo prazo, ela se tornou cada vez mais reconciliada com o sistema capitalista. Ela passou aceitar a perspectiva que a melhor maneira para defender a classe trabalhadora era atraves de aperfeicoar a organizacao do partido social democrata - nao atraves de aprofundar a luta de classes.

A degeneracao da social democracia refletia a influencia crescente da burocracia trabalhista que foi a principal beneficiaria das reformas estatais. A burocracia do partido adquiriu uma forca independente.  De axcordo com Zinoviev por volta de 1914 o SPD esta dirigida por 4100 oficiais do partido e 11000 empregadoa salariados.[58] Na Conferencia de 1911 mais de 60% dos 393 delegados eram empregados tempo integral do partido ou dos sindicatos.[59] O Executivo nacional do SPD eram completamente composto de ex burocratas trabalhistas.[60] Embora os burocratas do SPD nao eram ricos, suas posicoes sociais os separavam da classe operaria. O livro de Guttsman aponta os beneficios desfrutados por esses funcionarios:- "Economicamente a posicao do burocrata social democrata nos seus estagios mais baixos ou no inicio de suas carreiras correspondia mais com aquela dos "aristocratas trabalhistas" do que as das classes medias propriamente ditas. Entretanto oficiais trabakhando por longo tempo e homens em posicoes na alta hierarquia desfrutavam beneficios maior do que qualquer trabalhador manual, especialmente se eles tambem recebessem salarios por algum trabalho na burocracia estatal ou se fosse membros do parlamento. E se acrescentar certos beneficios materiais, como passagens livres para viagens oficiais, eles se distanciavam ainda mais do meio operario[61]

Contudo, os privilegios da burocracia nao consegue explicar completamente sua perspectiva conservadora. O contexto politico no qual a social democracia operava forcou-a procurar aliancas com a pequena burguesia. Sucesso em termos eleitorais nao poderia ser atingido somente com votos da classe trabalhadora. Social democracia portanto procurou votos entre a pequena burguesia e normalmente procuravam minimizar suas conecoes proletarias para garantir vantagens eleitorais.As trabalhos na democracia burguesa permitiu que preocupacoes e pwrspectivas pequena burguesa penetrassem e ganhassem posicoes na social democracia.[62] Social Democracia ainda proclamava suas metas socialstas mas agora ela minimizava a violencia das lutas e politicas de classes.Millerand, o socialista frances, observou:- "Socialismo  almeja garantir para  toda a humanidade por uma transformacao natural e beneficiente essas duas , liberdade e prosperidade que o regime capitalista inevitavelmente lhe rouba. Mas em assim indicando o fim que nosso partido almeja I respondo de antemao a acusacao ridicula que se fazem que ele, o socialismo, espera suas ideias triunfar somente por meio de revolucao violenta.[63] 

Social Democracia rejeitava "revolucao violenta" porque violencia de classe significava ruina para a aristocracia trabalhista e seus aliados na pequwena burguesia.

Social democracia agora pregava intervencao estatal como a principal forca para transformacao socialista. E propriedade estatal da industria era considerado o que seria o socialismo. A ideologia da burocracia trabalhista pode ser appropriadamente definida como socialismo estatal.[64] Nas palavras de Ramsay MacDonald:- "Socialismo nao pode ser melhor definido como aquela etapa da organizacao social quando o estado organiza para a sociedade um sistema nutritivo adequado; e governo democratico e o sinal que transformacao social  esta ocorrendo"[65]

O relacionamento proxximo da Social democracia com o estado burgues poluiu sua perspectiva politica. O estado como organizador da classe capitalista nacional fortaleceu tendencias nacionalistas: social democracia ainda proclamava seu internacionalismo mas agora argumentava que patriotismo e internacionalismo sao compativeis. O crescimento da competicao imperialista no inicio do seculo XX empurrou os sociais democratas ainda mais para uma identificacao com os interesses das suas classes capitalistas nacionais. 

Pelo final do seculo XIX era dificil separar dirigentes sociais democratas alemao dos burgueses imperialistas. Hildebrand, Schippel e David defendiam o rearmamento da Alemanha para garantir paridade com Franca e Gran Bretanha no mercado mundial. [66] Seus camaradas franceses faziam o mesmo. Deputados socialistas franceses votaram por verbas necessarias para a campanha militar colonial da Franca na China,. Sociais democratas britanicos foram os mais nojentos do bando. Quando Sidney Olivier, um Fabiano importante, foi apontado Governador de Jamaica, os delegados britanicos disseram no Congresso da Segundsa Internacional em Stuttgart que, "este e um dos postos mais importantes no servico colonial, cujo salario que o acompanha e mais alto que os salarios da maioria dos ministros na Inglaterra.[67] Lenin caracterixzou essa tendencia como social imperialismo. Social Imperialismo foi o produto inevitavel do relacionamento da social democracia com o estado no periodo de expansao imperialista.

CONFLITOS DENTRO DA SOCIAL DEMOCRACIA

A Social Democracia existia em um estdo de tensao permanente. Isso surgiu da divisao de trabalho entre os sindicatos e os lideres politicos, que tentavam restringir a luta de classe so em questoes economicas basicas. Contudo, a politica reformistaa levam a colaborascao de classe em outras esferas - apoio a politica domestica, industrial e diplomatics. Aceitarem as perspectivas burguesas nesses assuntos forcaram os reformistas aceitarem tambem os interesses burgueses nas relacoes industriais. Dessa maneira politicos reformistas sempre eram forcado a se juntarem a burguesia contra os trabalhadores nos conflitos. Na Italia e na Franca politicos socialistas colaboraram com governos anti classe operaria. O apoio do partido socialista italiano ao Ministerio  de Zanardelli-Gigliotti que matou grevistas nos ultimos anos de 1890 criou uma cisao temporaria entre sindicatos e o partido.[68]

Ao mesmo tempo a tendencia para a social democracia desertar a classe operaria e juntar a classe dominante foi mosdificada pelo comitimento formal do partido aos interesses proletarios. A social democracia Continental estava atormentada pela contradicao entre seu cometimento formal ao socialismo e sua atividade colaboracionista. Em contraste com os sindicatos, a social democracia tinha dentro de si uma tensao permanente entre objetivos revolucionarios e reformistas. Esse problema nao existia para os dirigentes sindicais, cuja atividades eram limitadas as lutas em pequena escala e objetivos a curto prazos. Social Democracia, contudo, estava continuamente tomando medidas que contradizia seus objetivos de longo prazo. 

As fontes mais importantes de conflito dentro da social democracia era o antagonismo entre a burocracia e a massa da classe operaria. O movimento trabalhista refletia os interesses das camadas mais privilegiadas da classe . Trabalhadores desqualificados, desorganizados, mulheres normalmente nao faziam parte do movimento trabalhista. Mesmo o movimento trabalhista altamente organizado Alemao nao podia atrair a classe operaria como um todo. Um estudo de Hamburg contrasta partido poderoso, rico e a a orgasnizacao sindicalista com os trabalhadores desqualificados, "extremistas" que nao eram "asequadamente representados nos sindicatos, cooperativas ou partido".[69]

Por maior parte do tempo as contradicoes dentro da social democracia permaneceu abaixo da superficie antes ds Primeira Guerra Mundial. Com pouquissima excecao (Russia, Italia e Holanda) cisao organisacional entre correntes reformistas e correntes revolucionarias nao ocorreu. A Social Democracia foi capaz de conter os elementos revolucionarios dentro de suas fileiras.

Ironicamente, a maior ameaca para a posicao da aristocracia trabalhista foi na Gran Bretanha. O Partido Trabalhista nao tinha base popular e a direcao dos sindicatos eram forcados a fazer eles mesmos a maioria papeis mediadores do reformismo. Nos anos que antecederam  a guerra a direcao sindicalistas estavam cada vez mais incapazes de responder as pressoes dos afiliados. Orgaos sindicais nao oficiais proliferaram e acoes diretas ocorriam com frequencia. Quando estourou a guerra as organizacoes de relacoes de classes estavam quebradas. Um estudo burgues perspicaz observou:- "O problema britanico de assimilacao politica do poder da classe operaria nao pode ser resolvido sem o estimulo externo da guerra.[70] 

A burocracia trabalhista podia exercer seu papel integrativo porque no geral ela nao tinha sido testadsa antes do inicio das guerra. Nessas condicoes a social democracia podia florescer e tornar um movimento de massa. Quando em Agosto de 1914, os partidos socialistas desertaram para o lado das burguesia as tensoes dentro da social democracia explodiu

NOTAS

49. G von Schulze-Gaevernitz, British Imperialism, citado no Anotacoes sobre Imperialismo de Lenin, CW39, p450.

50.A Kozovsky, The World's Trade Union movement, London 1925, p19.

