Tuesday, 23 February 2021
Saturday, 20 February 2021
SEGURANCA E A QUARTA INTERNACIONAL - SYLVIA AGELOFF E O ASSASSINATO DE LEON TROTSKY PARTE 2 de Eric London wsws.org 05 fevereiro 1921
Esta serie de artigos constitui a primeira investigacao sistematica pelo movimento trotskysta do papel de Sylvia Ageloff e continua o trabalho de investigacao do Comite Internacional de Seguranca da Quarta Internacional e sera publicado em 4 partes.
PARTE 2 - VERAO DE 1938: SURGEM CONTRADICOES NA HISTORIA DE MONARD ENQUANTO ELE FINANCIA A ESTADIA DE AGELOFF
Em seu livro de 2015, Ramon Mercader: O homem do Piolet, Eduard Puigventos Lopes escreveu: "Um dia, Jac [Jacques Mornard] disse a Sylvia que ele teve que voltar subtamente para Belgica porque seus pais haviam sofridos um acidente (embora isso contradisse o fato que ele havia dito que seu pai teria falecido em 1926...)"[31]
Em julho de 1938, justamente quando Rudolf Klement havia desaparecido em Paris, Monard interrompeu o contato com Ageloff sob o pretexto de ter que viajar para Bruxelas. Digno de atencao, Ageloff diria mais tarde a policia: "Ela tambem foi a Bruxelas por sua livre espontanea decisao, e embora tivesse enviado um telegrama a Jackson, com a proposta de encontra-lo la, porem ela nao o encontrou, tudo isso acontecendo em agosto de 1938."[32] A ocasiao do desaparecimento de Ageloff de Paris coincidiu com o momento em que a policia estava procurando o corpo de Klement e o movimento trotskista investigava o papel da CPU em seu desaparecimento.
Em Paris, Ageloff nunca conheceu nenhum dos amigos de Monard, mas ela o apresentou aos seus contactos no movimento trotskysta. No depoimento de Angeloff a policia mexicana, ela disse que ele "suspendeu as relacoes" com seus amigos. O relatorio policial continuou: "Ele frequentava apenas o mesmo grupo de amigos que a declarante [Ageloff], seus camaradas norte americanos e franceses.[33]
Monard comecou a pagar Ageloff pelo trabalho de traducao. Marie Craipeai, esposa do entao influente trotskysta frances Yvan Craipeau, que era muito proximo de Ageloff quando ela estava na Franca, ficou desconfiada. Craipeau explicou mais tarde: "Surpreendentementre, ele propos que ela traduzisse artigos sobre psycologia do ingles para o frances para uma agencia, e eu ajudei Sylvia a datilografar seus textos.Recebemos um bom salario por isso. Mas tarde, um dia, quando estavamos trabalhando, parei de repente com meus dedos no teclado e disse a ela: Escute, Sylvia, isso nao faz sentido. Nao existem empregos como este tao bem pagos. Entao ficamos sentados na cama, acendendo um cigarro como faziamos, e analisamos. Ele nao estava interessado em politica...Ele nao participou das nossas discussoes...E dai? Achavamos que ele estava tao apaixonado, que ele nao queria que ela fosse embora. Essa foi a nossa conclusao".[34]
Mais tarde, no verao, Monard propos que Ageloff assumisse outro emprego, desta vez escrevendo artigos de psicologia para uma empresa chamada "Argus Press". Nesse trabalho, Ageloff recebia 3.000 francos por mes diretamente de Monard, nao atraves da propria empresa, e nao tinha permissao para saber onde os artigos foram publicados ou le-los em sua forma final.[35]
O autor Gregorio Luri (O ceu prometido: Uma mulher a servico de Stalin) explicou: "Nao havia psicologo na Franca que recebesse essa quantia, por mais famoso que fosse. Mas Sylvia nao suspeitou nada."[36] Luri acrescentou: "Se analisarmos os fatos com frieza, ou seja, de forma desapaixonada, o que, obviamente, Sylvia, nao o era, descobrimos rapidamente que os fatos que Ramon lhe contava sobre si mesmo nao eram coerentes".[37]
JULHO-SETEMBRO DE 1938: AGELOFF APRESENTA MONARD AOS DELEGADOS NA EUROPA QUE PARTICIPAM DA PROXIMA CONFERENCIA DE FUNDACAO DA QUARTA INTERNACIONAL
Ageloff viajou para Europa para ajudar nos cuidadosos preparativos do movimento trotskyistas internacional para sua conferencia de fundacao em Paris. A conferencia foi inicialmente agendada para o momento em que Ageloff chegasse a Franca, mas foi adiada ate o inicio de setembro devido as crescentes preocupacoes com a seguranca.
Na preparacao para a conferencia, a campanha da GPU contra o movimento trotskysta atingiu o auge. Em julho, logo apos a chegada de Ageloff a Paris, a GPU assassinou Rudolf Klement, secretario da Quarta Internacional, cujo corpo foi mais tarde levado as margens do rio Sena com a cabeca e membros decepados. Pouco antes do desaparecimento de Klement, a GPU havia roubado a mala de Klement que continha documentos relacionados aos planos para a conferencia de fundacao.
Era do conhecimento dos trotskyistas franceses proximos de Klement que ele era homosexual. Eles acreditavam que um homem com quem ele havia iniciado um relacionamento intimo era, na verdade um agente da GPU que ajudou a armar o assassinato.[38] Embora isso expusesse o metodo da GPU de atrair vitimas por meio de relacionamentos pessoais, Ageloff nao apenas continuou seu relacionamento com o desconhecido Monard, ela logo o apresentou aos lideres trotskystas que se preparavam para participar da conferencia de fundacao da Quarta Internacional.
