Friday, 17 April 2026

DA TRAICAO DAS DIRECOES A INTEGRACAO MATERIAL: UMA NOVA LEITURA SOBRE A PARALISIA DO PROLETARIADO E A LUTA ANTI-IMPERIALISTA

INTRODUCAO :50 ANOS DE CAMINHADA E A NECESSIDADE DE REPENSAR A TEORIA -Ha mais de 50 anos, ingressei na luta política dentro do trotskismo, mais especificamente no Workers Revolutionary Party, (WRP), liderado por Gerry Healy. Durante décadas, acreditamos firmemente em uma premissa central: a revolução seria fruto da consciência do proletariado industrial, e a principal causa dos fracassos históricos e da paralisia das massas era a traição das direções burocráticas e reformistas. Para nós, a crise não era do sujeito revolucionário, mas de sua liderança. Bastava  nos, (assimilando a dialética hegeliana reconstruída materialisticamente por Lenin, no Caderno de Anotações da Lógica de Hegel, volume 38 de sua Obra Coletiva), construir o partido corretamente , com a linha política adequada, para que as massas proletarias retomassem a estrada da transformação socialista.

No entanto, a realidade das últimas décadas impos desafios que essa visão não conseguia explicar. Por que, mesmo diante de crises econômicas profundas, de guerras e de exploração crescentes, o proletariado não reagia como esperávamos? Por que as massas populares aceitava repetidamente acordos,bgovernos e lideranças que, na pratica, traziam seus interesses fundamentais? Por que, ao invés de avançar na luta de classes, víamos o crescimento do reformismo, do nacionalismo, do racismo e, mais recentemente, da política identitárias? Foi nesse processo de questionamento que entrei em contato com as obras de May Shaun, J Sakey, Zak Cobe e Loren Goldner, que abriram uma nova perspectiva: a paralisia, apatia das massas proletarias não e apenas frutos de erros políticos, ou de traições subjetivas, mas tem uma base material profunda. O sistema capitalista não só explora, mas integra setores da própria classe  proletaria em sua lógica, transformando parte dos explorados em cúmplices, mesmo que menores, da exploração.
Essa exposição e uma síntese das leituras das obras dos mencionados autores. Ela busca unir minha experiencia de militante , com essas novas análises, oferecendo uma visão mais completa sobre o funcionamento do sistema, a realidade da América Latina e os desafios que a luta revolucionária enfrenta hoje - em particular minha apreensão que o proletariado do  Global Sul não pode contar com o apoio da classe trabalhadora dos países centrais do imperialismo no Global Norte, que se tornou uma aristocracia proletaria integrada ao sistema vampirico imperialista.

CAPITULO 1:  A VISAO TRADICIONAL E OS SEUS LIMITES
Para a tradição trotskysta da qual venho, a história da classe trabalhadora e marcada por uma série de traições. Desde a adesão social democratas a Primeira Guerra Mundial em 1914, passando pela burocratização e o restabelecimento do  capitalismo  na União Sóvietica, o apoio de setores de grupos de exquerda que clamam ser revolucionários as "revoluções coloridas" da CIA, USAID e  ONGs da Soros Foundations, na Libia, Síria e Ucrânia, os acordos de classes e a cooptação dos sindicatos nos dias atuais, a explicação era sempre as mesmas: as direções traíram, continua traindo as massas proletarias.
Essa visão tem méritos históricos. Não se pode negar que lideranças políticas e sindicais movidas por interesses de poder ou por uma visão reformista, abandonaram a perspectiva de transformacao social e passaram administrar o sistema capitalista em nome da "estabilidade" e do "diálogo social". Mas essa explicação tem um limite fundamental: ela não responde a pergunta que sempre me inquietou: por que as massas aceitam essas traições?
Se as massas fossem realmente potencialmente revolucionárias por natureza, como acreditávamos, bastaria que a direção correta aparecesse para que elas abandonassem as lideranças traidoras e retomassem as lutas. Mas a realidade mostrou que, muitas vezes, as massas proletarias não só aceitam as traições, mas defendem as lideranças que traíram. Elas parecem não aprender com as lições do passado, repetindo padrões de comportamento que, no longo prazo, levam a sua própria derrota.
Foi esse impasse que me levou buscar novas explicações, que fossem além da análise política e mergulhassem na estrutura econômica e social do capitalismo moderno. E foi aí que a obra desses quatro  autores se tornou uma peça chave para a minha compreensão.

CAPITULO 2: MAY SHAUN E A TRANSFORMACAO DO PROLETARIADO NO CAPITALISMO GLOBALIZADO
May Shaun, também ex membro do ERP de Gerry Healy, ex líder sindical, desenvolveu em seu livro Capitalismo in Crisis: Trade Union and the Question of Agency, uma análise que rompe com as premissas tradicionais  do trotskysmo e que confirma a minha apreensão.
 2.1 O FIM DO PROLETARIADO QUE MARX CONHECEU 
May Shaun parte de uma constatação irrefutável: 0 proletariado industrial que Marx descreveu no Século XIX - concentrado nas fábricas da Europa e dos Estados Unidos, ligado diretamente a produção de valor e com um interesse objetivo em derrubar o sistema -  não existe mais nos países centrais do imperialismo. A globalização e a reestruturação produtiva do capitalismo transferiram a maior parte da produção industrial para os países do Sul Global, onde a mão de obra e dez a vinte vezes mais barata e a exploração pode ser mais intensa.
Essa mudança não foi apenas uma alteração geográfica da produção; ela transformou profundamente a natureza da classe trabalhadora em todo o mundo. May Shaun escreve::
("0 proletariado que Marx conheceu -  concentrado, organizado, ligado diretamente com a produção de valor e com um interesse objetivo em derrubar o sistema -  foi desmantelado nos países centrais. O capitalismo ao se globalizar, separou a produção do consumo, e transformou a classe trabalhadora do Ocidente em um grupo que não produz mais o valor que sustenta o sistema, mas apenas o consome."Capitalism in Crisis" pág 45)
Para Mat, a classe trabalhadora dos países centrais do imperialismo, os países ricos, deixou de ser a principal classe produtora de mais-valia. Hoje,vessa funcao e desempenhada pelo proletariado do Sul Global, que trabalha em condições de super-exploracao para produzir os bens que são consumidos nos países centrais imperialistas.

2.2 A CLASSE TRABALHADORA OCIDENTAL COMO "CONSUMIDORES DE ULTIMA INSTANCIA"
Uma das ideias mais importantes de Mat Shaun e a de que a classe trabalhadora dos países ocidentais se transformou em  "consumidores de última instância"  - (uma tese proposta pela primeira vez,em relação com os EUA por Michael Hudson, Super Imperialismo) - Eles não produzem mais o valor que garante o seu padrão de vida; esse valor e produzido por trabalhadores do Sul Global, e transferido para o Norte Global através de mecanismos comi o intercâmbio Desigual, que veremos mais adiante na análise de Zak Cope.
Essa condição transformou a natureza dos interesses da classe trabalhadora Ocidental. Eles não tem mais um interesse objetivo em derrubar o sistema, pois o sistema e a fonte do seu bem estar. Pelo contrário, eles tem um interesse direto em manter o sistema tal como ele e, pois qualquer mudança que afete o fluxo de valor do Sul para o Norte Global significaria a queda do seu padrão de vida.

 (" A classe trabalhadora dos países ocidentais não e mais explorada no sentido clássico. - ou, pelo menos, não e explorada na mesma medida que os trabalhadores do Sul Global são. Eles recebem uma parte do valor extraído da periferia, e por isso se tornam cúmplices da exploração. Para eles, o capitalismo não e uma fonte de sofrimento, mas sim a garantia do seu emprego, do seu salário, dos seus serviços sociais e do seu padrão de vida" - Capitalism in Crisis, pag 62:-)
E por isso que, segundo Mat Shaun, não podemos mais contar com o apoio da classe trabalhadora Ocidental para a luta revolucionária. Eles não vão aliar-se aos trabalhadores do Sul Global, pois isso significaria abrir mais dos seus privilégios. Pelo contrário, eles vão defender o sistema que lhes garante esses privilégios, mesmo que isso signifique apoiar governos de direita, políticas racistas e medidas que aumentem a exploração dos países pobres.

2.3 O CRESCIMENTO DO NACIONALISMO, RACISMO E FASCISMO NO OCIDENTE
May Shaun explica exatamente por que vemos o crescimento de movimentos nacionalistas, racistas e fascistas nos Estados Unidos e na Europa: e a reação da classe trabalhadora Ocidental a ameaça de perder seus privilégios.
Quando a crise global do capitalismo global reduz I fluxo de valor do Sul para o Norte, o padrão de vida da classe trabalhadora Ocidental começa cair. Em vez de culpar o sistema capitalista, eles culpam os imigrantes, os povos do Sul Global e os movimentos que lutam por igualdade. Eles acreditam que, se fecharem as fronteiras e opuserem a "invasao" de estrangeiros, eles poderão manter os seus privilégios.

("O nacionalismo, o racismo e o fascismo não são fenômenos acidentais ou fruto da ignorância das massas. Eles sai a expressão política dos interesses da classe trabalhadora Ocidental, que se vê ameaçada pela queda dos seus privilégios. Em vez de lutar contra o sistema que gera a desigualdade, eles lutam contra aqueles que são ainda mais explorados do que eles, para garantir que o fluxo de valor continue chegar até eles"- Capitalismo in Crisis pág 87).
Essa análise confirma minha tese: o proletariado do Sul Globak não pode contar com o apoio da classe trabalhadora dos países imperialistas. Essa classe se tornou parte do sistema, e a sua luta e para manter os seus privilégios, não para transformar o mundo.

2.O FIM DA FUNCAO DIS SINDICATOS COMO ESCOLAS PARA REVOLUCAO
May Shaun também analisa a transformação dos sindicatos, que na tradução trotskystas eram vistos como as escolas da revolução. Para ele, os sindicatos dos países ocidentais, deixaram de ser organizações de luta de classe e se TRANSFORMARAM em instituições que administram os interesses da aristocracia operária dentro do sistema capitalista.
Os sindicatos não lutam mais por uma transformação radical da sociedade, eles lutam apenas para manter os salários e benefícios de seus membros, mesmo que isso significa apoiar políticas que prejudicam os trabalhadores do Sul Globak. Eles se tornaram na pratica, instrumentos de integração da classe trabalhadora Ocidental no sistema imperialista.

("Os sindicatos dos países Ocidentais não são mais organizações de classes, eles são organizações de defesas de privilegios.Eles não querem acabar com o capitalismo; querem que o capitalismo continue funcionando  de forma a garantir que os seus membros mantenham o seu padrão de vida. E por isso que eles se aliam a governo e as empresas e abandonam qualquer perspectiva internacionalista" - Capitalismo in Crisis pág 112.)

CAPUTULO 3:  J SAKEI E O VAMPIRISMO DO VALOR: O IMPERIALISMO COMO SISTEMA PARASITA
Se Mata Shaun descreve a transformação da classe trabalhadora Ocidental, J SAKEI, autor dos livros They Settlers:The Mythology of the White Proletariat e The "Dangerous Class" and Revolutionary Theory desenvolve a metaforavdo vampirismo para explicar  como o sistema funciona como um todo. Para SAKEI, o capitalismo imperialista não e apenas um sistema economico; e uma relação social que suga a vida, o trabalho e o futuro dos povos oprimidos para manter a prosperidade do centro.

3.1. O IMPERIALISMO COMO SISTEMA QUE SUGA "SANGUE"
SAKEI argumenta que as potências ocidentais não conseguem mais se sustentar apenas com o trabalho dos seus próprios trabalhadores. Elas precisam existir parasitariamente sobre o trabalho super-explorado das nações oprimidas e das minorias nacionais, tanto no exterior quanto dentro das  próprias fronteiras  dos países ricos.

("Norte América e tai decadente que não tem um proletariado próprio, mas precisa existir parasitariamente sobre o proletariado colonial das nações oprimidas e das minorias nacionais. Verdadeiramente, uma Babilônia, "cuja vida era a morte"-Settlers pag 11).
Essa metáfora não é apenas poética: ela e a uma descrição precisa da realidade. Todo o bem estar social,vos salários mais altos, os serviços públicos e o padrão de vida dos países ricos são, na verdade, sangue roubado  de outras partes do mundo.

