Monday, 30 March 2026

POR QUE A SURPRESA?

Li recentemente esse tweet de um seguidor no X sobre as consequências  da crise capitalista, que na minha opinião resume bem o estado de espírito de uma geração da esquerda pós moderna: "the game is over para no's ...a crise do capitalismo e o crescimento das posições colonialistas nos pegou com as calças nas mãos.."A questão que essa exposição coloca e simples e brutal: por que a surpresa? Gerry Healy no seu A Marxist Analysis of the Crisis de 1973, Michael Perelman no seu ensaio Capital Fictício de 1987, Loren Goldner desde 1976 até morrer em 2024, de três perspectivas marxistas diferentes já haviam chegados a uma conclusão convergente: o capitalismo pós 1971 entrou em uma fase de crise estrutural sem saída dentro do próprio sistema. O retorno do imperialismo descancarado, do fascismo populista e do Colonialismo sem máscaras não e um acidentev- e uma conclusão lógica de um processo que esses autores descreveram décadas atrás.
PARTE I - O BLOCO DIVISOR DE AGUA: 1971 O FIM DO ACORDO DE BRETTON WOODS

O que foi o Sistema de Bretton Woods?  O sistema estabelecido em 1944 amarrou o dólar ao ouro e o dólar ao mercado mundial. Foi  um arranjo que, como Healy demonstrou, não representava pujança, força, capitalista mas sua fraqueza. A inflação representou um recuo diante das massas trabalhadoras, reflexo do declínio do sistema capitalista e das perdas sustentadas com a Revolução Russa de 1917 e no Leste Europeu e China no imediato pos-guerra.
O 15 DE AGOSTO DE 1971
Presidente Nixon rompe o vínculo dolar-ouro. Para Geraldo Healy, aquilo não foi uma decisão de política econômica: foi a certidão de óbito do capitalismo expansivo do pos-guerra. A partir daquele ponto, uma vasta massa da moeda Dolar passou a circular fora dos EUA sem nenhum lastro em ouro - estimativas colocavam esse conjunto de papéis em torno de $79 bilhões de dólares na época.Hoje com o mercado de derivativos são calculados em mais de $1.5 quadrilhao de dólar .
O QUE MICHAEL PERELMAN ACRESCENTOU
A teoria marxista do capital fictício  amarra os fios reais e monetários da teoria da crises Apesar das lacunas na análise incompleta de Marx, ela representa uma contribuição imensamente valiosa -e uma notável antecipação de muito do trabalho macroeconomico recentevsobre o papel dos valores dos ativos. Em outras palavras: Marx já havia descrito o mecanismo. O que 1971 fez foi ativar o gatilho.
PARTE II O CAPITAL FICTICIO: O QUE É É PIR QUE IMPORTA
A definição central
Capital fictício e capital que não corresponde a valor real produzido pelo trabalho. São títulos, ações, dívidas soberanas, derivativos - papéis que representam reinvidicações sobre valor futuro que talvez nunca será produzido.
Qualquer capital que não aumenta o processo de valorização e fictício porque não é lastreado em valor real, que só pode ser produzido pelo trabalho vivo. Na verdade, empréstimos e dívidas subsequentes constituem uma reinvidicação sobre valor ainda não produzido
A ESCALA DO PROBLEMA
O problema do capital fictício ficou oculto até que o sistema começou a travar após 1958, e entrou em crise real após 1968, tornando se oficial em 1970-1971.
Desde então, o que o capitalismo tem feito não resolveu o problema - postergou-o, inflando cada vez mais a bolha. Cada "solução" - desregulamenti financeiros nos anos 1980, bolha das pontocoms na década 1999, bolha imobiliária na década 2000, QE (expansão quantitativa) após 2008 - foi mais uma camada de capital fictício sobre a outra
A LEI DO VALOR SE VINGA
Como Healy já advertia em 1973, "estamos testemunhando a operação da lei do valor. Como lei objetiva que se afirma contra ambas as classes, ela busca, num sentido, sua vingança violenta pelos ultimos 25 anos, (agora 70 anos) em que a classe capitalista e seus apêndices revisionistas e reformistas tentaram ignora-la ou fazê-la desaparecer"
PARTE III A SAIDA CAPITALISTA DA CRISE: FASCISMO, RECOLONIALISMO E GUERRA
Geral Healy foi absolutamente preciso em 1971: apenas a eliminação violenta de valores em capital em vasta escala pode agora restaurar as proporções "corretas", equilibradas, entre a massa de capital constante e  o excedente disponível extraído da classe trabalhadora. Uma destruição de capital nessas linhas deve tomar a forma de colapso de preços de ações, falências bancárias levando ao fechamento de muito dos maiores bancos norte americanos, europeus e japoneses  Tais falências tem ocorridos, repetidamente, mas nunca na escala necessária. I capital fictício continua se acumulando.
O RETORNO DO COLONIALISMO É DO FASCISMO NAO E ACIDENTE
Loren Goldner também identifica o período pós 1914 como uma era de "decadência" capitalista, caracterizada pelo predomínio da destruição material e social sobre a reprodução ampliada - um desequilíbrio que foi agravado ainda mais após 1973 por um assalto global ao salário social.
Quando o capital não consegue valorizar-se produtivamente, ele recorre a acumulação primitiva - o saque direto. E isto que estamos vendo: propostas de ocupação da Groelândia, do Canal do Panamá, do Ártico, invasão da Venezuela, ameaças de invadir Cuba, Guerra contra o Iran, Milei na Argentina entregando os recursos naturais.O discurso  de 'Make América Great Again" como ideologia de um imperialismo que precisa saquear para sobreviver.
Nada desses fenômenos mencionados seriam plenamente inteligível sem ser conectado a crise de acumulação capitalista mundial em curso desde a crise financeira:de liquidez  de 1965

A ASCENSAO DO POPULISMO FASCISTA COMO TESPISTA DA CLASSE DOMINANTE

Loren Goldner já em 1980 rastreou os períodos contínuos de crises capitalista global junto com a resposta da classe trabalhadora -tanto a luta de classes quanto, em algum momento,  o apoio a líderes como Reagan ex Thatcher, (e agora Trump)
O POPULISMO FASCISTA não emerge apesar da crise - ele emerge por causa dela, como resposta da burguesia que não pode mais governar nos velhos moldes. 
A TRAICAI DA SOCIAL DEMOCRACIA: A GESTAO DA AGONIA
A ilusão da social-democracia como caminho ao socialismo
O tweet mencionado no início deste texto, lamenta ter sido pego de surpresa. Mas a surpresa só é possível para quem acreditou que a social democracia  -O PT no Brasil, o Partido Trabalhista na Inglaterra, a esquerda europeia -estavam conduzindo os países que eles governam a um socialismo graduado, ou aceitaram as teses de um setor da esquerda influenciada pelo Keynesianismo que o "Neocapitalismo", através da intervenção estatal, havia superado aquele estágio de expansão e colapso,que caracterizava o capitalismo até 1945
Healy já havia diagnosticado esse erro em 1973: as contradições do sistema capitalista acumularam-se de forma tão explosiva sob a superfície da expansão econômica do pos-guerra  que a escolha e revelada mais uma vez de forma clara - a crise da humanidade exige a eliminação do capitalismo, mas o capitalismo sobrevive por causa da crise revolucionária da classe trabalhadora.
O QUE A SICIAL DEMICRACIA TEM FEITO
A Social Democracia não esta construindo o socialismo -esta administrando o capitalismo o capitalismo em declínio,, distribuindo migalhas do capital fictício inflado, comprando paz social com a dívida pública. O PT do período Lula-Dilmavdistribuiy renda real - isso e inegável - mas dentro de commodities qurme aprofundou  a dependência e não tocou nas estruturas do capital financeiro.
Quando o ciclo de commodities acabou e a pressão do capital ficticio aumentou, o sistema expeliu a social-democracia e chamou seus agentes mais brutais, Bolsonaro, Milei
O CENTRISMO COMO PREOARACAI PARA A DERROTA
Os revisionistas estão comprindo o papel de classe historicamente atribuído ao centrismo. O centrismo alimenta-se apenas das derrotas das classes trabalhadora. Ao tentar desesperadamente amarrar a classe trabalhadora a horizontes puramente sindicalistas, os revisionistas, stalinista e centristas estão trabalhando para a derrota da classe trabalhadora, exatamente como seus predecessores fizeram nos anos 1939s
PARTE V  "PEGO COM AS CALCAS NA MAO": Quem não avisou?
O autor do tweet diz ter sido pego de surpresa. Mas a surpresa e seletiva -e a surpresa de quem escolheu não ouvir.
 - 1973 Geraldo Healy descreve a inevitabilidade do colapso monetário, do protofascismivecda guerra como saída capitalista.
- 1980 Loren Goldner analisa por que a classe trabalhadora norte americana elegeu Reagan -ve o que aquilo significava estruturalnente
- 1987 Michael Perelman demonstra que enquanto  a estrutura financeira levar a colaolpsos periódicos, os escritos de Marx sobre o assunto reteraicsua importância como fontes de teoria e análise da dinâmica da economia política.
- 2096/2007 Goldberg avisa que a crise de liquidez e apenas a ponta de um iceberg muito grande. Sob o credit crunsh e a crise de insolvência incipiente reside a crise econômica e a política do reinado global dos EUA.
Quem foi pego de surpresa não foi a teoria marxista seria. Foi quem apostou na social democracia como atalho para evitar a tarefa mais difícil de construir uma alternativa política real a exquerda do capital.
CONCLUSAO: "O SECULO DE HUMILHACAO" OU A REVOLUCAO
O tweet termina com uma saída fatalista: ou sofremos um "século de humilhação":colonialista, ou o aquecimento global e a guerra nuclear destroem tudo antes.
Está e a lógica do desarmamento político. Ele omite uma terceira possibilidade - a unica que os autores que estudamos consideraram relevantes: a ação organizada da classe trabalhadora internacional.
A crise que vivemos não é nova. E a mesma crise de 1971, 1990,:2007/8, a crise de decadência do capitalismo - apenas em estágio mais avançado e mais destrutivo. O capital fictício acumulado nas últimas 5 décadas precisa ser destruído. A questão e quem pagará essa conta: os trabalhadores e os povos do Sul Global, através do fascismo, do RECOLONIALISMO e da guerra mundial, ou o sistema capitalista em si, através da sua superação.
Não existe meios termos, Não havia em 1973 não há hoje.A tarefa não mudou, apenas mudou a urgencia