51. R M Martin, op cit p185.

52. J Ramsay MacDonald, Socialism and Society, London, 1908, p137

53. G von Vollmar, Social reform in Germany and in France, in R Ensor ed, Modern Socialism, London 1907, p146. Von Volmar representava os interesses pequeno-burgueses que havia comecado exercer influencia anti socialista na social democracia Aleman. A influencia da pequena burguesia foi particularmente forte nos partidos socialista Francesews e Italianos. Para um estudo do partido italiano, ver R. Michels, Il proletariato e la borghesia nel movimento socialista italiano, 1908.

54. Ver C.E, Shorske, op cit, e W L Guttsman, The German Social Democratic Party 1875-1933, London, 1981.

55 W Maehl, The triumph of nationalism in the German Socialist Party on the eve of the First World Wat, in Journal of Modern History, n. 1, 1952, p26.

56. ibid.

57. A. Norland, The founding of the French Socialist Party 1983-1905, Harvard, 1956, pp 118-19.

58. G Zinoviev, Der Krieg und die Krise des Socialismus, Viena 1924 p508.

59. W L Guttsman, op cit, p229

60. ibid

61. ibid, p258

62. Esse ponto e bem explicsdo em Zinoviev, op cit.

63. A. Millerand, "The saint Mandi Programme", in R Ensor, op cit, p 54. Ramsay MacDonald ecoou Millerand quando ele declarou:= "A palavra chave do socialismo nao e consciencia de classe mas comunidsde de classes". J Ramsey MacDonald, op cit p144.

64. F Richards, RCP, n 4, op cit, pp508, contem uma analise do socialismo estatal.

65. J Ramsey MacDonald, Socialism and Governament, London, 1909, p133.

66 W Maehl, op cit 30

67. Citada em J Lenz, Rise and Fall of the Second International, New York, 1931, 89

68. G D H Cole, op cit, p715.  Um desenvolvimento similar ocorreu na Franca.

69. R.A. Comfort, Revolutionary Hamburg: labour politics in early Weimar Republic, AStanford, 1972, p28.

70. K. Middlemas, Politics in Industrial Society, London, 1979, p50

71. Citada em R Black, Fascism in Germany, vol 1, London, 1975, p253.

72 Citada em R Loew, The Politcs of Austro-Marxism, in New Left Review, n 118, p 125

73. Citado em K Middleman, op cit p143-44.

PARTE III

SOCIALISMO CONTRA-CRISE - O COLAPSO DA SOCIAL DEMOCRACIA

A deflagracao da Primeira Guerra Mundial revelou a natureza burguesa da social democracia. Durante o correr da guerra a burocracia trabalhista consolidou sua alianca com classe capitalista. A social democracia apareceu como o principal pilar da estabilidade capitalista. Lideres reformistas entrou no gabinetes de guerra e os burocratas trabalhistas em todos paises europeus apoiaram ativamente os esforcos de guerra de suas classes dominantes. Em nome do interesse nacional eles justificaram os ataques nos padroes de vidas do proletariado e enviaram milhoes de trabalhadores para serem massacrados.

O papel proeminente da burocracia trabalhista foi vital para a sobrevivencia do sistema capitalista. Mas tambem teve o efeito de enfraquecer a influencia da burocracia sobre a classe operaria. Pelo final da guerra a direcao trabalhista comecou ficar distante da sua base. Forcado acatar ordens do estado capitalistas, a burocracia trabalhista se tornou mais insensivel as pressoes da classe operaria. 

A devastacao da guerra, a fome, pobreza e doencas e o colapso ameacando o estado burgues,  o conflito de classes surgiu em uma escala sem precedente em muitos paises. A luta de classes eram extremaente intensa nos paises que estavam do lado dos perdedores na guerra imperialista. A cisao na social democracia, o surgimento de organizacoes revolucionarias e a revolucao Bolshevique, acrestaram fermento no qual a burguesia havia caido. A burocracia trabalhista simplesmente perdeu controle sobre a camada de ponta da classe operaria.

A maior explosao que o capitalismo Europeu experimentou em sua historia ocorreu entre 1917 e 1921. Em 1917 o Czar foi deposto e a primeira ditadura do proletariado foi inaugurada na Russia. Uma onda sem precedentes de greves atingiu o capitalismo como uma vinganca. Em Novembro de 1918 a monarquias na Austria-Hungria e Alemanha entraram em colapso. Conselhos de trabalhadores e milicias operarias assumiram  o controle na Austria e uma revolucao proletaria ocorreu na Hungria. Conselho de Trabalhadores surgiram na Alemanha e por volta de Janeiro de 1919 a onda de greves precipitou uma guerra civil. Esse movimento grevista atingiu seu pique na resposta ao levante de Kapp em Marco de 1920. Em Maio de 1920 Franca conheceu sua maior periodo de agitacao industrial apos a guerra. Em Setembro os operarios ocuparam as fabricas e ocuparam terras na Italia. E meses mais tarde uma  greve gigantesca ocorreu nas Techecoeslovaquia.

O surgimento revolucionario alterou drasticamente a balanca de poder. A classe capitalista nao conseguia mais impor seus interesses da maneira antiga. A burguesia entao procurou a social democracia para salva-la. Nos paises derrotados os capitalistas no desespero imploraram para a social democracia assumir os governos. Reichert, Secretario da Associacao Aleman de Produtores de Ferro e Aco, persuadiu os capitalistas apoiarem em 1918 o governo social democrata:- "Como poderemos salvar o capitalismo da socialismo ameacador" Infelizmente, nao poderia confiar na burguesia como ela se encontrava na Alemanha em assuntos de politica economicass. Concluimos que no meio dessa inseguranca geral, frente o poder estatal cambaleando so existia fortes aliados da industria entre a classe operaria e os aliados eram os sindicatos. "[71]

A burocracia trabalhista provaram aliados de  fato da classe capitalista, A social democracia assumiu as redeas do governo, prometeu atender as demandas do movimento popular e concentrou em neutralizar os orgaos de poder da classe operarias que surgiram durante o levante. Na Alemanha e Austria a social democracia canalizou o movimento das massas para reformas constitucionais. Os sociais democratas [roporam medidas redicais - tais como reconhecimento do Conselho de Trabalhadores - para evitar presoes populares ainda maior. 

A classe dominante fez tudo para evitar revolucao. A constituicao Alenab de Agosto de 1919 reconheceu formalmente o status do conselho dos trabalhadores. Na Austria, a Lei do Conselho do Trabalhos reconheceu legalmente os delegados sindicais nas fabricas. Mesmo a burguesia francesa executou acoes preventivas. Em 12 de Marco de 1920, sindicatos foram reconhecidos legalmente pela primeira vez. 

Gracas a burocracia trabalhista capitalismo sucedeu em navegar as tormentas. Na Austria Julius Braunthal, um importante social democrata vangloriou os esforcos demonstrado por seu partido em controlar a classe operaria:- "A classe operarua austriaca tem tido desde Novembro de 1918a capacidade de estabelecer seu proprio poder, a ditadura dos Conselhos a qualquer hora ela desejar"[72] Mesmo na Gran Bretanha a burocracia trabalhista foi essencial para restabelecer estabilidsade capitalistas. Em Fevereiro de 1919 Chirchil explicou seu respeito por um forte sindicalismo:-"Organizacao sindical foi muito importante, e quanto mais moderados seus oficiais eram menos reprentativos eles  eram, mas era a unica organizacao com a qual o Governo podia tratar. A maldicao do sindicalismo era que nao havia mais deles, e eles nao tinham ainda desenvolvido a capacidasde para fazer todas as categorias obedientes. Com um sindicalismo poderoso, guerra ou paz podem ser feias. E acrescentou, Organizacoes sindicais eram a unica coisa entre nos e a  anarquia"[73]

Social democracia foi suficientemente forte para enganar a classe operaria Contudo, o papel contra-revolucionario que ela desempenhou durante esse periodo levou ela ser descartada. Milhoes de trabalhadores viram a Social Democracia organizando repressao dos revolucionarios Alemaes. Outros viram como a Social Democracia colaboraram com a burguesia enquanto os trabalhadores passavam fome. O surgimento de partidos comunistas de massas mostrava o declinio da influencia da social democracia. Por todo Leste e Europa Central (excetuando a Austria) partidos comunistas tornaram a forca principal no movimento trabalhista. Mesmo na Europa Ocidental, a social democracia perdeu sua hegemonia sobre a classe operaria em Franca e na Italia. Na Alemanha a cisao no SPD levou ao surgimento de um promissor partido comunista da classe operaria. Na Gran Bretanha, contudo, o Partido Trabalhista conseguiu pasar esse periodo com sucesso. 