("Todo o sistema de privilégios dos colonos brancos, desde o salário mais alto até os serviços sociais e um sangue roubado. Não é produto do trabalho daqui (dos EUA), mas do trabalho escravo, do trabalho super explorado no Sul Global e do trabalho forçado dos presos e colonizados internos"  Settlers pág 47)

3.2. A CLASSE TRABALHADORA DIS PAISES IMPERIALISTAS COMO CUMPLICE DO VAMPIRISMO
O ponto mais polêmico e, aí mesmo tempo mais esclarecedor de SAKEI e sua análise da classe proletariados países ocidentais, que confirma e amplia o que Mat Shaun já havia dito. Para SAKEI, o que Marx chamou de proletariado se transformou, aí longo do tempo, em uma aristocracia operária. Essa classe não é mais explorada no sentido clássico; ela se tornou parte do sistema de exploração, recebendo uma parte dos despojos do roubo imperialista.

("O que Marx chamou de proletariado, na Europa e na América do Norte, se transformou numa aristocracia operária, que em vez de vender sua força de trabalho para sobreviver, vive da apropriação do trabalho alheio. Eles não são explorados - eles são os exploradores menores, que compartilham os despojos do vampirismo imperialista"- Settlers pág 62).
E por isso que essa classe não tem interesse real em derrubar o sistema. Para ela, o capitalismo não é uma fonte de sofrimento, mas sim a fonte do seu bem-estar. Ela defende o sistema com unhas e dentes, e aceita as traições das suas lideranças por que essas traições garantem a continuidade do fluxo de riqueza que a sustenta.

("Está classe não tem interesse em derrubar o sistema, pois o sistema e a fonte do seu bem-estar. Ela é como um parasita que, aí invés de atacar o corpo que a sustenta, defende-o com todo o seu poder" vSettlers página 88)

3.3 O LUPEMPROLETARIADO E A RECICLAGEM DO ESTADO

Sakey tambem retoma e atualiza o conceito de lupemproletariado, que Marx havia descrito como a "classe perigosa", mas que ele via com desconfiança. Para SAKEI, o lupemproletariado  -  os marginalizados, os desempregados crônicos, os trabalhadores informais, os excluídos do sistema produtivo -  e uma força ambivalente. Por um lado, eles são os unicos que não tem nada a perder com a derrubada do sistema, por outro, eles são alvo  facilvda manipulação do Estado.
No capítulo intitulado RECYCLINGVTHE LUMPEN: COUNTER-INSURGENCY & THE STATE, ele explica como o sistema aprendeu usar essa força a seu favor. O Estado não reprime apenas; ele recicla. Ele transforma gangues, organizações de ruas e grupos marginalizados em instrumentos de repressão, pagando-os com migalhas para que lutem contra os movimentos revolucionários evdespolutizemvas comunidades oprimidas:

("O Estado recicla o LUMPEN como instrumento de repressão precisamente por causa do vácuo deixado pela falha da esquerda em se envolver com a "classe perigosa" página 14

Para Sakey a única maneira do movimento revolucionariovevitar que o lupemproletariado seja "reciclado" pelo Estado, (como no caso do ISIS ou das gangues de Chicago) e integra-losvorganicamente na luta, tratando-os não como "escórias", mas como uma foelrca cujas habilidades de sobrevivência e ilegalidade são necessárias para derrubar o sistema.
SAKEI argumenta que o movimento revolucionário deve oferecer uma alternativa de identidade e propósito que supere a oferta do Estado ou do fascismo.
Aqui estão os pontos principais da estratégia de SAKEI:
3.2 SUPERAR 0 ESTIGMA E O PRECONCEITO TEORICO
SAKEI crítica a esquerda tradicional por olhar o lumpen com  "despreso moralista", o que acaba empurrando essa classe para os braços da reação. Para ele o revolucionário deve entender o lumpen Como uma classe desligada que tem um potencial radical unico
Sakayvdedica parte do livro  aí que chama de "laboratório de Não, que havia percebido que, na China, os "elementos desclassificados" (soldados, vagabundos,cbandidos,camponeses sem terras)ceram os mais corajosos no campo de batalha. A estratégia de Mão não foi ignora-los, mas dar-lhes uma ideologia clara.
Para evitar que o lumpen, o precariado seja recrutado pelo imperialismo (como "ferramentas subornadas") Sakei defende  que o movimento revolucionário deve ser capaz de fundir o proletariado consciente com o lumpen radical em uma nova força de combate. Se o movimento não "ocupar" a vida dessas pessoas, o Estado o fará através do crime ou do para militarismo.
3.3 A ILEGALUDADE COMO VANTAGEM
SAKEI observa que o lumpen javvive fora da lei. O movimento revolucionário deve usar essa "experiência na ilegalidade" em vez de tentar transformá-los em trabalhadores disciplinados de fabricas
 RESUMINDO A LOGICA DO SAKEI

A única forma de impedir que o Imperialismo crie ISUS, Esquadrões da  Mortes, milícias a partir do lumpen e a esquerda revolucionária ser mais radical e mais organizada nas ruas do que os serviços de Inteligencias. Para SAKEI, a neutralidade,ou o despreso pelo lumpen e, na pratica, uma ajuda ao imperialismo

CAPITULO 4: ZAK COPE  E A MECANICA DE TRANSFERENCIA DE VALOR

Dado que a obra de Zak Cobe já foi sumarizada neste meu blogger, serei breve com ele aqui. Eu só diria se SAKEI explica a dimensão política e social do vampirismo imperialista, Zak Cobe nos seus livros Divided World and Divided Class e The Wealth of(some) Nations, fundamenta essa análise na economia, que com dados e números demonstra como o valor produzido pelos proletários do Sul Global e sistematicamente transferido para o Norte Global mantendo a desigualdade e a exploração. Para ele o principal mecanismo para a transferência de valor e a troca desigual. O países do Sul Globak exportam matérias-primas e produtos de baixo valor agregado a preços baixos,vê quanto importam produtos manufaturados e serviços de alto valor agregado a preços altos. Essa diferença de preços significa que, a cada transação, bilhões de dólares de trabalho não pagos são transferidos do Sul Global para o Norte
Diz ele:("O que chamamos de "comércio internacional"não e uma troca igual, mas um processo pelo o qual o Norte Global extrai, ano após ano, bilhões de dólares do trabalho não pago da regiao. Isso não é desenvolvimento Desigual,- e exploração pura e simples, onde o valor criado por camponeses, operários e trabalhadores precários da América Latina flui como sangue para as esovmconomias centrais" The Wealth of (some) Nations - pág 87
Cope calcula que a América Latina, por exemplo, transfere anualmente um valor equivalente várias vezes o seu PIB para os países ricos. Esse valor não é fruto de investimentos produtivos, mas roubo ouro e simples.

4.1 A CRIACAO DE CUMPLICES LOCAIS

Um dos pontos que mais ressoou com a minhas observacoesvsobrevavrealidade na América Latina e a análise de Cope sobre a existência de cúmplices LOCAIS. O IMPERIALISMO não explora apenas de fora, ele cria aliados dentro dos próprios países oprimidos, que se beneficiam da exploração e, por isso defendem o sistema.
Esses cúmplices incluem a burguesia local, os burocratas estatais, as elites políticas e o que mais importantes para a nossa análise, setores privilegiados da própria classe trabalhadora. Esses setores recebem uma parte dos despojos da exploração, na firma de salários mais altos, benefícios sociais e acesso ao consumo e estabilidade no emprego. Eles se tornam, na pratica, "vamoiris menores", que vivem as custas da exploração li dos setores mais pobres da população e da pilhagem dos recursos naturais do seu próprio país.
E por isso que, mesmo na América Latina, vemos setores da classe trabalhadora apoiando governos reformistas ou mesmo da direita. Eles não o fazem por ignorância, mas porque tem um interesse material na manutenção do sistema.

4.3 A EXPLICAÇÃO PARA A PARALISIA

A Análise de Cope responde diretamente a pergunta por que as massas populares aceitam traições? Porque para esses setores privilegiados,a traição não é algo negativo. Pelo contrário, ela e a garantia da manutenção dos seus benefícios. A revolução, que para nós e a solução para a exploração, para esses setores mais privilegiados aparece como uma ameaça, pois significaria o fim dos seus pequenos privilégios e a perda do acesso ao consumo e a estabilidade.

5 LOREN GOLDNER E A DECADÊNCIA DO CAOITALISMO

SE Sakai explica a dimensão política e Cope a dimensão econômica, Loren Goldner completa essa visão com a análise da decadência do capitalismo e da transformação da própria relação de classe. Ele une a crítica da economia política com a história dos movimentos operários, mostrando que a paralisia do proletariado não é um fenômeno passageiro, mas sim o reflexo de uma mudança estrutural no sistema.

5.1 A AMERICA LATINA COMO "FACE REAL" DO CAPITALISMO
Goldner vê a América Latina como um laboratório histórico, onde o capitalismo mostra a sua verdadeira face, sem as máscaras do bem-estar-social que ele conseguiu criar nos países centrais do imperialismo no Norte Global. Para ele, o que no Norte e visto como "crise econômica"  na América Latina e a normalidade cotidiana
Essa realidade não é um acaso, e o resultado da função que a região desempenha no sistema global, ser a fonte de riqueza que alimenta o desenvolvimento dos países imperialistas.

5.2:'A DIVISAO DO PROLETARIADO E A INTEGRACAO MATERIAL
Goldner confirma e aprofunda a análise de Sakei, Cope e Mat Shaun, sobre a divisão da classe trabalhadora. Para ele, a ideia de um proletariado homogêneo e revolucionário, que tínhamos nos textos clássicos nunca existiu de fato, especialmente na América Latina. A classe trabalhadora sempre foi dividida entre uma minoria privilegiada e uma maioria explorada. Para ele essa divisão tem uma base material solidaenrauzada na estrutura global da exploração capitalista. Ele argumenta que a integração de grandes setores da classe trabalhadora dos países avançados não é resultados apenas de manipulação ideológica, mas de uma partilha real dos despojos extraídos do Sul Global. 
Essa base material explica por que a divisão dentro do proletariado e tão profunda e persistente não é um desvio político temporário, mas uma característica estrutural do Capitalismo contemporâneo que molda a própria consciência e o comportamento de milhões de pessoas.

Para terminar, exemplo histórico que mostra como a divisão entre setores privilegiados e não privilegiados podem levar até em conflitos armados ocorreu nas últimas décadas do último século na Irlanda do Norte, indico os livros, Norhern Ireland: The Orange State de M Farrell e  Ireland:  The key to the British Revolution,'de David Reed que mostraram como privilégios econômicos usufruídos pelo proletariado protestantes  da Irlanda do Norte, na época negado aos irlandeses católicos, levaram os operários protestantes apoiarem grupos fascistas com suas milicias terroristas e o proletariado sionistas de Israel 


Thursday, 16 April 2026

A CRISIS DA ECONOMIA [POLITICA KEYNESIANA de GEOOF PILLING CAPITULO 5


5 - O COLAPSO DO KEYNESIANISMO INTERNACIONAL

"Em Washington, Lord Halifax uma vez sussurou para Lord Keynes: 'E verdade que eles tem  a burra  cheia  de dinheiro, mas nos temos todos os cerebros'. (Gardner 1969: XVII)

No ultimo capitulo, sugerimos que a longevidade da expansao economica do pos guerra na Gran Bretanha nao podia ser atribuida a operacao das politicas keynesianas, mas teria sido produzidas por forcas objetivas em acao na economia.  Alem disso, quando as politicas keynesianas tradicionais para combater o aumento de desemprego foram tentadas em meados de 1970 elas encontraram a oposicao direta do Fundo Monetario Internacional. Curvando-se a essa pressao, o entao governo trabalhista quebrou todas as regras keynesianas convencionais e iniciou uma  deflacao da economia que foi seguida pelos governos de Thatcher de 1979 em diante.