Thursday, 5 March 2026

COMUNISTAS CONTRA A REVILUCAI

O MOMENTO HISTORICO QUE NOS PRODUZIU; REVOLUCAO GLOBAL OU RECOMPOSICAO DO CAPITAL? 1789 1848 1871 1905 1917 1968 20??

O MOMENTO HISTORICAL QUE NOS PRODUZIU: REVOLUCAO GLOBAL OU RECOMPOSICAO DO CAPITAL? 1789 1848 1871 1905 1917 1968 20??

I. DISPERSAO E REAGRUPAMENTO NA HISTORIA  DA CLASSE TRABALHADORA NA ERA CAPITALISTA



 Os anos 1917-1921 constituiram o primeiro ataque mundial ao capitalismo pela classe trabalhadora revolucionaria, centrado na Alemanha e na Russia. Esse ataque foi esmagado e a contra-ofensiva  dos anos seguintes assumiu a forma de, transicionalmente, fascismo e, de forma mais duradoura, estatismo de bem estar social-democrata, estalinismo e estados de desenvolvimento do Terceiro Mundo, que conseguiram - quase - enterrar a memoria de seus verdadeiros conteudos e carater.

Os anos 1968-1977 marcaram o retorno da revolucao e, pelo menos, a recuperacao parcial, em um desenvolvimento muito mais profundo da hegemonia do capital, do projeto comunista deixando em suspenso pela derrota anterior. A  tarefa do momento e aprofundar essa recuperacao e participar do reagrupamento teorico e pratico para o proximo - e esperancosamente ultimo - ataque global.

 Olhando o passado a partir do ponto de vista da ultima fase da crise mundial que eclodiu em 2008 (ela propria apenas a ultima reviravolta do "poso forcado lento", as vezes mais bruco, as vezes mais lento, que comecou por volta de 1970), e da resposta da classe operaria que aos trasncos e barrancos esta comecando se formar nao se pode deixar de ficar impressionado com a banalidade da vida  social, politica e cultural no mundo todo desde o final dos anos 1970.

Com isso nao queremos dizer que "nada aconteceu": basta lembrar o desmantelamento do ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL DEMOCRATA, O COLAPSO DO BLOCO SOVIETICO, A REUNIFICACAO DA ALEMANHA, A ASCENCAO DO LESTE ASIATICO como a zona economica mais dinamica do mundo, o surgimento do ISLAMISMO RADICAL. 

Mas aqueles de nos que viveram as lutas de massa dos anos 1960 e inicio de 1970, as tres decadas e meia da longa derrapagem do sistema capitalista mundial, antes do colapso de outubro de 2008, devem aparecer como uma das mas longos periodos historicos, mais estranho desde o surgimento do movimento comunista pela primeira vez na decada de 1840. 

Aquele de nos, muito jovens para ter experimentado os anos de repetidos movimentos de massa, no centro do capitalismo avancado, devem dar um salto ainda maior de imaginacao para comprender a irrealidasde de uma era caracterizada sucessivamente pela ideologia dominante como "CONSENSO DE WASHINGTON" , NEOLIBERALISMO, GLOBALIZACAO, POS-MODERNO, FIM DA HISTORIA. 

Da Comuns de Paria (1871) a Revolucao Russa (1917)podemos  pensar em refluxo relativo de lutas de duracao comparavel, mas mesmo assim, nessa epoca  houve uma expansao na organizacao do movimento operario em toda Europa, tanto em sindicatos como em partidos politicos, numa escala suficiente para produzir na decada de 1890 a desordem ideologica do "REVISIONISMO"

 
 Isso foi entao, - ainda a era da fase ascensente do capitalismo em escala mundial - e agora, em contraste, o periodo que comeca na decada de 1970 em diante foi um periodo de derrotas quase ininterruptas: ditaduras brutais no cone sul da America Latina (Chile, Argentina, Urugay, Brasil), o esmagamento e cooptacao da explosao operaria polonesa de 1980-81, contencao das correntes radicais do movimento operario sul-africano na transicao administrada do apartheid a austeridade, derrota dos conselhos operarios da REVOLUCAO IRANIANA, derrota apos derrotas do velho estilo de luta sindical isolada dentro de uma unica industria no centro capitalista, desde o achatamento da industria de aco nas Franca em 1979, FIAT na Italia  em 1980 e a greve dos mineiros no Reino Unido em 1984-85.      Os EUA viu-se uma longa serie de derrotas nas lutas sindicais tradicionais: de PACTO (19812) a Greyhound (1983) ..... a greve de jornais de Jay, Maine de 1987-88. No final dessa fase de derrotas operarias, a Wal-Mart substituiu a General Motor como a maior empregadora dos EUA.

 Mesmo quando os trabalhadores lutaram em formas que foram  alem das formas tradicionais eles tambem sofreram derrotas.<Os trabalhadores brasileiros realizaram algumas greves impressionantes no final da decada de 1970, mas foram entao canalizados para a contencao eleitoral por Lula e pelo Partido dos Trabalhadores e, por sua vez foram amplamento reduzidos em numeros; siderurgia e industria automobilistica eram os empregadores mais importantes no final dos anos 1970 e dez anos depois os restaurantes tipo MacDonalds e empresas de seguranca os substituiram como os masiores empregadores

< Jovens argelinos, cronicaamente desempregados, protestarsam em 1988, mas foram cooptados para o movimento islamico e estagnados na guerra civil subsequente

<Os petroleiros e outros estabeleceram conselhos de operarios durante a revolucao iraniana (1978-81), mas foram derrotados pela repressao que foi a principal prioridade da Republicas Islamica que havia usurpado a Revolucao que tinha derrubado o Xa 

<A classe trabalhadora sul-coreana explodiu em 1987 e obteve ganhos no inicio dos anos 1990 apos o que foi derrotada pela tatica do salame e depois pelo tsunami que foi a crise do FMI de 1997-98.
<As massas sul-africans forcarsm o desmantelamento do apartheid, apenas para ser entregue ao neoliberalismo pelo ANC/CONGRESSO NACIONAL AFRICANO

 <O movimento dos piqueteiros argentinos de 2001/02 colocou o governo de joelhos mas nao fez mais nada, foi disperso e cooptados pela reciclagem do peronismo,

<Adicione a este quadro a sucessao de guerra local apos guerra, do Libano (1975-1990) as mais de 40 guerras em andamento no inicio da decada de 1990, culminando (ate o momento) na guerra  africana de 1994-98 em quase todo o continente africano (4 milhoes de mortos), o desastre potenciais no Afeganistao e talves no Pakistao. 

A proliferacaso de nacionalismo assassino na exYougoslavia e na periferia da exUniao Sovietica fez com que o internacionalismo proletario que forcou o fim da Primeira Guerra Mundial parecesse muito remoto.                                                                                                       

II A FORCA DE TRABALHO ASSALARIADA GLOBAL COMO O UNICO UNIVERSAL PRATICO

A medida que saimos, oxala, desse periodo sombrio de retrocesso, lembramos a observacso de Rosa Luxemburg, pouco antes do seu assassinato em 1919: "A Revolucao diz: Eu fui, eu sou eu serei". Afirmamos a realidaade continua do comunismo, "o movimento real se desenvolvendo diante de nossos olhos", como disse Marx no Manifesto Comunista. 

Como os "nossos cavaleiros da historia" de Hegel, localizamos nossas identidades nao em qualquer imediacao, mas no novo universal emergente que deve ser a vanguarda da proxima ofensiva global
O que significa "universal" Numa primeira aproximacao, significa o programa global que pode unificar , como uma "classe para si" - uma claasse preparada para dominar o mundo e reorganiza-lo de uma forma completamente nova - as forcas de trabalho assalariado, atualmente dispersas no (um tanto diminuid, mas ainda central) o proletariado de "colarinho azul", o subproletariado disperso e casualizado e os elementos dos estratos cientificos e tecnicos, intelectuais e culturais suscetiveis de se aliar a tais forcas. 

