Thursday, 11 February 2021

GEOFF PILLING A CRISE DO ECONOMICS KEYNESIANO CAPITULO II

 2. O SIGNIFICADO DA REVOLUCAO KEYNESIANA


  "as ideias de economistas e filosofos politicos, tanto quando estao certa tanto quando estao erradas, sao mais poderosas do que normalmente se pensa. Na verdade, o o mundo e governado por pouco mais. Homens praticos, que acreditam totalmente isentos de influencias intelectuais, geralmente sao escravos de algum economista falecido. Loucos com autoridade, que ouvem vozes no ar, estao destilando seu frenesi de algum escriba academico de alguns anos atras. Tenho certeza de que o poder dos interesses adquiridos e muito exagerado em comparacao com a invasao gradual de ideias...mais cedo ou msais tarde, sao as ideias nao os interesses investidos, que sao perigosos para o bem ou para o mal. [General Theory/GT:383-4]         "Acredito estar escrevendo um livro que ira revolucionar em grande parte ...a maneira como o mundo pensa sobre os problemas economicos. Quando minha nova teoria for devidamente assimilada e misturada com politica, sentimento e paixoes nao posso prever qual sera o resultado final em seu efeito sobre as acoes e assuntos. Mas havera uma grande mudanca e, em particular, OS FUNDAMENTOS RICARDIANOS DO MARXISMO SERAO DERRUBADOS (enfase minha  j.amaral) [Keynes carta para G.Bernard Shaw, janeiro 1, 1935] 


                                                                                          A opiniao convencional sobre a revolucao keynesiana e suas implicacoes para a economia politica defendida pelo menos ate recentemente, pela maioria dos economistas era algo assim, Uma ortodoxia arraigada "a opiniao do Tesouro" ou "financas solidas" dominou a formulacao da politica economica ate a eclosao da Segunda Guerra Mundial. So entao a revolucao de Keynes triunfou ao conquistar uma fileira de politicos influentes e aqueles nos escaloes superiores da burocracia estatal. Graca a conversao aos ensinamento de Keynes, a economia politica deu um novo rumo, governos do pos-guerra comprometidos com o pleno emprego e, pela primeira vez,  de posse de ferramentas para cumprir esse compromisso. E, como resultados dessa politica, o pleno emprego foi garantido por mais de 3 decadas. So recentemente, por razoes que nao sao imediatamente claras, as politicas keynesianas foram abandonadas, produzindo novamente condicoes de alto desemprego e retracao industrial. Este cenario, devemos argumentar, e altamente questionavel em pelo menos 3 pontos importantes:

                                                                                                                         1. Aceita a propria crenca de Keynes na primazia das ideias na formulacao ds politica economica do Estado. Um pesquisa sobre o do desenvolvimento do papel do Estado indica que ha uma tendencia organica para o envolvimento cada vez maior do Estado na tentativa de regulacao das questoes economicas e sociais e o keynesianismo foi apenas uma, mais apenas uma,  dessa tendencia que assumiu formas especificas, no caso da Gran Bretanha durante e apos a Segunda Guerra Mundial.           2, Aceita prima face a proposicao de que o keynesianismo foi realmente colocado em operacao apos 1945; Keynesianismo aqui sendo entendido como a manipulacao do orcamento do estado a fim de assegurar um nivel de demanda efetiva suficiente para gerar pleno emprego. Como muito ja apontaram, esta e uma afirmacao altamente duvidosa, certamente no que diz respeito a politica economica britanica.                                                                                                                                                        3. Concorda com o proprio julgamento de  Keynes sobre a importancia de seu trabalho: a saber. que ele de fato executou uma revolucao na economia politica. Ja observamos que ha pouco ou nenhum acordo entre aqueles que desejam ser rotulados como keynesianos sobre a natureza dessa revolucao. Alguns veem isso como uma adaptacao da velha economia politica liberal, outros como uma maneira decisivamente nova de conceber os problemas economicos. Ao examinarmos cada uma dessas questoes com algum detalhe, estaremos preocupados com uma serie de questoes inter-relacionadas

                        a)  Exploraremos a natureza ds intervencao do Estado na Economia conforme entendida pelo marxismo. Em seguida, examinaremos o reflexo da tendencia a aceitacao ds intervencao do Estado no pensamento economico ingles anterior a Keynes. Descobriremos que os principios da velha economia neo-classica liberal e o corolario desses principios, o laissez-faire como doutrina economica estava sob consideravel desafio antes do surgimento da Teoria Geral e que, a esse respeito, Keynes estava dando expressao, embora de alguma forma extrema, a uma tendencia definida no pensamento economico. Devemos tambem examinar ate que ponto os economistas neoclassicos que Keynes atacou com tanto prazer no Teoria Geral levaram sua teoria a pratica quando se tratou da grande questao que enfrentaram na decada de 1930, a saber, o desemprego.

                                                                                                                    b)  O maior envolvimento do Estado no capitalismo do Seculo XX foi um fenomeno internacional que foi levado muito mais longe em outros paises do que na Grsn Bretanhs, lar tradicional do livre comercio e da doutrina do Estado minimo. Nao ha duvida  de que a regulamentacsao estatal atingiu seu apogeu no caso da teoria e pratica fascistas e, portanto, examinaremos a doutrina keynesiana a luz desse fato.     c)  Ha agora duvidas generalizadas sobre a operacao das politicas keynesianas na Gran Bretanha apos 1945. A expansao inflacionaria, sugere-se, teve pouco ou nada a ver com a aplicacao consciente  das politicas keynesianas.

                                                  .                                                                                 Faremos uma revisao critica das recentes controversias sobre essa questao, mas tambem estenderemos a discussao para incluir dois outro assuntos. Muitos argumentaram que o keynesisanismo era bastante inadequado para os propositos aos quais foi colocado no periodo do pos-guerra - como um instrumento para assegurar o crescimento economico ou para ajustar a economia. era porem, uma teoria economica projetada e adequada para atacar o problema que dominava o periodo em que nasceu - o problema era o desemprego em massa. Devemos, portanto examinar ate que ponto, se tivesse sido aplicado na decada de 1930, poderia ter resolvido esse problema.

                                                                                               d)  A natureza das criticas de Keynes a teoria neoclassics sera examinadas a luz da historia do pensamento economico. Como bem sabido, Keynes baseou-se no trabalho de varios pensadores anteriores a ele, alguns bem conhecidos, como Malthus, outros nem tanto, como Gessel, Major Douglas, (O fato de ele ter feito isso de maneira tao ecletica e talvez uma razao pela qual ha pouco acordo sobre a substancia do  "verdadeiro Keynes") Um exame desde  trabalho anterior permitira um julgamento sobre a natureza da revolucao keynesiansa e a relacao de seu iniciador com as tendencias anteriores do pensamento economico

.                                                                                                           e)   O marxismo, o materialismo historico insiste que as ideias sao, em ultima analise, uma reflexo das relacoes sociais de producao. Keynes nao era um critico do sistema capitalista como tal, mas questionou certas caracteristicas do sistema conforme se apresentavam no seculo XX. No decorrer deste capitulo, examinaremos as objecoes de Keynes a  certas dessas caracteristicas do capitalismo e avaliaremos seu significado historico

.                                                                                                                                                MARXISMO SOBRE O CRESCIMENTO DA FUNCAO DO ESTADO

                                                  Para o marxismo, a tendencia inexoravel para a intervencao do Estado no funcionamento e na tentativa de regulacao da economia capitalista tem tao pouco haver com as opcoes  politicas obtidas abstratamente quanto tem o inicio das guerras no seculo atual. Aqui sua maneiras de ver difere radicalmente daquela de Keynes e dos keneysianos em geral. Assim, embora possa  argumentar que, todo aqueles que tentam explicar e justificar (muitas vezes, deve se dizer, para um publico cetico, a necessidade de um maior envolvimento do  Estado em questoes economicas e sociais, Keynes ocupa a posicao mais importante, pelo menos  na medida no que diz a respeito ao mundo anglo-saxonico, seria totalmente errado acreditar que tal intervencao realmente fluiu do trabalho de Keynes e outros. Assumir tal postura seria confundir causa com efeito. Em geral, pode-se dizer que foram as contradicoes agudas engendradas pelo crescimento das forcas produtiva e, em particular, a tendencia acelerada para o  monopolio (atingido um ponto nodal com o inicio do Seculo XX) que fornecem a base material real que torna inescapavel uma atividade grandemente aumentads por parte do Estado. O surgimento de sociedade por acoes no periodo apos ISM, disse Marx, "estabelece um monopolio em certas esferas e, portanto, requer a interferencia do Estado" [HI:438) um ponto reiterado por Engels no Socialismo Utopico e Cientifico quando diz: "em qualquer caso, com ou sem  trustes, os representantes oficiais da sociedade capitalista- o estado - terao de assumir a direcao da producao. [Engels e Marx vol 3 144, 1977.