Em um aspecto, entretanto, ainda pode ser argumentado que os anos 1930s e os anos que seguiram 1945 constituiram a era de Keynes, se nao no nivel da economia certamente entao no plano das relacoes economicas internacionais. Pois aqueles foram os anos em que as principais potencias capitalistas, lideradas pelos Estados Unidos, tentaram estabelecer uma ordem financeira e economica internacional regulamentada que evitaria a devastacao da decada de 1930 e suas consequentes implicacoes sociais e politicas. E embora essa ordem nao correspondesse ao padrao exato para o qual Keynes trabalhou no final de sua vida, nao era menos consoante com sua visao geral: a saber, que a acao estatal apropriada ou, neste caso, a acao por uma serie de estados operando juntos, seriam capazes de eliminar as amplitudes mais violentas do ciclo economico capitalista.

Em certo sentido, era adequado que Keynes assumisse essa posicao, pois uma das questoes centrais que o ocupou ao longo de sua vida foi a luta para moldar uma estrutura economica e financeira internacional em que o capital britanico pudesse seguir politicas de sua propria escolha. Desde sua preocupacao inicial com problemas de moeda e financas indianas, passando por seu envolvimento nas controversias em torno  da conferencia de paz de Versalhes e do retorno ao padrao-ouro na decada de 1920, ate suas tentativas no final de sua vida, de trazer a existencia uma ordem monetaria que garantiria a sobrevivencia de um capital britanico cronicamente fraco, essa talvez fosse a preocupacao central de Keynes. Nessa tarefa, ele estava. e claro, lidando com duas questoes intimamentes relacionadas: primeiro o fato que desde o inicio do seculo XX o sistema capitalista como um todo estava em declinio historico e, segundo, a posicao da Gran Bretanha como a principal potencia industrial e financeira dentro deste sistema em declinio foi assumido pelo capital norte americano, cuja dominacao incomparavel era tao obvia nas negociacoes de Bretton Woods. Um nacionalismo economico de coracao, Keynes foi ao mesmo tempo forcado a tomar conhecimento dessas mudancas fundamentais e irreversiveis no poder economico e politico que eram caracteristicas do seculo atual.

O PADRAO OURO

Este foi sem duvida. um processo doloroso, visto que Keynes cresceu em um mundo ainda dominado pelo capitalismo britanico, embora esse dominio estivesse sob pressao crescente desde o momento de seu nascimento. Era um mundo no qual o capital, tanto industrial quanto financeiro, havia sido acumulado na Gran Bretanha por mais de dois seculos e mais, no qual os mercados imperiais ainda forneciam uma saida protegida para qualquer coisa que a industria britanica se preocupasse em criar. Qualquer mau funcionamento da economia, presumia-se, era devidos a fatores internos e nao externos. Muito antes de chegar ao fim de sua vida, Keynes percebeu que essas condicoes haviam desaparecido, para sempre. Isso ja era evidente para ele na decada de 1920; ficou totalmente obvio muito mais quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim. Em uma luta para criar um sistema financeiro pos guerra que permitiria a uma Gran Bretanha enfraquecida a se ajustar sem muita dor ao seu papel muito reduzido na politica e na economia mundial, ele esperava persuadir os norte americanos a relancar a economia por meio de um orgao internacional de compensacao. Os norte americanos corretamente acreditavam que a versao de Keynes da nova ordem economica manteria a demanda por mercadorias muito alta (no periodo inicial do pos guerra, essa era em grande parte a demanda por mercadorias norte americanas), inibiria o fluxo livre de capital (novamente capital predominantemente norte americano) e impediria o uso de controles monetarios como instrumento de politica economica de curto prazo. Assim, os planos de Keynes se chocaram com as realidades cruas do poder norte americano, contra os quais o intelecto, mesmo nutrido em Eton, nao era pareo.

A partir da decada de 1920, Keynes, discordando da opiniao predominante na City de Londres, opos-se a restauracao do padrao ouro. Ele percebeu corretamente que nao poderia de fato haver "retorno a normalidade", como os elementos mais miopes da classe dominante britanica esperavam ou imaginavam; alem disso, uma tentativa de restabelecer as condicoes da Inglaterra eduardiana seria hostil aos interesses do grande capital industrial, fortemente envolvido como estava no comercio mundial. Qualquer pensamento em 1944 de que as condicoes existentes antes de 1914 poderiam ser trazidas de volta a existencia era ainda mais ridiculo e  sem sentido historico.

Na mente de seus defensores, pelo menos, a teoria da ordem monetaria pre-1914, para a qual eles olhavam para tras com tanta nostalgia, era bastante direta.O padrao ouro e geralmente considerado como resultado ds Conferencia de Paris de 1867.Sob esse sistema, o ouro era a unica forma de moeda internacional e ao mesmo tempo, a base da moeds domestica e da criacao de credito. Os desequilibrios do comercio internacional seriam corrigidos automaticamente. Um pais com um superavit comercial experimentaria um influxo de ouro que tornaria necessaria uma expansao ds oferta interna de moeda e de credito. Isso levaria ao aumento dos precos e, consequentemente, a uma perda relativa de competitividade internacional. Exatamente ao contrario, um pais deficitario sofreria uma saida de especie, com a correespondente retracao da oferta monetaria e de credito, queda da atividade economica e consequente pressao sobre o nivel de precos internos. Essas forcas, afirmavam-se, traria uma melhora em sua posicsao competitiva.

Essa era a versao de livro do Padrao Ouro. Muitos observadores acreditaram que, finalmente, um sistema monetario ideal havia sido descoberto: era simples, de operacao suave, independente das acoes tolas dos estadistas. Como disse George Bernard Shaw:- "Voce deve escolher (como eleitor) entre confiar na estabilidade natural do ouro e na estabilidade natural da honestidade e inteligencia dos membros do governo. E, com o devido respeito por esses senhores, eu os aconselhos, enquanto durar o sistema capitalista, que votem pelo ouro" (citado em Anikin 1983: 134-5).

Mas, na verdade, o funcionamento do Padrao Ouro raramente estava de acordo com esse quadro idealizado. A teoria foi derivada da teoria quantitativa da moeda proposta por Hume e Ricardo, bem como da teoria do comercio internacional deste ultimo - a teoria das vantagem comparativa. Uma das suposicoes arbitrarias em que a teoria ricardiana se baseava era a concepcao tacita de que todas as nacoes eram homogeneas; ou seja, no mesmo estagio de desenvolvimento. A teoria tambem era estatica, fato indicado, entre outras coisas, pela concepcao de Ricardo de que era perfeitamente possivel aos paises inverterem suas especialidades. Tanto Smith quanto Ricardo escreveram no periodo anterior a introducao da producao em massa e as possibilidades de aproveitar as economias de escala. Por mais realista que essa suposicao especifica possa ter sido durante uma parte do seculo XIX, ela foi cada vez mais prejudicada pela penetracao de formas mecanizadas de producao em cada vez mais areas da economia. Assim tambem foi destruida a nocao de que a economia internacional se desenvolvesse de maneira equilibrada e abrangente. Na verdade, a lei do desenvolvimento capitalista moveu-se exatamente na direcao oposta - para uma desigualdade cada vez maior em escala mundial, como aqueles marxistas (Lenin, Bukharin, Hifelding, etc) que etudram esses novos fenomenos economicos emergentes no inicio do seculo XX perceberam. E essa desigualdade estava intimamente relacionada ao desenvolvimento desproporcional da industria, concentrada em grande parte na Europa e na America do Norte, de um lado, e na agricultura do outro.

A teoria que sustenta o suposto funcionamento do Padrao Ouro tambem se baseava na proposicao de que todas as operacoes economicas respondem a movimentos de precos e/ou taxas de juros. Isso estava longe de ser o caso. Em seu periodo classico (as ultimas tres decadas do seculo XIX), a Gran Bretanha era um exportador consideravel de capital de longo prazo. O capital britanico foi usado extensivamente para desenvolver as forcas produtivas no exterior e, como resultado, a renda fluiu de volta para Londres. Esses movimentos tinham uma certa logica e relativa independencia propria que nao pode ser explicada em termos da suposta operacao do Padrao Ouro, e certamente nao sao irredutiveis a este.

Tambem questionavel e a ideia, fundamental para a visao convencional do funcionamento do Padrao Ouro, de que o influxo de metais preciosos em um pais acarreta um aumento na oferta de moeda e, segundo os principios da teoria quantitativa da moeda, que este aumento na oferta da moeda e a fonte de uma inflacao nos precos correspondentes. Como sugerimos anteriormnte, Marx foi  critico severo dessa tese: se as condicoes economicas de um pais (em particular o valor total das mercadorias em circulacao) nao exige um aumento na oferta de dinheiro, entao nada produzira um aumento em esse suprimento.O ouro importado para um pais com uma balanca de pagamento favoravel pode simplesmente ficar em tesouros privados (ou seja, deixar de funcionar como dinheiro) ou nos cofres  do Banco Central.

Alem disso, mesmo se o aumento da oferta de ouro trouxer um aumento na oferta de dinheiro (de forma alguma um resultado impossivel), isso nao produzira necessariamente um aumento nos precos. O resultado exato dependera, argumentou Marx, da fase particular do ciclo economico que o pais em questao atravessa. Os precos geralmente aumentam na fase de  alta do ciclo e caem na fase de  baixa. Portanto, o impacto de uma mudanca na oferta de dinheiro dependera das circunstancias concretas em que essas mudancas ocorrer.. Mas criticamente, no desenvolvimento real do capitalismo, o estabelecimento de condicoes de equilibrio relativo foi alcancado nao da maneira suave proposta pelos apologistas do Padrao Ouro, mas por meio de convulsoes, mais ou menos agudas. A saida de ouro de um pais era indicacao de uma crise aguda e, embora muitas vezes o meio para sua intensificacao, nao sua  causa inicial. Nessas condicoes, os bancos reduziriam seus emprestimos; era dificil conseguir dinheiro para os pagamentos devidos e partes do capital (os setores mais fracos, geralmente competitivos) estariam ameacados de falencia. O credito serias prejudicados e todos querem ouro, ou dinheiro de credito trocavel por ele. O resultado de tais crises financeiras seriam a reducao da producao, aumento de desemprego, queda da rends nacional e quedas de salarios.

O fato do Padrao Ouro ter durado por um periodo relativamente longo e explicavel nao em termos de qualquer mecanismo tecnico ou virtudes intrinsecas que possa ter possuido, mas apenas por referencias as condicoes concretas obtidas na economia mundial no final do seculo XIX. Devido ao grande peso especifico que o capital britanico carregava na economia internacional, ela foi capaz de impor ao resto do mundo as regras que viabilizavam a operacao do Padrao Ouro. Em outras palavras, a base do Padrao Ouro foi a posicao de Londres  como centro sem rivais no comercio e nas financas mundiais.

O fato do Padrao Ouro do seculo XIX ter sido sustentado por condicoes definidas que desapareceram em 1914 e confirmado pelo fato de que o padrao restaurado do periodo entre guerras era um reflexo palido do que ele tinha sido antes. O destino historico do Padrao Ouro apos a Primeira Guerra Mundial e bem conhecido e pode ser contado brevemente. A Gran Bretanha, como todos os principais paises, praticamente aboliu o Padrao Ouro durante a Primeira Guerra Mundial: a libra esterlina nao era mais trocavel por ouro; agora o estado buscava colocar todo o ouro sob seu controle. Como resultado, a libra esterlina caiu em relacao ao valor do ouro e tambem em relacao a todas as moedas estaveis. A cidade de Londres, dependente para sua posicao mundial de uma moeda forte, recusou-se aceitar isso e todos  os esforcos foram feitos no sentido de trazer de volta as condicoes obtidas em 1914, contrra o conselho de Keynes. Sob a supervisao de Winston Churchill, a restauracao do Padrao Ouro envolveu uma deflacao selvagem para forcar a queda nos precos, aumentar a taxa de cambio e trazer uma melhora na posicao de pagamentos externos. O custo, como Keynes havia de fato advertido, era um nivel de precos que tornava muitas exportacoes britanicas nao competitivas nos mercados internacionais.