Estas sao, na forma "invertida", as forcas que realmente compoem o que Marx chamou de trabalhador total (Gesamtarbeiter). Espalhado pelo mundo como esta,  acima de tudo pelas ultimas quatro decadas de retrocesso social impulsionado pelo endividamento, este  "trabalhador total" pode parecer uma "quimera", mas mesmo assim, sob as aparencias dispersas - os proprios fragmentados teorizados e glorificados pela "politica de identidade" - da acumulacao de capital, ela faz o "valor de uso" do mundo funcionar todos os dias. Subordinada como essas forcas  estao atualmente ao impulso cada vez mais insano do acumulo de CAPITAL em direcao a barbaria e a destruicao planetaria, a reunificacao pragmatica que defendemos pode parecer "utopica" mas e na verdade a sobrevivencia deste sistema social antiquado em qualquer forma remotamente humana que e a verdadeira utopia do nosso tempo


 III  DISPERSAO E REAGRUPAMMENTO DA CLASSE TRABALHADORA COMO UMA ESPIRAL HISTORICAMENTE ASCENDENTE 

A ultima ofensiva proletaria combinada de 1968-1977 pode ser caracterizada, em escala mundial, como uma revolta contra a linha de montagem da fabrica. Embora, como indicado, esse movimento tenha falhado em articular e implementar um projeto "social alternativo", os objetivos pareciam, parsa alguns, relativamente claros. 

Reconhecendo-se com os conselhos de trabalhadores e outras formas  de assembleia de massa das grandes revolucoes anteriores (Ruussia 1917, Alemanha 1918, Espanha 1936, Hungria 1956) ou fenomenos de greve total de massa (como em Portugal em 1974-75 ou os panteras pretas liderados por movimentos de pretos na Europa e nos EUA entre os anos 1950 e 1973, os objetivos do movimento eram entendidos como assumir o controle das  plantas industriais existentes e coloica-las sob o "controle dos trabalhadores"
 "Todo o poder para os conselhos internacionais de trabalhadores" era aparentemente o melhor "universal" daquela epoca, e houve momentos efemeros em que sus realizacao nao parecia tao distante.

    A contra-ofensiva capitalista envolveu um ataque direto a dimensao "visivel" do movimento em direcao a "autogestao generalizada": dividindo a grande fabrica em industria artesenal e areas mais isoladas de "areas verdes", desurbanizando ainda mais os trabalhadores nas periferias dos suburbios, a precarizacao da mao de obra, a terceirizacao para o Terceiro Mundo e a intensificacao dsa producao em "alta tecnologia".

 A "desasocializacao" dos trabalhadores da rebeliao de 1968-1977 resultante dessa forma d contra ataque foi completa e profunda. Foi uma ilustracao classica de como a tecnologia - neste caso, em primeiro lugar, novas formas de telecomunicacoes e melhores meios de transporte - e inseparavel de seus usos capitalistas; desde a producao em massa do automovel, uma inovacao, uma inovacao nao teve um impacto inicial de isolar e dispersar a classe universal que o proletariado e.            

Nosso otimismo cauteloso so e fortalecido pela visao a longo prazo. Por mais estranhas que possam ter sido as decadas anteriores, os ciclos de derrotas e renovacao do movimento pela abolicao da sociedade capitalista burguesa nao sao novidade. 

O movimento dos trabalhadores repetidamente teve de reagrupar e aprender com a derrota, e responder a novas formas de contencao capitalista. Dos Enrages e da conspiracso babouvista de iguais da Revolucao Francesa ate 1848, o movimento inicial teve que se livrar  de golpe conspiratorio (Blanqui) e de varios  esquemas utopicos (Owen, Fourier) para emergir na primeira expressao armada e concreta do comunismo nos dias de Junho de Paris de 1848 e suas extensoes em outras partes da Europa. Desse surto de 1840 veio a autoconsciencia madura do movimento no trabalho e na atividade pratica de Marx e Engels.

O esmagamento da Comuna de Paris e a dispersao da Primeira Internacional marcaram  a transferencia da parte mais avancada do desenvolvimento capitalista e a vanguarda doamadurecimento do movimento dos trabalhadores mais amadurecido  para a Alemanha, a longa ilusao social democrata (sindicatos e atividades parlamentar), bem como a expurgo/censura da teoria de Marx do movimento real a transformando numa ideologia de desenvolvimento industrial de paises economicamente atrasados, primeiro na Alemanha e depois, mais fatalmente, na Russia.

 Ela inaugurou o que pode ser chamado "seculo da Social Democracia" e seu subproduto bastardo Stalinismo (1875-1975), a ilusao fatal de socialismo estatista,Marx e Engels desde as primeiras oportunidades denunciaram o termo "social democracia", como uma combinacao ecletica nada tendo haver com comunismo como eles entendiam o termo (Critica ao Programa de Gotha e correspondencia pessoais), mas as eminencias pardas do que veio a ser a Segunda Internacional (1889/1914) calmamente enterraram as criticas dos fundadores no meio de campanha eleitorais bem sucedidas e avancos sindicalistas na Europa Ocidental.
 
A ILUSAO QUE SOCIALISMO/COMUNISMO SIGNIFICAVA PLANEJAMENTO E ADMINISTRACAO ESTATAL DE PROPRIEDADE NACIONALIZADAS (COMPREENDIDA DENTRO DE UM PAIS AUTARQUICO ISOLADO) DE FATO ENCOBRIU A REALIDADE DA TRANSICAO MUNDIAL DS FORMA EXTENSIVA/FORMAL PARA A FORMA INTENSIVA/REAL DE DOMINACAO DO CAPITAL (1870-1940), uma transicao perfeitamente esbocada num texto de Marx desconhecido ate 1932: O chamado Capitulo VI do Volume 1 do Capital     O "movimento real que abole as condicoes existentes" rasgou o mundo monotono e autocontente da social democracia nas greves de massa russo-polonesa de 1905-06, 

Como na Comuna de Paris com sua tentativa de abolicao na pratica do Estado (por exemplo revogabilidade imediata da delegacao), a explosao de 1905 colocou na agenda historica, contra o gradualismo parlamentar, sindicalismo e planismo produtivista da Segunda Internacional, o soviete e o conselhos de trabalhadores como as formas muito mais avancadas  de poder da classe trabalhadora.. E os sovietes e os conselhos de trabalhadores, por sua vez, estiveram no centro da onda de insurreicao mundial de 1917-1921, centrada na Alemanha e na Russia que depois espalhou e foi derrotada em 30 paises. 

Fora dessa onda de 1905 a 1921 que vieram a proxima geracao de teoricos revolucionarios, [1] as expressoes autoconsciente das descobertas praticas  da classe trabalhadora em movimento. A onda revolucionaria de 1917-1921, entretanto, nao foi profunda e suficiente para encerrar o "Seculo da Social Democracia" e do planejamento produtivista de cima para baixo: pelo contrario, tornou este ultimo mais diretamente palatavel para a estabilizacao do capital. 

O capitalismo recuperou o equilibrio, sobre novos montes de cadaveres de membros da classe trabalhadora, por meio de formas de estatismo ate entao desconhecidsas, ou mal esbocadas, uma decada de depressao e uma segunda guerra mundial que conseguiu pela primeira vez (em contraste com o reformismo real do periodo pre-1914) uma "recomposicao". 

Essa recomposicao encobriu a realidade que ja em 1914, numa escala mundial, as forcas produtivas global necessaria para abolir a producao de mercadoria ja existia. Parte da recomposicao envolvia acumulacao intensificada no mundo semi colonial e excolonial e passagem do poder hegemonico do Imperio Britanico e Frances para os EUA.

IV RECOMPOSICAO E REVOLTA NA ERA DE DECADENCIA  CAPITALISTA 

 A longa expansao apos a Segunda Guerra Mundial sob os auspicios de varios estatismos de verniz autodenominado progressista, conseguiu em grasnde parte ter exorcizado o "espectro do comunismo", especialmente porque a palavra. bem como as armadilhas, foram assumidas por estados totalitarios governando um terco da populacao mundial. 

Os trabalhadores no chao de fabrica, no entanto, sabiam de forma diferentr, e em ambos os grandes blocos se reagruparam  e encontrarm seu caminho para novas formas de lutas, mais notavelmente a greve expontanea  que a partir de meados ds decada de 1950 cresceu de impeto nos EUA, Reino Unido, Franca, Espanha e Italia. 

Os trabalhadores poloneses em 1956 forcaram uma sacudida no estado stalinista e,alguns meses depois, na Hungria, sem um partido de vanguarda leninista a vista, os proletarios construiram um sistema  nacional de conselhos de trabalhadoresd em questao de dias e derrubaram o regime. 

Na Francs em 1968, os trabalhadores organizaram a mais longa greve geral espontanea  da historia. Este momento espontaneo do movimento dos trabalhadores  apos os anos 1950 tinha em muitos lugares em 1970 arrancado o controle de fato do chao da fabrica dos capitalistas, mas nunca foi alem disso para elaboracao pratica de um projeto social alem do capitalismo, e sucumbiu a contra ofensiva capitalista que comecou ganhar impulsos em meados da decada de 1970. 