Em seu julgamento criminal no Mexico, Mercader testemunhou que Ageloff o apresentou a "Yvan", uma referencia a Yvan Craipeau, que era um delegado da conferencia e de quem ele estava proximo, suficientemente para chama-lo pelo primeiro nome. Ele continuou: "Em setembro de 1938 eu ja sabia que Sylvia Ageloff era trotskyista e tinha relacoes com trotskyistas e era membro do partido trotskyista, embora nese ultimo ponto nao me lembro se Sylvia o havia dito especificamente; e ocasionalmente, as vezes apenas com Sylvia e as vezes com seus amigos ou camaradas, faziamos numerosas excursoes, iamos ao Chateau Theyry[sic] para Verdun, para Metz, Touts, Blois, Chartres, Dasuville, etc e entre aqueles camaradas que eram amigos trotskyistas de Sylvia, lembro-me de Manni, Waltha, Naty, Frank, Elisabeth e outros. [39]
Relatorios do FBI nas semanas apos o assassinato de Trotsky mostram que informantes confidenciais relataram que Mornard-Mercader "havia sido convidado para jantar na casa de Manuel Garret, um representante norte americano na conferencia de fundacao em setembro.[40] Este foi o "Manni" a quem Mercader se referiu em seu depoimento no Mexico.
O "Naty" referido por Mercader foi o trotskyista norte americano Nathan Gould, que tambem participou da conferencia de fundacao como representante do Partido Socialista dos Trabalhadores/SWP.
Ageloff tambem estava ligada a Mark Zborowski.
De acordo com o exgeneral sovietico e historiador russo Dmitri Volkogonov, cujo acesso aos arquivos restritos da GPU dava lhe uma visao privilegiada das atividades da policia secreta stalinista na Europa naquela epoca, Ageloff era conhecida por Zborowski por meio de seu trabalho conjunto no secretariado."[41]
O livro de historia francesa grafica nao ficcao de Gani Jakupi, Les Amants de Sylvia, publicado em 2010 baseia extensamente em entrevistas com Marie Craipeau e afirma que Zborowski estava presente quando Weil e Ageloff foram apresentados a "Monard".[42]. Em seu depoimento confidencial de 1956 para o Subcomite do Senado dos EUA sobre o Escopo da Atividades Sovietica nos EUA, Zborowski admitiu ter conhecido Ageloff, embora ele evasivamente alegasse perda de memoria e nao desse detalhes adicionais.[45]
SETEMBRO DE 1938: AGELOFF CONVIDA MONARD PARA A CONFERENCIA DE FUNDACAO DA QUARTA INTERNACIONAL
Quando a conferencia foi aberta no inicio de setembro em uma propriedade suburbana de Paris pertencente a Alfred e Margarite Rosmer, Ageloff estava la como tradutor de russo, trabalhando com Zborowski, o delegado que representava a seccao russa da oposicao.
O historiador Robert Jackson Alexander descreveu as condicoes de risco de vida sob as quais o evento ocorreu e explicou as precaucoes de seguranca tomadas para a conferencia de fundacao: "A reuniao que formalizou a constituicao da Quarta Internacional teve lugar no auge da crise de Munique, num momento em que parecia iminente a ameaca de uma nova guerra mundial. Os trotskyistas tiveram que tomar medidas extremas de segurancas para garantir o cumprimento seguro de sua missao. Eles tiveram que se proteger nao apenas da possivel interferencia da policia francesa, mas, mais importante, dss tentativas da GPU sovietica de interromper a reuniao e talvez matar alguns ou todos os participantes... Os que participaram da reuniao procuraram ser os mais cautelosos possivel sobre para onde iriam e o que iriam fazer. Assim, eles tomaram uma serie de rotas diferentes de Paris a casa de Rosmer.(...) Por motivo de seguranca, foi necessario que a reuniao nao durasse mais de um dia."[44]
A direcao do movimento estava tao preocupada em expor as viagens dos delegados e a seguranca dos anfitrioes que "apos o encerramento da reuniao, foi anunciado que a Conferencia de Fundacao da Quarta Internacional havia sido realizada em algum lugar da Suica:.[45]
Apesar dos perigos frequentados pelos delegados, Ageloff levou Monard ao local da conferencia, e o futuro assassino de Trotsky ficou sentado do lado de fora do patio durante todo o tempo, observando os participantes e conversando com eles durante os intervalos.
Luri escreveu: "Sylvia participou desta reuniao como tradutora. Ramon a acompanhou ate a casa dos Rosmer, mas tendo dito a ela que nao tinha o menor interesse nas discussoes politicas que aconteciam la dentro, limitou-se a espera-la no jardim e a conversar nos intervalos sobre temas irrelevantes com os participantes. Ele achou facil se relacionar com estranhos."[47]
Puigventos explicou da mesma forma que Monard "ficava no jardim, fumando e passando o tempo. Ele conheceu varios delegados, porque era amigos de sua namorada...[47]
A GPU teve a conferencia de fundacao "coberta". Todos os delegados internacionais voltaram para seus paises de origem e a GPU informou prontamente seus espioes e assassinos locais.
A decisao de Ageloff de trazer Monard a conferencia foi uma violacao irresponsavel de seguranca que deveria ter resultado em sua expulsao do partido. Tragicamente, o Partido Socialista dos Trabalhadores/SWP, refletindo a imaturidade do movimento dos trabalhadores norte americanos, permitiu que tais incidentes passassem sem nenhuma suspeita. Essa fraqueza politica teria consequencias devastadoras para a seguranca pessoal de Leon Trotsky.
Tendo assassinado muito dos aliados mais habeis de Trotsky na Europa Ocidental e com Trotsky cada vez mais isolado no Mexico, a atencao da GPU mudou para o outro lado do Atlantico, onde uma rede de agentes na cidade do Mexico e Nova York se aproximou cada vez mais de Trotsky. O Partido Socialista dos Trabalhadores , agora a principal organizacao responsavel pela sobrevivencia fisica de Trotsky, estava politicamente despreparada para essa ameaca.
Varios meses apos a conferencia de fundacao, no inicio de 1939, Ageloff voltou aos EUA. Ela havia se tornado um componente importante da conspiracao da GPU para assassinar Trotsky.
SETEMBRO DE 1939: MONARD MUDA DE IDENTIDADE E VIAJA ILEGALMENTE PARA NOVA YORK
Quando Monard chegou em Nova York no navio passageiro lle de France em 3 de setembro de 1939, a fase proxima da campanha da GPU estava bem encaminhada. Ele nao usaria mais o nome de "Jacques Monard" e passaria ser conhecido como "Frank Jacson". Ele estava usando um passaporte canadense falso, disse ele, e afirmou que estava fugindo do recrutamento para as forcas armadas belgas. Mais tarde ficaria sabendo que a GPU havia fornecido a ele o passaporte de Tony Babichm um voluntario canadense que morreu na Guerra Civil Espanhola.