                                    ]                                                                                                                         Aqui forneceremos apenas um breve esboco da concepcao geral que o marxismo mantem sobre a natureza ds intervencao do Estado na economia capitalista. E necessario fazer dois pontos gerais. Em primeiro lugar, e sem errar na consideravel controversia recente sobre esta questao, o marxismo rejeita inequivocamente a nocao(que esta implicita em Keynes) de que o Estado e um instrumento neutro, estando acima das  classes, um arbitro que representa a "vontade geral" como queiras. O marxismo entende o Estado como surgindo apenas com o aparecimento das classes na historia e, portanto, o ve como um instrumento de governo de classe. A natureza das operacoes do Estado , dentro e fora da economia, e os limites dessas operacoes sao em ultima instancia determinada por este fator decisivo, bem independente da forma assumida pelo Estado capitalista (seja democracia parlamentar, ditadura militar, etc)  Em segundo lugar - e isso tem sido assunto de uma literatura bem consideravel que nao pode ser tratada aqui - e uma caricatura do marxismo sugerir que o Estado e um mero reflexo dass condicoes economicsas, apenas uma reflexao mecanica dass relacoes sociais de producao. O estado, mesmo que surjas em determinadas condicoes economicas historicamente formadas, e sempre um elemento ativo, uma das forcas que ajudam a moldar essas condicoes economicss. Assim, Lenin: "O estado nao pode de forma alguma ser algo inerte, ele sempre age e age com muita energia, e sempre ativo e nunca passivo" [LCW 1:355]

 E este mesmo ponto tratado por Engels em algumas de suas ultimas cartas, quando ele tentou superar uma tendencia ao materisalismo mecanico entre certos marxistss ds epoca. Escrevendo a Conrad Schmidt, ele aponta que sob o capitalismo existe uma "..interacao de duas forcas desiguais: de um lado, o movimento economico, de outro, o novo poder politico, que busca a maior independencia possivel, e que, uma vez estabelecido, e dotado de relativa independencia. [Marx-Engels 1956:421]" examinar a natureza da crescente intrusao do  Estado nas questoes economicas, sera conveniente delinear a maneira como Engels apresenta a questsao em seu Anti-Duhring. Ao listar as contradicoes em desenvolvimento da economia capitalista, Engels as ve como reflexos do que e, em ultima instancia, a contradicao fundamental desse modo de producao: uma tendencia historica para que as forcss produtivss entrem em conflito cads vez mais sgudo com as  relacoes de propriedade existentes. 

Assim, Engels delinea os seguintes pontos: Primeiro, a tendencia sempre crescente para a socializacao da producao sob o capitalismo. A producao nunca e realizada por individuos. O Robin Crusoe de Adam Smith e um mito historico  precisamente porque a producao e sempre um processo social envolvendo, entre outras coisas, uma divisao do trabalho, e esse fato e verdadeiro para todos os sistemas sociais, mas mais do que nunca e verdadeiro para o capitalismo.

 Sob o capitalismo, esta crescente socializacao assume varias formas, a principal delas sendo, em primeiro lugar, uma divisao cada vez mais intrincada do trabalho, nao apenas dentro das empresas (para Adam Smith o ponto principal)nem entre empresas, mas entre ramos inteiros da economia. Em segundo lugar, o crescimento da escala de producao que traz consigo o surgimento do monopolio como forma economica dominante a partir do final do Seculo XIX.

 Ambas as tendencias - o carater cada vez mais socializado da producso e o desenvolvimento rumo ao monopolio - tornam imperativo um grau crescente de interferencia estatal, principalmente destinads a regular as relacoes entre ramos de uma economia que apresenta uma tendencia crescente para um desenvolvimento desigual. 

                             Uma consequencia da escala crescente de operacao dentro da economia capitalista e o fato de que o capital necessario para a producao tende em muitos ramos a estar alem do alcance ate mesmo dos maiores capitais e somente o estado e capaz de mobilizar recursos na escala necessaria. Assim diz Marx: "Qualquer pais, por esemplo, os EUA, pode sentir necessidade nas relacoes de producao de ferrovias, apesar disso, o beneficio ... derivado pela producao das ferrovias existentes pode ser tao insignificsnte que investir capital para esse fim pode significar perda de dinheiro. Entao, o capital transfere essas despesas para os ombros do estado. [citado em Pevsner 1982:15] E mais: (o capital) sempre se esforca apenas para alcancar condicoes particulares para expandir seu valor, enquanto as condicoes que sao comuns para tudo ele impoe a comonidade como um todo como  requerimentos nacionais. O capital so realiza operacoes que ele considera lucrativa para si.

                                              Engels mostra uma outra contradicao relacionada" aquela entre o crescimento do "planejamento" dentro de uma empresa individual, por um lado (uma caracteristica que no capitalismo contemporaneo assume a forma do uso de pesquisa operacional, cibernetics, etc) e a crescente anarquia predominante entre essas empresas altamente organizada. (o termo "anarquia e empregado aqui em seu sentido literal para significar a ausencia de qualquer regulamento a priori, a falta de qualquer plano proposital.) Aqui novamente o estado foi levado a abandonar os preceitos do laissez-faire para que pudesse tentar lidar com os problemas resultantes.  Por fim, Engels chama a atencao para uma contradicao decisiva que o desenvolvimento do capitalismo acarreta: a que existe entre a economia mundial e a divisao mundial do trabalho, de um lado, e a existencia de Estado-nacao, do outro. Aqui, mais uma vez, o Estado e obrigado assumir o papel de defensor do capital nacional e do instrumento  por meio do qual esse capital busca garantir seus interesses economicos, comerciais, militares, etc, em competicao com seus rivais.                                                                                                                                          Um fator potente que impulsiona a intervencao estatal, mesmo no periodo anterior aquele designado pelos marxistas como a epoca imperialista, e o fato de que a crescente socializacao da producao nao traser consigo uma diminuicao das contradicoes entre os varios capitais (como o revisionismo da epoca de Berstein em diante proclamou ser o caso), mas, pelo contrario, sua rapida intensificacao. No que diz ao seculo XX, essas contradicoes atinge o auge do desenvolvimento na guerra quando essas tendencias inerentes a uma forma antes pacifica se manifestam.. Por isso, e inevitavel que as funcoes do Estado - a fixacao de precos, direcao do trabalho, recrutamento militar, etc - sejam elevadas a novos patamares em tais periodos.                                                                                                                                                                                                 KEYNES: LAISSEZ-FAIRE E O PAPEL DO ESTADO 

 Quaisquer que sejam as conclusoes a que se chega sobre as questoes levantadas no inicio deste capitulo e as outras que elas acarretam, e sem duvida verdade de que Keynes deve ser considerado uma das forcas centrais das teorias modernas (isto e, do seculo XX) da regulaco estatal da economia capitalista, Qualquer que seja a qualidade de suas concepcoes nao pode haver duvida da importancia ideologica desse aspecto de sua obra. Pois e com base  no crescente papel do Estado que as teorias sobre a alegada transformacao do capitalismo do pos-guerra foram fundadas principalmente, se nao exclusivamente. (Havia varias teorias na decada de 1930 sobre a negacao do capitalismo que supostamente estava ocorrendo, entre elas a tese de James Burnham sobre a revolucao gerencial, mas elas deviam pouco ou quase nada as ideias de Keynes.)

                                                                                                                   A principal reclamacao que Keynes apresentou contra a velha economia (neoclassicsa) foi que ele via seus pressupostos basicos como cada mais vez desalinhados com as novas condicoes emergentes no seculo XX  Num ponto da Teoria Geral, comentando sobre essa crescente falta de correspondencia entre a velha teoria neoclassica e os desenvolvimentos observados do sistema capitalista, Keynes diz:     "Pois os economistas profissionais, depois de Malthus, aparentemente nao se emocionaram com a falta de correspondencia entre os resultados de suas teorias e os fatos da observacao. Pode muito bem ser que a teoria classica represente a maneira pela qual gostariamos que nossa economia se comportasse. Mas presumir que isso realmente acontece e presumir nossas dificuldades. (GT)

                                              Aqui Keynes esta perseguindo seu conhecido tema: que a unica medida que poderia ser empregada para fazer um julgamento sobre o que ele chamou de economia classica era a questao de saber se ela era capaz de servir de suporte teorico para resolver os problemas imediatos do mundo real. Ele nao esta, repetimos, principalmente preocupados com as deficiencias logicas da economia neoclassica, mas com a irrelevancia de seus postulados basicos. E porque ele encontrou esses postulados cada vez mais em desacordo com a realidade, nao poderia ser concluido que haveria uma coincidencia automatica das luta do individuo pelo ganho maximo e pelo bem social . Assim, "o mundo nao e governado de cima para que os interesses privados e sociais sempre coincidsm...Nao e uma deducao correta dos Principios de Economiques que o interesse propriamente esclarecido sempre opera para o interesse publico [JMK CW 9].                                                                                                                                                Apesar de muitos esforcos para apresentar Keynes como um tipo de oponente radical do capitalismo, deve enfatizar desde o inicio que quaisquer objecoes parciais que ele possa ter feito sobre o que ele chamou de tradicao economics classica, e quaisquer que seja suas criticas particulares ao capitalismo existente durante suas vida, Keynes, no entanto permaneceu um ferrenho defensor dsa ordem capitalista. Assim, em The  End of Laissez-faire, ele espera que "o capitalismo sabiamente administrado, pode provavelmente se tornar mais eficiente para atingir fins economicos do que quaisquer sistema alternativo em vista.Aqui a palavra-chave sao, naturalmente, "administracao sabia" Keynes acreditava na "transicao da anarquia economica para um regime que visa deliberadamente controlar e dirigir as forcas economicas no interesse da justica social e da estabilidade social".

                  O cerne de sua objecao ao "velho capitslismo nao regulamentado residia no fato de que ele temia ser totalmente incapaz de alcancar essa estabilidade social. Foi essa ansiedade que o levou a uma justificativa utilitarista-pragmatica ds intervencao estatal ad hoc. Esta posicao nao e exclusiva de Keynes. Era algo que, em termos gerais, havia sido defendido a partir da decada de 1890 pelos fabianos, por exemplo, que, alias, como Keynes, acreditavam em uma sociedsde dirigida por um mandarim. Assim, em Fabian Essays, publicado pela primeira vez em 1989, encontramos Sydney Webb, Shaw e compania propondo de uma maneira claramente prefigurando Keynes que os recebedores de alugueis e juros devem ser gradualmente abolidos - no caso deles por meio de uma tributacso progressiva. 