O colapso da social democracia coincidiu com o refluxo da onda revolucionaria. O movimento comunista estava ainda muito fraco para dirigir a classe operaria para derrubar o capitalismo. A crise economica que atingiu Europa em 1920 sinalou o inicio de uma grande contra ofensiva capitalistas.  Um retrocesso seguiu outro. Em Agosto de 1920 o Exercito vermelho foi bloquado e derrotado garantindo o isolamento da Revolucao Russa. Em Setembro  de 1920 o movimento operario de ocupacao de fabricas foi derrotado. Em Marco de 1921 o levante proletario Alemao foi derrotado e a greve dos mineiros na Gran Bretanha traida pelos dirigentes sindicais. A partir desses momentos a classe operaria estsva na defensiva.

Em termos organizacionais a social democracia estava mais poderosa do que antes. A classe capitalista estava preparada para ajuda-la construir orgasnizacoes no movimento trabalhistas para salvar a propria pele. No governo na Alemanha e na Austria a social democracia desfrutaram privilegios especiais. Mas essa espansao nao podia camuflar a erosao das bases populares da social democracia. A burocracia do SPD cresceu mas durante toda a decada de 1920 ela nao podia manter uma massa de filiados ativistas. Na Italia, a traicao da aristocracia trabalhista das ocupacoes de fabricas foi compensada com reconhecimento especial pelo governo. No verao de 1921 os fascistas estava em movimento e as orgfanizacoes da aristocracia trabalhistas logo estariam em ruinas. 

A INTERNACIONAL COMUNISTA E A SOCIAL DEMOCRACIA 

Dois temas dominaram as discussoes no inicio do movimento comunista. Por volta de 1921 estava evidente que o fluxo revolucionario havia retraido e que a social democracia ainda mantinha grande capacidade de influenciar a classe operaria. Trotsky formulou claramente as questoes chaves: O desenvolvimento realmente caminha em direcao a revolucao? Ou e necessario reconhecer que o capitalismo conseguiu controlar suas dificuldades que surgiram com a guerra?"[75]

As respostas a essas questoes ersm gersalmente otimistas. Embora os dirigentes da IC nao esperavam nenhuma vitoria imediata, eles anteciparam que os comunistas, apos uma luta politica, conseguiria remover os sociais democratas de suas posicoes de influencias na classe operaria. A analises da IC do reformismo se basearam muito nas experiencias do periodo entre 1917 e 1921. No discurso de abertura do Quarto Congresso da IC em 1922, Zinoviev identificou a social democracias como um baluarte vital da ordem burguesa:- "Capitalismo so existe agora graca exclusivamente aos traidores da Segunda Internacional. A classe operaria e suficiente numerosa agora, e com uma movimento de seus bracos varrer o capitalismo internacional, se nao fossem pelos sociais democratas que estao sempre segurando as maos do proletariados quando eles estso prontas para bater."[76]

Contudo, ma por 1922 a situacai nao era tao volatil como Zinoviev parecis sugerir: os programas de racionalizacao capitalista e as derrotas sufridas pela classe operaria restaurou um grau de estabilidade social nunca  visto na Europa depois do fim da Primeira Guerra. 

A luta contra a social democracia dominou a a IC. Mas suas experiencias com o reformismo nao tinha sido suficientemente avaliada em vista dos eventos do dia dia. Trotsky e seus colegas viram a expansao transitoria que ocorreu imediatamente apos a Primeira Guerra Mundial "como as fundacao mais importante da presente era reformista-pacifista."[77]. Eles subestimaram o impacto que a  recessao que 1921 exerceu sobre a classe operaria. A crise de 1921 criou desemprego em grande escala e forxou a classe operaria recuar. O numero de afiliados nos sindicatos caiu drasticamente e muitos trabalhadores se desmoralizaram.

Contudo, sua teoria inadequada de reformismo nao foi a fraquesa mais seria da IC. A classe operaria nao responde a uma crise economica de uma maneira simples e  mecanica  - o fator decisivo e a direcao e a preparacao politica. Infelizmente os partidos comunistas nao tinham amadurecimento politico nem coerencia organizacional para desafiar a social democracia. Num sentido o rompimento com a Segunda Internacional ocorreu muito tarde.  Como Lenin disse em Junho de 1921:- "Sabemos nos que o maior infortunio do movimento trabalhista na Alemanha e que o rompimento nao ocorreu antes da guerra?"[78]

A fraqueza dos partidos comunistas previniram um desafio eficaz as posicoes da direcao reformistas. A confusao politica e a falta de senso tatico do partido comunista alemao (KPD) levou a derrota do levante de 1923. O revez foi sintomatico da perda geral de dinamisto e direcao da IC.

O surgimento da burocracia stalinista em meios da decada de 1921 levou a degeneracao politica da IC. Ele transformou o relacionamento entre os partidos comunistas e a social democracia. Antes os partidos comunistas nao tinham experiencia politica para enfrentar os reformistas de maneira efetiva. Agora a direcao stalinista do IC empurrava os frageis partidos comunistas em direcao do oportunismo.

Entre 1924 e 1927 a IC comecou se adaptar a social democracia. Na China e Polonia a IC forcou partidos comunistas se subordinarem a movimentos pequenos burgueses nacionalistas. Na Gran Bretanha, o Comintern pos fez em uma alianca com a burocracia trabalhista no Comite Sindical Anglo-Sovietico. Quando as manobras resultaram em desastres para os partidos comunistas a IC impos repentinamente  uma nova posicao: O Terceiro Periodo (apos o fluxo do pos guerra e a estabilizacao nos meado da decada de 1920) que comecou em 1928.[79]

A direcao da IC agora instruiu os partidos comunistas que eles teriam de romper todos os vinculos com os social democratas. Denunciados como "social fascistas", os reformistas eram identificados como o principal inimigo da classe operaria. A nova prioridade wra destruir os partidos nao comunistas da classe operaria: "classe contra classe" era a palavra de ordem do Terceiro Periodo.

A aceitacao da troca de posicao por muitos comunistas refletiam suas frustracoes com a resistencia dos seus competidores social democratas. Era mais facil denunciar a social democracia do que lutar contra eles. As invectivas radicais dos partidos comunistas aos politicos social democratas resultou na caracterizacao do Terceiro Periodo como uma guinada para a esquerda. 

Em pratica, a maioria dos partidos ocidentais falharam em implementar taticas sem meios termos exigidas pela direcao do partido Sovietico no Sexto Congresso da IC em 1928. O Partido Comunista Frances (PCF) prometia "classes contra classes" em palavras enquanto na pratica atuava com ambiguidade em direcao a social democracia nas eleixoes de 1928. A guinada a esquerda do Comintern ia diretamente contra a evolucao do Partido Comunista Italiano (PCI): nunca foi executada.

A dinamica real atras do Terceiro Periodo foi revelado com todo seu vigor na Alemanha. Apesar de tremendas oportunidades, o kPD mostrou-se incapaz de tratar efetivamente com o SPD - as taticasd do Terceiro Periodo foi sua resposta. O impulso dessas taticas nao eram anti-capitalistas mas anti SPD. Na tentativa de manobrar o SPD na esquwrda, o KPD levantou uma barreira para todas as iniciativas unidas nos sindicatos. Mas por detras des violentas denunciscoes da Social Democracia estavsm politicas inteiramente reformistas. A taticas que seriam supostoamente para tansformar os sindicatos em organizacoes revolucionarias operarias eram baseadas em demandss por aumento salariais, diminuicao nas horas de trabalho. e melhoria nas condicoes de trabalho.[82]

A direcao do KPD instruiu o partido organizar campanha por demandas sindicais elementares como um meio de mobilizar as massas.[83] O enfoque economicista  bitolado do KPD nao era alternativa politica ao SPD. Uma investigacao de suas atividades nos conselhos de fabricas em 1930 revelou que os membros do KPD nas suas atividades do dia disa nao se distinguia de seus oponentes social democratas.[84] Uma avaliacao rigorosa do periodo comenta sobre a adaptacao dos comunistas ao social democratas atras da retorica do Terceiro Periodo:- "E digno de nota...que embora o KPD usavam linguagem "rsadicsl" para justificar seu rompimento e pressionar a Social Democracia, os programas pelos quais ele procurava radicalizar as massas eram basicamente reformistas. Isto e, ao tempo quando o KPD estava tentando previnir o SPD agir em sua capacidsde reformista, ele se ofereceu como um substituto reformista  mais efetivo para a Social Democracia.[85]