Nao era facil emigrar da Europa para os EUA nessa epoca. Com a invasao da Polonia por Hitler em 1 de dezembro de 1939, muito milhares de pessoas tentaram deixar Europa, mas nao puderam entrar nos EUA devido as serias restricoes a imigracao do governo Roosevelt. Apenas tres meses antes, o governo dos EUA recusou permitir que 900 refugiados judeus alemaes do HMS St Louis desembarcassem nos EUA.
Apos o assassinato de Trotsky, o FBI descobriu que "Frank Jacson" foi capaz de entrar nos EUA naquele momento por meio de "Ordem Executive". Um relatorio do FBI dizia: "Ele foi autorizado entrar nos EUA por meio de do que e conhecido como "uma ordem executiva", o que aparentemente significa que ele foi liberado por ordem vinda do centro do Servico de Imigracao em Washington DC"[48]. Edgar Hoover prontamente encaminhou esse relatorio ao secretario de Estado adjunto Adolf Berle e ao contra-almirante Walter Anderson, chefe da Inteligencia Naval.[49] Nao ha mais registros publicos sobre o significado da "Ordem Executiva" de Monard ou como ele obteve essa ordem enquanto viajava com o passaporte falso de um membro morto do Partido Comunista Canadense.
Em Nova York, Ageloff apresentou "Jakson" a seus companheiros do SWP. Uma dessas pessoas foi Lilliam Pollack, que descreveu Ageloff em uma entrevista de 2011 como "uma das minhas melhores amigas". Pollak que estava no SWP e tambem visitou Trotsky no Mexico, suspeitou imediatamente de Jacson-Monard: "Ele veio visita-la e, no dia que ele chegou, um amigo meu e eu fomos ate onde eles (estavam hospedados) e ele estava sentado do lado de fora sozinho. Eu disse ao meu amigo: "Vamos dar uma passada...."Quando passamos por ele, eu disse: "ele tinha uma expressao tao negra que me assustou" Esse e o cara que veio da Europa para ver a namorada? Comecei a cantar essa musica do Fred Astaire e Ginger Rogers, era muito popular - "Um romance estranho, meu amigo, isto e/Um romance estranho, sem beijos."[50]
Pollak, que permaneceu amiga de Ageloff ate a morte da ultima em 1995, escreveu um livro de memorias/romance autobiografico em 2008 intitulado The Sweetest Dream: Love. Lies, and Assassination, que apresenta uma personagem chamada Sylvia Ageloff. Ela escreveu que enquanto os tres estavam em Nova York em 1939, Ageloff disse a Pollack que Jacson-Monard "foi comigo a casa de Rosmer quando tivemos a quarta reuniao internacional, so que ele ficou de fora e nao quis entrar, queria que ele conhecesse Schchtman, Cannon e Etienne..."Ela disse, sugerindo um relacionamento mais proximo com Zborowski e um desejo de facilitar a introducao de Jacson-Monard aos lideres do SWP.[51]
Jacson-Monard ficou nos Estados Unidos por um breve periodo e depois foi para a cidade do Mexico. Em dezembro de 1939, Ageloff recebeu uma carta de um medico dizendo que ela tinha um problema de sinusite que exigia um clima mais quente. [52]
O historiador Bertrand Patenaude acreditava que aquilo era uma farsa. "A medida que as ferias de Natal se aproximava, Sylvia simulou ficar doente para abandonar seu trabalho como assistente social na cidade de Nova York, fiando-se num atestado medico que dizia que ela sofria de sinusite e precisava de um clima mais quente pra se recuperar. "[53] Puigventos afirmou da mesma forma que "Sylvia afirmou da mesma forma que "Sylvia explicou isso, anos depois, insinuando que ela havia exagerado sua dor para ter uma boa desculpa para ir visitar Jacson."[54[
Seu pedido de licenca do trabalho foi atendido e ela viajou para o Mexico em Janeiro. O circulo da GPU estava se aproximando de Trotsky no Mexico. O ano de 1940 seria o seu ultimo.
JANEIRO DE 1940: AGELOFF E JACSON-MONARD SE REENCONTRAM NA CIDADE DO MEXICO; ELE E APRESENTADO A FAMILIA TROTSKY MEXICO
Ageloff chegou na cidade do Mexico, onde uma rede de agentes da GPU havia se instalado.Pouco depois de sua chegada, Ageloff comecou visitar o complexo de Trotski, usando o relacionamento que suas irmas haviam desenvolvido com Trotsky e sua esposa Natalia Sedova para se integrar como uma "amiga" da familia.
Em 1950, o chefe do servico secreto da policia da Cidade do Mexico, General Leandro Sanches Salazar, em colaboracao com o ex-lider do POUM Juilian Gorkin, escreveu um livro intitulado Murder in Mexico, detalhando o assassinato e aspectos da investigacao mexicana. Um capitulo do livro, escrito por Gorkin, explicou os metodos da GPU para apresentar pessoas como Ageloff e Jacson a familia Trotsky: "Todas as instituicoes do mundo nao bastam para descobrir o agente do inimigo, quando este e apresentado como amigo e camarada. Se assim nao fosse, nao haveria espioes ou agentes provocadores; ou pelo menos nao tanto como eles existem. Todos os servicos policiais os utilizam em abundancia, principalmente em uma epoca como a nossa. Mas ninguem jamais igualou a GPU e a Gestapo na ordem diabolica de preparar seus agentes e de introduzi-los nos lugares mais adequados para o trabalho que vao desempenhar"
E possivel, a este respeito, que a GPU seja melhor qualificada do que Gestapo. Seus agentes nao sao apenas mercenarios atraidos pela isca do lucro ou impulsionados pelo espirito de aventura, mas fanaticos sempre dispostos a sacrificar suas vidas e sua liberdade pelo que imaginam ser seu dever mais rigido. Alem disso, sabem que do cumprimento desse "dever" depende a propria existencia. Nesse sentido, sao espioes constantemente espionados, terroristas sobre os quais pesa constantemente a ameaca do terror. Ha muito tempo existem escolas em Moscow e Leningrado para a preparacao de agentes da GPU destinados ao servico no exterior. Trotsky conhecia bem essa escola, pois ajudou a cria-las.[55]
A "amizade" de Ageloff com a familia Trotsky seguia um padrao de GPU. Em Franca, em 1937, uma unica suica de 29 anos chamada Renata Steiner fez amizade com Lev Sedov e sua esposa, Jeanne Martins des Palliers. Steiner era um agente da GPU, que seguia e informava nao apenas sobre Sedov, mas tambem sobre Ignace Reiss. Os esforcos de Steiner para rastrear Reiss e sua esposa, Elisabeth Porestky, ajudaram a GPU localizar e matar o desertor da GPU em setembro de 1937 nos arredores de Lausanne, Suissa. Porestsky recordou Steiner da seguinte maneira: "[Steiner] deveria se familiarizar com os Sedov, que estavam de ferias em Antibes, no sul da Franca. Nao tinha muito o que fazer para conseguir um visto [para a Uniao Sovietica] e nao era desagradavel. Ela alugou um quarto ao lado dos Sedov. Ela recebeu dinheiro e roupas, e tudo o que ela precisava fazer era relatar os movimentos de Sedov.[56]
E na cidade de Nova York, outra agente da GPU - Sylvia Franklin (nascida Callen) - comecou a trabalhar como secretaria de James P Cannon em 1938. Ela se tornou amiga pessoal de Cannon, e particularmente de sua esposa, Rose Karsnee, que Louis Budenz descreveu como uma "amiga chegada" da agente do GPU.[57]. Por nove anos, Sylvia Franklin passou toda correspondencia da Quarta Internacional da mesa de Cannon para as controladoras dela na GPU em Nova York.