Em sua contribuicao para o Ensaios Willism Clarke chamou a atencao para o rapido avanco do monopolio e com ele a separacao das funcoes de gestao das propriedade (um tema favorito dos teoricos social democratas pos-1945. Ele continuou, "o capitalista esta rapidamente se tornando absolutamente inutil. Achando mais facil e racional combinar-se com os outros de sus classe em um grande empreendimento, ele agora abdicou de sua posicao de supervisor, contratou um gerente assalariado para realizar seu trabalho para ele e se tornou um mero recebedor de aluguel ou juros. O aluguel ou juros que ele recebe e pago pelo uso de um monopolio criado que nao ele, mas pelo esforco conjunto de uma multidao de pessoas" [Briggs 1962:117] 

                                                                                                                         Por tras do pensamento fabiano estava a ideia de que o fim do laissez-faire seria equivalente ao fim do capitalismo, pelo menos um capitalismo sujeito a crises e colapsos. E sempre possivel tomar uma forma relativa de capitalismo  neste caso, capitalismo laissez-faire - e sugerir que ele de forma algums e a forma essencial, mas  uma forma que estaria desaparecendo, se ja nao desapareceu. Sir Karl Popper, por exemplo, declarou que "o que Marx chamou de capitalismo, isto e  laissez-faire capitalismo "desapareceu completamente no seculo XX" [Popper 1947, vol 2:318]   Em outras palavras, Popper, de forma bastante ilegitima, toma uma forma passageira de capital, sua fase competitiva, e a eleva a categoria de forma essencial. Naturalmente, qualquer julgamento historico sobre o capital, a relacao entre suas varias formas e a necessida de passagen de uma forma para outra, e evitada nesse tipo de abordagem metafisica.

 E essa concepcao historica do capitalismo que esta ausente em Keynes. Sua rejeicao do laissez-faire e pragmstico-utilitarista. E a unica maneira de salvar o sistema. Assim, no Teoria Geral ele diz"Embora, portanto, a ampliacao das funcoes do governo, envolvida na tarefa de ajustar uma a outra a propenssao a consumir e o incentivo a investir, pareceria a um publicitario do seculo XIX ou a um financista norte americano contemporaneo uma trerrivel usurpacao  do individualismo, eu, ao contrario, defendo-o tanto como o unico meio possivel de evitar a destruicao total das formas economicas existentes em sua totalidade quanto como condicao para o bom funcionamento ds iniciativa individual. [GT 380]  

                                                                                     Resumindo, uma intervencao estatal adicionsl foi necessaria parsa regastar o sistema cspitalista, um ponto reiterado de forma diferente quando Keynes diz "Nossa tarefa final pode ser selecionar aquelas variaveis que podem ser deliberadamente controladas ou geerenciadas pels autoridade  central no tipo de sistema em que nos realmente vivemos"[Gr: 247].  Em termos concretos, isso significava que quaisquer variaveids poderiam ser selecionadas dentro do sistema economico: a escolha das aspropriadas seria julgada do ponto de vista de sua eficacia e aplicabilidade na preservacao das formas economicas existentes. Naturalmente, disputas poderiam surgir, e de fatos surgiram, sobre a eficacia do controle de qualquer variavel  em particular.

 Os monetaristas apontariam para o papel crucial desempenhado pela regulacao da oferta de moeda, os keynesianos ortodoxos ao controle dos gastos do governo e do nivel de investimento, Apesar do grande calor gerado entre os participantes dessas controversias, eles tem, na realidade, uma  importancia relativamente menor. Mas em qualquer caso, para Keynes tais operacoes por parte do Estado (sua "autoridade central") seriam baseadas em uma condicao crucial: que os fundamentos da economia capitalista ("o tipo de sistema que realmente vivemos") seriam preservado intacto.

 Segundo a teoria neo-classica, a economia e regulamentada pelo mercado, por meio do qual o consumidor faz suas demandas; nesta concepcao o Estado nao lida com o consumidor, mas apenas com a vontade dos cidadaos (os eleitores) que, atraves  mercado, fazem sentir as suas necessidades em relacao ao cumprimento dos requisitos sociais. Para esse fim, uma parcela da  receita e reservada na forma de impostos. Em contraposicso a essa teoria, Keynes sustentava que a responsabilidade do Estado era consideravelmente mais extensa, pois acreditava que ele nao apenas deveria regular a economia para garantir o pleno emprego, mas seria obrigado a realizar medidas para gerar investimentos  suficientes para compensar pelo que ele considerou ser uma tendencia cronica de investimentos privados.

 Na opiniao de Keynes, o estado deveria empregar a renda nacional, ou pelo menos uma proporcao dela, a fim de aliviar o desemprego, fato que transformava o estado em um componente central do sistema economico, e nao uma forca externa, como tinha sido em geral o caso no antigo conceito neoclassico. Foi precisamente com base nesse aspecto ds teoria de Keynes que os  apologistas do capitalismo em um estagio posterior 1945 sentiram-se livres para propor que a operacao espontanea do sistema de mercado havia se esgotado irrevogavelmente na decada de 1930 - sem controversia - concedendo a necessidade de regulamentacao estatal, ou estatismo, como era amplamente conhecido. Foi dessa ideia que derivou a nocao de "capitalismo de bem estar", que via o Estado como uma forca acima das classes que cuida de todos os membros da sociedade, independentemente de sua posicao social que po sua vez  forneceu a jusficacao teorica para a politica  daqueles que dominaram a social democracia na Gran Bretanha apos 1945, a ser tratado em breve. 

                                             Como e conhecido, Keynes combinou sua crenca de que o capitalismo sofria de um numero inadequado de saidas para investimentos lucrativos com propostas para um grau modesto de redistribuicao de renda como uma forma de aumentar a demanda efetiva. Essas prescricoes, por sua vez derivavam da sua concepcao do papel do consumo:uma distribuicao mais equitativa da rendas era uma forma de aumentar o consumo. Mais uma vez, ao defender medidas estatais para regular a distribuicao de renda, Keynes se viu em desacordo com a velha tradicao neoclassica, segundo a qual tais coisas  eram supostamente obtidas espontaneamente pelo jogo das  forcas do mercado. 

Outro aspecto digno de nota e como Keynes concebia a determinacao dos salarios. E geralmente mantido que Keynes se opos a certo aspectos da teoria dos salarios que a economia classica defendia. Mas, neste caso, como em muito outros, as diferencas com seus predecessores eram de carater secundario, em vez de substantivo.Como escritores recentes (Meltzer 1981; Hutchison 1981) notaram, Keynes nunca desafiou fundamentalmente a teoria da produtividade marginal dos salarios, nem, portanto, em ultimo recurso, ele negou que uma reducao nos salarios era o quid pro quo para um aumento no nivel de emprego.

 O que ele argumentou foi o aparente declinio geometrico do emprego que o capitalismo experimentou quando ele escrevia o Teoria Geral nao tanto por fatores micro economicos quanto por fatores macro economicos, principalmente a escassez de investimentos e a deficiencia de demanda agregada. (Este ponto seria obviamente contestada pelos monetaristas: para eles, uma vez que uma politica monetaria solida seja instituida, o funcionamento da economia depende essencialmente de fatores microeconomicos.) A parte disso, Keynes acreditava que cortes diretos de salarios eram socialmente perigosa, pois eles, encontrariam quase inevitavelmente uma resistencia feroz por parte da classe trabalhadora.

 Keynes propos que os salarios fossem reduzidos secretamente, por meio de um processo de inflacao controlada pelo Estado: "Um movimento dos empregadores para rever para baixo as barganhas salariais monetarias tera resistencia muito mais forte do que uma reducao gradual e sutomatica dos salarios reais como resultado do aumento dos precos" [GT:264]. Tal inflacao controlada permitiria um aumento nos salarios nominais, ao mesmo tempo em que afetaria uma reducao simultanea dos salarios reais por meio de uma inflacao de precos, o que tambem ajudaria aumentar os lucros. Assim na questao do nivel de salarios e se sua determinacao, 

Keynes colocou o Estado no centro de suas preocupacoes. Em um ponto na Teoria Geral ele diz: "Nao e a propriedade dos instrumentos de producao que cabe ao Estado assumir. Se o Estado for capaz de determinar o montante agregado de recursos dedicados ao aumento dos instrumentos e a taxa basica de recompensa para aqueles que os possuem, tera realizado tudo o que e necessario.[W:378]   Aqui, Keynes propoe que o Estado seja responsavel pela determinacao da taxa de recompensa para o capital que, por sua implicacao, nao deve mais ser deixada para as forcas do mercado determinarem. Foi a partir dele que os argumentos a favor de "politicas de rendas" controlada pelo Estado, argumentos defendidos principalmente pelos pos-keynesianos e justificado como o melhor instrumento para assegurar a estabilidade de precos. (A questao teorica e a seguinte: de acordo com os pos-keynesianos, um resultado da leitura equivocada de Keynes foi o diagnostico errado da inflacao.

 Durante os anos do pos-guerra, a inflacao foi entendida como sendo causada pelo excesso de demanda e nao como consequencia de pressao sobre os custos. Como resultado, a resposta dos governos as pressoes inflacionarias foi invariavelmente para reduzir a demanda). As ideias de Keynes nao sao de interesse puramente academico, pois tem implicacoes politicas bem profundas, principalmente para a natureza e o papel do sindicalismo dentro do sistema capitalista.

 Uma das principais caracteristica do capitalismo britanico do Seculo XIX em sua fase liberal de desenvolvimento foi a concessao de certas concessoes ao movimento sindical organizado, que foi autorizado negociar diretamente com os empregadores em questoes de salarios e condicoes de trabalho. O seculo atual trouxe um movimento constante de afastamento de tais arranjos, um desenvolvimento que se acelerou nas decadas 1960/70.

 Todos os governos britanicos, sejam conservadores, sejam trabalhistas, tenderam a alguma forma de corporativismo, no qual os direitos dos sindicatos, como negociadores independentes em nome de seus membros foram corroidos. Deve notar-se que, embora Keynes, sem duvida tenha se baseado no trabalho teorico de alguns de seus antenceccores, embora de uma maneirs altamente ecletica, suas opinioes tambem foram baseadas em uma experiencia pratica consideravel, que se extende de suas propostas para as reforma do sistema monetario indiano, ao seu trabalho no final de sua vida por uma nova ordem monetaria mundial.