A fraqueza do padrao restaurado pode ser vista no fato de que nao conseguiu restabelecer a circulacao da moeda de ouro(especie). O ouro foi quase totalmente retirado da circulacao domestica e concentrado nas maos do Estado, onde se tornou o dinheiro mundial, meio de pagamento universal na economia internacional. Esse sistema, criado com tantos problemas e sacrificios, nao poderia durar mais do que alguns anos. No caso da Gran Bretanha e da Franca (onde o padrao ouro durou mais tempo, sendo abandonado apenas em meados da decada de 1930) funcionava o chamado padrao em barras de ouro: o Banco Central trocava apenas notas de banco por ouro de peso fixo. As pequenas empresas, para nao dizer os individuos, perderam efetivamente o direito de manter seus ativos em ouro.

Um fator adicional que indicava a natureza enfraquecida dos novos arranjos era o fato de que, enquanto no Seculo XIX a  libra esterlina era de fato a unica moeda de reserva, o periodo entre guerras viu um desafio crescente do dolar dos EUA a antiga hegemonia da libra esterlina. Em retrospecto, fica claro que os anos entre guerras foram interregno em que a libra esterlina foi deposta, mas o dolar ainda nao havia finalmente assumido o seu lugar.

No caso da Gran Bretanha, o Padrao Ouro parcialmente restaurado durou apenas seis anos, colapsando em 1931 sob a pressao da crise financeira mundial. No caso dos EUA, a abolicao da convertibilidade do dolar foi uma das primeiras medidas tomadas sob o New Deal de Roosevelt no inicio de 1933. Franca, o pais por excelencia do ouro, foi finalmente obrigado ababandonar o metal precioso em face de uma fuga macica de capital na epoca do governo da Frente Popular de Blum. O antigo sistema de paridades fixas foi destruido. As moeda puderam "flutuar", da mesma forma que deveriam flutuar da decada de 1970 em diante. Na competicao por mercados, os paises estavam dispostos a deixar cair sua moeda, barateando suas exportacoes e elevando o preco de suas importacoes.

Esta foi apenas outra forma de protecionismo. Foi contra essa politica de empobrecer o vizinho que muitos economistas, principalmente os keynesianos, reclamaram subsequentemente de maneira tao amarga. Isso era um tanto ironico em vista da conversao de Keynes ao campo do protecionismo na decadas de 1930.

O ESTABELECIMENTO DE BRETTON WOODS E SEU COLAPSO

No verao de 1944, os delegados de mais de 40 paises reuniram-se em Bretton Woods, nos EUA, para uma conferencia internacional centrada em uma questao que antes mal havia sido considerada: a criacao de um sistema financeiro internacional destinado a regulamentar as relacoes monetarias e de credito mundial. Dominando essas deliberacoes estava a memoria do periodp entre guerras com o colapso do Padrao Ouro, a  desvalorizacao competitiva das moedas, o crescimento de uma serie de restricoes aos pagamentos internacionais e ao comercio, e graves problemas politicos e sociais que essa crise  economica havia gerado. O pressuposto subjacente da conferencia foi que esses eventos foram desencadeados por fraquezas na esfera monetaria. O medo de uma renovacao de convulsoes semelhantes no periodo que se seguiu ao fim da guerra e a ameaca que tais convulsoes poderiam representar para o futuro do proprio capitalismo estavam presentes na mente da maioria dos delegados. A situacao na Franca, Italia, Grecia e outros lugares ja estava repleta de perigo potencial, e apenas a restauracao de alguma estabilidade economica na Europa Ocidental parecia capaz de evitar graves perigos sociais para o capital, mesmo que tal estabilidade envolvesse um recuo temporario por parte da classe dominante.

Um dos objetivos basicos de Bretton Woods era a introducao de uma serie de regras estritas de comportamento que, esperava-se, impediria a desvalorizacao unilateral de uma moeda sem acordo previo do Fundo e, ao mesmo tempo, aboliria as restricoes ao comercio mundial que tinha sido uma caracteristica tao prejudicial dos anos entre guerras. Em segundo lugar, foi proposto instituir um sistema por meio do qual os paises com problemas financeiros teriam acesso a certos creditos internacionais para evitar a necessidade de uma deflacao rapida e selvagem.

Mas isso nao significava que haveria um acordo imediato sobre a forma que a nova ordem economica deveria assumir. Longe disso, como ja foi amplamente observado, uma das caracteristicas mais significativas de Bretton Woods foi o choque agudo entre o que eram entao as duas principais potencias economicas mundiais, a Gran Bretanha e os Estados Unidos. Esses confronto assumiu a forma de  diferencas agudas entre Keynes e Harry Desxter White. Keynes, na epoca recentemente promovido a categoria de nobreza, era nessa epoca considerado a principal figura da economia, o principal defensor da regulamentacao estatal da economia capitalista e autoridade destacada nos campos da politica financeira e economicas. White, por outro lado, nao era um academico, mas um economista pratico, secretario adjunto do Tesouro dos EUA, entao responsavel pelos problemas financeiros internacionais.

Superficialmente, White e Keynes compartilhavam o mesmo objetivo: superar as fraquezas passadas do sistema monetario mundial e, assim, ajudar a criar as condicoes para um crescimento renovado do capitalismo. Mas esse aparente acordo obscurecia uma diferenca fundamental de perspectiva entre as duas principais figuras de Bretton Woods. Pois enquanto White desejava ver a posicao dominante do capitalismo norte americano confirmada nos arranjos do pos guerra, Keynes, com igual determinacao, desejava salvar algo na economia mundial uma posicao  outrora poderosa para o capital Britanico. A luta, entretanto, foi bastante desigual. A Gran Bretanha foi irrevogavelmente enfraquecida pela recessao e pela propria guerra que, entre outras coisas, a obrigou a realizar uma grande parte de seus ativos no exterior. Nunca mais a libra esterlina seria capaz de  olhar o dolar diretamente nos olhos. As propostas de Keynes fora ouvidas com aparente respeito, mas o plano de White foi o adotado. Aqui estava uma refutacao viva da opiniao de Keynes de que as ideias eram mais poderosas do que os interesses adquiridos. O fato de ele ter experimentado a refutacao em primeira mao so aumentou a ironia. 

Quais foram esses planos - ambos publicados incidentalmente em 1943 - defendidos pelos norte americanos de um lado e os britanicos de outro?. O plano de White previa um Fundo de Estabilizacao e um Banco para a Reconstrucao. O Fundo deveria estar disponivel para emprestimos de curto prazo a paises com dificuldades temporarias de balanco de pagamentos, em troca dos quais os contribuintes do Fundo abriria mao de uma parte consideravel de sua soberania - eles perderiam o poder de variar suas taxas de cambio.; todas as formas de controle cambial teriam de ser eliminadas; e cada membro teria que se submeter a supervisao do Fundo sobre a politica economica interna. O objetivo de Morgenthau, expresso em uma carta ao presidente Truman, era "transferir o centro financeiro do mundo de Londres e Wall Street para o Tesouro dos EUA" (Gardner 1980:76). A mudanca realmente significativa era ficar longe de Londres. Os britanicos, compreensivelmente, objetaram que o plano White era meramente uma trentativa de restaurar arranjos semelhantes aos  prevalecentes sob o Padrao Ouro, com a diferenca significativa de que agora seriam os norte americanos, e nao os britanicos, que exerceriam o direito de interferir nas politicas domesticas de qualquer outro pais. Eles fariam isso por meio de seu dominio sobre os ativos do Fundo e de seu desembolso. Como Keynes expressou:-

"Qualquer acomodacao que aceitarmos dos EUA deve ser em nossos termos, nao nos deles. Discussoes recentes nos EUA e evidencias apresentadas perante o Congresso deixam bem claro que ha setores nos EUA pretendendo usar a concessao de credito do pos guerra como uma oportunidade para nos impor (inteiramente, e claro, para nosso bem) a concepcao norte americana do sistema economico internacional. (van Dormael 1978:155)

O que Keynes temia especificamente sobre a "concepcao norte americana do sistema economico internacional" era que ela envolveria a destruicao da preferencia imperial, dando aos norte americanos acesso aos mercados britanicos anteriormente previlegiados e areas para investimentos de capital, um movimento que, atraves da abolicao do controle cambial, impediria que os saldos da area em libras esterlinas mantidos em Londres fossem usados para comprar produtos norte americanos. Em geral seus temores eram bem fundamentados.

E oposicao a White, Keynes propos a formacao de um Centro de Compensacao com US$26 bilhoes em facilidades de saque (cinco vezes a soma proposta por White) e essas facilidades seriam divididas de acordo com as participacoes do comercio pre-guerra. Os norte americanos queriam que todas as facilidades disponiveis para um pais com problemas fossem baseadas nao apenas em sua participacao no comercio mundial antes da guerra (esta era a proposta de Keynes e teria dado a Gran Bretanha uma posicao comparavel a dos EUA), mas tambem em seus acervos de ouro e renda nacional - um movimento projetado para aumentar enormemente a participacao dos EUA. De acordo com o plano previsto de Keynes, os superavits e deficits da balanca de pagamentos deveriam ser expressos em Bancor, uma nova unidade internacional de conta. Mais uma vez, White objetou: nao haveria nenhuma nova moeda mundial: o dolar seria imposto a economia mundial como  a principal moeda de reserva, sustentado pelo ouro norte americano e pela forca geral de sua economia.

O que Keynes visava era a capacidade de um pais (ele se referia a Gran Bretanha) de buscar politicas expansionistas domesticas sem temer consequencias internacionais. (Como disse Lord Kahn, "se  pode ser dito que Keynes se dedicou a alguma coisa em sua vida, ela foi para libertar a politica interna do dominio de fatores externos" citado em Milos Keynes [ed].) White resumiu a diferencas entre os norte americanos e os britanicos dessa maneira:-

Essas opinioes (britanicas) sao diferentes daquelas defendidas pelos EUA e por muito outros paises presentes em Bretton Woods.... A controversia origina-se da questao de qual e o principal papel que o Fundo e o Banco, e particularmente o Fundo, devem desempenhar. Desde o inicio acreditamos que o Fundo constituiu um instrumento muito poderoso para a coordenacao das politicas monetarias para a prevencao da guerra  economica e para uma tentativa de promover politicas monetarias solidas em todo o mundo. A visao britanica, em meu julgamento, foi baseada mais no conceito de que o Fundo deve desempenhar um papel um tanto semelhante ao indicado na Uniao de Compensacao Internacional, que a maior enfase deve ser colocada na concessao de credito de curto prazo, que deveria fornecer os fundos necessarios para que um pais quando sentise a necessidade de moeda estrangeira, pudesse adquiri-la. ....Eles acreditavam que deveria haver o minimo de discussao possivel sobre o papel do Fundo para determinar se as politicas adotadas por qualquer governo membro estavam ou nao de acordo com certos principios. (van Dormael (1978:299-300)

O debate entre White e Keynes nao foi um debate entre iguais. A Gran Bretanha ja nao mais "conduzia a orquestra internacional" (frase de Keynes) como fizera no seculo anterior, nem poderia esperar fazer isso novamente.  Apesar  da forca intelectual de Keynes, os delegados de Bretton Woods aceitaram um plano baseado nas propostas norte americanas.

O principal objetivo do novo sistema era manter as vantagens do Padrao Ouro e, ao mesmo tempo, livrar-se de seus supostos defeitos.. As vantagens do antigo sistema residia no fato de que ele preservava relacoes estaveis entre moedas, permitia sua convertibilidade mutua e assegurava a livre circulacao de mercadorias e capitais. Grande enfase foi colacada na disciplina associada ao padrao ouro do seculo XIX: um pais que vivesse acima dos seus meios perderia ouro e tomaria medidas restritivas - esvaziaria sua economia e,  assim reestabeleceria o equuilibrio externo. As falhas inerentes ao Padrao Ouro foram consideradas como sendo sua inflexibilidade, o fato de que impos deflacao aos paises devedores muito cedo e com muita frequencia. Em suma Bretton  Woods envolvia uma politica de inflacao (controlada) como meio de evitar a agitacao social. Nesse sentido, foi baseado no "keynesianismo internacional, mas um keynesianismo internacional firmemente no controle dos EUA ao inves da Gran Bretanha. Aqui estava uma expressao nao da vitalidade do capitalismo, mas de sua profunda fraqueza, o fato de que se sentia incapaz, com o fim da Segunda Guerra Mundial, de enfrentar a classe trabalhadora em toda a Europa da maneira que se sentiu capaz  de fazer apos a Primeira Guerra Mundial.