No caso de Ageloff, Luri escreveu que nesses primeiros meses dse 1940, "Sylvia foi varias vezes a casa de Trotsky em Coyoacan. Em sua primeira visita, ela disse que Jackson[sic] havia entrado nos EUA com um passaporte falso, mas ninguem expressou muito interesse por ele e ninguem pediu mais detalhes."[58]
Entre Janeiro e meados de marco, enquanto Ageloff visitava o complexo, Jacson-Mornard fez suas primeira aparicoes quando deixou Ageloff. Embora ainda nao havia entrado na casa de Trotsky, ele conversou com os guardas de Trotsky e com a policia mexicana do lado de fora.
Durante esses meses, Ageloff e Jacson-Monard desenvolveram uma relacao estreita com Alfred e Marguerite Rosmer, os anfitrioes da conferencia de fundacao da Quarta Internacional, que agora viviam com Trotsky em Coyacan.
Puigventos explicou: "Sylvia tinha uma relacao muito proxima com os Romer, principalmente com Marguerite, a quem confidenciava suas preocupacoes e duvidas", enquanto "Ramon tornou-se um bom amigo dos Romer tambem". "Eles se viram conversando na porta da casa de Trotsky.(...) Ele ganhou a confianca deles rapidamente, trocaram algumas palavras e convidaram Jacson para comer ou fazer caminhadas.(...) As boas relacoes vinham, sobretudo, por parte de Marguerite, que via Ramon como um rapaz inteligente, atencioso e generoso, um tipo simpatico e muito bonito..[590
O companheiro de Ageloff "comecou a se agraciar com os membros da familia Trotsky" levando e trazendo recados para os Romers e oferecendo seu Buick para ajudar os membros da casa.[60].
Mas Jacson-Mornard ainda nao havia entrado no complexo e ainda nao se dera a conhecer a Trotsky. Ageloff prolongou sua estadia na cidade do Mexico, informando seu empregador que ela ainda estava doente e precisava de mais tempo fora do trabalho. Liri explicou: "Em 26 de fevereiro, Sylvia enviou um telegrafo ao Departamento de Bem Estar Social de Nova York, explicando que, embora sua licenca por doenca expirasse em 1 de marco, ela era obrigada a atrasar seu retorno devido a um agravamento de seu estado de saude. Ela disse que nos proximos dias enviaria um atestado medico. A partir de 1 de marco, ela pediu oficialmente a prorrogaco de seu periodo de licenca por doenca anexando um atestado medico assinado pelo medico A. Zollinger da cidade do Mexico em 24 de fevereiro. Este medico confirmou que sua sinusite estava piorando e recomendou que Sylvia ficasse em um clima mais quente como o do Mexico por pelo menos mais um mes. E no minimo curioso que ela recorreu ao doutor Zollinger, porque sua especialidade era a ginecologia. Ela foi a medica que ajudou Frida Kahlo com seu aborto durante sua terceira gravidez,[61]
MARCO DE 1940: O INCIDENTE DO EDIFICIO ERMITA
Em marco, ocorreu um incidente que - como Ageloff mais tarde alegou a policia mexicana apos sua prisao - levantou preocupacoes em sua propria mente sobre a natureza das atividades de Jacson-Monard.
Ageloff estava ciente de que Jacson-Mornard mantinha um escritorio comercial, onde afirmava realizar seu trabalho de importacao/exportacao. De acordo com Sylvia, quando ela lhe perguntou onde ficava seu escritorio, ele respondeu que seu endereco era o numero do escritorio 820 no Edificio Ermita, no bairro de Tacubaya.
Ageloff afirmou que, quando seu proprio esforco subsequente para contatar Jacson-Monard por telefone falhou, ela pediu a sua irma, Hilda, que tambem estava na Cidade do Mexico na epoca, para visitar o Edificio Ermita. Hilda era a irma que havia passado tres meses e meio na Uniao Sovietica em 1931.