Essa contra-ofensiva se intensificou com os sucessivos triunfos de Thatcher  no Reino Unido, Reagan nos EUA , Miterrand na Franca e Teng na China, aos quais juntou depois de 1985 Gorbachev na Russia. Desde a era pre-1914 a ideologia nao era  falada de forma tao global com uma so voz, orquestrando 1)a  maior disparada  de de riqueza desde o ano 1920. 2) a destruicao da maioria das redes de seguranca social que haviam sido criadas na era estatista anterior.                                               

Toda a historia desde 1914 entao, envolveu as sucessivas (e ate agora bem sucedidas)  tentativas  de tirar a realidade da aposentadoria das relacoes sociais csapitalistas, para periodicamente, por meio de destruicao, repressao e ideologia forcar os os trabalhadores e suas lutas e recuar nessas relacooes qualquer que seja o custo social humano.

Desde a Primeira Guerra Mundial, essas recuperacoes capitalistas, em contraste com a era 1815-1914, envolveram a recomposicao, da mesma forma que envolvem a destruicao fisica macica de trabalhadores e instalacoes de uma forma desconhecida no seculo anterior do dominio do capital. 

Simples colapso, deflacao, depressao e recuperacao"automatica", como nas crises decenais analisadas por Marx no Capital,  ja nao sao suficientes. Recomposicao, em contrastre com o reformismo genuino como era praticado antes de 1914, significa uma "reorganizacao  do baralho", uma reducao da massa salarial  social total sob a aparencia de inclusao: sindicatos e partidos socialistas disciplinando a classe trabalhadora, administrando esquemas de cooperacao de trabalhadores ou, mais proximo no presente, conselhos de diversidades, ONGs, mulheres diretoras e capitalismo verde.
 
 O que  caracteriza  o novo periodo pois 1914 (tambem chamado de "decadencia" "a epoca da decadencia imperialista", a "dominacao real do capital") em contraste com o periodo anterior e que o capital se expande e a reproducao social se contrai. Recuperacoes como a expansao do pos-guerra (1945-1970) envolveram tal recomposicao, possibilitada pela destruicao massiva anterior (duas guerras mundiais, uma decada de depressao, fascismos stalinismo) a reorganizacao do sistema mundial (fim dos imperios franceses e britanicos) e a transformacao da economia mundial - sem  o bloco sovietico e a China - em um "bloco do dolar" sob o Plano Marshal, FMI e Banco Mundial, e a  imposicao de um novo "padrao de valor" baseado  nas novas tecnologias do anos 20 e 30 (principalmente de bens de consumo duraveis, por exemplo, automoveis, eletrodomesticos) engarrafados anteriormente superou os mercados nacionais. 

Essa recomposicao perdeu forca nas recessoes suaves  de 1966 (Japao, Alemanha e EUA), a crise do dolar de 1968 e o colapso final do sistema de Bretton Woods (1971-73), Nao por acaso, esse ultimo periodo de destruicao viu a luta de classes mais acirradas em decadas, antes e depois
                                                        
V-  O CAPITAL BUSCA NOVO EQUILIBRIO COM DESTRUICAO: 1970 ATE O PRESENTE: POUSO LENTO ACIDENTE

Desde 1970/73 o capital tem tentado conseguir outra recomposicao baseada em um novo "padrao de valor" [2] quaisquer que seja as consequencias para a reproducao social em escala mundial. Essas consequencias ja foram destrutivas o suficiente mas o processo destrutivo continua. 

Nessas quatro decadas, como indicado, o capital tem expandido enquanto a reproducao social em escala mundial se contrai.. Examinaremos com mais detalhe a cronologia.

1970-73 foi o inicio do "pouso lento forcado", anunciado pela falencia da ferrovia Pen Central, uma recessao nos EUA, a descoberta tardia de Nixon de que era um keynesiano e sua dissolucao unilateral do sistema de Bretton Wood de taxas de cambio fixas em agosto de 1971.

O capital conseguiu em cima da piramide de dividas manter as aparencias de "normalidades" na America do Norte, Europa Ocidental e Asia Oriental: recessoes "normais" em 73-75, 80-82, 90-91, 2001-2, e a atual iniciada em 2007. Mas, vista de uma perspectiva social reprodutiva, a historia do capitalismo pos-1960 foi, em escala mundial, pouco menos que um substituto da Terceira Guerra Mundial, tentando mais uma vez a recomposicao alcancada em 1914-45. Uma lista  dos mais dos eventos mais proeminentes:
- uma queda de 20-30% nos padroes de vida reais nos EUA, a substituicao da familia de um salario para a familia de 2 ou 3 salarios, regioes inteiras desindustrializadas.
- Na Europa Ocidental, uma media de 8-10% de desemprego na maior parte do periodo e um desmantelamento geral (ainda incompleto) do estado de-bem-estar-social; 
- Na Europa Oriental e na Russia, retrocesso total para os trabalhadores em torno dos enclaves dos "novos ricos", construido (na Russia) com base na renda fundiaria de recursos naturais, e nao em qualquer producao real, e na Europa Oriental com fluxos especulativos de capital ocidental para o mercado imobiliario. 
Quando "consideramos" a America Latina, a Africa, o Oriente Medio nao petrolifero, os paises da Asia Central ex sovietica, a India e o resto da Asia nao-Tigre, estamos falando de bilhoes de vidas atrofiadas  e milhoes de mortes por doencas e existencia miseravel de favelados. Mexico  nessas decadas deixou de ser considerado a "proxima Corea" (Wall St Journal, ca Finnancial Times, marco de 2010)

Apenas o Leste Asiatico, agora estendido a costa da China, se destaca como uma excecao parcial, e mesmo ai, a Coreia, a Taolandia e a Indonesia sofreram o terrivel retrocesso da crise de 1997-98, e o crescimento da China pos-1978 deixou cerca de 800 milhoes de camponeses e seus flutuantes exercito de desempregado de 100 milhoes totalmente fora da expansao economica.

A "India brilhando", igualmente elogiada, foi exposta pela pobreza rural em grande escala, uma epidemia de suicidios de teceloes falidos, agitacao dos trabalhadores nos suburbios industriais de Delhi e o ressurgimento do movimento guerrilheiro maoista Naxala, anteriormente declarado quase extinto apos a repressao em grande escala na decada de 1970.

O crescimento asiatico, de fato um fenomeno minoritario que e mais do que contrabalancado  pelo retrocesso em escala mundial.

Mas nao se pode conceber um novo assalto global contra o capitalismo comparavel e superando 1917-1921 ou 1968-1977, sem uma analise concreta das condicoes de mudanca do proletariado  do trabalho assalariado nos ultimos 35 anos, condicoes tao descontinuas como as de trabalhadores da linha de montagem em Detroit ou Britilh Leyland ou Renaut-Billancourt (Paris) em 1968, ja que estes  ultimos eram  descontinuos com as condicoes dos trabalhadores alemaes, russos ou italianos logo apos a Primeira Guerra Mundial.

VI.  O ATAQUE DO CAPITAL A CONCENTRACAO PROLETARIA

Mars, nas belas passagens sobre  "Maquinarias e Industria Modernas" no volume 1 do Capital, diz que a historia da tecnologia pode ser escrita em termos da luta incessante entre o capital e o trabalho sobre a duracao e as condicoes da jornada de trabalho, e e preciso tambem compreender tudo o que o capital fez desde o final de 1970 como uma contra-ofensiva contra a insurgencia operaria dos anos 60 e 70. 

A questao e localizar  um novo universal para a uniificacao das condicoes do trabalho assalariado, semelhante a descoberta pratica do soviete e do conselho de trabalhadores antes e depois da Primeira Guerra Mundial, e sua "recuperacao| transitoria na decada apos 1968. A questao e localizar "imanentemente", na producao e reproducao mundial de hoje, a forma "invertida" que aponta para o que Marx descreveu nos Grundrisse:
"....OS ESFORCO INCESSANTE DO CAPITAL EM DIRECAO A FORMA GERAL DE RIQUEZA LEVA O TRABALHO ALEM DOS LIMITES DE SUA INADEQUACAO NATURAL (NATURBEDEDURFDIGKEIT) E, ASSIM, CRIA OS ELEMENTOS MATERIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DA INDIVIDUALIDADE RICSA, QUE E TAO UNIVERSAL EM SUA PRODUCAO QUANTO EM SEU CONSUMO, E CUJO TRABALHO TAMBEM, PORTANTO, NAO APARECE MAIS COMO TRABALHO, MAS COMO O PLENO DESENVOLVIMENTO DA PROPRIA ATIVIDADE" (Grindisse London, 1973, p. 325)

O capital, profundamente assustado com o surgimento incipiente em 1968-1977 da busca desse "pleno desenvolvimento da propria atividade" respondeu ao colapso das velhas condicoes de acumulacao com sua segunda grande recomposicao da classe trabalhadora mundial (apos a de 1914-1945), conseguida atraves da dissolucao e dispersao, em grande escala, da grande fabrica e sua alta concentracao de trabalhadores em densas areas urbanas nos EUA e na Europa. Intensificou a producao por meio de novas tecnologias e uma revolucao na comunicacao e no transporte. , 

A luta do capital era, como sempre foi, para aumentar a produtividade eliminando, tanto quanto possivel, o trabalho vivo da producao, mas dado o alto nivel de produtividade ja alcancado, na decada de 1960, foi uma luta constante e mistificada contra o fato de que, numa escala mundial, o trabalho vivo para para a reproducao material  do sistema ja havia torna se tornado superfluo como parte da populacao mundial, entretanto era indispensavel na relacao social dominante, para continuar a expansao capitalista do valor.