 Keynes foi um conselheiro do governo na Primeira Guerra Mundial, dursnte o periodo dass negociacoes do Tratado de Versalhes, bem como durante a subsequente tentativa de restauracao e abandono final do antigo Padrao Ouro em 1931. Embora deixemos de lado para o proximo capitulo uma descricao detalhada consideracao das natureza das inovacoes teoricas de Keynes, pode-se provisoriasmente afirmar que foi em grande parte com base neste trabalho pratico e teorico, culminando na Teoria Geral, de que o caminho foi preparado para a nocao de que o Seculo XX marcou a nemesis da era da livre competicao; pela ideia de que a economia nao era mais capaz de funcionar e se regular sem a intervencao de uma terceira forca (o Estado) para restaurar o desiquiulibrioagora inerente da producao (representada por Keynes como um fluxo de receitas) e consumo. 

Nem foram as ideias de Keynes apenas uma resposta imediata a crise que engolfou o mundo capitalista no periodo apos 1929. Suas opinioes sobre politica economica e teoria economica tinham raizes mais profundas: eram o resultado de reflexoes sobre os problemas de gestao economicas sob novas condicoes do Seculo XX que se extendem pelo menos ate o final da Primeira Guerra Mundial. Em seu The End of Lsissez-faire, oferecido pela primeira vez como uma palestra em Oxford em 1924, Keyne diz:"Devemos ter como objetivos separar os servicos que sao tenicamente sociais daqueles que sao tecnicamente individuais. Os itens mais importanrtes da Agenda do Estado referem-se  nao as atividades que os individuos ja realizam, mas as atividades que estao fora das esfera do individuo, as decisoes que nao sao tomadas por ninguem se o Estado nao tomar por eles. O importante para o governo nao e fazer coisas que os individuos ja estao fazendo, e faze-las um pouco melhor, ou um pouco pior, mas fazer as coisas que no momento nao sao feitas de forma alguma [JMK CW 9]. 

         Assim, o imperativo ds intervencao do Estado se justificava. Aqui, Keynes, esta expressando o fato de que sus vida abrangeu o periodo que testemunhou a ruptura do antigo liberalismo: a ideologia que justificou a politica social e economica britanica para o resto do mundo durante grande parte do Seculo XIX. 

O inicio do declinio secular da Gran Bretasnha, que teve suas razoes nas  ultimas decadas do Seculo XX, foi o fenomeno que sem duvida dominou o pensamento e a acao de Keuynes ao longo de sua duvida. Na esfera politica foi uma perda de hegemonia mundial que encontrou expressao no declinio e eventual desintegracao do Partido Liberal como principal instrumento da classe  dominante em favor do Partido Conservador. No campo da economia, foi um declino que trouxeum desafio crescente e eventual morte da velha "escola economca de Manchester" que proclamava o livre comercio e o liberalismo economico como as virtudes gemeas que guiaram a Gran-Bretanha e o  mundo para a prosperidade e paz ininterruptas. (Nao que o resto do mundo necessariamente concordasse com essas proposicoes).

 Na decada de 1930, esses dois pilares ds ideologia burguesa do seculo XIX estavam sob ataque frontal e sob muitos pontos de vistas. A doutrina de laissez-fsaire estava sendo substituida por varias concepcoes de "estatismo", a expressao mais intensa dessa tendencia surgindo na Alemanha, um pais onde a escola economics de Manchester nunca teve muita influencia. O fato da livre concorrencia ter rompido em favor do monopolio e, tendo assim o Estado  de assumir a responsabilidade pela regiulamentacao dos monopolios, foi temas centrais da teoria economica fascista.(3)

 Precisamente porque Keynes nao era um recluso academico, mas durante toda a sua vida esteve intimamente preocupado com os problemas economicos e sociais do capitalismo do Seculo XX, ele foi obrigado a lidar com essas questoes centrais de teoria economica e da politica. Keynes sustentava que a superproducao surge do que ele considerava uma lei psycologica inerente, no sentido de que, a medida que a rendas aumenta, tambem aumenta o consumo, mas nao tao rapidamente. Como resultado, o aumento da renda e acompanhado por uma maior tendencia para economizar. O investimento, no entanto, falha em aumentar com velocidade suficiente para corresponder a esse volume crescente de  economia, de modo que um residuo nao utilizado e criado, manifestando-se em um uso menos do que completo de recursos, tanto humanos quanto de materiais.

 A percepcao vitoriana de que a economia estava entre as maiores virtudes nao era mais apropriada para o seculo XX: de fato, um nivel muito grande de economia foi uma das causas de nosso mal-estar social, disse  Keynes. Ele considerou essa discrepancia entre poupanca e investimento tao cronica que sua eliminacao era impossivel sem intervencao sistematica do Estado, incluindo uma taxa baixa de juros , junto com a criacao de dinheiro e credito acima das necessidades de circulacao imediata, com a concentracao nas maos do Estado de uma parte da receita e do investimento total. (Keynes falou vagamenter sobre a "socializacao do investimento", e foi a partir de tais declaracao que a ideia foi derivada de forma bastante falsa de que ele era de alguma forma um defensor do socialismo, uma concepcao sem fundamento difundida nos circulos das grandes empresas norte americanas depois de 1945).

                                                               A  teoria de Keynes tem sido considerada uma teoria de subinvestimento, visto que ele viu o problema do capitalismo como essencialmente associado a deficienncia de despesas de investimento. Ao mesmo tempo, porem, Keynes era um grande admirador do subconsumista Malthus, lamentando  amargamente o fato sde Ricardo, e nao Malthus, triunfaram na historia do pensamento economico ingles.

 E, em um aspecto, ha certamente semelhancas impressionante s na obra de Keynes e Malthus nao menos o fato que ambos viam a necessidade de uma "terceira pessoa" fora das relacoes do capital como meio de corrigir a tendencia para o desemprego; no primeiro caso, essa "terceira pessoa" abrangia as varias classes nao produtivas" no caso de Keynes, o papel seria desempenhado pelo Estado [4]

.                          Agora, a sua maneira particular, cada um desses escritores foi um "critico" do sistema capitalista - mas a critica foi em cada caso de um carater severamente limitado. Mesmo no caso de Hobson, cujas visoes sociiais e politicas estavam marcadamente a esquerda de Keynes, ele acreditava que as contradicoes do capitalismo poderiam ser superadas por meio de uma redistribuicao radical da renda.O  ponto aqui e o seguinte:o mero reconhecimento por um determinado escritor de certas contradicoes associadas ao capitalismo nao necessariamente torna aquele trabalho cientifico, e Malthus e um caso que atesta a verdade dessa proposicao.

 Enquanto Malthus viu uma certa contradicao entre producao e consumo, ele nunca foi na fonte real dessa contradicao e por isso Marx pode declarar sua obra  era  tanto vulgar (concentrando so nas aparencias das contradicoes do sistema capitalista sem ir na sua essencia) portanto inteiramente apologetica [5]. John Stuart Mill  e outro exemplo de um pensador que se opos a certas caracteriisticas do capitalismo e fez uma serie de propostas para retificar essas "falhas", incluindo, em seu caso, um apelo para uma distribuicao de renda um pouco mais justa e limitada extensao das funcoes do Estado. 

E assim com Keynes: ele aceitava que certos problemas estava associados ao capitalismo (uma negacao de um fato tao palpavel era, em qualquer caso, virtualmente impossivel nas condicoes sob as quais a Teoria Geral foi escrito), mas na verdade assumiu que, em essencia, o capital era harmonioso. O mundo desarmonico das aparencias  surge de fatores que contradizem essa nocao e nao podem ser explicadas em susa base; em suma, elas se originam de forcas externas ao sistema economico - "politicas erradas"- a obstinacao ou estupidez de quem esta no poder; o efeito prejudicial do monopolio, e assim por diante.

 Assim em ultima instancia, Keynes, assim como os monetaristas, e obrigado a explicar o colapso do capitalismo na decada de 1930 por meios de fatores nao economicos.     Keynes dirigiu muitas de suas criticas a ordem economica e social existente nao contra o capitalismo em si, mas contra uma de suas formas, o capital que rende juros. Assim, em uma passagem bem conhecida, ele diz: "vejo, portanto, o aspecto rentista do capitalismo como uma fase de transicao que desaparecera quando terminar seu trabalho.

 E com o desaparecimento desse aspecto rentista, muitas outras coisas dentro dele sofrerao uma transformacao radical. Sera, alem disso, uma grande vantagem da ordem dos eventos que estou defendendo, que a eutanasia  do rentista, do investidor sem funcao, nao seja repentino, apenas uma continuacao gradual, mas prolongada do que vimos recentemente em Gran Bretanha, e nao precisara de revolucao. [GT:376]. Essa oposicao ao rentista foi claramente uma das razoes pelas quais Keynes se opos as politicas deflacionarias adotadas na decada de 1920, pois a deflacao "envolve uma transferencia de riqueza do resto da comunidade para a classe rentista...de ativo para inativo" [JMK CW4].

 Keynes certamente nao foi original ao adotar essa postura: outro antes dele haviam adotado uma posicao semelhante,  assim como alguns de seus contemporaneos tambem denunciaram o capital nao industrial, muitas vezes em termos muito mais estridentes.

 Proudhon foi o caso de um pensador anterior que atacou a funcao do rentista: segundo Proudhon, e o  empresario que estimula a producao e se o  empreendimento for realizado com capitasl emprestado, o pagamento de juros ao rentista-capitalista ira refrear o progresso do desenvolvimento economico. Para ele, o poder da propriedade privada consiste em sua capacidade de extrair renda sem trabalho e a forma mais importante sde faze-la e atraves da cobranca de juros sobre os emprestimos; uma concepcao  que levou Proudhon a defender o estabelecimento de um "banco de cambio" que levaria a abolicao dos juros e ao fim do poder de exploracao da propriedade.