Longe de ser uma guinada para a esquerds o Terceiro Periodo destruiu os ultimos vestigios de politicas revolucionarias dentro do movimento comunista oficial. Os partidos comunistas nao somente falharam em combater a social democracia mas eles mesmo se tornaram cada vez mais reformistas em suas perspectivas politicas. O crescimento do nacionalismo dentro das fileiras dos partidos comunistas eram os simtomas mais obvios de suas degeneracao. O Terceiro Perido ofereceu nova cjance de vida para a social democracia. As taticas da IC enfraquecersm a causa da revolucao e garantiu que a social democracia mantivesse a devocso de camadas substancial da classe operaria. Trabalhadores que buscavam solucoes revolucionarias tinham duas escolhas social democratas reformistas  ou partidos comunistas reformistas.[86]

SOCIALISMO CONTRA-CRISE

O efeito acumulativo de erros genuinos acompanhados de manobras cinicas da burocracia stalinista ofereceu a social democraci nova vantagens politicas. Mas a democracia social do periodo entre guerras era qualitativamente diferentes daquela antes da  guerra.

O imperialismo ja nao estavs confidente em expandir o sistema. A sobrevivencia do capitalismo exigias grande restruturacao dass industrias em escala tanto nacional como internacional.  Apesar das retomadas transitorias o sistema capitalista permaneceu em recessao durante a maioria do periodo entre guerras. Desemprego ficou endemico e milhoes de trabalhadores foram condenados anos apos anos a estsado de pobreza absoluta. Ocorreu importantes eventos na lutas de classes = por exemplo a Greve Geral Britanica de 1926 - mas no geral a classe europeia estava desbaratada. Coersao do Estado e desemprego foi um choque violento ao poderio sindical e os sindicatos provaram cada vez mais ineficientes em defenderem os interesses das classe.

A propria Social democracia foi influenciada pelas derrotas sofridas pela classe operaria. O status da burocracia trabalhista passou depender mais do estado do que da classe operaria.Atraves do seu uso dos social democratas  como meios para restaurar a ordem depois da Primeira Guerra Mundial, a burguesia trouxe a burocracia trabalhista mais proxima do estado. Como a recessao persistiu a burocracia trabalhistas passram se preocupar mais com os problemas de manter estabilidsde politica e economica. Nos anos 1930s eles se tornaram os defensores  mais fervorosos dos programas de racionalizacao capitalistas.

A preocupacao dos reformistas com os problemas da classe dominantes eram somente parte da razao para eles aprovarem a rascionalizacao capitalistas. A recessao deu campo livre para os patroes imporem cortes de salarios e redundancias: taticas sindicais tradicionais eram ineficazess em condicoes de desemprego em massa. O fracasso de politicas reformistas tradicionais levaram a burocracia trabalhistas buscarem por solucao atraves do estado.

O espaco cada vez mais amplo de intervencao do estado parecia confirmar a visabilidade da estrategia reformista: ate a burguesia teve de reconhecer a necessidade do estado interferir na regularizacao da economia.  O estado estava sendo forcado assumir a direcao de camadas da industrias e encourajar o uso de novas tecnologias. A burocracia trabalhista viu nesse processo a solucao para os problemas economicos afetando a classe trabalhadoras.

A racionalizacao da producao capitalista alterou a composicao da classe operaria. A industria manufatureira tradicional declinou e o setor de colarinhos brancos e do funcionalismo publico cresceu.: o proprio estado passou ser um grande empregador. Esse processo foi particularmente intenso em Franca onde trabalhadores de colarinhos brasncos e funcionsrios civisd se tornaram a principal base social da social democracia. Nos ultimos anos da decada de 1920 o sindicatos dos funcionarios publicos formsvs quase a metade dos afiliados da CGT.[87] E mais, os trabalhadores do setor publico tendian dominar posicoes chves no movimento trabalhista  frances.[88] O setor publico inevitavelmente identificaram o interesses deles com a extensao da atividade do estado.

Intervencao do Estado transformou o relacionamento dos afiliados sindicais, a burocracia trabalhista e o estado.. A burocracia trabalhistas se transformou no maior defensores do intervencao estatal. E a social democracia renasceu como uma forca que se gabava de sua capacidade inegualavel de salvar a economia capitalista. O medo e a desmoralizacao que prevalecia na classe operaria garantiu que a burocracia trabalhista pudesse consolidar seus vinculos com o estado sem muita oposicao. GRADUALISMO AGORA SIGNIFICAVA NAO UM CAMINHO GRADUAL PARA O SOCIALISMO MAS UMA TRANSFORMACAO GRADUAL DA SOCIEDADE CAPITALISTA. Uma consequencia da identificacao cada vez mais proxima da social democracia com o estado foi sua estrategia de colocar a defesa ds democracia burguesa contra o fascismo em primeiro plano. Reforma capitalista e democracia burguesa foram as alternativas social democratas para a recessao endemica e para o fascismo. ""Anti-crisis socialismo" agora se consumou.

Socialismo agora era definido pelos reformistas como sinonimo com reforma do capitalismo. A consequencia mais importante desse enfoque foi o envolvimento ativo da classe operaria na estruracao das relacoes capitalistas. Trabalhadores que  perceberam a inutilidade de barganhar sobre salarios foram convencidos adotar a estrategia de buscar salvacao na organizacao esclarecida do capital. O programa politico da burocracia trabalhista agora eram planos completos para superar a crise capitalistas que eles haviam adotados de economistas burgueses como Keynes. Em 1931,  Vladmir Woytinsky, o importante economista da Federacao de Sindicatos Alemaes (ADGB) elaborou um programa de obras publicas, comumente conhecida como o plano WTB. Como uma avaliacao da da ADGB indica, esse plano foi implementado mais tarde - pelos Nazistas:- "Paradoxicalmente, O programa de criacao de trabalhos de Hitler, comecou logo ele assumiu o poder, continha alguns principios basicos como aqueles do WTB, exceto que ele incluia projetos de defesa".[89]

O efeito mais importante do socialismo contra-crise foi butolar o horizonte da classe operaria. "Acao Positiva" tornou a ordem do dia - mas acao positiva significava reforma captalista. de Man, o socialista belga, autor do mais famoso dos planos de contra crises apelou par um enfoque construtivo da classe trabalhadora:- "O movimento trabalhista deveria abandonar sua atitude passiva frente a crise economica. Ele deveria substituir sua doutrina determinists de crise ....por uma politica voluntarista tendo objetivo limitado mas imediato de reabsorver os desempregados e superar a crise. "[90]

A distancia percorrida pela social democracia longe de seus objetivos originais foi muito bem sumarizado por Spaak, o lider reformista belga. Ele elogiou o plano de Man, explicando que "ate agora nos lutamos contra alguma coisa, mas agora vamos lutar por alguma coisa, pelo Plano."[91]

O governo de Frente Popular na Franca em 1936 demonstrou as consequencias desastrosas para a classe operaria do socialismo contra-crise. Uma onda de greves e ocupacoes de fsabricas foi canalizada para apoiar um governo reformista.  O movimento trabalhista logo discobriu que planejamento capitaalismo podia nao servir seus interesses. Uma vez que o fluxo de lutas de classes fou contido, o governo de Blum caiu e o camnho aberto para a reacao.

Socialismo anti-crise nao pode previnir o colapso final da social democracia. Por um periodo ele serviu como um papel ideologico para a burguesia. Mas a escala da crise requeria medidas que estavam muito alem daquelas propostas pela social democracia. A classe dominante simplesmente demandava mais sacrificios e forcava a burocracia sindicsl em constantes recuos. Enfim a ofensiva dos patroes requeriam mais que cooperacao dos reformistas para manterem a classe operaria controlada.