Luri reproduzindo o relato de Ageloff explicou: "Hilda fez a surpreendente descoberta de que nao havia nenhum quarto 820 no edificio Ermita. Quando ela contou isso para Sylvia, as duas ficaram tentando encontrar uma explicacao para o fato inesperado. Elas levantaram a hipotese de que Ramon estava na verdade colaborando secretamentr com o governo britanico...Sylvia contou tudo isso a Margaret Rosmer, incluindo seus temores de que Ramon fosse um agente britanico. Margaret a acalmou.[62]
Ageloff disse que pediu a Jacson-Monard que lhe explicasse por que ele passou um endereco falso. Ele respondeu que o numero era 620, nao 820, e que ele havia errado. De acordo com as informacoes disponiveis para o advogado de Trotsky e membro do Comite Nacional do SWP, Albert Goldman, Marguerite Rosmer foi ao predio e realmente encontrou um office-boy que lhe disse que aquele era o escritorio de Jacson".[[63]
Nos dias que seguiram apos o atentado contra a vida de Trotsky em 24 de maio, mas bem antes do ataque de agosto, tornou-se publico que a sala 620 do Edificio Ermita havia sido alugada pelo lider do esquadrao assassino, David Alfaro Siqueiros.[64]
Essa historia bizarra, contada pela propria Ageloff a policia, e extremamente incriminadora. Ela estabelece que Ageloff desenvolveu preocupacoes sobre a credibilidsde de Jacson-Mornard em marco de 1940, cinco meses antes do assassinato. Alem disso, ela expressou preocupacao com a possibilidsde dele ser um agente britanico! Se ela nutria essas suspeitas, porque Ageloff continuou seu relacionamento com o homem? A preocupacao de que ele pudesse ser um agente certamente teria levado Ageloff a suspeitar que ela estava sendo usada por Jacson-Monard para algum proposito desconhecido e, com toda a probabilidade criminoso.
Alem disso, por que - e ela suspeitava que ele pudesse ser um agente - ela considerava apenas a possibilidade de que ele estivesse trabalhando para a inteligencia britanica? Porque a possibilidade muito mais provavel de que Jacson-Mornard pudesse ser um agente da GPU nao ocorreu a ela?
A afirmacao de que Jacson-Monard pudesse ser um agente britanico teria sido consistente com a posicao ds burocracia stalinista da epoca. Em marco de 1940, o pacto "Hitler-Stalin estava em vigor e a maquina de propaganda global dos stalinistas deixou de retratar Trotsky como agente da Alemanha Nazista e passou denuncia-lo como um agente do imperialismo britanico. O Partido Comunista Mexicano, em particular, estava denunciando Trotsky violentamente e exigindo sua expulsao do pais como "um agente dos servicos de inteligencia ingleses"[65]
A recordacao de Sylvia Ageloff - se e que e verdade - tambem levanta questoes sobre o papel de Marguerite Rosmer. Porque ela "acalmou" Ageloff, em vez de alerta-la fortemente contra manter um relacionamento com um individuo duvidoso? Porque Rosmer nao informou Trotsky e Natalia sobre as preocupacoes supostamente levantadas por Ageloff sobre seu companheiro pessoal?
Alem disso, a confirmacao, amplamente divulgada na imprensa mexicana apos a tentativa de assassinato de 24 de maio, de que o endereco do Edificio Ermita dado por Jacson-Monard era o mesmo usado por Siqueiros nao poderia ter deixado duvidas de que o amante de Ageloff era um agente stalinista. Apos o assassinato, o trotskyista mexicano Oxctavio Fernandes confirmou que Ageloff nunca disse a Trotsky ou a seus guardas que Jacson-Monard tinha um endereco no edificio Emita, mesmo depois que o endereco de Siqueiros la se tornou conhecido e seus lacos com a GPU tornarm-se evidentes[66]
Ainda ha outra pergunta: por que Ageloff contou essa historia para policia mexicana? Ela estava tentando demonstrar, em apoio a sua alegacao de inocencia, que nutria preocupacoes sobre Jacson, mas que havia sido tranquilizada pela politicamente experiente Marguerite Rosmer? As repostas a essas perguntas estao escondidas na complicada teia de mentiras, meias verdades e alibis que foram construidos apos o assassinato.
MARCO DE 1940: AGELOFF COMPARECEU A UM COMICIO STALINISTA COM MERCADER?
Ageloff relatou um segundo incidente a policia apos sua prisao, explicando que ela compareceu a uma reuniao stalinista no centro da Cidade do Mexico no mesmo mes de marco. Luri resumiu o seguinte da declaracao de Ageloff a policia: "No mes de marco, os comunistas mexicanos organizaram uma conferencia no Teatro de Belas Artes com um carater claro antitrotskyista. Sylvia queria ouvir. Embora Ramon teria resistido, finalmente concordou em acompanha-la. Falava James Ford, um norte americsno negro que o CPUSA apresentou como seu candidato a vice-presidente em 1932 e que visitou Espanha durante a guerra civil. Ele atacou Trotsky com tanta firmeza que Sylvia quis responder publicamente aos seus argumentos, mas Ramon a deteve, agarrando-a pelos bracos par impedi-la de falar.[67]
Se Ageloff de fato compareceu ao comicio, isso teria sido extremamente perigoso para um trotskyista solitario, especialmente alguem que estivera visitando o complexo de Trotsky. Os Stalinistas usaram repentinamente a violencia contra os t4otskystas em reunioes publicas.
Alem disso, se Ageloff compareceu a um evento stalinista com Jacson-Monard, e provavel que este ultimo tivesse sido reconhecido como Ramon Mercades pelos numerosos exilados stalinistas catalanes que viviam no Mexico. O filho da Cidade del Rio, lider stalinista catalao, foi facilmente identificado por membros da onda de imigrantes comunistas que trocaram Espanha pelo Mexico apos a vitoria de Franco. O presidente Cardenas concedeu asilo geral a todos refugiados da Espanha republicana.
Apos o ataque, quando as fotos do assassino comecaram aparecer na imprensa mexicana, nao havia duvidas entre a comunidade stalinista espanhola exilada quanto a verdadeira identidade do assassino. Luri observou que "Rossende Cabre, que era camarada de Ramon desde sua epoca no Partido Comunista da Catalunha, o identificou quando abriu os jornais. "Esse e o Ramon Mercader", disse ele.A noticia circulou de boca em boca entre os exilados espanhois."[68]
Luri citou outro stalinista catalao exilado, Arturo Garcia Igual, que disse: "Quando a imprensa mexicana especulava sobre a identidade de quem teria destruido a cabeca de Trotsky com um piolet, "Jacso- Mornard, todos sabiamos que tinha sido Ramon Mercades do PSUC [Partido Stalinista Socialista Unido da Catalunha".[69]
Se Ageloff compareceu a reuniao, talvez em um ato de indiscricao, ela sentiu que precisava criar uma historia de fundo no caso de ter sido visto por alguem que poderia revelar isso para os investigadores? A historia foi inventada para tentar melhorar suas credenciais como uma genuina trotskyista, e ao mesmo tempo, lancar Jacson-Mornard em uma luz favoravel?