As caracteristica basicas de Bretton Woods eram as seguintes:

1.  Todas as moedas estavam atreladas ao dolar, e sua taxa de cambio so poderia ser alterada por acordo internacional, em vigor por acordo com os norte americanos. O dolar substituiu a libra esterlina como moeda dominante, um ponto logo ressaltado quando em 1949, a libra esterlina foi desvalorizada de sua paridade inicial de $4,03 para $2,80.

2.  O dolar seria vinculado ao ouro pela garantia norte americana de compra de dolares em todo o mundo a uma taxa de ouro fino de $35/1 onca. Assim, foi dito que o dolar era "tao bom quanto o ouro", na verdade, alguns foram mais longe, declarando que, como os ativos em dolares, ao contrario do ouro, atraiam uma taxa de juros, a moeda norte americana era de fato superior ao ouro. Mas essa era uma esperanca va: a posicao do dolar dependia da forca do capitalismo norte americano na economia mundial e, longe de ser absoluta era estritamente relativa.

3.  De acordo com Bretton Woods, foi estabelecido um pool central de reservas, a ser administrada pelo Fundo, que tornaria emprestimos disponiveis em uma base temporaria para paises em dificuldades de balanca de pagamentos. Cada pais contribuia de acordo com uma escala acordada, com a maior parte sendo colocada pelos norte americanos. Em suma, desde o inicio, o FMI esteve firmemente sob controle dos EUA.

4.  Como condicao para sua participacao, os norte americanos insistiram na liberalizacao do comercio. As barreiras tarifarias deveriam ser derrubadas, uma medida destinada a facilitar o dominio do capital norte americano nos mercados do mundo. Keynes corretamente viu isso como um ataque frontal ao que restou do imperio britanico e aos privilegios que este proporcionou a capital britanica.

Mas a oposicao ao padrao ouro que foi expressa em Bretton Woods a parte, o lugar do metal, longe de ser dispensado, teve que receber um papel no novo esquema das coisas, apesar do fato que, como Keynes havia dito anteriormente como em 1924, a intencao era remover o poder anteriormente autocratico do ouro, e reduzi-lo ao status de monarca constitucional. O ouro passou a ser a medida do valor internacional das unidades monetarias: cada pais se comprometeu a fixar e preservar o conteudo de ouro de sua moeda. O ouro tambem foi declarado o principal ativo de reserva internacional, o instrumento final para liquidar os deficits do balanco de pagamentos. Em suma, certamente no plano internacional o capitalismo se mostrou incapaz de se livrar da reliquia barbara. 

Mas, assim como o padrao ouro do seculo XIX funcionou na realidade com base na forca do capital britanico, o sistema emergente de Bretton Woods era tao estavel quanto o capital norte americano. O dolar foi o meio pelo qual todas as principais moedas foram vinculadas ao ouro. Na verdade, as  moedas nao estavam imediatamente atreladas ao ouro, mas ao ouro por meio do dolar. Em outras palavras, o eixo central em torno do qual Bretton Woods girou foi o conteudo em ouro do dolar, ou o preco oficial do ouro em dolar, pois era este que media o tamanho do deficit na balanca de pagamento de qualquer pais. Esse preco do ouro em dolar permaneceu fixo em $35/1 onca de ouro fino ate 1971, e essa era a "constante" da qual dependia a estabilidade do sistema monetario mundial.

A principal preocupacao de cada pais era a paridade do dolar de sua moedas, pois dela dependia a lucratividade de suas atividades de exportacao e importacao, bem como os resultados de outras atividades economicas estrangeiras. Por causa de seu vasto estoque de ouro, os norte americanos podiam livremente trocar dolares por ouro, pelo menos para governos e bancos estrangeiros. Essa possibilidade de troca de dolar era o fio que ligava todo o sistema monetario ao ouro.

Nos anos imediatamente posteriores a 1945, o ouro continuou a fluir para os EUA como ocorrera nos anos anteriores a guerra. O colapso financeiro apos o crash de Wall Street em 1929 trouxe uma enxurrada de ouro da Europa para as reservas dos EUA, Nos anos 1934-49 (a eclosao da Guerra da Coreia), a reserva de ouro norte americana aproximadamente triplicou, passando de cerca de $8 bilhoes para mais de $24 bilhoes (com base no ouro com preco de 35/1 onca de ouro fino. O medo generalizado de agitacao politica e social na Europa nao apenas induziu os detentores de ouro a transferirem seus estoques de ouro para Nova York como tambem os induziram retornar seus capital para os EUA, mas essa era uma tendencia que foi encorajada por uma  balanca de pagamento consistentmente favoravel e a crescente mineracao de ouro no proprio EUA. Para colocar essas tendencias em alguma perspectiva: na vespera da Primeira Guerra Mundial, os norte americanos detinham pouco mais de um quarto do total das reservas mundiais de ouro, nao muito mais do que a Franca e consideravelmente menos do que a quantia anglo francesa combinada. Esse numero havia subido para mais da metade na vespera da Segunda Guerra Mundial (e continuaria aumentar durante a propria guerra). Assim, a reclamacao generalizada de financistas na decada de 1920 de que havia uma grave escassez de ouro na verdade nao atingiu o alvo. O que era crucial nao era tanto a quantidade absoluta de ouro disponivel para fins financeiros, mas sua distribuicao desigual: no final da decada de 1920, cerca de  dois tercos de todo o ouro disponivel estava concentrado nas maos dos norte americanos e franceses.

O fato do ouro ter continuado se mover para os EUA no inicio do pos guerra refletia o estado de pobreza da Europa e o fato de que o ouro era o unico meio disponivel de pagar pelos produtos norte americanos.  No final de 1949, a reserva de  ouro dos EUA atingiu um nivel recorde de cerca de 22.000 toneladas, equivalente a 70% das reservas de todo o mundo capitalista. (A participacao da Gran Bretanha nessa epoca era de 6%, com os paises que mais tarde constituiriam a Comunidade Economica  Europeia mantendo ainda menos entre eles) Deste ponto em diante, o movimento de ouro para os EUA cessou e logo comecou a se mover na direcao oposta - a tal ponto que, no final de 1960, as reservas de ouro dos EUA cairam para menos de 16.000 toneladas (representando agora 44% do total das reservas mundiais) e em 1972, quando o sistema de Bretton Wood entrou em colapso, os EUA detinham menos de 9.000 toneladas (21% do total). Junto com esse declinio constante  na reservaa de ouro dos EUA, veio a erosao daquele outro suporte do sistema de Bretton Woods:

o fato de que, nos anos imediatamente seguintes a 1945, os EUA foi o principal e muitas vezes o unico fornecedor de muitas mercadorias vitais, especialmente de materias primas.

Ate  o rompimento do vinculo ouro/dolar fixo em 1971, a posicao privilegiada concedida ao dolar em Bretton Woods forneceu a base para a rapida expansao das exportacoes de capital dos EUA nos anos do pos-guerras. Essas exportacoes se enquadram em tres grandes categorias:

1.  Primeiro, os norte americanos tiveram que fazer emprestimos consideraveis para uma  Europa devastada pela guerra, enfrentando o colapso economico e tensoes sociais que ameacavam o proprio futuro do capitalismo. Primeiro, sob a forma de emprestimos e depois no ambito do Plano Marshall (o chamado Programa de Recuperacao Europeu), foram concedidos emprestimos para ajudar na estabilizacao economica, social e politica da Europa Ocidental.

2.  Os norte americanos foram obrigados assumir responsabilidade por uma grande fatia das despesas militares europeias. Esse gasto nao foi feito, e claro, porque se imaginavam que poderia ter um efeito estabilizador sobre o capitalismo (a longo prazo, o contrario provou ser o caso), mas porque o imperialismo foi levado a se preparar para a reassimilacao dos territorios sobre os quais havia perdido o controle em 1917, perdas que aumentaram como resultado da marcha do exercito sovietico para o oeste no final da guerra. Os gastos militares dos EUA tambem foram necessarios para uma luta intensificada contra os povos coloniais e semi coloniais; aqui, a guerra do Vietnan (apos a Guerra da Coreia), que terminou em derrota vergonhosa em 1975, foi um dos varios eventos decisivos que minaram a posicao do capital norte americano na economia mundial. Aqui, a resistencia das massas nos paises coloniais, cuja luta fora grandemente estimulada pela propria guerra, foi um fator potente durante todo o periodo do pos guerra para exarcebar a crise e a instabilidade do capital mundial. A esse respeito, a natureza dos gastos militares fornece mais um exemplo da absoluta impossibilidade de tracar uma linha de demarcacao rigida entre economia e  politica, a maneira de muitas ciencias sociais ortodoxas.

3. Dolares tambem inundaram a Europa como resultado da crescente penetracao do capital norte americano na Europa, frequentemente em suas areas chaves e mais avancadas da industria e financas. Este foi o resultado de nenhuma decisao politica abstrata por parte da classe dominante estadunidense.  Como os marxistas sempre enfatizaram, a exportacao de capital e uma das caracteristicas decisivas do capitalismo na epoca do imperialismo, uma das principais forcas contrarias a tendencia de queda das taxa de lucro. Os monopolios norteamericanos viam na Europa nao apenas uma saida para seus produtos, mas tambem um campo lucrativo para o investimento do capital excedente, onde em parte por causa da devastacao da guerra, as possibilidades de lucros eram muito maiores do que em casa.

Desnecessario dizer que muitos comentaristas superficiais viram nesses desenvolvimentos apenas a forca do capital americano. Mas elas eram de fato  indicios das crescentes contradicoes do capital em escala mundial; indicadores do fato de que os EUA seriam incapazes de sustentar por muito tempo uma politica de "keynesianismo internacional". O fato e que. ao longo dos anos do pos guerra, a produtividade do trabalho na economia estadunidense cresceu apenas um quarto da taxa do Japao e cerca da metade da taxa  da Europa Ocidental. O fato de muito desse aumento de produtividade ter sido resultado do capital estadunidense investido nessas areas foi apenas uma expressao ds  natureza contraditoria da expansao do pos guerra.

Uma manifestacao dessas contradicoes em desenvolvimento foi o surgimento da chamada "crise de liquidez", que passou ocupar cada vez mais a preocupacao de politicos e financistas a partir de meados da decads de 1960. No mundo das financas, e sabido que se voce deve $10 a alguem e nao pode pagar, voce esta a merce de  seu credor; se, por outro lado, voce deve a ele US$10 bilhoes, ele esta em suas maos. Para o capitalismo, esse se tornou o cerne do problema, No final de 1967 os EUA deviam ao resto do mundo cerca deUS$36 bilhoes, dos quais cerca da metade eram para outros governos e bancos centrais. No inicio da decada de 1980, esse numero subiu para mais de US$200. Agora, essas dividas (a dos EUA para o resto do mundo) tem um carater especifico. Pois eles sao ao mesmo tempo dividas, mas tambem reservas monetarias, meios de pagamento internacionais acumulados por paises fora dos EUA. Nos primeiros 20 anos apos a guerra, o aspecto das reservas do dolar estava em primeiro plano e o fato de que essass reservas tambem eram dividas que os EUA deviam tendeu a ser perdido de vista. Mas, quando os ativos em dolares de governos e instituicoes nao estadunidenses atingiram um nivel critico, foi sua qualidade como dividas que se tornou decisiva. Foi essa transformacao das reservas em dividas a caracteristica mais importante da crescente crise monetaria e que mais do que qualquer outra  coisa serviu para minar os arranjos de Bretton Woods e, como eles, o "keynesianismo internacional".