Mas ate o fim a burocracia colocou a estabilidsade capitalista acima dos interesses da classe operaria. Na Italia, Austria e Alemanha a burocracisa estava m prontas para colsborar com regimes fascistas para garsntir sua sobrevivencia. Social democracia austriscas previniu milicias da classe operaria se armarem contra o eminente golpe fascista.[93] A ADGB Aleman nao se hesitou em aceitar os esquemas corporativos do novo regime nazista. Em 1933, apos Hitler ter assumido o poder ela particiou das celebracoes do dia 1 de Maio organizadas pelos Nazistas. Para salvar a propria pele a ADGB estava preparada para transferir seu relacionamento especial com o SDP para o Partido Nazista. O ultimo numero de seu jornal o ADGB escreveu em termos elogiosos sobre a parada de 1 de Maio organizada pelos Nazistas:-"Nos com certeza nao precisamos mostrar nossas cores para reconhecer que a vitoria do Nacional Socialismo, embora vencido na luta contra um partido que nos consideravamos como o encorporamento da ideia de socialismo (SPD), e nossa vitoria tambem; porque hoje a tarefa socialista e colocada para toda a nacao".[94]

Um dia mais tarde toda a direcao do ADGB foram presos e o movimento sindical Alemao foi aniquilado.

A Social Democracia queria salvar o capitalismo mas nas condicoes de 1930s a sobrevivencia do capitalismo exigia a destruicao das organizacoes da classe operarias (ou pelo menos sua emasculacao). Na Gran Bretanha onde a social democracia nao foi eliminada (como foram na Alemanha e na Austria) e onde ela nao perdeu sua base na classe operaria (como na Franca e na Italia), ela fez uma transicao gradual para um partido descaradamente pro-capitalista trabalhista. A aristocracia trabalhista foi ainda mais incorporada no sistema capitalista durante a Segunda Guerra Mundial e emergiu como uma das instituicoes mais respeitada da sociedsde burguesa Britanica.[95]  Contudo o colapso da social democracia nao levou ao surgimento de um movimento revolucionario. A classe operaria Europeia estava exausta e derrotada; Stalinismo desacreditou politica revolucionaria e partidos comunistas reformistas ocuparam o espaco dos partidos social democratas em desintegracao. As derrotas no periodo do entre-guerra levou a liquidacao do Marxismo. Na ausencia de alternativa revolucionaria realistas toda uma geracao de trabalhadores falharam em aprender as licoes da sua propria derrrota. Esta e a heranca dos anos 1930 que ainda terroriza o movimento trabalhista hoje.

NOTAS

74. W.L. Guttsman, op cit, p261.

75. L. Trotsky, The First Five Years... op cit p181.

76. "First Session, opening of the Fourth Congress of the Communist International, 5 November 1921", Bulletin of the Fourth Congress of the Communist, n.1, p5.

77. L. Trotsky, Perspectiva of world development", speech made on 28 july 1924, in Europe and America, New York, 1971, p12

78. V I Lenin, "Speech on the Italian Question, 28 June 1921, in CW, Vol 32, p463.

79. Uma boa historia desse desenvolvimento e E.H. Carr, Foundation of a Planned Economy 1926-1929, Vol 3, Part I, London 1976, chap 68. A guinada para a esquerda tambem correspondia com os interesses da burocracia sovietica. Tendo perdido controle sobre a economia sovietica a direcao Sovietica estava preparada para alterar drasticamente sua estrategia industrial.

80. W.A. Hoisington Jr. "Class agaist class: the French Communist Party ans the Cominter", no International Review of Social History, 1974.

81. Ver J Barth Urban, Moscow and the Italian Communist Party: 1926-1945, Phd diss, Harvard, 1967.

82. W Ireland, The lost gamble: the theory and pratice of the Germany Communist Party and National Socialism 1929-31, Phd diss, The John Hopkins University, 1971, p99/

83. ibid p 125

84. ibid p 117.

85. ibid p148.

86 Trotsky percebeu os efeitos do Stalinismo em retornar os trabalhadores ao reformismo;- "A politica destrutiva do Cominter, apoiada pela autoridade do estado dos trabalhadores, nao somente tem comprometido metodos revolucionarios mas tambem tem oferecido aos social democratas, profanado por crimes e traicoes, a oportunidade para levantar a bandeira da salvacao", Trotsky, "Our present task" op cit, p136.

87. V. Lorvin, The French labour movement, p 60.

88.  M. Crozier, White Collar Unions - the case of Frnce, no A. Sturmhal, ed, White-collar trade unions, Illinois, 1966, p106.

PARTE IV

O PROBLEMA DO REFORMISMO

A esquerda Europeia falhou em analisar as condicoes especificas que deram origem ao movimento trabalhista moderno. A continuidade instituicional entre as organizacoes trabalhistas e aquelas dos primeiros 40 anos desse seculo obscurece a reorganizacao da s relacoes de classes desde a Segunds Guerra Mundial. Aqueles que denominan os partidos que agora clamam por votos dos trabalhadores "social democratas" se arriscam perder de vista a dinamica que esses partidos expressam. Nem ajuda muito repetir de citacoes  de Lenin e Trotsky. Para compreender a politica trabalhista de hoje devemos abandonar o enfoque  bitolado nas mudancas dentro das instituicoes politicas e examinar o contexto material dentro do qual partidos trabalhistas operam.

Social democracia foi produto da luta de classe que expressou organizacionalmente as aspiracoes anti-capitalistas do proletariado. Lenin estava preparado apoiar as filiacao do Partido Trabalhista na Segunda Internacional, mesmo ele "nao sendo inteiramente independente" do partido Liberal porque aquilo "seria o primeiro passo por parte de uma organizacao realmente proletaria da Gran Bretanha rumo a uma politica consciente de classe e rumo a um partido de trabalhadores socialista"[96].  Podemos considerar os partidos trabalhistas de hoje da mesma maneira?

Antes ds Segunda Guerra Mundial, a social democracia se distanciou de susa base na classe operaria e passou depender da classe cspitalista para sua sobrevivencia. Os partidos Social Democratas que surgiram apos a guerra ja nao foram produtos de lutas de classe, Na Austria e na Alemanha os partidos socialistas foram criacao dos poderes imperialistas vitoriosos. Tanto os  EUA quanto  a Gran Bretanha desempenharam papeis ativos no recriacao do movimento sindical Alemao. Em Francas e na Italia os partidos socialistas eram apenas cascas do que haviam sido, apoiados apenas pelas classes medias e a pequena burguesia. Os poderes imperialistas cooperaram em adotar organizacoes social democratas durant todo o periodo apos a guerra. Mas recentemente os partidos socialista em Portugal e Espanha, ambos foram beneficiados da tutela imperialista.

Mesmo na Gran Bretanha, onde ocorreu a maior continuidade nas organizacoes do movimento trabalhista oficial, as coisas mudaram. Durante a Segunda Guerra Mundial,a integracao do movimento trabalhista procedeu em todo os niveis do postos no gabinete a postos em comites de consultoria nos chaos de fabricas. Em Novembro de 1946, o The Times se vangloriou como a burguesia havia domesticado os sindicatos:- "A transicao prolongada e dolorida das barricadas ao escritorios dos diretores foi finalmente realizada e hoje o TUC(Centrasl Sindical) exerce suas influencias nao atraves de greves e marchas de protestos, mas com argumentos rascionais frente a um corte industrial ou a um juiz independente - ou no Cabinete do Governo - Quao distante de Tolpuddle a Casa dos Transporte".[97]

Nao foi apenas um avanco quantitativo em incorporacao. O movimento trabalhista oficial virtualmente se tornou um departamento governamental.[98]

O estabelecimento e aceitacao de organizacoes trabalhista dominada pela burguesia foi uma medida das derrotas sofridas pela classe operaria. Outra indicacao da escala do problema foi a persistencia da afeicao do movimento trabalhista ao imperialismo. Trabalhadores britanicos celebraram a vitoria da Gran Bretanha como se fosse uma vitoria deles mesmos - nem mesmo reconhecendo a derrotas da classe que eles pertenciam.

Na maior parte do Norte da Europa a aristocracia trabalhista enfrentou poquissima pressao da classe operaria. Ela sucedeu sem muitas dificuldades em impor suas organizacoes bem modificadas sobre a classe operaria. Contudo na Grecia, Franca e na Italia, a intensidade da luta de classe previniu esse curso de acao e os Stalinistas foram chamados para preencher esse espaco deixado vago com o colapso da Social democracia.

NOTAS

89.  G Braunthal, Socialist Labour and Politics en Weimar Germany, Hamdin, Connecticut, 1978, p265.

90.  H de Man, "Socialism and Planning", em G.D.H.Cole and H de Man, Planned Socialism, publicado pelo New Fabian Research Bureau, Pamphlet n 25, London, December 1936, p. 26.