FINAL DE MARCO DE 1940: AGELOFF TRAZ JACSON-MONARD PARA A CASA DE TROTSKY ANTES DE PARTIR PARSA NOVA YORK
Agellof deixou a Cidade do Mexico para retornar a Nova York no final de marco. Ate este ponto, Jacson nao havia entrado na casa de Trotsky e apenas deixado Ageloff no portao. Mas antes de Argeloff partir, ela trouxe Jacson-Mornard para dentro da casa - a primeira vez que ele entrou -
Luri escreveu: "No dia 26 de marco, Sylvia voltou a Nova York, mas primeiro foi se despedir de Trotsky acompanhada de Ramon, que nesta ocasiao entrou pela primeira pela primeira vez no interior da casa."[70]
Ageloff contaria mais tarde a policia mexicana que, antes de partir para Nova York, ela instruiu Jacson-Mornard nao visitar a casa de Trotsky sem ela."[71]
Se isso fosse verdade, significaria que suas suspeitas sobre esse homem eram tao serias que ela o considerava uma ameaca a vida de Trotsky. Porque, entao, ela o teria trazido para o complexo de Trotsky no momento em que suas suspeitas cresciam? Se ela estava comecando ter duvidas sobre a sua confiabilidade, por que nao comunicou isso a Trotsky ou a seus guardas? O incidente sobre o endereco de Jacson-Mornard no edificio Emita ocorreu no inicio do mesmo mes. Por que ela entao decidiu trazer um homem que ela afirmava que poderia ser um agente britanico para a casa de Trotsky? Porque dar a ele chance de ter uma visao da casa por dentro? Foi essa informacao usada para fornecer aos agressores de maio uma compreensao do interior ds casa? Estaria Ageloff testando se os guardas permitiriam sua entrada?
Com a partida de Ageloff para Nova York Jacson-Mornard mudou-se para os apartamentos de Shirley Court, onde permaneceria ate junho. Os apartamentos deo Shirley Court estavam localizados na Calzada Manuel Villalongin, 139, ao norte do Paseo de la Reforma, no centro da Cidade do Mexico, a nove quarteiroes da Calle Dinamarka, 55, onde a GPU havia instalado uma sede operacional na cidade.
Durante esse tempo, Jacson-Mornard se encontrava repetidamente com sua mae e com Leonid Eitingon, o lider oficial da GPU, que tinha a tarefa de coordenar os aspectos mexicanos do assassinato.. Marguerite Rosmer tambem fez varias visitas aos apartamentos de Shirley Court durante esse tempo.[72]
O ATAQUE DE 24 DE MAIO DE 1940
Na madrugada de 24 de maio, um grupo de homens armados liderados pelo pintor stalinista David Alfaro Siqueiros entrou no complexo de Trotsky. Uma vez no patio, os stslinistas abriram fogo, mas nao conseguiram atingir Trotsky ou seus guardas. Eles conseguiram apenas atirar no jovem neto de Trotsky, Sieva, no pe.
Os agressores tambem tentarm atear fogo aos arquivos e papeis de Trotsky. Muito documentos importantes acabavam de serem trazidos dos arquivos europeus de Trotsky para a Cidade do Mexico por Marguerite e Alfred Rosmer, que haviam chegado ao complexo pouco antes do ataque.
De acordo com Dmitri Volkkogonov, os Rosmer "tendo chegado a varias semanas teriam trazidos com eles um grande numero de livros e cartas e parte dos arquivos de Trotsky.[73] Volkogonov fazia referencia ao material de arquivo ds inteligencia sovietica, observando que os Rosmer chegaram ao Mexico tambem pars defender Mark Zboroeski. Alfred Rosmer "jurou pela sua confiabilidade [de Zborowski] com sua vida e deu o 'melhor relato possivel de sua persongem', disse Volkogonov, citando documentos de inteligecia.[74]
Embora o ataque de 24 de maio havia falhado, o ataque revelou que os atacantes stalinistas tinham um conhecimento intimo do interior do complexo e foram capazes de imobilizar os defensores com cobertura de fogo em varios pontos criticos.
O PAPEL DE ROBERT SHELDON HARTE
Os agressores foram autorizados entrar no complexo pelo guarda de Trotsky, Robert Sheldon Harte. Apos, o ataque, Harte foi levado com as agressores, que posteriormente o assassinaram.
Apos a dissolucao da Uniao Sovietica, documentos datilografados da GPU - os "documentos de Venona" - estabeleceram que Harte era, de fato, um agente da GPU. Imediatamente apos o ataque de 24 de maio, ja havia inumera provas da cumplicidade de Harte, incluindo o depoimento de um policial que viu Harte fugir com a GPU por sua vontade propria e uma declaracao do pai de Harte revelando que seu filho tinha um poster de Stalin em seu quarto em Nova York.
