Monday, 30 March 2026

POR QUE A SURPRESA?

Li recentemente esse tweet de um seguidor no X sobre as consequências  da crise capitalista, que na minha opinião resume bem o estado de espírito de uma geração da esquerda pós moderna: "the game is over para no's ...a crise do capitalismo e o crescimento das posições colonialistas nos pegou com as calças nas mãos.."A questão que essa exposição coloca e simples e brutal: por que a surpresa? Gerry Healy no seu A Marxist Analysis of the Crisis de 1973, Michael Perelman no seu ensaio Capital Fictício de 1987, Loren Goldner desde 1976 até morrer em 2024, de três perspectivas marxistas diferentes já haviam chegados a uma conclusão convergente: o capitalismo pós 1971 entrou em uma fase de crise estrutural sem saída dentro do próprio sistema. O retorno do imperialismo descancarado, do fascismo populista e do Colonialismo sem máscaras não e um acidentev- e uma conclusão lógica de um processo que esses autores descreveram décadas atrás.
PARTE I - O BLOCO DIVISOR DE AGUA: 1971 O FIM DO ACORDO DE BRETTON WOODS

O que foi o Sistema de Bretton Woods?  O sistema estabelecido em 1944 amarrou o dólar ao ouro e o dólar ao mercado mundial. Foi  um arranjo que, como Healy demonstrou, não representava pujança, força, capitalista mas sua fraqueza. A inflação representou um recuo diante das massas trabalhadoras, reflexo do declínio do sistema capitalista e das perdas sustentadas com a Revolução Russa de 1917 e no Leste Europeu e China no imediato pos-guerra.
O 15 DE AGOSTO DE 1971
Presidente Nixon rompe o vínculo dolar-ouro. Para Geraldo Healy, aquilo não foi uma decisão de política econômica: foi a certidão de óbito do capitalismo expansivo do pos-guerra. A partir daquele ponto, uma vasta massa da moeda Dolar passou a circular fora dos EUA sem nenhum lastro em ouro - estimativas colocavam esse conjunto de papéis em torno de $79 bilhões de dólares na época.Hoje com o mercado de derivativos são calculados em mais de $1.5 quadrilhao de dólar .
O QUE MICHAEL PERELMAN ACRESCENTOU
A teoria marxista do capital fictício  amarra os fios reais e monetários da teoria da crises Apesar das lacunas na análise incompleta de Marx, ela representa uma contribuição imensamente valiosa -e uma notável antecipação de muito do trabalho macroeconomico recentevsobre o papel dos valores dos ativos. Em outras palavras: Marx já havia descrito o mecanismo. O que 1971 fez foi ativar o gatilho.
PARTE II O CAPITAL FICTICIO: O QUE É É PIR QUE IMPORTA
A definição central
Capital fictício e capital que não corresponde a valor real produzido pelo trabalho. São títulos, ações, dívidas soberanas, derivativos - papéis que representam reinvidicações sobre valor futuro que talvez nunca será produzido.
Qualquer capital que não aumenta o processo de valorização e fictício porque não é lastreado em valor real, que só pode ser produzido pelo trabalho vivo. Na verdade, empréstimos e dívidas subsequentes constituem uma reinvidicação sobre valor ainda não produzido
A ESCALA DO PROBLEMA
O problema do capital fictício ficou oculto até que o sistema começou a travar após 1958, e entrou em crise real após 1968, tornando se oficial em 1970-1971.
Desde então, o que o capitalismo tem feito não resolveu o problema - postergou-o, inflando cada vez mais a bolha. Cada "solução" - desregulamenti financeiros nos anos 1980, bolha das pontocoms na década 1999, bolha imobiliária na década 2000, QE (expansão quantitativa) após 2008 - foi mais uma camada de capital fictício sobre a outra
A LEI DO VALOR SE VINGA
Como Healy já advertia em 1973, "estamos testemunhando a operação da lei do valor. Como lei objetiva que se afirma contra ambas as classes, ela busca, num sentido, sua vingança violenta pelos ultimos 25 anos, (agora 70 anos) em que a classe capitalista e seus apêndices revisionistas e reformistas tentaram ignora-la ou fazê-la desaparecer"
PARTE III A SAIDA CAPITALISTA DA CRISE: FASCISMO, RECOLONIALISMO E GUERRA
Geral Healy foi absolutamente preciso em 1971: apenas a eliminação violenta de valores em capital em vasta escala pode agora restaurar as proporções "corretas", equilibradas, entre a massa de capital constante e  o excedente disponível extraído da classe trabalhadora. Uma destruição de capital nessas linhas deve tomar a forma de colapso de preços de ações, falências bancárias levando ao fechamento de muito dos maiores bancos norte americanos, europeus e japoneses  Tais falências tem ocorridos, repetidamente, mas nunca na escala necessária. I capital fictício continua se acumulando.
O RETORNO DO COLONIALISMO É DO FASCISMO NAO E ACIDENTE
Loren Goldner também identifica o período pós 1914 como uma era de "decadência" capitalista, caracterizada pelo predomínio da destruição material e social sobre a reprodução ampliada - um desequilíbrio que foi agravado ainda mais após 1973 por um assalto global ao salário social.
Quando o capital não consegue valorizar-se produtivamente, ele recorre a acumulação primitiva - o saque direto. E isto que estamos vendo: propostas de ocupação da Groelândia, do Canal do Panamá, do Ártico, invasão da Venezuela, ameaças de invadir Cuba, Guerra contra o Iran, Milei na Argentina entregando os recursos naturais.O discurso  de 'Make América Great Again" como ideologia de um imperialismo que precisa saquear para sobreviver.
Nada desses fenômenos mencionados seriam plenamente inteligível sem ser conectado a crise de acumulação capitalista mundial em curso desde a crise financeira:de liquidez  de 1965