91.  Citado no The Communist International, n 12, 1934, p482.

92.  Para uma avaliacao de um economista burgues do socialismo contra-crise em acao, ver M Kalechi, "The Lessons of the Blum Experiment" no The Economic Journal, March 1938.

93. M. Kitchen, The coming of Austrian Fascism, London, 1980.

94.  Citado em G. Braunthal, op cit, p81.

95.  Para uma analise desse processo, ver a serie de 5 partes, "The War and the working class" no The Next Step, n 8-12.

96. V I Lenin, "Meeting of the Inter5national Bureai" CW, Vol 15, p235.

97.  The /Times, 2 de Novembro 1946.

98.  Para uma discussao desse desenvolvimento ver M Freeman's artigo sobre British Working class and reformism.

99.  D L M Blackmer, "Continuity and change in Post-War Italian Communism" no DLM Blackmer e S Tarrow eds, Communism in Italy and France, Princetown, 1975, p31. O papel da burocracia em influenciar esse desenvolvimento e seus relacionamentos com os partidos comunistas esta fora do objetivo dessa analise. Ver F Richards "Stalinism, the Communist Party ansd the RCG's new turn, in RCP, n. 1, March 1977.

100.  E Varga, "The general crisis pf Capitalism, Labour Monthly, January 1947, p56.

STALINISMO E A CLASSE OPERARIA

Stalinismo influenciou a classe operaria Europeia de duas maneiras. Primeiro, a historia repugnante da burocracia stalinista desacreditou a politica revolucionaria. As classes dominantes usaram a Uniao Sovietica como um exemplo negativo de politica revolucionaria. Ideologia anti-comunista no movimento trabalhista oficial deu as classes dominante um alto grau de influencia sobre a classe operaria.

Segundo, Stalinismo agiu como um freio na radicalizacao politica da classe operario naqueles paises onde a social democracia ja nao conseguia desempenhar esse papel. A burguesia permitiu os comunistas entrarem nos governos de coalizao na Franca e na Italia apos o fim da Segunda Guerra Mundial.. Trabalhadores radicalizados voltaram para os partidos comunistas como alternativa revolucionaria a social democracia somente para serem traidos. Nas suas atividades os stalinistas se tornaram semelhantes aos social democratas.

Os partidos comunistas retomaram o antigo programa estatal socialista e o transformaram no "Via Nacional para o Socialismo" stalinista.. A entrada dos comunistas dos governos burgueses desse paises foi um trabalho para burguesia inestimavel. Na Italia, o PCI pregava sua "politica produtivista", a suspensao das "greves politicas", uma "tregua" na campanha por aumentos salariais, e a necessidade de disciplinas nas fabricas.[99] Na Franca, o PCF seguiu a mesma politica. Varga, o principal teorico economista do movimento comunista oficial, nao estava exagerando, quando ele escreveu em 1947 que:- "Em todos os paises Europeus os comunistas estao participando dos governos e desempenhando um importante papel em restaurar a economia desses paises"[100].  Thorez, o lider do PCF expressou de maneira clara em 1947 o "papel importante" desempenhado pelo  comunistas frsnceses" Gracass a classe operaria o pais se recuperou em dois anos, enquanto cinco anos foram necessarios para conseguir o mesmo resultado depois da primeira guerra, embora as dificuldades foram menores. O grande merito da classe operaria de nosso partido e que nos, os Comunistas, foram aqueles que foram aos trabalhadores e lhes disseram o que necessitava ser dito...Em Outubro de 1946 os precos havia alcancado 851 e os salarios 416. Isso significava que havia tido uma reducao de 50% do poder de compras dos salarios comparado com 1937."[101]

Resumindo, o Stalinismo ajudou o capital reimpor firme controle sobre a classe operarisa. O impacto de longo tempo foi igualmente importante - A politica Stalinista ajudou reconciliar as aspiracoes dos trabalhadores com a reconstrucao capitalista. Sentimentos anticapitalistas foram reprimidos pela politicas de reformas radicais. Os partidos Stalinistas assumiram seu lugares como parte da burocracia trabalhistas do pos-guerras.

CAPITALISMO DO POS-GUERRA E A CLASSE OPERARIA

As derrotas da classe operaria nao foi somente importante em facilitar a criacao de um novo sistema de politica trabalhista. Ela tambem abriu o caminho para a restruturacao das relacoes capitalistas e a restauracao da taxa de lucro.. A neutralizacao da classe operaria permitiu a busca desenfreada de guerras imperialista, o estabelecimento de um equilibrio no mercado mundial dominado pelos EUA, o aumento na taxa de exploracao e a introducao de novas tecnologias. A longas expansao economica do pos-guerra havia comecado. [102]

A expansao economica do pos guerra enfraqueceu ainda mais a politica anti-capitalista. Embora a expansao do capitalismo era desigual, padroes de vida no geral melhorou e o desemprego caiu. No comeco dos anos 1950s o refluxo da luta de classe na Europa havia sido o mais profundo no Seculo XX. Na maioria dos paises militancia operaria podia ser contida com o uso minimo selet de coersao seletiva.

O traco mais marcante do capitalismo do pos-guerra foi a extensao massica da intervencao do estado na vida social e na economia. Regulamentos governamentais e nacionalizacao das industrias e politicas de bem-estar criaram uma camada social dependente da patronagem do estado. Intervencao estatal ofereceu a burocracia trabalhista novas oportunidsades para expansao e crescimento de sua base social.[103]

Intervencao estatal fortaleceu ideias reformistas no movimento trabalhista. A expansao economica do pos-guerra nao foi interpretado como produto de guerra imperialista e derrotas da classe operaria mas como resultado de politica governamental. A lealdade dos trabalhadores se fortaleceu. A luta de classes estava organizada em volta do estado. Seus objetivos ja nao era destruir o estado mas faze-lo mais democratico, reforma-lo ainda mais. 

Nas decadas 1950 e 1960 o conflito entre trabalho e capital nao assumia forma politica. A militancia operaria crescia mas ela podia ser contida com relativa facilkidade. [104] A polarizacao do movimento trabalhista entre uma ala revolucionaria e uma ala reformista que prevalecia durante grande parte do periodo de entre-guerras simplesmente nao existia na Europa do pos-guerra.  Substituindo essa polarizacao um extraordinario consensus de classes  se desenvolveu. A classe dominante nao precisava de partidos reformistas para policiar a classe operaria. Sem muita  pressao dos trabalhadores, os partidos politicos do movimento trabalhistas passaram  se preocupar mais em aumentar suas influencias eleitorais entre as classes medias.  Partidos nominalmente socialistas comecaram perder inibicoes sobre abracar politicas burguesas. Passaram declarar enfaticamente que eles nao eram partidos baseados em classes mas partidos populares. Em 1958 o partido socialista Austriaco adotou um programa nao-marxista e declarou que ele havia "desenvolvido de um partido de operarios assalariados para um partido de todos aqueles que  trabalham."[105] Um ano mais tarde os partidos socialistas Alemao, Suisso e Holandez seguiram o mesmo caminho. Em 1960 o partido socialista sueco se vasngloriou de sua orientacao nao-classista:-"A luta pela igualdade, que os trabalhadores comecaram, se tornou uma luta mais ampla para o tratamento igual de todos os cidadaos, homens e mulheres.[106] Os partidos comunistas entraram nessa tambem e um partido atras do outro declararam aderencia a politica de aliancas amplas das classes.[107]

Muitos na esquerda comentaram sobre o que eles interpretavam como uma guinada para a direita do reformismo. [108] Mas as declaracoes dos partidos do povo e o movimento distanciando esses partidos da classe operaria tinha muito pouco haver com a funcao tradicional do reformismo como mediador na luta de classe. No geral, as relacoes de classes podiam ser mantida atraves da cooperacao entre o estado e os sindicatos e a politica reformistas se tornaram irrelevantes. Eles simplesmente fizeram um reajustamento necessario para ampliar sua penetracao entre as classes medias.

A controversia dentro do Partido Trabalhista Britanico sobre a clausula quatro nos anos 1959/60 nao foi um debate entre reformistas de esquerda e reformistas de direita. Em 1957 a Conferencia do Partido Trabalhista votaram massicamente em fsvor do documento Industria e Sociedade que expressava a concepcao colaboracionista de classe pro-capitalista do partido:- "O Partido Trabalhista reconhece que sob crescente administracao profissional, as grandes firmas estao servindo a nacao bem. Ainda mais, nos reconhecemos que nenhuma organizacao, publica ou privada, pode operar efetivamente se ela esta sujeita a constantes interverencias de escaloes mais altos do governo. Por isso nao temos a intencao de intervir na administraxao de qualquer firma que esta fazendo um bom trabslho"[109]

Esquerda e Direita estavam unidas em apoiar uma operacao eficiente da "economia mista" O debate da Clausula 4 nao foi sobre o cometimento do Partido Trabalhista ao Capitalismo Britanico - sobre isso nao havia disputa - mas sobre o controle das burocracias sindicais sobre o oartido.