Trotsky declarou publicamente que a morte de Harte nas maos da GPU "e um argumento convincente" contra seu papel como agente. No entanto, Trotsky nao excluiu a possibilidade da cumplicidade de Harte no ataque. Ele escreveu em 25 de junho de 1940: "Na realidade, a penetracao de agente de Stalin em minha casa PODERIA INDICAR APENAS QUE A GPU HAVIA CONSEGUIDO ENGANAR MEUS AMIGOS EM NOVA YORK, QUE ME RECOMENDARAM BOB SHELDON (grifo nosso). Toda pessoa informada sabe que a GPU inunda seus agentes em todas as organizacoes de trabalhadores e instituicoes estatais em todo o mundo. Para isso gasta anualmente dezenas de milhoes de dolares"[75]
O investigador da policia mmexicana Leandro Sanches Salazar, que desde o inicio acreditava que Harte era um agente da GPU, identificou as implicacoes de reconhecer Harte como um participante no ataque de 24 de maio. Ele escreveu: "Se fosse admitido que Sheldon era um espiao, isso colocaria a questao da responsabilidade sobre os principais trotskystas em Nova York, que o enviaram ao Mexico".[76]
Mas o SWP depositou sua confianca acriticamente na inocencia de Harte e nao fez nenhum esforco adicional para revisar cuidadosamente como os individuos foram autorizados a entrar no complexo em Coyaxcan e obter acesso a Trotsky. Uma investigacao seria sobree os antecedentes de Harte certamente revelaria seus lacos com o movimento stalinista, A exposicao dessa calamitosa quebra de seguranca poderis muito bem ter levado o SWP fazer uma revisao de todos os individuos que tiveram permissao para entrar na vila na Avenida Viena. E dificil acreditar que essa revisao nao teria levantado questoes sobre Frank Jacson-Jacques Mornard e Sylvia Ageloff ,
APOS O ATAQUE DE 24 DE MAIO: A NOVA MISSAO DE JACSON-MORNARD
Em Moscow, o fracasso do ataque de 24 de maio foi visto como um desastre politico. Quando a noticia chegou a Stalin, de acordo com Volkogonov: "A noticia do fracasso da tentativa de assassinato deixou Stalin furioso. O chefe da GPU, Lavrentiy Beria, teve de aguentar seu xingatorio, enquanto os associados a operacao podiam esperar um destino semelhante ao de Shpigelglas,[77] que estava preso. Tudo seria agora apostado na acao de um operador individusl ha muito instalado no Mexico e que se preparava para cumprir sua missao".[78]
Jacson-Mornard nao sabia de sua missao ate depois do fracasso do ataque de 24 de maio. Volkogonov afirmou: "A principio, o jovem espanhol nao esperava de ter de sangrar as proprias maos com o assassinato de Trotsky, mas em 26 ou 27 de maio de 1940, alguns dias depois do atentado malsucedido contra a vida de Trotsky, Eitington se encontrou com Mercader e lhe explicou como estava a situacao e lhe convenceu que o que ele teria de fazer nao seria apenar executar uma ordem que veio de Moscow mas seria um momento de gloria que o tornaria um heroi para sempre. Mercader impressionado nao pode resistir. Ele tinha visto em Espanha como a desobediencia poderia acabar. Quando um de seus conhecidos republicanos foi suspeito na Catalunha de ligacoes com o POUM, ele desapareceu sem deixar rastros. Mercader havia aprendido que esta era a lei ds revolucao: os fracos e os nao confiaveis sao liquidados.[79]
Nao se sabe ate que ponto Eitingon explicou a nova missao a Jacson-Mornard nessas datas. Duas semanas depois, no entanto, Jacson-Mornard viajaria para Nova York para se encontrar com seus controladores da GPU, e e provavel que aqui o verdadeiro significado de sua nova missao tenha sido lhe explicado com mais detalhe.
Outro importante oficial da GPU, Pavel Sudoplatov, que, ao lado de Eitingon, foi encarregado do complo para matar Trotsky, confirmou que Mercader recebeu sua nova missao apos de 24 de maio. Sudoplatov relatou uma conversa que teve com Mercader em Moscow em 1969, nove anos apos a libertacao desde de uma prisao mexicana.
Mercader disse a Sudoplatov que nao acreditava que estaria envolvido em uma conspiracao para matar Trotsky ate os dias apos o ataque fracassado de 24 de maio. Ate entao, Mercader estava sendo preparado como um ativo das GPU de longo prazo funcionando dentro do movimento trotskysta. "Ramon sabia, naturalmente, que fazia parte da equipe de combate ao trotskismo no Mexico" escreveu Sudoplatov, "mas nao esperava que fosse o assassino" ate depois de 24 de maio.[80]
28 DE MAIO DE 1940: JACSON MORNARD ENCONTRA TROTSKY PELA PRIMEIRA VEZ
De acordo com a esposa de Trotsky, Natali Sedova, "Nosso primeiro encontro com o marido de Sylvia Angeloff, Jacson, ocorreu em 28 de maio, as 9 horas da manha"[81]
No Profeta Desterrado, a terceira parte de sua biografia triptica de Trotsky, o historiador polones Isaac Deutscher escreveu que este encontro inicial foi arranjado com base em um outro pretexto muito util: "Foi no dia 28 de maio, pouco dias apos o ataque, que o assassino se viu pela primeira vez frente com Trotsky. O encontro nao poderia ter sido mais casual. Os Romers estavam prester a deixsar o Mexico e embarcar em um navio em Vera Cruz, e "Jacson" se ofereceu para leva-los la em seu carro, fingindo que ele tinha que ir para Vera Cruz de qualquer maneira, em uma de suas viagens regulares de negocios. Ele veio busca-los de manha cedo e foi solicitado que esperasse no patio ate que estivessem prontos. Ao entrar, encontrou Trotsky, que ainda estava nas cabanas alimentando os coelhos.[821]
Nesta data, Sedova tambem viajou com Jacson-Mornard para Vera Cruz para deixar os Rosmers.[83] Puigventos escreveu que Sedova mais tarde se lembraria "que Jacson teve pedir direcoes para Vera Cruz em varias ocasioes, o que era estranho, visto que ele disse que tinha visitar para essa cidade frequentemente"[84]
De acordo com Luri, os Rosmers disseram que estavam viajando para Paris via Nova York, embora nesse momento os exercitos de Hitler estivessem se aproximando de Paris, que caiu em 14 de junho.[85] Os |Romers permaneceram em Nova York e se encontraram com Ageloff e Jacson-Mornard quando este ultimo viajou para la em junho a fim de encontrar seus controladores da GPU [86]. Por volta dessa epoca, outros agentes stalinistas viajaram para Nova York, onde logo se encontrariam com Jacson-Mornard. Caridad del Rio chegou la em 21 de maio, depois de visitar a Cidade do Mexico, via Cuba.[87]
11 DE JUNHO: JACSON-MORNARD ENCONTRA CANNON E DOBBS
No Mexico, em 11 de junho, Jacson-Mornard encontrou-se com membros importantes do SWP, incluindo James P Cannon e Farrel Dobbs, que haviam viajado com o objetivo de preparar a seguranca de Trotsky apos o ataque de maio. Como David North escreveu em "Trotsky's Last Year": Durante a viagem a Coyacan, os lideres do SWP inspecionaram a villa e aprovaram as obras de construcao que fortaleceriam o complexo contra ataques. Apesar de seu compromisso sincero com a defesa de Trotsky, seus esforcos foram prejudicados por um nivel perturbador de descuido pessoal. Embora ainda houvesse perguntas sem respostas sobre o papel de Sheldon Harte no ataque de 24 de maio, nao ha indicacao de que os lideres do SWP estavam tomando uma atitude mais cautelosa em relacao as suas associacoes pessoais. Dada a campanha continua Trotsky na imprensa Stalinista, deveria ter ficado claro para os lideres do SWP que o ambient politico na Cidade do Mexico era perigoso e que a capital estava fervilhada de agentes da GPU com a intencao de eliminar Trotsky.