 Claro, Proudhon e Keynes diferiam radicalmente, ate fundalmente em muitas questoes, pois enquanto o primeiro, como representsnte do socialismo pequeno burgues, queriam que todos se tornassem pequenos trabalhadores proprietarios, Keynes defendiam os interesses do capital industrial de grande escala, como testemunhado por sua posicao na epoca ds restauracao do padraso ouro em 1925.

 Como Keynes, no entanto, Proudhon tambem viu a instabilidade economica associadas as tendencias especulativas do capital financeiro; como aconteceria com Keynes posteriormente, Proudhon considerava tais tendencias manchas desnecessarias que poderiam ser eliminadas por meio de uma reforma financeira adequada. (sobre a relacao  da economia de Keynes e Proudhon, ver Dillard 1942).

 No seculo atual, foi o fascismo que embora isentando o "capital produtivo"(isto e o capital industrial)de seus ataques, reservou suas observacoes mais mordazes para o elemento "parasitario do capital, ou seja o capital bancario. E claro que deve ser enfatizado que esse "ataque" foi totalmente falso e foi abandonado imediatamente quando os nazistas tomaram o poder

.       ECONOMIA INGLESA E O CRESCIMENTO DA INTERVENCAO DO ESTADO

                              Keynes, sem duvida, ocupa o centro do palco como o unico pensador que tentou justificar a necessidade da intervencao do Estado para regular e tentar salvar o capitalismo do seculo XX.. No entanto, esta longe de ser o caso que este seculo viu a primeira grande intrusao do Estado  nas questoes economicas e sociais. Nem foi o caso que esta intervencao fluiu de ou foi iniciada pelo trabalho teorico de Keynes a partir dos anos 1930; foi mais o fato de Keynes ter refletido, em vez de inspirar, tal tendencia.

 Embora Marx infelizmente nunca tenha conseguido completar seu trabalho projetado para o Capital - que deveria incluir um tratamento sistematico do estado como o "epitome da sociedade burguesa" (I prefacio) - ele nao estava de forma alguma alheio ao papel crucial. para nao dizer violento, desempenhado pelo Estado no periodo da propria emergencia do capital como sistema economico socio economico, periodo que ele designou como o de "acumulacao primitiva de capital" Uma das atividades do Estado neste periodo turbulento era atuar como um instrumento na ruina violenta da producao pequena  de mercadorias, um processo escrito "em letras de fogo e sangue", para lembrar a frase grafica de Marx.

 No entanto, e verdade que quando,  no primeiro do Seculo XIX, o capital finalmente assumiu um controle firme sobre as relacoes economicas e a burguesia, apos uma longa e muitas vezes aciradas lutas com os remanescente da  aristocracia feudal, finalmente emergiram como lideres incontestaveis no desenvolvimento das forcas produtivas, o Estado passou interferir menos nas questoes economicas e sociais; isso a tal ponto que Engels, em seu celebre livro, Condicao da Classe Trabalhadora na Inglaterra poderia dizer:"A livre concorrencia nao sofrera limitacoes, nem a supervisao estatal; todo o estado e apenas um fardo para ele. Alcancaria sua mais alta perfeicao em uma sociedade anarquica  totalmente desgovernada" [ MECW 4:564] 

.                                                                                                O fato de que o capitalismo no seculo XIX sentiu pouca ou nenhuma necessidade de apoio do Estado era uma indicacao da sua robustez, uma reflexao sem duvida que naquele periodo, o capitalismo ainda era um sistema social progressivo que apesar de suas serias contradicoes, ainda era capaz de desenvolver as forcas produtivas de maneira a capacita-lo a conquistar o mundo num tempo relativamente curto. Mas o ponto feito por Engels nao deve ser exagerado. Ele aqui se refere a uma tendencia entre outras, muitas nao realizadas a nao ser imperfeitamente da mesma forma que a tendencia  para o monopolismo nao chega ate o ultimo estagio de desenvolvimento. 

Mesmo na sua fase classica na Inglaterra, o pais onde o capitalismo atngiu sua forma mais intensiva de desenvolvimento e aquele que Marx tomou como "modelo" em sua pesquisa historica, o Estado ainda manteve um minimo de funcoes importantes. Entre essas funcoes, incluem, provisao de uma forca armada adequada, forca policial, um corpo de funcionarios civis, etc como tambem na esfera propriamente economica, fornecimento de creditos onde o governo agia como o garantidor das notas bancarias emitidas pelos bancos e ele mesmo o Estado assumindo o papel de ser o Banco central..

 E bem conhecido que o proprio Keynes sempre tentou chamar atencao para os elementos revolucionario em seu trabalho teorico. Foi dessas tentativas que a conversa de "Revolucao keynesiana" surgiu. E compreensivel que por razoes de exposicao pedagogica, ou qualquer outro motivo os seguidores  de Keynes tambem tendem emfatizar o hiato separando a obras de  Keynes e suas implicacoes politica daquela de seu predecessores.

 Mas Robinson esta exagerando o caso mais do que ele merece quando ela diz, "por 50 anos antes de 1914 os economistas reconhecidos de varias correntes pregaram  muito confidente e cheio de pompas a  doutrina do laissez faire e os beneficios que o jogo livre das forcas do mercado nos trazem. Nos paises de lingua inglesa, em particular, comercio livre e orcamento equilibrado era tudo o que se requiria do Estado. Equilibrio economico ocorreria por si so. Tais doutrinas predominaram ate 1921. [Robinson 1972]" Joan Robinson esta exagerando porque nao apenas o Estado do seculo XIX sempre assumiu certas funcoes em nome  do capital, mas sempre esteve presente na ortodoxia neoclassica elementos de duvidas sobre a beneficiencia dos resultados a serem obtidos da operacao de uma politica pura de  laiisez-faire. Excecoes a tal politica foram permitidas por pensadores neoclassicos fidedignos

. A medida que o seculo XIX avancava, a realidade capitalista  de forma cada vez mais nitida que a abordagem delineada por Robinson nao correspondia ao estado real das caisas. No que dizia a respeito da microeconomia, isso se expressava no fato palpavel  de que a concorrencia livre ou |pura", sempre considerada como uma condicao necessaria para uma imputacao justa, estava sendo corroida pelo crescimento inexoravel do monopolio.

Isso ocorria mesmo na Inglaterra, onde por uma serie de razoes historicas o "tipo ideal" de competicao perfeita foi mais  proximo, certamente quando comparado com o  exemplo da Alemanha, onde nem a  competicao perfeita nem sua expressao teorica, o neoclassicismo, jamais estabeleceram o mesmo grau de preminencia como no caso  da Gran Bretanha.

 Em sua historia classica da teoria economica, Joseph Schumpter lembrando-nos  que Alfred Marshall embora um ferronho defensor do comercio livre se declarasse contrario aos "males da desigualdade" e favorecesse um alto nivel de tributacao, o que certamente era um desvio de um liberalismo economico - resume as tendencias em acao na economia no ultimo quarto do seculo XIX: "De forma geral, a  classe empresarial ainda se manteve confiante no laissez-faire ao longo do periodo, pelo menos ate o inicio deste seculo, embora muito mais nos EUA do que na Europa. Mas essa forte confianca nas suas virtudes foram pouco e pouco sendo minguadas. As forcas hostis estavam crescendo e requeriam-se compromissos. Mais importante, a classe impresarial tornou-se cada vez mais preparada para comprometer-se e adotar os pontos de seus inimigos. O liberalismo economico, portanto, tornou-se crivado de qualificacoes que as vezes implicavam no abandono de seus principios". (Schumpter 1963:761).

 E o que era verdade na Inglaterra, o pais de nascimento do liberalismo economico, era muito mais verdadeiro na Alemanha, onde a maioria dos economistas eram assinantes da doutrina da Sozialpolitik. Mas essa tendencia de se afastar do puro laissez-faaire, em direcao a defesa de um maior de grau de intervencao do Estado, certamente encontrou seu reflexo na economia inglesa.

Assim, no final do seculo passado, o economista britanico Henry Sidgwick, admitindo que havia uma lacuna potencial entre os interesses individuais e sociais, pode declarar, de uma maneira surpreendentemente antecipando a posicao de Keynes: "Dada as circunstancias adequadas, podem ser bom permitir que a industria funcione sem  interferencia. Ainda assim, com o avanco economico, as proposicoes do laissez-faire teriam que ser qualificadas. Numerosas excecoes decorreram das disparidades que afetam o individuo e as que afetam a sociedade.

 Na verdade, nao foi possivel demonstrar que os esforcos espontaneos de individuos, motivados pelo interesse proprio maximizariam o bem estar material. Frequentemente, uma empresa privada ocasionava custos sociais que eram transferidos para outros.... e os custos sociais frequentemente aumentados eram exarcebados por desenvolvimentos como o monopolio," citado em (Seligman 1963:446) 

Aqui, da parte de Sidgwick (exemplos semelhantes poderiam ser citados de Marshall,, Pigou e outros) havia uma clara violacao do utilitarismo que, desde Bentham em diante, forneceu a base filosofica (tal como era) para uma economia convencional, com sua afirmacao de que havia uma identidade completa  e harmonia de interesses entre o individuo egoista de um lado e a sociedade de outro. Da mesma forma - embora de um angulo diferente - a escola sueca de economia politica, para quem a competicao perfeita e o ajuste automatico dos mercados tornou-se lendaria. As "distorcoes" e "erros" reais do mercado poderiam ser superadas pela acao do Estado, incluindo acoes para determinar o nivel de poder de compra.

 De fato, a economia ortodoxa, quaisquer que sejam que  seus preceitos teoricos ou sua postura filosofica subjacente  possam sugerir, nunca foi capaz de ignorar inteiramente a realidade da superproducao periodica de mercadorias que se manifestou antes mesmo da primeira crise economica generalizada no caso da Gran Bretanha, em 1825. Ate J-B Say, o decano do velho classicismo desacreditado, estava preparado para permitir o impacto de fatores aleatorios ou subjetivos em provocar pertubacoes em um sistema economico que de outra forma operaria sem problema, como a inadiplencia de devedores, a impaciencia dos credores ou a erros de estimativas do estado do mercado de bens, etc E essa mesma tendencia de questionar a sabedoria que declarava que a intervencao do Estado era, em principio, uma coisa ruim encontrou sua expressao na esfera nao apenas da economia, mas tambem da teoria politica. 