Os dirigentes sindicalistas reconheceram que o Partido Trabalhista se apresentar como um partido governamental  alternativo dependia de sua habilidade de conseguir o apoio da classe operaria aos seus programas. Dado a relativa fraqueza do imperialismo Britanico, e a probabilidade de que as medidas necessarias para preserva-lo poderia ser  impopular entre os trabalhadores, o vinculos dos trabalhistas com a classe operaria poderia ser  um trunfo importante. A Central Sindical nao se importava com os exercicios de relacoes publicas de Gaitskell, o lider do partido, entre as classe medias - desde que ele nao tentasse destruisse a ponte que liga o partido com sua base sindical. Assima Clausula quatro permaneceu e o Partido Trabalhista emergiu como um partido capitalista progressivo como uma ala esquerdista inefetiva como uma pequena lembranca de suas herancas reformistas. [110] 

A morte do reformismo nao significava que as relacoes de classes foram deixadas operarem livremente no mercado. Ao contrario, o relacionamento trabalho-assalariado/capital estava mais organizado do que nunca tinha sido antes. Todo um sistema de instituicoes, orgaos do estado, ou para-estatal, orgaos especiais de arbitragem, conselhos de politica economicas, supervisionavam a colaboracao de classes. Em toda Europa milhares de sindicalistas tinham postos nos orgaos envolvidos em assuntos economicos, seguros de acisdentes e medicos, aposentadoria e seguros de desempregos[111] Relacoes industriais em particular foram institucionalizadas - politica salarial, acordo nacional de salarios procedimentosd complicados de arbitragem tornaram-se a normas.

A expansao economica e o emprego total enfraqueceu o controle capitalista do mercado de trabalho. Politicas de relacoes industrial burguesas - e bem-estar - foram a resposta para essa situacao, e nao concessoes as demandas da classe operarias. Assim governos de diversas cores politicas, Trabalhistas, Conservsadores, Cristao Democratas, buscavam implementar politicas essencialmente similares. Os politicos burgueses mais direitistas, - Macmillan, Adenauer e de Gaulle - estavam tao comprometidos com a politica consensual quanto o mais estancado burocrata trabalhista.

Social democracia tradicionasl foi extinta. O estado burgues discutia diretamente com os burocratas sindicais atrasves de um complexo sistema de colaboracao de classe.  A militancia das classes trabalhistas e a colaboracao de classe coexistiam relativamente harmoniosamente nas circunstancias de estabilidade politica sem precendente.

Partidos trabalhistas ainda se consideravam "social democratas" mas o a natireza social deles havia se transformado. O Partido Trabalhista por exemplo, ainda era um partido baseado na classe trabalhadora  mas nao era um partido da classe operaria.  De fato Lenin ja havia feito esse ponto em 1920:- "Claro, a maioria dos membros do Partido Trabalhista sao homens trabalhadores. Contudo, se um partido e realmente um partido dos operarios nao depende somente sobre a afiliacao de trabalhadores mas sobre os homens que os dirige, e o conteudo de suas acoes e suas taticas politicas. Somente essa ultima determina se o que temos em nossa frente e um partido politico do proletariado. Apesar disso, o unica concepcao correta, o Partido Trabalhista e um partido inteiramente burgues, porque, embora sua filiacao e composta de trabalhadores, ele e dirigido por reacionarios, e o pior tipo de reacionarios pode se dizer, auq age no espirito da burguesia.[112]

Em 1920, apesar de sua politica reacionaria o partido trabalhista era forcado representar as aspiracoes de sua base proletaria. Ele desempenhou um papel reformista na sua tentativa de canalizar essas aspiracoes para reformar o sistema capitalista. A inteiracao entre o partido e a classe operaria era o elemento mais importante para definir sua direcao politica. Ja na decada de 1950s isso ja nao era o caso. Nas condicoes da expansao do pos-guerra o Partido Trabalhista se tornou quase completamente  sensivel aos requerimentes do capital. Por causa do consensus social que prevalecia e a liquidacao de politicas baseadas em classes, ele podia desempenhar esse papel e ainda manter sua base na classe operaria. 

A esquerda Europeia adotou uma comcepcao bitolada desses desenvolvimentos. A persistencias de partidos trabalhistas foram interpretadas como demonstrando a continuuidade do reformismo: momentos de militancias sindicalistas era apresentadas como ameacas potenciais ao reformismo. A maneira especifica na qual as relacoes de classes foram organizadas foram ignoradas. Assim no inicio da crise - precisamente quando reformismo comeca der nova relevancia - ela foi declarada obsoleta. Tony Cliff escrefveu em 1971:- "Para revolucionarios a mudanca chave e essa:- O Partido Trabalhista ja nao e um partido reformista no sentido que ele ainda era na decada de 1950 e no inicio da decada de 1960. Ele esta cometido a "modernizacao" do capitalismo Britanico em condicoes que de fato exclue a possibilidade de reformas serias e que exige o corte tanto de salarios quanto de gastos sociais."[113]

A realidade e exatamente o contrario desse caso: nas decadas 1950/1960 reformismo tinha muito pouco papel para desempenhar. Foi na decadsa de 1970, quando os padroes de vida da classe operaria estava sob ataque, que o reformismo voltou ser mais uma vez uma forca politica importante. A esquerda radical estava totalmente despreparada para esse desenvolvimento.

O crescimento fenomenal ds burocracia trabalhista como um resultado da intervencao estatal forneceu a fundacao social para o ressurgimento depoliticas reformistas quando a expansao economica chegou ao fim. A burocracia sindicalista nunca havia cessado de desempenhar esse papel mediador na luta de classe e, diferente da esquerda radical, estava bem preparada para a crise capitalista na decada de 1970.

A RECONSTITUICAO DO REFORMISMO

O inicio da recessao forcou a burguesia reorganizar as relacoes de classes. Ela tinha que absixar os salarios, aumentar o desemprego e rediuzir os servicos sociais. A burocracis trabalhista fez o que pode para facilitar essa transicao. Instituicoes trabalhistas tinham credibilidsde suficiente para conseguir o apoio da classe operaria as politicas  de austeridade csapitalista. De 1973 a 1978 uma tregua entre as classes prevaleceu sem uma grande mudanca nas relacoes entre as classes. Em Franca e Italia, Eurocomunismo surgiu em resposta a crise. Berlinguer, o lider do PCI proclamou a vurtude da necessidade e indicou a prontidao de seu partido em assumir a responsabilidade do oficio de governar. A forma principal que as relacoes de classes assumiu foi o "Contrato Social" - um acordo entre burocratas trabalhistas e o governo que trocava o sacrificio ds classe operaria por promessas de uma prosperidsde futura. 

Durante a metade da decada de 1970 um grau de ambiguidade prevaleceu nas relacoes de classes. A ausencia de qualquer alternativa revolucionaria realistica garantiu que  contra-crise da burguesia passou com pouco desafio no movimento trabalhista. Bastava para os partidos socialistas e eurocomunistas feormularem uma versao trabalhista dessas politicas para elas serem aceitas pelos militantes operarios. [114]Mas enquanto os trabalhadores em sua maioria aceitaram a politicas de seus lideres para salvar a economia nacional eles se recuavam quando eles se deram conta das consequencias na queda de salario, redundsncias cada vez maior e deterioracao dos servicos sociais. Os burocratas sindicalistas tambem nao poderiam permanecer indiferentes com o impactos da recessao sobre a classe operaria.

O enfoque da classe dominante tambem continha um grau de ambiguidade. O vasto edificio de instituicoes e orgaos de relacoes industriais que serviram muito bem o capitalismo na expansao do pos-guerra tambem fortaleceu a organizacao oficial do movimento trabalhista. Mas a estrutura da colaboracao de classe havia se transformado em uma carga pesada sobre uma burguesia em  crise economica. Contudo, a burguesia nao podia simplesmente desmantelar essas instituicoes sem provocarconfrontscao intensas  com o movimento trabalhista. E isto era algo que os capitalistas querim evitar.