Mesmo assim, na noite de 11 de junho, James P Cannon e Farrell Dobbs aceitaram um convite para jantar no Hotel Geneva, seguido de drinks em outro local. O anfitriao dos dois lideres do SWP foi Jacson-Mornard. Esse encontro foi relatado por Cannon no decorrer de uma breve investigacao interna conduzida pela direcao do SWP apos o assassinato. Essa informacao entretanto, foi ocultada da base do partido.[88]
Embora Sylvia Ageloff nao tivesse no Mexico na epoca dessa reuniao, e provavel que ela tenha combinado apresentar Jacson-Mornard a Cannon e Dobbs. Lillian Pollak lembrou que Ageloff lhe disse em 1959 que ela queria apresenta-lo a Cannon e outros lideres do SWP. Ela poderia ja te-los apresentados no outono de 1939, quando Jacson-Mornard visitou Nova York, Nessa viagem, Ageloff o apresentou a varios de seus camaradas do SWP ali, e tanto Cannon quanto Dobbs estavam na cidade nessa epoca.
Se eles nao tivessem sido introduzidos antes de 1940, teria se encaixado no padrao de comportamento de Ageloff sugerir que Cannon e Dobb visitassem Jacson-Mornard assim que chegassem ao Mexico. Ela sempre apresentava Jacson-Monard aos lideres da Quarta Internacional. Em Paris, Angeloff apresentou Jacson-Mornard aos delegados de sua conferencia de fundacao.. Em Coyoacan, ela o levou ao complexo e o apresentou aos moradores. Cannon e Dobbs nao teriam saido com um estranho. Ele deve ter sido apresentado como companheiro de Sylvia. Mais uma vez, ela foi o elo que integrou o assassino de Trotsky cada vez mais fundo no movimento trotskysta.
Jacson-Mornard estava prestes a partir para Nova York. Mas antes de voar para la, ele deixou seu carro no complexo de Trotsky, o que mais tarde lhe daria a pretensao de voltar para busca-lo em seu retorno a Cidade do Mexico.[89]
12 DE JUNHO DE 1940: AGELOFF PERMITE QUE JACSON-MORNARD ENTRE NOS EUA
Em 12 de junho, o Consulado norte americano na Cidade do Mexico atendeu o pedido de Jacson-Mornard para entrada nos EUA. No dia seguinte ele deveria voar para Nova York.
Em junho de 1940, era extremamente dificil para um estrangeiro entrar nos EUA. A invasao da Franca por Hitler estava em andamento e houve um exodo de refugiados do continente europeu. Os padroes altamente restritivo de imigracao do governo Roosevelt estava em vigor.
Para Jacson-Mornard viajar para os EUA, ele teve que apresentar varias referencias de cidadaos norte americanos que aceitaram atestar a veracidade de seu pedido. Mesmo com essas referencias, Jacson-Monard nao obteve o direito de permanecer nos EUA por um periodo prolongado. Sua entrada foi apenas com o proposito de passagem para outro pais, ele foi obrigado apresentar provas de que comprou passagens para deixar os EUA. Ele recebeu pemissao para ficar apenas pelo breve periodo necessario para pegar seu voo de transferencia para fora dos EUA. Ele foi obrigado fornecer um endereco nos EUA onde ficaria durante sua breve escala.
Um memorando do FBI de 24 de agosto de 1940 de J Edgar Hoover intitulado "Re:Frank Jacson, Sylvia Ageloff, Espionagem" mostra que as referencias de Jacson-Mornard eram Sylvia Ageloff e os membros do SWP Henry Schultz e Evelyn Reed.[90] Reed mais tarde se tornou esposa do antigo lider do SWP George Novack, que ajudou o agente da GPU Mark Zborowski garantir entrada nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao solicitar o visto, Jacson-Mornard disse que planejava parar em Nova York por apenas dois dias antes de viajar para Montreal, no Canada. No requerimento, ele afirmou que seu endereco pemanente era St Denis St, 1269, em Montreal.[91] Jacson nao tinha intencao de viajar para Montreal e"1269 St. Denis St" era um endereco inexistente.
Um relatorio separado do FBI escrito por J.Edgar Hoover comentou sobre o pedido de Jacson-Mornard de uma autorizacao de viagem: "Ele pretendia permanecer nos EUA por aproximadamente dois dias, onde seu endereco seria Livingston Street, 50, Brooklyn, Nova York. Ele forneceu como referencia o seguinte: Syilvia Ageloff, 50 Livingston Street Brooklym, Nova York ...Ao solicitar o certificado de transito mencionado acima, Jacson exibiu uma carta da Via Mexicana de Aviacao datada de 12 de junho de 1940, que indicava que Jacson havia anteriormente depositado dinheiro para uma passagem de aviao para Montreal, Canada e uma reserva havia sido feita para essa viagem.[92]
Tambem em 24 de agosto, Hoover enviou um memorando separado para BE Sackett, agente especial encarregado do escritorio do FBI na cidade de Nova York. Hoover repetiu os nomes e enderecos de Ageloff, Evelyn Reed e Henry Schultz. Aparentemente acreditando que uma investigacao dos individuos que possibilitaram as viagens de Jacson-Mornard revelaria agentes da GPU nos EUA, Hoover declarou o seguinte: "O Bureau deseja que uma investigacao muito cuidadosa e completa seja conduzida com relacao a esse assunto na area coberta pelo seu Escritorio de Campo [isto e Nova York]. Todo esforco possivel deve ser feito para apurar as informsacoes disponiveis sobre o historico de Jacson, associados e atividades. Conforme previamente informado, o Bureau deseja que todas as preucacoes sejam tomadas para evitar qualquee tipo de publicidade relativa a investigacao.[93]
Hoover nao queria avisar os agentes ds GPU que achava que estavsam ao seu alcance, Ele exigiu que a agencia procedesse discretamente com sua investigacao
Notas a seguir