Nao precisamos ir  alem dos 7 milhoes de pessoas encarceradas nos EUA (aguardando julgamento, na prisao ou em liberdade condicional 2% do total de 300 milhoes ) para ver o armazenamento da populacso excedente do capital, para nao mencionar os dois bilhoes de pessoas da mesmo forma marginalizados em varias partes do Terceiro Mundo. 

A tecnologia em si, entendemos ainda mais claramente hoje,  seguindo o alvoroco da "alta tecnologia" da "nova economia" dos anos 80 e 90, nao e capital, mesmo que a tecnologia existente deva necessariamente ser a personificacao material das relacoes sociais capitalistas

VII. A LUTA DO CAPITAL CONTRA O ESPECTRO DA SUA PROPRIA ABOLICAO DESDE A ERUPCAO DO MOVIMENTO COMUNISTA EM 1848 E POSTERIORMENTE

A emergencia do comunismo em 1848 como um movimento real na classe trabalhadora europeia forcou a ideologia capitalista a mistificar cada vez mais,  em contraste com todas as formacoes de classes anteriores, o que a sociedade poderia fazer, ou seja, abolir o trabalho assalariado, a producao mercantil, o capital, e com eles, as classes sociais, comecando pelo proletariado do trabalho assalariado. 

Para tanto, descartou a sua propria economia politica classica, sua adocao da racionalidsade iluminista e sua defesa dos direitos do "Terceiro Estado", uma vez que agora era confrontada com o Quarto Estado proletario. Abandonou o realismo social Prometeico de seus artistas de Shakespeare via Goya e Balzac, e se encolheu de horror, vendo suas proprias armas emancipatorias voltadas contra si, do abandono de sua maior filosofia, a de GHF Hegel, ao fermento radical da decada de 1840, levando a Karl Marx.

 Considerando que o capital havia, da  Inglaterra dos Tudor, passando pela Revolucao francesa e outros paises (Espanha) ate 1840 fechados monasterios e expropriados largos trechos de terras da Igreja, seus ideologos responderam aos "fantasma do comunismo" flirtando cada vez mais  com o renascimento religioso e um novo irracionalismo (ainda que se deve admitir un tanto moderado quando comparado com o renascimento religioso e novos irracionalismo das ultimas 3 decadas)

Essa mistificacao, essa frenetica  inversao ideologica forcada de volta nas relacoes capitalistas, ja havia atingido enorme proporcoes durante a expansao economics de 1945-70, talvez melhor corporificada , na estetica, teoria e pratica do "alto modernismo". Este periodo, foi de leste a oeste de norte a sul, a era do "planejador esclarecido", seja na cidade de Robert Moses, em Nova York, nas "cidades cientificas da  ex-Uniao Sovietica, no elefante branco impulsionado pela ajuda estrangeira  na construcao de usinas siderurgicas enormes e poucos usadas e rodovias para lugar nenhum nos regimes de desenvolvimento do Terceiro Mundo de Nasser e Nehru, ou o silencio assustador do sonho tecnocratico de Oskar Niemeyer de Brazilia (com sua igualmente misteriosa sede do Partido Comunista Frances nos suburbios de Paris).

O capital se recuperou de seu encontro com a obliteracao logo apos  a Primeira Guerra Mundial e as longas decadas de crise ate 1945 necessarias para restabelecer  a acumulacao global, com a pseudo racionalidade do planejamento social dos especialistas: os burocratas cinzentos e sem rostos do do Partido Trabalhistas Britanico e seu estado de bem-estar-social, os tecnocratas arrogantes dos "trentes glorieuses" da Franca, os burocratas stalinistas  de sucessivos planos sovieticos de cinco anos e a promessa do "comunismo goulash", os "intelectuais de defesa militar" e da expansao militar norte americana de Robert McNamara. Foi a era da pseudo racionalidade triunfalista na ideologia, da filosofia logico-posotivista cerebralmente morte, passando pela ofensiva matematica da economia neoclassica ao formalismo austero da literatura, arte, arquitetura e musica modernistas. (essa ultima  expurgando metodicamente toda dimensao social radical que animava ou parecia aniar algumas correntes do modernismo nos anos que seguiram o fim da Primeira Guerra Mundial.

Poucos estavam cientes que  desde 1848, a unica racionalidade era aquela da pratica   global consciente  da classe operaria, enquanto esta continuou seu processo de reagrupamento nos movimentos de greves selvagens a partir de 1950 os ideologos do capital continuaram pregar o futuro brilhante promissor do modernismo tecnocrasta produtivista, o acampamento brilhante potencialmente escondido de praias escondidas debaixo das pedras asfaltadas, no dizer de um poeta  frances em Maio de 1968.

O que entao, pode se dizer sobre a tarefa  que o capital enfrentou ao mistificar  sua aposentadoria depois que conseguiu conter  a revolta dos trabalhadores de 1968-1977? Cada fase da ideologia  capitaliata desde 1848, mas especialmente desde 1917, foi forcada a se adornar com fragmentos emprestados da onda revolucionaria derrotada.  Lembramos a promocao de Luis Napoleao da organizacao operaria e mesmo de uma delegacao francesa aos primeiros congressos da Primeira Internacional. O fascismo de entre guerra era adepto de tomar emprestado as armadilhas e metodos de propaganda do movimento operario que ele havia esmagado. Pode-se entao caracterizar as tres decadas  apos a Segunda Guerra Mundial, seja no disfarce estatista do bem-estar social democrata ou stalinista, seja no desenvolvimento do Terceiro Mundo como a "realizacao" do Programa Social-Democrata de Gotha denunciado por Marx em 1875.

A contra-ofensiva capitalista desde os fins dos anos 1970 e a que esta mais proxima de nos, e portanto merece uma analise mais detalhada.  Todos esses fenomenos sociais e culturais, desde  a fragmentacao das cidades em suburbios e exurbios, a proliferacao de "shoppings centers" e "cidades perifericas" a "reconquista" do centro da cidade, antes abandonadas pela classe media durante a expansao economica do pos guerra, na forma de gentrificacao mundial e expulsao dos pobres para as periferias empobrecidas, a tomada corporativa aberta da educacao, para privatizacao e atomizacao ainda maior da pessoas por tecnologia individuais e o vasto oceano de trivialidades que eles "comunicam", deve ser endendido do ponto de vista da comunicacao material potencial cuja inversao eles sao. E nunca-se deve esquecer que  esses fenomenos "pos modernos, nos EUA e na Europa Ocidental, coexistem no plano internacional com o mundo das favelas.

Dignon de nota nas ultimas 3 decadas e a maneira como o capital tem-se apropriado grande parte da espuma ideologica dos movimentos derrotados e cooptados da decada de 1960[3].. Nao foi a primeira vez que a rebeliao das classes medias alienadas ajudou abrir a proxima fase de acumulacao. Na decada de 1930, eram exatamente eram exatmente essas classes que povoavam as burocracias do emergente  estado do bem-estar. Apos o final dos anos 1970, pode se dizer  que o computador pessoal,  para as pessoas abastadas do setor capitalista "avancado", permanecera como um simbolo dessa fase de acumulacao,  assim como o automovel o foi no periodo anterior.. No entanto o computador, como o automovel antes dele, era muito mais que uma tecnologia, vinculado como estava a toda uma ideologia de liberdade. 

Esta ultima ideologia foi a "revolucao" contra a "grandeza" e a "burocracia", a "hierarquia", contra o "homem de Organizacao" e o "terno de flanela cinza", outrora entre os gritos de guerra da Nova Esquerda dos anos 1960. Onde o movimento anterior, tanto em sua forma politica quanto em sua forma boemia, contrapos o consumo hedonista ao entao "puritanismo" predominante, agora temos a classe capitalista e seus aceclas, encabecados por sua vanguarda  yuppie de Wall Street e City de Londres, mergulhando em drogas de marca, restaurantes gourmet e alta moda S+M. Nao se falou muito sobre a semana de trabalho cada vez mais longas, tanto para essas "classes criativas" apregoadas  por teoricos sociais deslocados e vazios (por esemplo Richard Florids), sem mencionar a familia da classe trabalhadora  de dois ou tres salarios que era o estrada da morte da "nova economia" e da "super estrada da informacao. Para as "classes criativas" e muitas outras, o PC e o celular e o Blackberry eliminaram o antagonismo entre trabalho e lazer, nao na "atividade multifacetada" de Marx, mas no trabalho 24/7 

Essa incorporacao quase totalitaria da ideologia da revolucao falida alcancou todos os aspectos da vida, desde os restaurantes chiques de Nova York em alguns antigos distritos de armazens, com fotos de filas de pao de 1930 como decoracao de interiores, ate o fechamento do excentrico ou de livraria independentes  como a Barnes&Nobles. Imensos shoppings centers surgiram com pouco ou nenhum pessoal de servico, muito menos pessoas bem informada sobre a mercadoria, em cavernosos corredores de mercadorias; todas  as empresas e agencias estaduais capazes  de fazer isso substituiram as recepcionistas por interminaveis telefones como opcoes irrelevantes e espera interminaveis, cortando custos ao forcar o tempo de trabalho nao remunerados para aqueles aquem ostensivamente "serviam"; toda cultura "de oposicao" do passado, de blues e jazz a livros outrora subversivos, foi servida  sob celofane no Borders. Em nome do novo, exagero ultra-reificado de "informacao" (como se livros como Fenomenologia da Mente de Hegel ou o Capital de Marx constituisse "informacao lado a lado com o mais recente manual de administracao de Ton Peters), as bibliotecas destruiram milhoes de livros par mover-se para um espaco reduzido e conectado.