Assim AV Dicey, entre  as principais figuras da jurisprodencia, escrevendo no inicio do seculo XX poderia declarar: A corrente de opiniao (tem entre  trinta e quarenta anos movido  cada vez com mais intensidade rumo ao coletivismo, com a consequencia natural de que em 1900, a doutrina do laissez-faire, apessar do grande  elemento de verdade nele contido, perdeu mais ou menos seu dominio sobre o povo ingles. (citado em McLennan et al. 1984:14).

 A questao aqui e que em qualquer economias baseada na divisao do trabalho e na troca, nem e necessario dizer que deve haver um mercado. Entre os economistas ortodoxos, a necessidsde de tal mercado nao foi, e claro, contestada; descobriu-se  entretanto, que na pratica, sua natureza pode variar muito. No seculo XX especialmente o motivo dominante da  economia ortodoxa no sentido de que existis uma distribuicao "justa" da riqueza com base no mercado livre sofreu ataques sustentados de varios quadrantes, um dos quais a classe trabalhadora, que desde o final da decada de 1880 em diante  esteve se tornando mais amplamente organizado e se voltando cada vez mais para ideias socialistas; a ortodoxia foi obrigada a recuar ccom suas teorias da competicao imperfeita e da "economia mista", na qual o Estado tinha um papel central.

 O trabalho de Keynes foi parte integrante dessa acomodacao entre a economia ortodoxa como um todo a realidade mutante do desenvolvimento capitalista. O ponto a ser enfatizado e que foi uma reacao a essa realidade mutante e de forma alguma o iniciador de tal mudanca, e isso deve ser enfatizado em face do papel grosseiramente exagerado que Keynes atribuiu as ideias  na mudanca do mundo

 O KEYNESIANISMO CAUSOU A EXPANSAO ECONOMICA/BOOM  DO POS GUERRA 

            Nem e preciso dizer que o keynesianismo se tornou ultimamente um palavrao. Nao apenas a suposta     ma-gestao da economia britanica do pos-guerra, da qual agora muito se queixam, foi colocada na porta de Keynes, ele ainda  responsavel pela ideia absurda de deficits orcamentarios que,  acredita-se popularmente, fizerasm muito para nos levar a nossa crise atual. E, como se essa lista de acusacoes nao fosse  suficiente, Keynes teria nos levado nao apenas a ideia espuria de que a economia poderia ser ajustada, mas tambem abrido a porta para uma regulacao estatal sinistra da economia. Estas podem ser considerada acusacoes graves embora  muito pouco dela podem ser comprovados.

 Por exemplo, ja observamos que Keynes rejeitou explicitamente a nocao de que uma serie de pequenos ajustes nos agregados orcamentarios poderiam regular a economia dentro de quaisquer limites desejados. O melhor que pode ser dito aqui sobre os detratores de Keynes e que alguns de seus seguidores podem ter interpretado mal seu trabalho nesse sentido; esta e de fato a opiniao de Robinson, Hutchison e outros (embora Hutchison e Robinson discordam sobre a natureza dessas interpretacooes erroneas).

                   Mas, apesar disso, duas coisas estao fora da discussao. Em primeiro lugar, ate meados da decada de 1970, o desemprego no Reino Unido raramente atingiu 2%, um valor extremamente baixo a luz da proposta de William Baveridge de que 3% era um nivel realista de pos guerra a ser atingido - uma meta que Keynes, por sua vez, considerava improvavel de ser atingida.

 Em segundo lugar, foi certo um dos elementos mais persistente da sabedoria convencional das decadas de 1950 e 1960 que esses numeros de baixo desemprego e a prosperidade relativa que eles acarretavam era devido a revolucao na politica para a qual  Keynes havia estabelecido a base teorica.

 A opiniao largamente aceita e que a longa luta de Keynes foi para convencer os formuladores da politicas estrategicamente colocados sobre a conveniencia de suas propostas, juntamente com a teoria quwe a sustentava; uma vez que isso foi alcancado (depois de cerca de 1940), o caminho estava livre parsa um maior grau de intervencao estatal.

 E gracas ao triunfo final das ideias de Keynes, a properidade apos 1945 foi mantida, com a implicacao de que foi apenas a partir de meados da decada de 1970,  quando tais politicas keynesianas foram rejeitadas, que a economia mergulhou em uma recessaao que de outra forma seria evitavel. Aqui claramente, o dominio e dado ao papel das ideias na formulacao da politica socio-economica. Um escritor recente resumiu a forma como a questao tem sido considerada: "nossa perspectiva sobre a "revolucao keynesiana" era bem simples: a historia economics recente tendia a ser escritas por economistas ou historiadores do pensamento economico, e ambos tendiam ver a teoria economicas como s principal forca por detras da politica economica.

 A politica economica foi apresentada como um choque entre a ortodoxia arraigada e uma forca intelectual e moralmente superior, o keynesianismo, que acabou triunfando com o compromisso de manter alto niveis estaveis de emprego no Livro Branco de 1944. (Booth 1983). Donald Winch parece estar adotando uma postura semelhante" "A luz dessa experiencia, pode se concluir que a revolucao keynesiana na politica foi extremamente bem sucedida ou que, por outras razoes inexplicada, se mostrou desnecessaria"(Winch 1972: 293)

                                       E claro que os governos do pos-guerra se comprometeram publicamente com o estabelecimento de um nivel alto e estavel de emprego. O Livro Branco sobre Poltica de Emprego (1944) a que Booth se refere foi bastante explicito sobre o assunto: "O governo aceita como um de seus objetivos e responsabilidades principais a manutencao de um nivel alto e estavel de emprego apos as guerra...As despesas totais com bens e servicos devem ser impedidas de cair a um nivel onde o desemprego geral aparece"

 Nao apenas os governos do pos-guerra, nesta e em outras declaracoes, se comprometeram publicamente com uma politica de pleno emprego, mas agora tinham um orcamwento de estado disponivel que era muito maior do que antes da guerra.

 Mas apesar dessa circunstancias alteradas, muitos escritores, lancaram duvidas consideraveis sobre se  algum governo no periodo pos-guerra realmente tentou regular a economis de acordo com as ideias keynesianas convencionais de  gestao orcamentaria [6]. Sir Alec Cairncross com uma pequena ressalva, parece apoiar essa opiniao.""A resposta e que, embora as ideias keynesianas ao prolongar o periodo de dinheiro barato do pos-guerra, sem duvida contribuissem paras o estabelecimento precoce de pleno emprego, raramente foram postas provas nas decadas de 1950 e 1960 

A demanda geralmente  puxava as redeas da contencao fiscal e os esforcos dos governos se concentravam tanto em manter aa inflacao sob controle quanto em tentar garantir o pleno emprego...ao longo do periodo, o governo central registrou um superavit substancial em conta corrente que ate 1973 atendeu a maioria das necessidsdes de emprestimos das industria nacionalizadas ...

As tecnicas de gerenciamwento da demands foram permeadas por ideias keynesianas, mas o proprio gerencionamento da demanda operou com base nas dinamicas das forcas do mercado e, mesmo assim, apenas dentro de limites  estreitos. (Cairncross, em Floud and McCloskey eds 1981, vol 2:374) Em um artigo anterior e bem conhecido, RCO Mathews foi ainda mais incisivo ao repudiar a opiniao amplamente aceita  de que foi a operacao das politicas keynesianas explicaram a expansao do  capitalismo nas decadas de 1950 e 1960 para "durante todo o periodo do pos-guerra o governo, ate agora de injetar demanda no sistema teve persistentemente um grande superavit em conta corrente...

A poupanca do governo atingiu em media 3% da renda nacional" (Mathews 1968) Mathews passa enfatizar o papel do investimento privado como a chave para uma explicacso dsa expanssao da economia apos 1945: "o aumento do investimento deve estar no cerne de qualquer explicacao economica" ibid Mas Mathews rejeita a ideia de que foi o investimento publico que foi aqui o fator decisivo ("investimento socializado" de Keynes). 

Ao contrario ele sugere que "o investimento nas industrias que se enquadram no setor publico agora tem sido uma proporcao menor do  investimento total do que o investimento nessa industria antes ds guerra. Aqui Mathews assume uma posicao swemelhante a Cairncross, que tambem aponta  as condicoes favoraveis para o investimento privado como um fator vital na economia do mundo pos-guerra. Mas, Cairncross encontra poucas provas de que tal investimentos tenha derivado de politicas keynesianas de gestao e demands: ele enfatiza o fato  de que o periodo apos 1945 se seguiu a crise mais severa da historia do capitalismo, bem como a uma guerra que acarretou na destruicao fisica generalizada do capital. 

Aqui, a situacao era bastante diferente das condicoes emergentes da Primeira Guerra Mundial: durante essa  guerra, nao so a destruicao das forcas produtiva, alem do trabalho humano, foi relativamente modesta, mas a guerra foi procedida por um boom expansivo,

                        KEYNESIANISMO E A CRISE ENTRE GUERRAS

                                                                                Uma reclamacao persistente de uma serie de comentaristas que consideraram a atual crise do keynesianismo procedeu da seguinte forma: O Keynesianismo foi aplicado em um mundo do pos guerra que era totalmente inadequado para o tipo de medidas de politicas de politica economica que Keynes havia defendido. O keynesianismo era uma politica adequada para as condicoes de desemprego em massa, quando a gestao de um deficit orcamentario teria dado uma contribuicao consideravel para aliviar tal situacao.