A reserva de ouro dos EUA era semelhante aquela que qualquer banco precisa manter para atender as demandas em especie de seus clientes. Em tempo normais, um banco pode administrar com reservas bastante pequenas. So quando, por qualquer motivo, a confianca no banco foi prejudicada e os depositantes comecarem se preocupar com seu dinheiro e que o perigo de uma corrida classica ao banco se torna possivel, Essa possibilidsde raramente estava presente na fase inicial do periodo do pos guerra. Em 1950, por exemplo, a reserva de ouro dos EUA era cerca de sete vezes maior do que os ativos em dolares das potencias estrangeiras. Em 1967, os sinais de perigo ja se aproximavam, quando esse numero caiu  78%. Em 1971, o numero caiu para 1/5. Aqui chegou um momento critico, o momento em que os EUA fechariam suas portas. A possibilidade havia se transformado em realidade, como diz a dialetica.

Um dos fatores que explicaram a dreinagem de ouro de Fort Knox foi a politica de varios governos, notadamente os franceses, que adotaram uma politica consciente de transformar suas reservas  de dolares em ouro. A partir do final da decada de 1950, desfrutando de um certo renascimento em suas industrias e experimentando uma melhora na sua balanca de pagamentos que previamente tinha sido caracterizada por deficits cronicos, Franca iniciou um curso de acao que na decada seguinte ao final dos anos 1950 viu sua reserva central de ouro aumentar mais de dez vezes. Esta politica foi atribuida pela escola do metalismo (defensores do dinheiro metal) liderada por Jacques Rueff. Anti keynesiano em sua postura geral (aqui o papel de Keynes em Versaslhes, sem duvidas, teve um papel a desempenhar), favorecia a preservacao dos mecanismos de mercado livre, dos quais o padrao ouro deveria ser o epitome. O fato da Franca assumir a lideranca na acumulacao de ouro nao foi totalmente acidental, nem apenas apego ao que o keynesianismo consideraria uma doutrina economicsa obsoleta. Ele refletia as peculiaridades historica do capital frances, o pais classico do rentier: capitalistas monetarios que vivem do produto de capital de emprestimo. O rentista esta acima de tudo interessado na  estabilidade, esperando enquanto o faz o reembolso do seu emprestimo, juntamente com uma quantia adequada de juros. O ouro e a forma de dinheiro mais estavel. Dai a decidida tendencia anti keneysiana de grande parte da economia na Franca, um dos paises onde a Teoria Geral teve pouco impacto no momento de sua publicacao. Ao fazer do dolar uma moeda de reserva, o capital estadunidense ganhou para si uma vantagem consideravel, pois foi capaz de incorrer em um deficit no balanco de pagamento durante muitos anos, liquidar esse deficit em papel e obrigar outros paises manter o papel como reserva. Com a entrega de bens e a  acumulacao de papel moedas, estimulou-se a tendencia inflacionaria. Os norte americanos, disseram os franceses deveriam ser ser obrigados saldar suas dividas em ouro; isso os forcariam colocasr a sua economia em ordem. 

De Gaulle seguiu os conselhos de Rueff e, a partir de meados da decada de 1960, os franceses  comecaram sistematicamente trocar suas reservas em dolares por ouro a taca de cambio acordada de $35/1 onca. Apenas saldos de trabalho foram mantidos em dolares. E apesar dos EUA apelar ao resto do mundo nao seguir a Franca (apelos acompanhados de ameacas e chaves de braco) eles nao foram capaz de bloquear a corrida e o vinculo do dolar com o ouro foi quebrado com o anuncio historico de Nixon de 15 de Agosto de 1971)

OS ESTADOS UNIDOS E A ECONOMIA MUNDIAL

Uma das caracteristica marcantes da historia do sistema monetario mundial ao longo do seculo XX era que  co capitalismo por um lado, foi levado tentar libertar seu sistema das garras da "reliquia barbara" (segundo KeynesKeynes), o ouro, mas encontrou isso na pratica impossivel, certamente na esfera  das relacoes economicas internacionais. Aqui, novamente, esta uma expressao do fracasso de Keynes em compreender a natureza real da economia capitalista e, especificamente, o papel do dinheiro dentro dela. O fato do capitalismo ter se mostrado incapaz de se libertar do poder do metal precioso nao e por acaso, pois e na esfera das relacoes economicas e financeiras mundiais que o ouro se realiza inteiramente como meio de pagamento final e como materializacao da riqueza social universalmente reconhecido. Assim diz Marx:- 

"Assim como todo pais precisa de um fundo de reserva para sua circulacao interna, tambem exige um para a circulacao exteerna. As funcoes de entesouramento, portanto, surgem em parte da funcao do dinheiro, como meio de pagamento e circulacao e pagamentos domesticos, e em parte de sua funcao como dinheiro do mundo. Para esta ultima funcao,  a mercadoria dinheiro genuina, ouro e prata reais, e necessaria. Por conta disso, Sir James Steuart, a fim de distingui-lo de seus substitutos puramente locais, chama o ouro e a prata de "dinheiro do mundo".(I:144)

E nessa esfera, como Marx observou um pouco antes (ibid:142), que o modo real de existencia do dinheiro "corresponde adequadamente ao seu conceito "ideal".

Frequentemente foi apontado que o sistema monetario do capitalismo em seus dias de apogeu baseava-se na forca da libra esterlina. Isso estava perfeitamente correto, pois era a posicao do capital britanico na manufatura e comercio mundial e da cidade de Londres nas questoes financeiras internacionais que preservava um certo grau de estabilidade na economia mundial antes de 1914. Mas o ouro ainda mantinha um lugar central em todo o sistema financeiro, e apenas dentro de limites definidos, a libra esterlina poderia substituir o ouro na liquidacao de pagamentos internacionais. E esses limites nao foram fixos de forma alguma pela engenhosidade de politicos e financistas, mas pela forca do capital britanico. Resumidamente, o colapso do padrao ouro no seculo passado foi um indicativo do declinio do capital britanico na economia mundial e da incapacidade de qualquer outra potencia naquele periodo tomar o lugar da Gran Bretanha. Somente apos a transferencia do poder economico e financeiro atraves do Atlantico durante as decadas de 1930 e 1940 (um processo que envolveu uma serie de choques economicos, sociais e militares convulsivos para o capital) os EUA pode assumir o manto britanico.

Varias vezes chamamos a atencao para o fato de que o pensamento ortodoxo ve as categorias economicas nao como relacoes sociais, mas como coisas. Isto certamente se extende ao dinheiro, que e considerado apenas um simbolom um nome. Mas o dinheiro, surgido das necessidades da producao de mercadorias, e uma expressao mais elevada e mais intensa das relacoes dessa forma de producao. E assim como, historicamente, o dinheiro nao se desenvolveu dentro de comunidades primitivas, mas ao longo de suas fronteiras - em suas relacoes com outras comunidades - a essencia do dinheiro se manifesta nas relacoes entre o os estados (como dinheiro internacional, os metais preciosos mais uma vez cumprem sua funcao original de meio de troca: uma funcao que, como a propria troca de mercadorias, se originou em pontos de contato entre diferentes comunidades primitivas e nao no interior das comunidades)(Marx 1971:149).

No que diz respeito a economia domestica, e perfeitamente possivel que outras formas de dinheiro, incluindo o papel, substituam o ouro. (A degradacao das moedas de ouro, seu desgaste pelo uso, em parte as transforma em dinheiro simbolico). Isso Marx reconheceu. Mas na esfera das economia mundial e uma questao bem diferente. Aqui, nao e possivel que o dinheiro domestico de qualquer pais possa atuar permanentemente como dinheiro mundial; nem, dadas as rivalidades interestatais que caracterizam o capitalismo, e possivel estabelecer um dinheiro de credito mundial artificial que ira satisfazer as necessidades de todos os estados, os poderosos e nao tao poderosos. A proposta de Keynes para essa moeda, Bancor, nunca teve uma chance de aceitacao. E por essas razoes que o ditado de Marx, "Ouro e prata nao sao dinheiro por natureza, mas o dinheiro consiste em ouro e prata por natureza" (I:89), realmente adquire seu sentido quando o dinheiro como dinheiro mundial e considerado. Natureza nao criou dinheiro, como tampouco ela nao criou o banqueiro. Mas, uma vez que o dinheiro se desenvolve, sao as qualidades naturais do ouro - sua durabilidade, sua facil divisibilidade, a possibilidade de transformar barras de ouro em moedas e vice versa, o fato de que e raramente encontrado na crosta terrestre e, portanto e valioso, etc - que o torna mais adequado do que qualquer outra mercadoria para a funcao de mercadoria dinheiro

No periodo posterior a 1945, isso parecia de estar longe de ser o caso. Isso era uma indicacao nao de que o ouro havia caido de seu pedestal, mas de que as aparencias, como sempre, eram enganosas. Marx costumava observar com certa ironia que a economica burguesa se orgulhava de ter descoberto que o dinheiro era uma mercadoria entre outras. Essa descoberta foi perdida de vista quando primeiro o ouro foi substituido na circulacao domestica pelo papel e depois, na esfera mundial, o dolar desalojou, ou prometia desalojar, o ouro de sus posicao principal. A imprensora, ou a caneta dos banqueiros, parecia ser capaz de criar dinheiro, parecia ser capaz de criar dinheiro e credito a vontade. Na verdade, exceto por um ou outro excentricos como Rueff e seus colegas pensadores em Franca, estava na moda desacreditar publicamente o sistema monetario baseado no ouro. Mas desenvolvimentos posteriores estabeleceram que aqueles que ridicularizavam o ouro, que junto com Keynes o consideravam uma reliquia fora de moda, riram um pouco prematuramente. Na difamacao do Padrao Ouro foi expressa nao a sabedoria dos economistas, mas o fato de que eles estavam  zombando de algo que intuitivamente eles  sabiam que nao era mais alcancavel. Ao subscrever a opiniao de que "o dolar valia tanto quanto o ouro", os economistas estavam de fato obscurecendo uma contradicao fundamental do sistema financeiro do pos-guerra que em grande parte passou despercebida: o uso da moeda de um pais, os EUA, como o dinheiro do para todo o mundo capitalista.

E claro que denegrir o ouro, especialmente em periodos de prosperidade, nao e nada novo na historia da economia. Suas raizes estao na rejeicao unilateral pela economia classica  do mercantilismo e  sua doutrina de que apenas os metais preciosos constituiam riqueza real. A partir do seculo XVIII, a economia politica mudou para uma posicao extremamente antitetica: o dinheiro era apenas um padrao convencional de precos - uma concepcao que obscureceu suas varias outras funcoes, em particular  como meio de manter riquezas, isso e como tesouro

Deixando de lado por ora a questao do ouro, nao ha duvida de que a estabilidade da economia mundial nos anos posteriores a 1945 repousou claramente sobre o poder do capital norte americano. O colapso dos arranjos de Bretton Woods e a crise subsequente atestam o fato de que, embora o capitalismo estadunidense fossem sem duvida poderoso, as contradicoes do capitalismo mundial provaram ser um pouco mais fortes. Em outras palavras, a forca do capitalismo dos EUA foi relativa e nunca absoluta. No seculo XX, a Gran Bretanha foi substituida pelos EUA como potencia economica e financeira dominante, assim como o dolar substituiu a libra esterlina como a principal forma de dinheiro de credito mundial. Mas, precisamente porque os EUA assumiu sua posicao no periodo de crise geral do capitalismo, ela se mostrou incapaz de emular a posicao da Gran Bretanha no seculo XIX. Isso foi uma indicacao do fato de que os EUA, com todo o seu poder, nunca teve o mesmo peso nas relacoes economicas e financeiras mundiais como a Gran Bretanha no seculo XIX. Considerando que a Gran Bretanha foi capaz de dominar um mundo em que alguns paises estavam apenas embarcando no caminho para o desenvolvimento capitalista (Alemanha, e o proprio EUA, etc) ou que permaneceram como apendices coloniais ou semicoloniais (India, Argentina, etc) este foi longe de ser o caso dos EUA. A medida que as economias da Europa Ocidental se expandiram no final da decada de 1940 ate a decada de 1960, os EUA se viu cada vez mais desafiado por paises capitalistas ja maduros, cada um com seus proprios interesses imperialistas especificos na economia e politica mundiais. Apesar das reivindicacoes demagogicas de alguns.   apesar das declaracoes demagogicas  vindas de alguns cantos, os EUA nunca foi  capaz de reduzir os paises da Europa, Gran Bretanha incluida,  ao status colonial. Do ponto de vista historico, isso estava totalmente fora de questao.