Os diretores  arrogantes  do Vale do Silicio e seus publicitarios, que sempre odiaram livros e seus penssmentos serios,  elogiaram  a economia "sem papel" do novo milenio. Milhoes de empregos de "gerenciamento" intermediario (reconhecidamente sem importancia social redentora) desapareceram  por meio do enxugamento de alta tecnologia e aqueles que os perderam desapareceram no esquecimento do suburbio reciclado encoberto pelo canto da "nova economia" As Universidades transformaram a educacao "liberal" numa extensao de treinamento vocacional para seus clientes passando o restante do que ainda sobra das humanidades para os lumpeminteligencia descontruscionistas  as corromperem com suas teses de que tudo e corrupto e projetarem suas corrupcoes reais no movimento revolucionario emancipatorio universal. Essa decadencia  ideologica desviou a atencao sobre a decadencia acelerada da infra estrutura norte americana - a velha economia - de sistema de esgotos, metros, pavimentacao de ruas e estradas, pontes, diques de Nova Orleans ou predios residenciais. Talvez o mais surprendente em toda essa  operacao ideologica  foi o surgimento do MBA e o "geek" da informatica e banqueiro de investimento, figuras amplamente insultadas e ridicularizadas  no clima de 1960, como quase os novos que herois da cultura e "revolucionarios" O esquecido "professor distraido", ainda "em alguns casos" com um cheiro do antigo (foi agora ultrapassado) humanismo, foi substituido pelo pos moderno elegante bronzeado e cinico teorico literario  "radical", que manobra para conseguir sua estabilidade academica e  participacao em conferencias apos conferencias.

Casas e bairros modestos construidos para trabalhadores no final do seculo 19 e inicio do Seculo 20, na reocupacao do centro da cidade pos-1970 pela classe yuppie de renda dupla, sem filhos, foram  reformados na "quotacao" geral da cultura passada, despojado da vida vibrante que outrora os tornaram suportaveis para seus habitantes anteriores. (Adicionando insulto a injuria esta o "fato" pouco discutido de que a familia da classe trabalhadora americans tipicas gastava 15% de sua renda com moradia em 1950 e gasta em media 50% - geralmente um cheque de pagamento integral - hoje) Esta nova dispensa tambem envolveu uma guerra massiva contra a memoria, desde a proposta de transformar Auschwitz em um parque tematico ate o local das batalhas de rua na greve geral de 1934.

Assim como o capitalismo, por meio da acumulacao primitiva, sempre viveu em parte do saque e da destruicao das formacoes sociais pre capitalistas, a cultura burguesa em seus seculos ascendente viveu de estratos culturais pre-capitalistas (por exemplo, sua relacao mimetica com a aristocracia europeia. A medida que o capital se voltava para si mesmo, a autocanibalizacao de sua base social reprodutiva desde o final dos anos 1970 ecoou com misteriosa concisao na autocanibalizacao de sua cultura outrora emancipatoria no virus Ebola ideologico espalhados pelos niilistas e descontrucionistas pos-modernos, os Foucaults, os Saids e os Derridas. Como disse Marx ha muito tempo "as ideias dominantes de cada epoca sao as ideias da classe dominante.

VIII. REAGRUPAMENTO DE CLASSES E SEUS INIMIGOS: PORTO ALEGRE, ONGS E FORUM SOCIAL MUNDIAL CONTRA A CLASSE TRABALHADORA GLOBAL

Esta ofensiva cultural teve a sua contrsapartida politica. A esquerda nao marxista tem sido repetidamente essencial para o capitalismo remodela-lo para uma nova fase de acumulacao. Basta lembrar de Proudhon e seus 150 anos de influencia sobre as cooperativas operarias[4] em uma estrutura capitalista, ou, mais de perto de nossa epoca, o papel da social democracia, do stalinismo e do trabalhismo, ( mesmo do fascismo, desde o os ex esquerdistas como Mussoline, que inicialmente o forjou), ao lancar as bases para o estado de bem-estar-social keynesiano depois de 1945.

Mas assim como da maneira  que, nas decadas de 1950 e 1960, muitos esquerdistas que perdendo suas esperancas (durante um aparente periodo de refluxo da classe operaria no Ocidente) voltaram  para movimentos guerrilheiros romantizados na America Latina, Africa e Asia, apenas para ficarem amargamente  desapontados com os seus resultados e, acima de tudo, serem surpreendidos pela  explosao do movimento operario na Europa e nos EUA nas decadas de 1960 e 1970, a mudanca de enfase nas decadas  de 1980 e 1990 para os movimentos sociais, em um contexto mundial radicalmente transformado cresce a partir de uma vazante semelhante.

|A classe operaria  mundial, e , apenas secundariamente,  os movimentos sociais detem a chave para qualquer  futuro positivo do Seculo XXI que desejamos obter.  As classes operarias recem-criadas que surgiram em paises do Terceiro Mundo nas ultimas decadas significam naturalmente que a proxima explosao da classe operaria nao se parecera com a ultima, nao mais do que a ultima se pareceu com as do periodo entre guerras. Sem essa explosao, os movimentos sociais serao, como pareceram ser ate agora na America Latina, meros complementos de um estado capitalista recem constituido, possivelmente com a Venezuela de Chaves ou mesmo o Brasil de Lula como paradigma.

Se o capitalismo mundial conseguir reconstituir uma estrutura viavel de  acumulacao da crise atual, muito dos novos  movimentos sociais - politica de identidade construida em torno de raca, etnia, genero, sexualidade alternativa, energia e meio ambiente, hostil ao conteudo de classe - terao feito esse papel. O fogo polemico do Forum Social Mundial e eventos menores e principalmente direcionado ao neoliberalismo e neoconservadorismo e nao ao capitalismo e nem aos keynesianos globais Stiglitz, Sach, Soros, Krugman e outros que estao entre os principais candidatos para reformular uma futura restauracao capitalista as custas da classe trabalhadora e  seus aliados potenciais, como seu predecessor JM Keynes ajudou a fazer nas decadas de 1930 e 1940. Os proponentes exemplares do Forum Social Mundial da "justica global" incluem o stalinista Fidel Castro, o petro-peronista Hugo Chaves.

Um proponente dessas "forcas progressivas" escreveu recentemente, e de maneira tipica: "....O desafio para as forcas progressistas, como sempre, e estabelecer a diferenca entre "reformas reformistas" e reformas que promovam uma agenda "nao reformista". Esta ultima incluiria politicas sociais amplas que enfatizam a descomodificacao, controles de capital e estrategias industriais mais voltadas para o interior, permitindo o controle democratico das financas e, em ultima analise, da propria producao"[5] Se um programa desse deve ter "controles de capital" e "controle democraticos das financas", pode-se imaginar como essa "descomodificacao"  deve ocorrer, dado que a producao de mercadorias e essencial para a existencia do capital e financas.

Em nenhum outro lugar, os novos movimentos sociais sao tao proeminentes ou bem sucedidos como na America Latina, onde um novo populismo esta em ascencao nos ultimos anos. Lula foi certamente um pioneiro dessa tendencia[6], desde a orientacao do movimento social dos primeiros anos do Partido dos Trabalhadores ate seu ...decepcionante...(embora previsivel) desempenho uma vez em controle do Estado. Os piqueteiros argentino derrubaram um governo de dezembro de 2001, e em seguida, apos nao ter conseguido substitui-lo por qualquer outra alternativa, dividiram-se entre direita e esquerda, com a direita agora administrando programas de trabalho e bem-estar do Estado em uma base altamente politizada.  Evo Morales, na Bolivia, parece estar usando o impeto dos movimentos sociais que pararam a privatizacao dos recursos naturais em 2003 (deixando de lado por um momento as implicacoes da propriedade estatal) para uma nova legitimacao do Estado. E o desenvolvimento mais elaborado dessa tendencia culmina ate hoje (2010), no "socialismo bolivariano" do seculo XXI de Higo Chaves[8], com o exercito profissional permanente em seu nucleo, completo com conselheiros cubanos, usando as receitas do aluguel do solo do petroleo para financiar  uma nova versao do modelo militar peruano (1968-75), que foi uma das principais influencias de Chaves. Uma nova forma de paternalismo estatal esta sendo reconstituida com base nos movimentos sociais, substituindo o antigo paternalismo estatal autoritario (por exemplo, Peron e Vargas) que nao e mais viavel.