A ASCENSAO DO POPULISMO FASCISTA COMO TESPISTA DA CLASSE DOMINANTE

Loren Goldner já em 1980 rastreou os períodos contínuos de crises capitalista global junto com a resposta da classe trabalhadora -tanto a luta de classes quanto, em algum momento,  o apoio a líderes como Reagan ex Thatcher, (e agora Trump)
O POPULISMO FASCISTA não emerge apesar da crise - ele emerge por causa dela, como resposta da burguesia que não pode mais governar nos velhos moldes. 
A TRAICAI DA SOCIAL DEMOCRACIA: A GESTAO DA AGONIA
A ilusão da social-democracia como caminho ao socialismo
O tweet mencionado no início deste texto, lamenta ter sido pego de surpresa. Mas a surpresa só é possível para quem acreditou que a social democracia  -O PT no Brasil, o Partido Trabalhista na Inglaterra, a esquerda europeia -estavam conduzindo os países que eles governam a um socialismo graduado, ou aceitaram as teses de um setor da esquerda influenciada pelo Keynesianismo que o "Neocapitalismo", através da intervenção estatal, havia superado aquele estágio de expansão e colapso,que caracterizava o capitalismo até 1945
Healy já havia diagnosticado esse erro em 1973: as contradições do sistema capitalista acumularam-se de forma tão explosiva sob a superfície da expansão econômica do pos-guerra  que a escolha e revelada mais uma vez de forma clara - a crise da humanidade exige a eliminação do capitalismo, mas o capitalismo sobrevive por causa da crise revolucionária da classe trabalhadora.
O QUE A SICIAL DEMICRACIA TEM FEITO
A Social Democracia não esta construindo o socialismo -esta administrando o capitalismo o capitalismo em declínio,, distribuindo migalhas do capital fictício inflado, comprando paz social com a dívida pública. O PT do período Lula-Dilmavdistribuiy renda real - isso e inegável - mas dentro de commodities qurme aprofundou  a dependência e não tocou nas estruturas do capital financeiro.
Quando o ciclo de commodities acabou e a pressão do capital ficticio aumentou, o sistema expeliu a social-democracia e chamou seus agentes mais brutais, Bolsonaro, Milei
O CENTRISMO COMO PREOARACAI PARA A DERROTA
Os revisionistas estão comprindo o papel de classe historicamente atribuído ao centrismo. O centrismo alimenta-se apenas das derrotas das classes trabalhadora. Ao tentar desesperadamente amarrar a classe trabalhadora a horizontes puramente sindicalistas, os revisionistas, stalinista e centristas estão trabalhando para a derrota da classe trabalhadora, exatamente como seus predecessores fizeram nos anos 1939s
PARTE V  "PEGO COM AS CALCAS NA MAO": Quem não avisou?
O autor do tweet diz ter sido pego de surpresa. Mas a surpresa e seletiva -e a surpresa de quem escolheu não ouvir.
 - 1973 Geraldo Healy descreve a inevitabilidade do colapso monetário, do protofascismivecda guerra como saída capitalista.
- 1980 Loren Goldner analisa por que a classe trabalhadora norte americana elegeu Reagan -ve o que aquilo significava estruturalnente
- 1987 Michael Perelman demonstra que enquanto  a estrutura financeira levar a colaolpsos periódicos, os escritos de Marx sobre o assunto reteraicsua importância como fontes de teoria e análise da dinâmica da economia política.
- 2096/2007 Goldberg avisa que a crise de liquidez e apenas a ponta de um iceberg muito grande. Sob o credit crunsh e a crise de insolvência incipiente reside a crise econômica e a política do reinado global dos EUA.
Quem foi pego de surpresa não foi a teoria marxista seria. Foi quem apostou na social democracia como atalho para evitar a tarefa mais difícil de construir uma alternativa política real a exquerda do capital.
CONCLUSAO: "O SECULO DE HUMILHACAO" OU A REVOLUCAO
O tweet termina com uma saída fatalista: ou sofremos um "século de humilhação":colonialista, ou o aquecimento global e a guerra nuclear destroem tudo antes.
Está e a lógica do desarmamento político. Ele omite uma terceira possibilidade - a unica que os autores que estudamos consideraram relevantes: a ação organizada da classe trabalhadora internacional.
A crise que vivemos não é nova. E a mesma crise de 1971, 1990,:2007/8, a crise de decadência do capitalismo - apenas em estágio mais avançado e mais destrutivo. O capital fictício acumulado nas últimas 5 décadas precisa ser destruído. A questão e quem pagará essa conta: os trabalhadores e os povos do Sul Global, através do fascismo, do RECOLONIALISMO e da guerra mundial, ou o sistema capitalista em si, através da sua superação.
Não existe meios termos, Não havia em 1973 não há hoje.A tarefa não mudou, apenas mudou a urgencia

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