Olhando mais especificamente para o assunto, um fator importante que sustentou o padrao ouro do seculo XIX residia no fato de que o superavit da Gran Bretanha era em grande parte autosustentavel. Como a Gran Bretanha era de longe a potencia manufatureira dominante em um mundo consistindo em grande parte de produtores de  comodities, seus emprestimos estrangeiros - que se expandiram consideravelmente depois de 1870 - foram usados por seus beneficiarios para comprar  produtos britanicos. Em segundo lugar, a Gran Bretanha tinha controle politico direto sobre um vasto imperio colonial. A India foi obviamente, o caso classico. Isso permitiu que a  Gran Bretanha nao apenas cobrasse impostos do imperio, mas tambem significou que os excedentes obtidos poderiam ser usados para compensar os deficits que a Gran Bretanha poderia incorrer como resultado da crescente exportacao de capital - uma caracteristica tao importante de sua economia nas ultima parte do seculo XIX.. Como de Cecco (1974) demonstrou, Gran Bretanha foi capaz de acertar suas contas com o resto do mundo no periodo que antecedeu 1914 principalmente por causa de seu imperio cujo surplus comercial baseados na exportacao de produtos primarios ajudavam sustentar uma saida enorme de capital da Gran Bretanha. 

Os EUA nao tinha esse luxo. Negada a possibilidade de tributacao direta de um imperio, ao mesmo tempo ela descobriu que sua exportacao de capital tendia a nao acumular superavits comerciais, mas, pelo contrario, estabeleceu a base para desafios cada vez mais bem sucedidos a sua hegemonia na economia mundial: Alemanha Ocidental e Japao foram os exemplos mais importantes desse fenomeno.

Isso levou alguns comentaristas a explicar a crise atual da economia mundial em termos da "teoria da estabilidsade da hegemonia"m que argumenta que geralmente os estados sao mais propensos a realizar seus interesses comuns em uma estrutura hegemonica dominada por um unico estado (ver Odel-1982 para um exemplo desta posicao). O economista e historiador economico norte americano Kindleberger tem posicao semelhante; segundo ele:-

"O sistema economico mundial sera instavel a nao ser que algum pais o estabilizasse, como a Gran Bretanha fizera no seculo XIX ate 1913. Em 1929, os britanicos nao podiam e os EUA nao queriam. Quando cada pais passou proteger seu interesse privado nacional, o interesse publico mundial foi para agua abaixo. (Kindleberger 1976: 32: ver tambem Calleo em Skidelsky,ed. 1977)

O argumento de Kindleberger e que o investimento estrangeiro britanico apos 1870 foi anticiclico: ele se expandiu quando as oportunidades de lucro no pais eram fracas e era reduzido quando a economia nacional estava se expandindo rapidamente. Mas uma expansao interna estimulou a  importacao de mais mercadorias, o que naturalmente envolveu maior estimulo para os exportadores estrangeiros. Kindleberger contrasta essa situacao com a posicao dos EUA no seculo atual: aqui, o investimento estrangeiro e domesticoo foram positivamente correlacionados e, como tal, tiveram efeitos desestabilizador na economia mundial. 

O problema com essas teorias e que correm o risco de permanecer altamente abstratas. A Gran Bretanha foi capaz de exercer a influencia  estabilizadora que exerceu sobre a economia mundial (em todo caso, essa influencia foi relativa e nunca absoluta) por causa de condicoes concretas definidas que duraram um periodo relativamente curto no seculo XIX. Os EUA foi incapaz de desempenhar esse papel no seculo XX exatamente porque essas condicoes mundiais se alteraram fundamentalmente. A mudanca mais dramatica foi que, enquanto no periodo de dominacao britanica, o capitalismo ainda estava se expandindo em escala mundial, e rapidamente, no seculo atual, a tendencia dominante e para a estagnacao tal que qualquer expansao em uma esfera da economia mundial ou por um unico pais so pode ser as custas de outra esfera ou pais. A etapa imperialista do capitalismo deve necessariamente encontrar sua expressao mais agudas nas condradicoes da potenci capitalista dominante, os EUA, e acima de tudo em suas relacoes com a economia mundial. A nao ser que partamos dessas condicoes economicas mundiais, qualquer teoria, incluindo aquelas baseadas na hegemonia, permanecera desprovida de conteudo real.. E por isso que Kindleberger por exemplo, pode falar de interesse publico mundial" sobre um sistema - o capitalismo mundial - que e de fato marcado por conflitos mutualmente cada vez mais acirrados entre as varias potencias capitalistas.

O fato e que a rapida expansao do comercio mundial nos anos do pos guerra (que cresceu em um ritimo maior do que a producao mundial) foi baseado na posicao dominante do capital dos EUA em geral e, do dolar em particular na economia mundial. Os EUA foi o principal fornecedor de capital de emprestimo para o resto do mundo - nos anos do pos guerra imediato, virtualmente a unica fonte desse capital. Mas, os EUA desempenhou esse papel como um pais capitalista ja maduro que, por causa de seu "amadurecimento excessivo", foi impelido exportar capital em escala crescente, e isso por causa  da faslta de oportunidades lucrativas para investimentos de capital no pais. O resto do mundo, especilmente a Europa, tinha pouca escolha a nao ser aceitar essas exportacoes de capital na forma de acumulacao de reservas  cada vez maiores em dolares. Como nos vimos, Bretton Woods envolvia uma moeda domestica (ou melhor uma moeda de troca, o dolar) atuando como o principal instrumento de pagamento internacional. O dolar tornou-se dinheiro de credito internacional. Mas a viabilidsde desse sistema repousava em uma base vital: a produtividade do trabalho na economia dos EUA, pois era ela que, em ultima instancias, determinava a  estabilidade do dolar. Enquanto essa  produtividade se desenvolvesse a uma taxa suficiente, esses arranjos mundiais poderisam ser sustentados. Mas, de fsto, havia barreiras insuperaveis para alcancar os aumentos na produtividade da mao de obra norte americana. Nao menos importante foi o fato de que o capital investido no exterior por bancos e empresas dos EUA estavam frequentemente nos setores mais avancados da economia (petroquimica, mais tarde eletronica e computadores, etc) que muito contribuiu para construir a posicao dos rivais dos EUA na economia mundial. Devido a destruicao em massa  das forcas produtivas pelas quais a guerra havia sido responsavel, em muitos casos esses paises (Alemanha Ocidental, Japao) tinham a vantagem de comecar com a tecnologia mais sofisticadas, alem de poderem empregar uma classe trabalhadora cuja  as organizacoes de classicas basicas haviam sido destruidas pela devastacao do fascismo. Como a Gran Bretanha no seculo passado, eles agora desfrutavam das vantagens de ter sido os primeiros. 

Mas devido a posicao privilegiada dada aos EUA sob Bretton Woods, ela foi capaz de expandir o credito em todo o mundo em uma escala muito maior do que a justificada pelo desenvolvimento das forcas produtivas nos EUA (cujo indice e a produtividade crescente do trabalho). De importancia fundamental aqui foi a proliferacao do mercado de eurodolares. Estabelecido pela primeira vez no final da decada de 1950 e compreendendo os depositos em dolares  nos bancos europeus e norte americanos na Europa, este mercado totalizava cerca de US$2 bilhoes em 1960 e havia disparado para cerca de US$60 bilhoes na epoca em que Bretton Woods entrou em colapso no inicio dos anos 1970. Era uma medida do valor da divida acumulada do capital norte americano, uma divida que ele havia forcado os Europeus  manter como reservas. Os comentarios de Marx sobre o papel do sistema de credito tem um toque surpeendentemente contemporaneo"-

"Se o sistema de credito aparece como a principal alavanca da superproducao e da especulacao excessiva no comercio, e simplesmente porque o processo de reproducao que e elastico por natureza, e agoras forcado ao seu limite mais extremo; e isso porque grande parte do capital social aplicado por aqueles que nao sao seus donos e, portanto, procedem de maneira bem diferente dos donos que, quando funcionam por si proprios, pesam ansiosamente os limites de seu capital privado. Isso apenas mostra como a valorizacao do capital fundada no carater antitetico da producao capitalista permite o livre desenvolvimento efetivo apenas ate certo ponto, que e constantemente rompido pelo sistema de credito. O sistema de credito, portanto, acelera o desenvolvimento material das forcas produtivas e a criacao do mercado mundial .... ao mesmo tempo, o credito acelera os surtos violentos dessa contradicao, as crises e, com elas, os elementos de dissolucao do antigo modo de producao"(III:431-2)

Dado o fato de que os dolares se acumularam a uma taxa fora dos EUA que estava fundamentamente fora de linha com o desenvolvimento da economia norte americana, a desvalorizacao do dolar era inevitavel. Na verdade, o dolar tem se depreciado durante grande parte dos anos do pos guerra, mas isso foi um fato por um longo periodo obscurecido pela fixacao artificial do preco do dolar em termos de ouro. Como a produtividade do trabalho estava aumentando menos rapidamente nos EUA do que em outros lugares, a balanca comercial norte americana que na maioria dos anos havia mostrado um superavit. passou mostrar deficit. Foram esses desenvolvimentos que finalmente levaram os europeus e o resto do mundo caspitalists em geral recusarem aceitar o dolar da maneira como haviam feito ao longo das decadas de 1950  e 1960. O preco cada vez mais artificial do ouro em dolares teve de ser abandonado em 1971. E, com esse abandono a experiencia do keynesianismo internacional efetivamente chegou ao fim. Todos os antigos vicios que se pensava terem sidos eliminados por Bretton Wood voltaram a medida que as moedas flutuantes substituiram o sistema de taxas fixas. O carater abertamente inflacionario do dolar encontrou sua expressao em aumentos explosivos de precos, notamente do petroleo.

O IMPACTO DE 1971

Em todos os sentidos da palavra, 15 de agosto de 1971, quando o dolar finalmente foi revelado abertamente como uma forma inflacionaria de dinheiro de credito, marcou um ponto decisivo no desenvolvimento do capitalismo do pos guerra.  Todas as tendencias basicas das duas decadas anteriores ou mais foram transformadas em seus opostos.: a inflacao controlada foi agora transformada em inflacao quase descontrolada. O keynesianismo foi uma das principais vitimas dessa transformacao. 

As estatisticas do periodo indicam a natureza dessa transformacao. Se compararmos as duas decadas 1960-69 e 1970-79, encontramos o seguinte: enquanto no primeiro periodo o PIB cresceu a uma taxa media anual de 5.2 por cento, no segundo periodo estava crescendo apenas 3.3 por cento. Se o PIB per capita nos grandes paises capitalistas for considerado, isso mostra uma desaceleracao ainda mais acentuada: de uma taxa de aumento de 4.1  por cento na primeira para 2.5 por cento na segunda decada. O mesmo ocorre com a producao industrial total. Na decada de 1960, isso estava aumentando em 9,5% ao ano; na decada seguinte, o numero caiu para 3,6%. Os numeros da producao de energia sao ainda mais dramaticos: aqui, novamente considerando as grandes economias capitalista, a expansao da producao de energia caiu de 3,3% em 1960 para apenas 1.3% nos anos 1970. Esses desenvolvimentos afetaram inevitavelmente o comercio mundial. Enquanto na decada de 1960 as importacoes para os principais paises capitalistas cresciam a uma taxa media anual de 9%, a cifra caiu para 5,5%. Os numeros correspondentes para as exportacoes foram de 8,4% e 6,5%. 