O resultado foi que a classe dominante e a burocracia trabalhista continuaram suas colaboracoes. Quando a austeridade comecou a ter efeito o trabalho principal ds burocracia trabalhista foi educar os trabalhadores para as realidades do capitalismo e paralizar acoes militantes espontaneas. 

Duas forcas contraditorias militavsm contra a continuacao desse arranjo. Primeiro, a recessao havia forcdo a burguesia aumentar seus ataques contra a classe operaria. As instituicoes de relacao industrial e a forca do movimento oficial trabalhista agora se tornou um obstaculo serio para a burguesia na sua tentativa de reorganizar as relacoes de classes. E segundo, as consequencias severas ds recessao sobre o movimento trabalhista colocou em questao os metodos traicionais de integracao das classes. O "inverno de descontentamento" sde 1978 marcou o fim de uma era de paz social sem precedente na Gran Bretanha, por exemplo.[115] 

Em 1978 a burguesia comecou desmantelar as instituicoes integracionistas em fvor de formas mais diretas de dominacsao. Leis anti-sindicalismo importantes foram implementadas na Gran Bretanha, Franca, Italia e Espanha. Ajudou a burguesia implementar esse ataque o impacto comulativo da recessao - desemprego representavs uma ameaca severa ads orgsnizacoes sindicais. A burocracia trabalhista foi forcada na defensiva.

A classe dominante nao havia abandonado a colaboracao com a burocracia trabalhista. Na Frasnca ela tinha aceitado o governo socialista de Mitterand. O que a classe dominante desejava era enfraquecer as organizacoes do movimento trabalhista a fim de estabelecer termos mais favoraveis para colaboracao. Assim o governo Thatcher apressou wm enfraquecer os sindicatos e proibor acoes sindicais nao oficiais, mas ela nao tentou ameacar a posicao da buricracia sindical em si.[117]

A desintegracao das instituicoes de colaboracao de classesocasinou um grande impacto na classe operaria. Enquanto a curto prazo isso pode levar a passividsde e desmoralizacao, ela forca os trabalhadores procurarem novas solucoes politicas. O declinio das atividades sindicais transfere a atencao para a esfera politica.

Do ponto de vista da burocracia trabalhista as coisas nao podem continuar da maneirsa que eram no passado. Desemprego ameaca a base social da burocracia sindical e  enraivece a classe operaria: ela forca os lideres sindicalistas buscarem novas solucoes. Os sucessos do partido socialista na Franca, a reativacao da ala esquerda do SPD na Alemanha e a campanha de Tony Benn na Gran Bretanha sao simtomas dessa busca de novas solucoes.

Os requerimentos da burguesia de forma mais diretas  de dominacao de classe  sobre a classe operaria para defender seus iinteresses basicos cria base para a reconstituicsao de politicas reformistas. Contudo, as mesmas forcas que tem estimulados a reconstituicao do reformismo tambem criam condicoes para uma diferenciacao mais profunda dentro das classe operaria - para a emergencia de um movimento revolucionario.

A forma politica em que a social democracia sera reconstituida permanece incerto. Os partidos trabalhistas que de ha muito ja nao envolviam trabalhadores ativos e desenvolveram fortes vinculos com o estado e a classe  dominante nao so mais as instituicoes mais adaptaveis.  No presente os partidos trabalhistas estao passando por um periodo de grandes tensoes nas suas tentativas de manter suas relacoes com a classe operaria. Na Franca, o PCF, partido tradicional dos operarios, esta rapidamente perdendo posicao para seus competidores socialistas, tanto no campo eleitoral quanto no industrial. Na Italia, PCI e suas organizacoes sindicais sofrem pressoes de forcas socialistas ate agora insignificantes. Na Alemanha, o SPD esta tao burocratizado que mesmo sua ala esquerda bem comportada se tornou um problema de grande proporcoes. o Partido Trabalhista Britanico ja provou incapaz de conter sua ala direitista. O surgimento do Social Democrata Party e sintomatico das dificuldades do partido trabalhista em efetuatr a transicso para um novo partido reformista. A tentativa dos esquerdistas trabalhista em elaborar uma alternativa eaquerdista genuina causou a maior crise que o partido que esperimentara. A evolucao desses partidos dependem nao das intencoes dos politicos trabalhistas mas da luta de classe.

Os velhos partidos das classe operaria estao em estsdo de fluxo porque a recessao colocou a reconstituicao do reformismo e a diferenciacao da classe operaria na agenda. Infelizmente a esquerda rsdical europeia se optaram para um curso de acoes que somente pode fazer mais ificil o avanco da classe operaria. A esquerda proclamam que estso construindo um movimento revolucionario. Como? Pelo metodo indiscreto de ajudar a reconstituicao da social democracia agora, com a meta de buscar a diferenciacao politica da classe operaria numa data no futuro. Na Franca a esquerda praticamente abandonou operacoes independentes e se liquidasram em seus elogios e apoio para o goveerno de Mitterand. Na Gran Bretanha a esquerda radical ou esta dentro ou esta trelando o partido trabalhista. De fato a esquerda radical britanica sob a lideranca de Tony Benn tornaram uma forca importante pa campanha para reconstituir a social democracia.

Para revolucionarios as alternativas sao claras. A escolha e entre ajudar consolidsr a social democracia ou assistir a diferenciacao na classe operaria. A esquerda radical alegam estso fazendo ambos, mas na realidade estao trabalhando para o ressurgimento da social democracia.  A alternativa revolucionaria tem que ser colocsda agora para garantir que a polarizacao da classe operaria ocorra entre politica pro-capitalista e politica anti-capitalista - e nao entre duas variedades de politicas burguesas. Uma luta incessante contra a social democracia e vital para fortaslecer-l a classe operaria nas suas batalhas hoje e no futuro.   Frank Richard, Revolucionary Communist Party

NOTAS

101.  Citado em F Claudin. The communist movement from the Cominter to Cominform, London 1978, p343. Togliatti, o lider do PCI, nao precisava se preocupae em ser ultrapassado por Thorez. Togliatti declarou em Janeiro de 1947:- "Nos ultimos anos nenhuma greve politica ocorreu na Italia...Este e um pais onde os sindicstos assinaram uma tregua sobre salarios, um pacto que e sem igual na historia do movimento trabalhista, porque ele determina o maximo salario, nao o menimo...Isto e na verdade o traco absurdo e destscado da situacao economica que que vivemos; e a classe operaria e os sindicatos que estso dando o melhor exemplo e esta tomando todas medidas necessarias para PRESERVAR A DISCIPLINA DA PRODUCAO, A ORDEM E A PAZ SOCIAL". Citado em B Salvati, "The rebirth of Italian trade unionism 1943-54 em S Woolf, ed, the rebirth of Italy 1943-50, London, 1972, 197.

102..Esse ponto foi bem discutido na literatura comunista. Para uma refleccao da expansao economica no movimento trabalhista, ver F Richards, RCP, n. 4, op cit.

103.  Na Gran Bretanha, quase toda expansao da Central Sindical desde a guerra ocorreu por causa do aumento de afiliados do setor colarinho-brancos. Ver G S Bain, The growth of white-colar unionism, Oxford, 1970, p.25

104.  Durante esse periodo a maior ameaca a dominacao burguesa veio das guerras de libertacao coloniais.

105.  Citado em J Gyford e S Haseler, Social Democracia: beyond revisionism, Fabian Research Series, n 292, London, p115.

106.  ibid

107.  O programa formulado no Oitavo Congresso do PCI em 1956 seguiu o mesmo modelo de orientacao acima de classes dos partidos socialistas. Ver S. Hellman, "The PCI's alliance strategy and the case of the middle class, em D.L.M. Blackmer ans S Tarrow, op cit.

108.  Ver por exemplo Tony Cliff, "What makes right-wing Labour tick" no Socialist Review, June 1957.

109.  Industry and Society: Labour's policy on future public ownership, London, 1957, pp-48-9.

110.   Ver o estudo interessante de K Marshall, British trade unions, RCP discussion document, 1981 sobre os conselhos sindicais que mostra  os varios orgaos do governo que tem vinculos com essas instituicoes do movimento trabalhista. 

111.  H Wilensky, the welfare state and equality, London, 1975.

112.  V I Lenin, "Speech on affiliation to British Labour Party, CW, Vol 31, pp257-58.

113.  International Socialism, n 48, june/july 1971, p1.


(original Prolonging the Death Agony: The Rise, Fall and Reconstitution of Social Democracy, by  Frank Richard, Revolutionary Communist Paper  no 8, September 1981)






  

 



 


 
















 




                  






 



No comments:

Post a Comment