 Mas, argumenta-se, quando se tratava de ajustar a economia, ao longo das linhas propostas por muito dos seguidores de Keynes nos anos do pos guerra, a questao era de uma ordem bem diferente, e aqui o keynesianismo provou ser um tanto contudente e instrumento inadequado. A luz dessa proposicao, consideremos a crise de entree guerras, especialmente como ela se refletiu no caso do capitalismo britanico. 

Para colocar a questao na forma de uma pergunta: uma politica keynesiana se tentada, teria sido bem sucedida? Ou colocando a questao de maneira um pouco diferente: Estaria Keynes  correto em sua alegacao frequentemente repetida de que a persistencia das condicoes de recessao no periodo entre as guerras na Gran Bretanha se devia ao fracasso da politica economica? A resposta a ambas as perguntas deve ser enfaticamente negativa.

 Dada a natureza do longo prazo do mal-estar industrial da Gran Bretanha, na decada de 1920 - o fato amplamento aceito que era um legado de uma estrutura industrial obsoleta e uma relacao profundamente enraizada com uma economia mundial atualmente passando por uma grande transformacao, nao menos importante. o resultado da Primeira Guerra Mundial - e inconcebivel que uma crise organica do alcance e magnitude que existiu durante o periodo entre guerras pudesse ter sido mesmo seriamente contida, quanto mais revertida, por meio de condicoes monetarias faceis ou de uma taxa de cambio mais baixa (uma politica que Keynes e claro apoiou) 

A verdade desta proposicao e expressa no fato de que quando esssas duas condicoes fora realizadas apos 1931-32, as industrias basicas(carvao, algodao, construcao naval, etc) das quais a economia como um todo dependia para seu renascimento mostraram poucos sinais de recuperacao.         Dada a evidente inadequacao de uma politica puramente monetaria como meio  de recuperacao economica, a unica alternativa  seria uma baseada num aumento consideravel  dos gastos governamentais - a solucao keynesiana. 

Ignorando os obstaculos para implementacao dessa politica levantadas pelo pensamento politico economico da epoca "financas solidas" contra qual Keynes se queixava de forma constante, e aparente que um aumento nos gastos do governo em quantia que se  aproxima das magnitudes necessarias seria impossivel. 

Foi calculado (Glyn e Howell 1980) que restaurar o pleno emprego e gerar o aumento de quase 3 milhoes de empregos necessarios no nadir da depressao envolveria um aumento nos gastos de cerca de 500 milhoes de libras, uma cifra equivalente a 14% do produto interno bruto em 1932, ou quase a metade dos gastos totais das autoridades publicas naquele ano. Isso teria implicado um aumento nos gastos do governo de cerca de 70% ou uma reducao na tributacao quase da mesma ordem. "Mesmo antes de se perguntar de onde poderia ter vindo os fundos para atender ao deficit, o montante necessario ja pode ser visto no reino da fantasia politica e economica" (ibid) 

Uma das  consequencias de uma tentativa de colocar em acao qualqueer  politica de estilo keynesiano nas condicoes concretas da crise do inicio da decada de 1930 teria sido uma fuga macica de capital de Londres, a perspectiva de que assombrou o governo MacDonald enquanto agonizava sobre um deficit orcamentario muito menor no decorrer de 1931.  Deixando isso de lado, o financiamento de uma necessidade de emprestimo na escala necessaria nao poderia deixar de envolver um aumento acentuado nas taxas de juros para facilitar a vendas de papeis do governo nas proporcoes exigidas. (Longe de sofrer eutanasia, o rentista, portanto, ganha muito com a operacao de uma politica de estilo keynesiano),

 Essas taxas de juros aumentadas devem ter impelido essas forcas modestas de recuperacao, nao menos no setor de construcao de casas da economia, que muitas vezes tem sido apontado como a area que derivou beneficios da politica de dinheiro barato. Alem disso, o efeito de um aumento acentuando nas importacoes, que o grande aumento nos gastos do governo teria arrancado, deve ter traduzido restricoes insuperaveis do balanco de  pagamentos a operacao da politica.

 Mesmo ignorando esses problemas instransponiveis na pratica, tambem e altamente duvidoso se uma reflacao generalizada da economia ao longo das  linhas keynesianas convencionais convencionais poderia ter enxugado o desemprego. Como ja observamos, o proprio Keynes percebeu que medidas gerais para relancar  a economia nao eram apropriadas, uma vez que uma condicao de pleno emprego relativo comecou ser realizada  no periodo que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.

Mas a inadequacao de tais medidas nao se limita de forma alguma as condicoes em que prevalecem niveis compativelmente elevados de empregos. E  assim,  dado o fato de que uma caracteristica inerente da economia  capitalista, para a qual o marxismo tradicionalmente tem apontado e sua tendencia a se desenvolver  de maneira desigual, e isso e verdade tanto em escala nacional quanto internacional.

 O capital britanico nas decadas de 1920 e 1930 estava sofrendo nao apenas o efeitos de uma profunda desaceleracao ciclica da economia mundial, mas tambem de uma serie de graves problemas estruturais. Um profundo desiquilibrio na economia acumulado desde o ultimo quarto do seculo XIX criou uma situacao em que o norte do  pais estava sofrendo depressao aguda, enquanto o sul, e especialmente a zona metropoletana  de Londres, era, pelo menos em comparacao, relativamente prospera. Tal desiquilibrio cronico (que por sinal persistiu durante todo o periodo expansionario do pos guerra  e agora reapareceu de uma forma aguda.) exigiu para sua solucao nao um impulso generalizado a demanda que um grande deficit publico poderia ter criado, mas  uma mudanca fundamental no padrao de investimento.

 Somente uma economia dirigida pelo estado altamente centralizado, nos moldes que operaram na Alemanha apos a  vitoria do fascismo em 1933, e do tipo defendido na Gran Bretanha por Mosley e outros, poderia ter engendrados tal mudanca. Como a experiencia aleman demonstrou, tal sistema so foi possivel com base em uma profunda contra-revolucao social e politica.

 E tambem deve ser  adicionado que mesmo uma politica fascista nao poderia eliminar  as contradicoes do capitalismo: ela apenas as elevou a um novo grau de intensidade que, entre outras coisas, tornou a guerra mundial inevitavel. 

         KEYNES E A QUEBRA DO LIBERALISMO ECONOMICO

                                                                  Foi amplamente notados por historiadores da economia que varias obras apareceram na decada de 1930, cada uma em sua maneira perticular tentando formular ideias semelhantes  em espirito as ideias de Keynes - uma manifestacao certa de que a Teoria Geral marcou uma resposta definitiva as ideias que ganhou certa ressonancia entre economistas e politicos de varios paises.

 O exemplo da escola sueca (Myrdal, Ohlin, et al) tem sido frequentemente apontado a este respeito. Foi na Suecia que as iideias de natureza amplamente keynesiana se desenvolveram na decada de 1930, mas e claro elas nao foram diretamente inspirado por Keynes, pois como Myrdal lembra: "Na Suecia, onde  crescemos na tradicao de Knut Wicksell, as  obras de Keynes foram lidas como contribuicos interessantes e importantes ao longo da linha de pensamento familiar, mas nao em nenhum sentido como uma  descoberta revolucionaria. (Myrdal, Agains the Stream: Critical Essays in  Economics (1973, citado em Garvy 1975.) Michael Kakecki, o economista polones (que segundo Robinson (1962: 93), descobriu a Teoria Geral simultaneamente com Keynes)  e outro caso de um economista que trabalha nas mesmas linhas de Keynes, mas de forma bastante independente dele. 

Esses desenvolvimentos teoricos generalizados, aparecendo em varios paises no mesmo periodo, foram sem duvida o reflexo de  uma necessidade concreta: a de uma "nova economia" que fornecesse uma politica para enfrentar uma crise mundial aparentemente intratavel.

 E por esforcos independemente desses teoricos por parte de Keynes, Myrdal, Kalecki e outros, tal politica estava sendo tentada na pratica - PRAGMATICAMENTE NO  CASO DO NEW DEAL NORTEAMERICANO. AQUI, NOVAMENTE, NAO SE PODE DIZER QUE A REVOLUCAO KEYNESIANA INSPIROU O PROGRAMA DE ROOSEVELT. COMO MS ECCLES, UM DOS CONSELHEREIROS DE ROOSEVELT DISSE: "COM EXCECAO DE EZEQUIEL E TUGWELL, DUVIDO QUE ALGUM DOS HOMENS NA SALA JA TINHA OUVIDO FALAR DE JOHN KEYNES, O ECONOMISTA INGLES QUE FREQUENTEMENTE E REFERIDO COMO O FILOSOFO ECONOMICO DO NEW  DEAL. PELO MENOS NENHUM DELES CITOU SEUS ESCRITOS PARA APOIAR SEU PROPRIO CASO, E OS  CONCEITOS QUE FORMULEI, QUE FORAM CHAMADOS DE "KEYNESIANOS,  NAO FORAM EXTRAIDOS DE SEUS LIVROS QUE EU NUNCA TINHA LIDO. (Eccles, Beckoning Frontiers (1951), Garry (1975).

                             Tais exemplos nao sao apenas indicativos do carater mundial da crise que o capitalismo enfrentou na decada  de 1930, mas forneceram provas  contundentes para rejeicao da crenca de Keynes na autonomia das ideias como principal determinante  dos programas economicos e politicos. Pois deve ser enfatizado que a tendencia para politicas do tipo keynesiana nao se limitou de forma alguma aos EUA e, a Gran Bretanha. Notamos, no caso da Inglaterra, que no final do seculo XIX, marcas de natureza graves ja haviam sido feitas na doutrina do laissez-faire, com sua  proibicao da interferencia do Estado em questao economicas alem  de uma esfera altasmente limitadas (o "estado minimo" ).