Assim lado a lado com essa fanfarra, novas lutas  dos trabalhadores surgiram na America Latina. Em 2006, o levante de Oaxaca, desencadeado pelos sindicatos dos professores, mas rapidamente transformado em uma insurreicao urbana, trouxe a tona um elemento radical "assembleista" ao longo de meses, mais ou menos simultanea com a ocupacao do centro da Cidade do Mexico que durou semanas, apos a eleicao roubada daquele ano, uma ocupacao que foi alem do que desejava o partido burgues de esquerda (o PRD) cujo eleicao do lider Lopes Labrador havia sido roubada. Houve greves gerais no Equador e no Peru. Houve algumas greves na Venezuela, soando como uma nota discordante na comocao sobre Chaves (uma comocao cada vez mais fervorosa  entre  seus admiradores esquerdistas estrangeiros do que nas massas venezuelanas.) Na Argentina, em 2001-2, os piqueteiros (apesar  de suas deficiencias ja mencionadas) que haviam desenvolvido metodos criativos de lutas alem da fabrica, derrubaram o governo peronista por um breve periodo de tempo antes de demonstrar sua propria incapacidade para avancar. Aspecto desse fermento latino americano tambem se infiltraram nos EUA, como nas mobilizacoes do 1 de maio dos imigrantes latinos em 2007 e 2010.

Os teoricos do movimento social reiteram  repetidamente que o "trabalho organizado"  nao pode mais ser a forca unificadora para uma forca de trabalho muito mais atomizada, casualizada e dispersa do que antes.  Insurgente Notes nao esta nem um pouco preocupado com o "trabalho organizado", mas com a classe trabalhadora como um todo. E importante nunca perder de vista o contexto historico dessa mudanca de enfase da classe operaria para os novos  movimentos sociais. Repetidamente, o padrao emergiu, como no Brasil (1978-83). Polonia (1980-81) e Corea (1987-90) de uma especie de culminacao da industrializacao do "modelo antigo" (o "trabalhador de producao de massa" como alguns dizem hoje) de uma explosao de greves selvagens, vitorias importantes, seguidas por uma contra-ofensiva capitalista que se resume a implementacao total do do familiar terceirizacao, casualizacaso e desindustgrializacao ad nauseum. No Brasil, em 1983, a CUT (a principal federacao sindical, incluindo o sindicato dos metalurgicos de Lula) saboreava o prestigio dessas greves. Em 2000, a CUT foi reduzida a fazer assistencia social, ensinando trabalhadores que perderam o emprego abrir barracos de frutas em frente dos portoes cada vez mais vazios  das fabricas. Similarmente, o movimento dos sem-terras, combinou alguns sucessos importantes em face da repressao dura com o problema  repetido muitas vezes de camponeses se afastando depois de adquirem seu pedaco de terra. Na Corea do Sul, a onda de greves no final dos anos 1980 deu lugar a uma proliferacao de ONGs, "ativistas pela paz" e conversas sobre a "sociedade civil",

Os novos movimentos sociais surgiram no inicio dos anos 1980 para preencher a lacuna deixada por esta devastadora contra-ofensiva do capital contra a classe trabalhadora  mundial. Para citar apenas um exemplo paradigmatico, a FIAT na Italia gastou bilhoes naqueles anos mudando das grandes fabricas para a producao artesenal, produzindo tantos ou mais carros com muito menos trabalhadores, espalhados em pequenas cidades. A onda de greves selvagem do final dos anos 1970 foi quebrada. Quase poderia ter sido o um paradigma para uma epoca. O capital esta preparado para destruir a sociedade para continuar como capital.

Nos ultimos anos, alem da America Latina, houve uma onda impressionante de greves em todo o Terceiro Mundo (greves testeis em Bangladesh e Egito, a greve TEKEL na Turquia, greves gerais no Vietnan, lutas em Gurgaon (India)[9] o papel da classe operaria indonesia na derrubada de Suharto em 1988, 70.000 "incidentes" por anos na China envolvendo por exemplo, privatizacao, pilhagem de fundos de pensao[10]. A terceirizacao, a precarizacao e o trabalho temporario obviamente turvaram as fronteiras do proletariado de colarinho azul classico e relativamente estavel do periodo anterior a 1980. Seja qual for a sua condicao, os operarios dos movimentos da China, India, Brasil ou Sudeste Asiatico, sem falar dos trabalhadores do ex-bloco sovietico que se tornaram disponiveis para a acumulacao do capital nas ultimas decadas, ja fazem parte da emergente ofensiva proletaria que se aproxima.

IV.  RESUMO E PROGRAMA

Frente  com essa mare crescente de uma oposicao tateando por coerencia, e com medo de provocar mais escalada por meio de confronto imediato e repressao, o capital,  no periodo recente, redescobriu a estrategia e tatica dos industrialistas italianos em 1920: cruze os bracos e espere. Como na Argentina em 2002 ou em Oaxaca em 2006, ou - em uma escala menor - nas ocupacoes de fabrica Ssanyong Auto de 77 dias na Coreia do Sul em 2009, a mensagem basica dos capitalistas e do estado para os insurgentes e "Voce  assumiram controle a fabrica,d a cidade, do pais", Tudo bem.Voces estao preparados para administra-la sozinhos? (Recorda-se de uma reuniao semelhante em janeiro de 1919 entre o primeiro ministro britanico Lloyd George e os lideres do Central Sindical Britanica (nao que este tinha tido intencao de assumir controle de qualquer coisa). Quando a classe operaria falha em responder aquele desafio, a paciencia se esgota, os esquerdistas profissionais capturam os microfones, as pessoas cansam das reunioes interminaveis que nao decidem nada por mais democraticas que essas reunioes sao, (tudo isso mais a qualquer tipo de represao que o estado possa reunir politicamente enquanto prepara o momento de contra-atacar macicamente) o movimento se desmorona. Nesses casos recentes (ao contrario da Italia em 1920), um derramamento de ssngue macico nao foi necessario apos a derrota (o que nao significa que repressao mortal seletivas nao ocorreu). 

O ponto e sim que, sem um estrato militante "armado programaticamente" que nao convergira espontaneamente na corrida para o confronto final, sem uma ideia concreta de "outro projeto social" (para usar uma certa linguagem), o movimento se dissolve, muitas vezes, com relativamente poucos tiros sendo disparados. (isso nao significa negar o papel muitas vezes importante e criativo da espontaneidade.[11] na fase ascendenteinicial, quando o movimento parece cada vez mais forte.)

Esta ausencia de uma alternativa ampla para governar pelas elites - seja pela burguesia ou seja por esquerdistas profissionais preparados para aguentar mais que todos os outros  em reunioes interminaveis e, em seguida, votar sua agenda as 2 da manha - sempre foi a base da sociedade de classes, seja reacionaria ou progressista. A passividade, voluntaria ou induzida, e sempre a serva da "burocracia. Em nossa opiniao, o melhor antitodo para derrota nesses casos e a propagacao mais ampla possivel dos aspectos programaticos concretos de um "projeto social" diferente e o teste pratico desse conhecimento no caminho para o poder da classe operaria. Nosso objetivo e ajudar a classe trabalhadora a se tornar a classe domionante no processo de dissolucao de todas as classes.

Para resumir:

1.  capital desde a rebeliao selvagem dos anos 1960/70 (com extensoes em lugares como Brasil, Polonia, Coreia) tem se engajado emm uma contra-estrategia quase consciente para quebrar os centros de concentracao proletaria, criando o maximo possivel de novas populacoes de trabalho assalariado atomizadas, casualizadas e dispersas para  as quais um salario unico na familia, seguranca de trabalho a longo prazo, beneficios, moradias seguras, educacao e "aspiracoes" (embora burguesas) para a proxima geracaso nao sao nem mesmo uma memoria.

2. Isso esta intimamente ligado a financeirizacao do capitalismo. Isso nao e acumulacao de capital "normal". Capital esta destruindo a base material da reproducao social, tanto em termos de forca de trabalho quanto de meios de producao (incluindo infraestrutura e natureza)

3. Esse desenvolvimento expressa o fato de que o valor (no sentido de Marx) ja estava obsoleto a crise dos anos 60/70, e que o capital em escala mundial tem que realizar reetrocessos massivos para reconstituir uma taxa adequada de lucro, nao com restruturacao baseada em emissao de titulos de  dividas, fusao e aquisicoes, mas em producao e reproducao real. 