Nao apenas isso, mas foi na decada de 1970 que a taxa de inflacao, como sempre uma expressao de uma ruptura basica na economia mundial, comecou a acelerar drasticamente. O mais afetado foram os precos mundiais das commodities e, acima de tudo, o petroleo, a fonte de energia basica. Os termos de troca (a relacao entre os precos de exportacao e os precos de importacao) voltaram-se marcadamente contra os grandes capitalistas em favor das economias coloniais e semicoloniais. Assim em 1951, no meio da Guerra da Coreia, essa proporcao era de 115 e caiu continuamente nos proximos 20 anos para uma cifra de cerca de 80 em 1970. Em seguida, aumentou, aumentou quase 40 pontos para chegar a 139 em 1974, com graves consequencias para a situacao da balanca de pagamentos  dos paises da Europa Ocidental e da America do Norte. A Grasn Bretanha, tradicionalmente dependente de importacao de alimentos baratos, foi diretamente atingida por essa mudanca nos termos do comercio, e essa tendencia era parte daquelas forcas que empurraram a burguesia Britanica em 1973 entrar, apesar das duvidas, no Mercsdo Comum Europeu.

Como observamos, embora o sistema monetario de Bretton Woods envolvesse a criacao de enormes dividas internacionais baseadas no dolar como principal moeda de credito mundial, a maioria dos principais paises capitalistas conseguiu manter suas dividas estatais sob algum grau de controle no periodo  de pos guerra.  Foi na decada de 1970 que a divida publica comecou aumentar rapidamente - no caso da Gran Bretanha, de uma cifra de cerca de 34.630  milhoes de libras esterlina em 1972 para cerca de 106.538 milhoes no final da decada. Os numeros correspondentes para os EUA mostram aumentos de magnitudes semelhante. O governo britanico era agora obrigado a incorrer em deficits orcamentarios cada vez maiores para tentar manter a economia a tonas e, em particular, para preservar a taxa de lucro do capita; Ate 1981, a necessidade de financiamento do setor publico (o PSBR), agora, uma peca chave do jargao nas discussoes economicas aumentou de pouco mais de 2 bilhoes de libras esterlina em 1971 para mais de 10 bilhoes Considerando os anos de 1972-82, o PSBR total somou mais de 87 bilhoes de libras esterlina. Aqui estava uma crise de dois gumes. Como vimos, mesmo que os gastos do Estado correspondam a um volume equivalente de tributacao, esses gastos aind constituem um dreno da mais valia. Mas agora esse problema era agravado pelo fato de que uma proporcao cada vez maior dos gastos do Estado era agora coberta por emprestimos e este foi um dos principais fatores que serviram para elevar as taxas de juros que, no caso da Gran Bretanha passaram de cerca de 7% no final de 1970 para cerca de 14% uma decada depois. No mesmo periodo, a oferta de dinheiro na Gran Bretanha aumentou em quase 250% e, embora a taxa de  aumento tenha sido menos dramatica nos EUA, mesmo aqui, o numero aumentou cerca de 100% na mesma decada. Estes numeros dao o pano de fundo para o ataque agora lancado aos gastos do Estado, especialmente na area de saude, educacao e demais servicos sociais. Isso, como ja enfatizamos, nao surgiu com base  em alguma peculiaridade ideologica aberrante por partes de politicos como Thatcher ou Reagan, mas expressou o fato de que, em um periodo de intensificacao da recessao mundial, tais despesas improdutivas nao poderiam ser mais toleradass pelo capital. A extensao do problema criado pelo longo periodo de aumento dos gastos do estado e indicada pelos numeros norte americanos que mostram que os juros sobre a divida nacional em 1983 totalizaram cerca de US$90 bilhoes e estima-se que aumentem para cerca de US$116 bilhoes no ano fiscal de 1985, equivalente a cerca de 13% dos gastos federais.

Esse aumento da divida interna e acompanhado por um crescimento igualmente rapido da divida em escala mundial. Ao longo da decada de 1960, os EUA explorou continuamente sua posicao privilegiada na esfera dos arranjos monetarios internacionais, emitindo quantidades cadsa vez maiores de dolares com cada vez menos ouro garantindo. O grande impulso de investimento dos monopolios norte americanos, o crescimento de programas de "ajuda" com restricoes politicas rigidas e os gastos militares em rapido aumento foram baseados na aparente capacidade dos bancos criar dinheiro e credito com um toque de caneta, sem qualquer outro apoio alem ds credibillidade e o poder do estado norte americano. R a acumulacao dessas tendencias que impos niveis impossiveis de endividsamentos aos paises coloniais e semi coloniais, a ponto de muito deles estarem efetivamente falidos. A divida exteerna paga pelos paises coloniais aumentou de seu nivel de 1975 de  aproximadamente US$180 bilhoes para seu total no final do ano de 1982 de mais de US$600 bilhoes, Nos niveis atuais de endividamento, a divida per capita esta agora em cerca de $1000. O Banco Mundial calculou que cada dolar emprestado no exterior em 1980, cerca de 80 centavos eram necessarios para o servico da divida, e para cada aumento porcentual nas taxas de juros os paises coloniais sso ibrigados encontrar US$13 bilhoes adicionais. 

Nao precisa dizer que o impacto da "crise da divida", como ela e conhecida, nao pode ficar confinada as economias coloniais e semicoloniiais. Estimulados pela perspectiva de ganhos mais elevados resultantes do aumento no preco das commodities apos 1971, muitos bancos privados envolveram-se fortemente em emprestimos aos "paises em desenvolvimento" na ultima decads ou mais, em ate certo ponto substituindo  as agencias oficiais (Banco Mundial, etc) nesta funcao. A ameaca de inadiplencia por parte de paises como a Bolivia, o Equador e a Argentina de suas dividas externa continua ter consequencias mais graves para a viabilidade dos bancos em todas Europa e Americsa do Norte. Varios desses bancos foram forcados a declarar muito de seus emprestimos a esses paises como "inadimplentes", o que, do ponto de vistas do capital, e uma posicao insustentavel.

Embora seja claro que nao e possivel prever o curso imediato dos eventos em todos os seus detalhes empiricos, uma coisa e inegavel: as tendencias gerais da economia mundial sao muito claras: em direcao a um maior protecionismo e manipulacao da moeda a medida que cada pais capitalista busca desesperadamente resolver sua propria crise as custas de seus rivais. Mesmo enquanto este livro esta sendo concluido, em meios a apelos cada vez mais estridentes de setores da industria norte americana por medidas protecionistas contra a industria japonesa e europeia, e claro que as principais forcas da economia mundial estao caminhando para um retorno as condicoes dos anos 1930 que o keynesianismo supostamente finalmente havia eliminado. Este fato por si so talvez nos permita colocar a contribuicao de Keynes para a teoria economica em alguma perspectiva.


CONCLUSAO


Desnecessario dizer que nem todos os aspectos da crise do keynesianismo foram considerado neste livro, Dada a sua extensao, isso nao era, de certa forma, possivel. A concentracao foi colocada deliberadamente colocadas  em todas as questoes metodologicas fundamentais que estao envolvidas em uma consideracao da natureza do keynesianismo. O fracasso dos marxistas no passado em lidar adequadamente com essas questoes foi enfatizado em varios pontos. E esse fracasso, em ultima analise, um reflexo do ceticismo teorico, que permitiu que emergissem aqueles que desejam abater varios fragmentos de Marx para tentar dar vida a um keynesianismo moribundo. Esta nao e a primeira vez que esse tipo de coisa acontece a  Marx e, sem duvidas, nao sera a ultima.

Sugerimos que o metodo de Keynes era essencialmente o do empirismo, a perspectiva predominante na Inglaterra. . Era um metodo baseado na aceitacao das aparencias imediatas das coisas como constituintes do arbitro final da ciencia. Marx procedeu de um angulo completamente diferente. E aqui, no nivel das concepcoes filosoficas fundamentais, envolvendo questoes basicas na teoria do conhecimento, nao pode haver pontes construidas, nem compromissos efetuados. Inspirado pela tarefa de preparar para a derrubada do sistema capitalista, o metodo de Marx era aquele que insistia em sondar alem das aparencias imediatas e, assim estabelecer a essencia (uma essencia contraditoria) dass relacoes sociais capitalistas.

Agora, embora as aparencias imediatas da economia apos 1945 parecessem "favoraveis" (aumento da producao, aumento das renda e melhoria geral dos padroes de vida), o keynesianismo era aceito com base no padrao ingles de que parecia funcionar; que  trouxe os resultados desejados. Como tentamos demonstrar, essas  aparencias eram, na verdsde, altamente contraditorias. Em particular, estavam longe de ser permanentes, tendo nascido da mais profunds crise social e economica que o capitalismo havia experimentado ate entao. Mas assim como o capitalista com uma soma de dinheiro esta pouco interessado na origem de seu dinheiro (ele esta interesssado em expandi-lo, nao ruminando sobre sua fonte), a economia ortodoxa fez pouco esforco para sondar as raizes historicas da expansao inflacionaria que o capitalismo viveu desde o final da Segunds Guerra Mundial.

Nao e necessario enfatizar que o colapso do keynesianismo empurrou a economia ortodoxa para uma crise profunda, talvez tao grande quanto aquela que deu origem a Teoria Geral. Ate recentemente, pelo menos o monetarismo parecia destinado a substituir o keynesianismo como a nova ortodoxia, embora as crescentes duvidas quanto sua capacidade de "trabalhar" tenha levado um numero crescente de economistas a questionar sua solidez. Mas,  em qualquer caso, qualquer que seja seu destino imediato nos circulos academicos e politicos, duas caracteristicas do monetarismo merecem ser destacadas. Em primeiro lugar, uma observacao ja feita no texto: nao ha nada de novo nesta doutrina e, a este respeito, a economia ortodoxa esta forcads retornar a uma escola velha e desacreditadas, enquanto busca explicacao ou racionalizacao para a crise atual que aflinge o capitalismo. Em segundo lugar, o monetarismo e baseado fundamentalmente na mesma perspectiva empirica que foi o trabalho de Keynes e sua escola.

Observamos anteriormente que o keynesianismo, embora gravemente ferido pelas convulsoes que atingiram a economia mundial na decadas de 1970 nao esta completamente morto.

Ele ainda mantem um certo grau de influencia tanto entre os academicos que continuam ve-lo como a unica alternativa viavel as doutrinas monetaristas quanto no movimento trabalhista. Nao falamos muito sobre esta ultima questao; nosso objetivo tem sido enfocar uma serie de questoes teoricas e historicas que, a longo prazo, sao de msior importancia.

Mas a capacidade do capital britanico de refluir por meio de maiores gastos do governo, se necessario por tras de uma barreira tarifaria, esta fadada ao fracasso. Como disse Keynes, em 1914 a Gran Bretnha deixou de reger a orquestra internacional. Verdade, entao e infinitamente mais, cerca de 70 anos depois, quando o declinio cronico da Gran Bretanha como uma potencia industrial, comercial e financeira e patentemente obvio. Longe de ser capaz de seguir uma politica economica independente, o capital britanico esta a merce das forcas mundiais sobre as quais ela agora tem pouco ou nenhum controle. E, independentemente das objecoes puramente economicas a serem levantadas quanto a viabilidsde de um programa de estilo keynesiano nas condicoes atuais, as caracteristicas politicas reacionarias que freqeuntemente o acompanham tambem sao dignas de nota. Como sugerimos anteriormente, os apelos para controles de importacao, controle de cambio, etc expressa a decadencia do capitalismo, sua incapacidade de desenvolver a economia mundial, significa o fato que ele e forcado abandonar suas conquistas do Seculo XIX - comercio livre e uma divisao internacional do trabalho.

Lenin gostava de observar que, no reino da filosofia, quando uma forma de idealismo entrava em conflito com outra, o marxismo so podia se beneficiar. Isso certamente e verdade na atual crise economica. Ela apresdentas ao marxismo uma grande oportunidade de influenciar uma nova geracao de alunos e outros, cada vez mais inquietos com a inadequacao das teorias apresentadas pelas varias escolas ortodoxas. Mas para que haja um desenvolvimento do marxismo as questoes filosoficass e metodologicas fundamentais que realmente estao na raiz da ideologias burguesa em todas as suas formas deverao receber atencao central. Foi como uma contribuicao para essa tarefa que este livro foi escrito.


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traducao John Amaral, O original em ingles deste texto, Geoff Pilling Crisis of  Keynesian Economics pode ser baixado em pdf no book4you.org  ou no marxists.org archive.












 


 


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