 No entanto, foi na Alemanha nazista apos 1933 e antes da Teoria Geral parecia que uma politica do estilo keynesiano envolvendo um consideravel programa de gastos do estado (militar) foi posta em opoeracao. [2] Por causa de seu desenvolvimento economico e social atrasado e, portanto, de sua entrada igualmente tardia no mercado capitalista mundial, o liberalismo economico nunca exerceu na Alemanha a influencia que exerceu na Gran-Bretanha. A escola historica aleman, por exemplo  sempre atribuiu ao Estado um papel central na garantia de um futuro para o capital alemao contra seus inimigos internos e externos. Dai seu repudio a doutrina do  livre comercio e sua defesa das tarifas como um instrumento necessario na protecao de uma industria aleman ainda  nascente e relativalente fraca.  

A esse respeito, e interessante lembrar que Keynes avancou fortemente em direcao ao apoio a  medidas protecionistas na decada de 1930, embora nao tivesse a conviccao para  defender a autarquia total, como fizeram os defensores mais radicais do protecionismo. Mas a direcao geral de seu pensamento e inconfundivel. Como o proprio Keynes registra, ele foi educado para respeitar o livre comercio, nao apenas como uma doutrina economica da qual uma pessoa racional e instruida nao poderia duvidar, nas quase como parte da lei moral (JMK CW 21:236). 

Mas na decada de 1930 ele foi capaz de dizer: "Simpatizo com aqueles que minimizaria, em vez de maximizar, o emaranhamento economico entre as nacoes" (ibid), Este ponto e ainda mais  claramente colocado em outro lugar:"Nao estou convencido de que as vantagens economicas da divisao internacional do  trabalho hoje sejam comparaveis ao que eram...Em uma variedade cada vez mais ampla de produtos industriais, e talvez agricolas fico em duvidas se o custo economico de auto-suficiencia nacional e grande o suficiente para compensar as outras vantagens de gradualmente trazer o  produtor e o consumidor para o ambito da mesma organizacao nacional, economica e financeira. A experiencia se acumula para provar que a maioria dos processos modernos de producao em massa pode ser realizada na maioria dos paises e climas com eficiencia quase igual"(ibid), Na opiniao expressa aqui, Keynes estava apenas refletindo uma profunda crise que engolfava o pensamento burgues. 

No seculo XIX, a economia ensinou que o maior fator na producao de riqueza era a divisao internacional do trabalho: na decada de 1930, ela descobriu que essa mesma divisao mundial do trabalho era uma das fontes mais potentes de colapso economico e crise. O mesmo aconteceu com a rejeicao do Padrao Ouro que ocorreu na mesma decada. No seculo XIX, o ouro, como medida universal de valor, tornou-se a base de todos os principais sistemas monetarios e, como tal, era apoiado por todas as principais figuras da escola de economia liberal. A conhecida denuncia de Keynes do ouro como uma "reliquia barbara" foi novamente parte de uma tendencia universal  se movendo rumo para a tentativa de sistema monetarios "nacionais"

                                                                                                 O keynesianismo formou um dos principais componentes ideologicos da social-democracia pos-1945, particularmente na Gran Bretanhas. Mas nao ha nada intrinseco ao keynesianismo que o vincule necessariamente a uma tendencia liberal-reformista., como a social-democracia. Isso, deve ser enfatizado, nao diz respeito a propria politica explicita de Keynes que, na medida em que ele se  identificou com a "burguesia educada".  era de carater geralmente liberal. Estamos lidando antes com as implicacoes (a "logica", por assim dizer) do pensamento economico de Keynes e a sua relacao com as exigencias organicas do capitalismo moderno. 

A luz do que foi observado acima, tanto sobre a atitude de Keynes em relacao as ideias anteriormente consagradas, como o livre comercio e o padrao ouro, quanto a rejeicao dessas doutrinas na Alemanha, chama a atencao que entre aqueles que pregavam adocao de ideias semelhantes  as ideias keynesianas antes que tais ideias fossem dadas credibilidsde com  a Teoria Geral estava  Oswald  Mosley. Em uma carreira politica variada, Mosley foi,  entre outras coisas, um ministro junior no governo MacDonald de 1929 e mais tarde foi o lider do movimento fascista britanico. O plano de Mosley para lidar com a crescente crise de desemprego, apresentado no governo de MacDonald em 1930 foi baseado em uma combinacao de programas de gastos do estado de estilo keynesiano e medidas protecionistas parsa proteger o capitalismo do vendaval da competicao mundial.  (Mosley viu no imperio um bloco comercial potencial ao qual as exportacoes britanicas teriam acesso priviligiado) Robert Skidelsky, biografo de Keynes e Mosley, coloca a relacaso entre seus pensamentos da seguinte maneira" "Mosley foi discipulo de Keynes na decads de 1920 e, em um aspecto importante.... - o fascismo de Mosley era distintamente ingles. 

E talvez um paradoxo, mas talvez nao surpreendente, que do coracao do liberalismo economico tenha saido seu critico mais sustentado e brilhante: aquele corpo de doutrina economica associado ao nome de Keynes. Mosley foi discipulo de Keynes na decada de 1921; e o keynesiasnismo foi sua grande contribuicao para o fasscismo. 

Foi o keynesianismo que, em ultima instancia tornou o fascismo de Mosley distintamente ingles, embora nao fosse uma inglesidade que a maioria dos ingleses educados  estivesssem entao preparados para reconhecer, estando tao distantes do pensamento keynesianos quanto dos problemas que lhe deram origens. (Skildesky 1975:302). Como Keynes, Mosley tambem argumentou que a producao estava sofrendo nas maos dos financistas e banqueiros, uma visao que, no caso do fascista Mosley, teve o efeito de colocar o capital e a classe trabalhadora do mesmo contra os financistas "parasitas"...E como Skidelsdi diz, essa mesma ideia esta sempre presente em Keynes:"...curiosamente, Keynes nao incluiu a luta de classes {entre capitalistas e trabalhadores} em seu relatos dos conflitos de interesse. Ele tendia assumir uma identidade de interesse entre trabalhadores e industrialistas contra o inimigo comum - o rentista e o banqueiro. 

Essa nocao do conflito de interesses dentro da comunidade capitalista e da identidade de interesses entre os trabalhadores em um setor dessa comunidade - os industrialistas - teria uma profunda influencia no pensamento de Mosley, Era para dar-lhe uma estrategia e uma filosofia bem diferentes da concepcao socialista padrao de uma luta em que os trabalhadores estavam todos de um lado e os capitalistas perversos de outro. Doravante, o estado seria a meta; e financiar o inimigo. (ibid: 141)

                                                                                                        Keynes afirmou que, em condicoes de livre comercio e movimento de capital, a queda desejada  nas taxas de juros seria impossivel de atingir. Na verdade, de acordo com o proprio Keynes, as politicas economicas implicitas na Teoria Geral, longe de serem hostis as necesscidades de uma economia fascista eram, no minimo, mais facil de operar do que em um regime baseado na democracia parlamentar do tipo que Keynes assumiu em existencia enquanto o livro estava sendo escrito. 

No prefacio da edicao aleman do Teoria Geral, encontramos Keynes fazendo a seguinte observacao: "Confesso que muito do livro seguinte e ilustrado e exposto principalmente com referencias as condicoes existentes nos paises anglo-saxonicos. No entanto, a teoria das producao como um todo, que e o que livro a seguir pretende fornecer, e muito mais facilmente adaptado as condicoes de um estado totalitario {totaler staat, eufemismo de Keynes para o fascismo que entao se instalou na Alemanha} do que a producao e distribuicao de uma determinada producao produzida em condicoes de concorrencias perfeita e uma grande medida de laissez-faire.

 Esta e uma das razoes que justificaram que chame minha teoria de teoria geral. Uma vez  que se baseia em suposicoes menos rigorosas do que a teoria oretodoxa, tambem e mais facilmente adaptado a uma grande variedade de circunstancias diferentes. Embora eu tenha resolvido isso tendo em vistas as condicoes nos paises anglo-saxonicos - onde uma grande quantidade de laissez-fsaire ainda prevalece - ainda assim permanece aplicavel em situacoes onde a direcao nacional e mais pronunciada. (ver Schefold 1980)

                                                                           Este capitulo tratou de certos aspectos da revolucao keynesiana. Tentamos colocar esta revolucao em seu contexto historico e social, para ve-la como um reflexo do desenvolvimento da propria economia em um periodo em que o capitalismo deixou de ser uma forca progressista e como tal, nao podia mais contar com sua propria forca e teve que depender cada vez mais do estado burgues, que enfrentava uma serie de crises economicas, politicas e sociais em nivel nacional e internacional. 

Desse ponto de vista, nao havia nada de "progressivo" nas ideias de Keynes, apesar dos esforcos de seus seguidores mais radicais nos anos do pos-guerra para apresenta-los como tais. No campo da teoria economica, Keynes, por escolha explicita, foi um seguidor do principal iniciador da escola de economia politica vulgar, o reacionario Malthus, em oposicao a Ricardo, cujo trabalho constitui uma das conquistas duradouras do pensamento burgues do seculo XIX e, no caso da economia, sua realizacao mais duradoura. 

No que diz a respeito a politica economica, Keynes veio a se basear em um nacionalismo economico estreito e reacionario que repudiou a maior conquista do capitalismo: o estabelecimento de um mercado mundial e uma divisao internacional do trabalho. Que o Estado deve ser responsavel por "planejar" a economia; que ele deve garantir uma abundancia de "dinheiro barato" (taxas baixas de juros); que o livre comercio e um preconceito que deve ser abandonado - todas essas ideias contem mais do que um eco das doutrinas meercantilistas.

 Que Keynes, amplamente considerado por amigos e inimigos como o economista notavel do seculo XX,  nao foi capaz de fazer um unico avanco sobre os trabalhos dos grandes economistas classicos, (Smith  e Ricardo), mas foi levado a reverter a varias das principais ideias da teoria do economicsa do mercsntilismo, que parecia ter desaparecido no final do Seculo XVIII, e apenas uma expressao do carater historico da crise que afeta a economia capitalista mundial como um todo na presente epoca.                   [AS NOTAS SERAO TRADUZIDAS MAIS TARDE    

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