4.  A questao programatica obviamente nao pode ser a de reconstruir as velhas fabricas de producao em massa em si. Ninguem sente falta da linha de montagem, e a producao e o consumo baseado no automovel ja desvastaram o espaco social o suficiente. Tem sido apontado com frequencia que, apesar da criatividade dos movimentos selvagens dos anos 1950 e 1960, a maioria da esquerda teorizou o operario como trabalhador, e nao como a principal forca na luta para quebrar a logica do trabalho de fabrica  para aderir a um Grudrisse, como "atividade tao unilateral em sua producao quanto em seu consumo", isto e comunismo. No entanto, embora reconhecamos que a producao em massa parecia produzir algo muito mais proximo da consciencia de classe e da acao de classe do que vimos desde entao, tambem podemos reconhecer que a quebra do antigo "contrato social" do pos-segunda guerra mundial, tambem quebrou o conservadorismo construido no apego a um emprego, uma hipoteca, etc, que deve ter inibido tanta solidariedade quanto formentado, em uma fabrica, em um ramo de industria. Isso resultou que em alguns paises como Farnca e Italia, temos o movimento da juventude operaria, que nunca terao a estabilidade que seus pais tiveram, usando essa mobilidsde precaria como forma de construir movimentos de "piquetes voadores" em toda cidade em vez de centrar-se nas fabricas ou industrias.

5. Em uma perspectiva "marxista hegeliana, ou seja, uma perspectiva realista, a realidade da classe trabalhadora mundial (Gesamtarbeiter) e o potencial real da classe trabalhadora mundial para construir uma sociedade alem da producao de valor. Essa e a realidade contra a qual o capital tem lutado desde as decadas 1960/70, e na verdade desde o inicio do Seculo XX. Ele determina a verdadeira estrutura das lutas de classe hoje. O keynesianismo global inspirado em um Stiglitz-Sachs e outros, construido sobre os movimentos sociais, seria a reproducao exata da reorganizacao keynesiana do capitalismo resultante s crise de transicao de 1914-1945.

6.  Nossa tarefa deve ser articular todas as implicacoes desse poder positivo que esta alem da desorientacao de hoje. Devemos aindas tentar mostrar onde esse potencial surge de forma micro nas lutas do presente. Por exemplo, a juventude suburbana da regiao de Paris costuma viajar de graca nos trens que entram e saem da cidsde e confrontam fisicamente o pessoal do trem que e obrigado a cobrar as passagens. Uma campanha pelo transporte gratuito poderia unir esses elementos. O mesmo poderia ser dito de muitos cobradores de impostos da vida diaria, para dar apenas um exemplo de como os proletarios se posicionam contra os subproletarios.

O que se segue em conclusao, entao, e um programa para os "primeiro cem dias" de uma revolucao proletaria bem-sucedida em paises chaves e, com esperanca, breve em todo o mundo. A intencao e ilustrar o potencial para um rapido desmantelamento da producao de "valor" no sentido de Marx. E claro que e apenas uma investigacso aberta a discussao critica.

1)  implementacao de um programas  de exportacao de tecnologia para equalizar para cima o Terceiro Mundo

2)  criacao de um limite minimo de renda mundial (salario minimo mundial)

3) desmontagem do complexo petroleiro-automotivo-siderurgico, passando para transporte coletivos e trens

4) abolir o setor inchado dos militares, policiais; burocracia estatal, burocracia corporativa, prisoes, financas-imoveis-seguros, segurancas, servicos de inteligencia, caixas e cobradores de pedagio

5) Usar a grande massa de trabalho liberada para o encurtamento radical da semana de trabalho.

6) programas intensivos em torno da energia alternativa: (a longo prazo, se possivel) energia de fusao nuclear, solar, eolic, etc.

7) Aplicacao do principio "mais e menos" o maximo possivel (exemplos: telefones por satelites substituem a tecnologia de linha terrestre no Terceiro Mundo, CDDs baratos substituem sistemas estereos caros, etc)

8) um programa agrario mundial combinado com o obkjetivo de usar os recursos alimentares da America do Norte e da Europa para desenvolver a agricultura do Terceiro Mundo.

9) integracao da producao industrial e agricola e a dissolucao da concentracao megapolitana da populacao. Isso implica a abolicao dos suburbios e da exurbia e a transformacao radical das cidades. As implicacoes disso para o consumo de energia sao profundas.

10. automacao de todos os trabalhos penosos que podem ser automatizados.

11) generalizacao do acesso a computadores e educacao para o planejamento global e regional completo pelos produtores associados.

12) assistencia medica e odontologica gratuita

13)integracao da educacao com a producao e reproducao

14)a mudanca de P+D atualmente conectada ao setor improdutivo para o uso produtivo

15) o grande aumento na produtividade do trabalho produzira muitos bens basicos fazendo possivel distribui-los  gratis o mais rapido possivel, liberando assim todos os trabalhadores envolvidos na coleta  e contablidade de dinheiro

16) uma reducao global da semana de trabalho

17 centralizacao de tudo que deve ser centralizado (por exemplo, uso de recursos mundiais) descentralizando tudo que pode ser descentralizado (por exemplo, controle do processo de trabalho dentro do contexto geral)

18) medidas para lidar com a atmosfera,  mais importante a eliminacao do uso de combustivel fossil por 3) 3 6).

Mais uma vez, neste estagio, esses pontos programaticos sao apenas sugestivos e amplamente abertos para debate, focando nao nas "formas de organizacao", mas no conteudo de um mundo alem do valor, no qual "a multiplicacao dos poderes humanos e o seu proprio fim" (Marx, Formacoes Economicas Pre-Capitalista)

NOTAS:


[1] Embora nao nos situamos na tradicao bolshevique, da qual os resquicios contemporaneos do trotskyismo sao - em contraste com os estalinistas e maoistas - a continuidsde seria, dificilmente  descartamos Lenin e Trotsky de imediato, como muito comunistas libertarios tendem a fazer. A postura internacionalista de Lenin em 1914 e suas Teses de Abril de 1917, como a aplicacao  da Teoria da Revolucao Permanente quase unica de Trotsky a Russia, foram momentos revolucionarios. O que rejeitamos no leninismo e no trotskysmos nos levaria longe, mas  o fetichzacao da organizacao e da "direcao" (no caso de Trotsky) sao pontos de partida obvios para nossa critica. 

[2]  Por "padrao de valor" entendemos o "denominador comum" ou "unidade de valor" generalizado com base em uma nova e mais alta produtividade do trabalho alcancada atraves da crise e do abalo para a proxima fase de acumulacao atraves da incorporacao de novas tecnologias e uma maior produtividade do trabalho. A expansao do pos-guerra de 1945-1970, por exemplo, foi baseado  nos trinta anos anterior de destruicao de pessoas e capital  bem como em nova producao em massa introduzidas (por exemplo, no setor automobilistico) durante  o periodo pre-1945, bem como na expansao do mercado mundial possibilitado pela destruicao dos imperios britanicos e frances e pela reducao das burguesias nacionais da Europa (francesa e aleman, etc) ao padrao generalizado do dolar. Cada "padrao de valor" sucessivo representa "uvas" para as "peras" do anterior.

[3] Tom Frank (2000), embora falho por sua nostalgia de estatismo do New Deal, e um bom retrato de como as pretensoes "revolucionarias" da "nova economia" dos anos 1980 e 1990 assumiram  uma boa parte da contra cultura da Nova Esquerda/hippies dos anos 1960.

[4]A cooperativa Mondragon na Espanha (que de alguma forma operou sem problema durante a ditadura de Franco) e uma referencia favoritas de alguns novos ativistas de movimentos sociais por um capitalismo igualitario. (Concordamos que e capitalismo)

[5] Patrick Bond, artigo apresentado a conferencia Socialismo para o Seculo XXI, Jinju, Coreia do Sul, Maio de 2007. Citamos essas formulacoes confusas como meramente exemplares, embora reconhecendo o envolvimento serio e profundo de Bond nas lutas sociais na Africa do Sul. 

[6] Em sua fase dinamica inicial (decada de 1980), o Partido dos Trabalhadores (PT) distinguiu-se do morimbundo Partido Comunista Brasileiro (PCB) por dizer, com efeito, que um militante anterior aderiu ao PCB e so entao se envolveu nos sindicatos etc enquanto seus proprios militantes chegavam ao PT como ativistas em varios movimentos sociais

[7] O livro de Holloway Como transformar o Mundo Sem Tomar o Poder, e sua recusa inflexivel em dizer qualquer coisa sobre um programa para o "proximo passo", foi testado na Argentina em 2001-02 (onde tinha sido extremamente popular) e falhou no teste.

[8] Conforme Perspectivas Internacionais 51-52 e 53.

[9] Em 2008, um Executivo Italiano foi espancado ate a morte por trabalhadores em um suburbio de Nova Delhi durante s tentativa de cortar a forca de trabalho

[10] Embora tenha ocorrido ha 30 anos, nao se deve ignorar os conselhos de trabalhadores estabelecidos pelos trabalhadores do petroleo em 1980/81 durante a revolucao iraniana, reprimidos e fechados quando o clerigo islamita consolidou seu dominio

[11] CLR James, em sua discussao sobre a tomada aparentemente noturna da Hungria por um sistema nacional de conselho de trabalhadores em 1956, aponta que, ao contrario de qualquer interpretacao espontaneista, a capacidade dos trabalhadores hungaros de realizar isso foi provavelmente preparada antecipadamente por anos de experiencia de arregimentacao stalinista burocratica e discussao nas fabricas sobre suas consequencias e curas 

 (Artigo de Loren Goldner  originalmente publicado no Insurgent Notes de 2010 e disponivel no breaktheirhaughtypower.org intitulado The Historical Moment that Produced  Us: Global Revolution or Recomposition of Capital e traduzido por John Amaral