Em 20 de agosto de 1940, Leon Trotsky foi assassinado pelo agente stalinista Ramon Mercader no suburbio de Coyacan na cidade do Mexico. O acesso de Mercader ao grande revolucionario foi possivel por meio de seu relacionamento com Sylvia Angeloff, membro do Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP). Apos o assassinato, Angeloff se apresentou como uma vitima inocente da duplicidade de Mercader, uma alegacao que nunca foi contestada pelo SWP.
Esta serie de artigos constitui a primeira investigacao sistematica pelo movimento trotskysta do papel de Ageloff e continua o trabalho de investigacao do Comite Internacional de Seguranca da Quarta Internacional. Sera publicado em quatro partes.
INTRODUCAO
O agente stalinista Ramon Mercader assassinou Leon Trotsky no final da tarde de 20 de agosto de 1940, no suburbio de Coyacan na cidade do Mexico. Na noite seguinte, 26 horas apos o ataque, o co-lider da Revolucao de Outubro de 1917 morreu do ferimento infligido por Mercader.
O assassinato de Leon Trotsky e o assassinato politico de maior repeercussao do seculo XX. Privou a classe trabalhadora internacional do homem colocado ao lado de Lenin como os maiores teoricos e revolucionarios do seculo XX. A morte de Trotsky enfraqueceu severamente a Quarta Internacional, em cuja fundacao em 1938 ele desempenhou um papel decisivo, e minou o desenvolvimento do movimento socialista nas decadas seguintes.
Apesar das negativas mentirosas do regime stalinista sovietico, foi imediatamente assumido em todo o mundo que o assassino era um agente da policia secreta da Uniao Sovietica, a GPU. Mas por 35 anos, o mundo sabia muito pouco sobre a vasta escala da conspiracao e a rede de agentes utilizados pelo regime stalinista para preparar e executar o assassinato. A verdadeira identidade do homem que atendia pelos noomes de "Jacques Mornard" e depois "Frank Jackson" nao foi estabelecida de forma conclusiva ate 1950. O partido politico responsavel pela seguranca de Trotsky - o American Socialist Workers Party (SWP0, em seguida,a secao norte americana solidaria com a Quarta Internacional - (os partidos politicos dos EUA eram proibidos por lei de se associar com organizacoes internacionais nao norte americana, j amaral), nao apenas nao realializou qualquer investigacao substancial sobre os esforcos da GPU para infiltrar no movimento trotskyista em escala global nos anos antes do ataque, como o SWP recusou a reconhecer e encobriu diretamente provas da penetracao da GPU no alto escalao de sua propria organizacao. Qualquer referencia, quanto mais uma exposicao, da infiltracao de espioes da GPU e do FBI no movimento trotskysta foi denunciada pelos lideres do SWP como "isca de agentes"
Em maio de 1975, o Comite Internacional da Quarta Internacional/CIQI, identificaram a rede internacional de agentes da GPU envolvidos no assassinato, incluindo agentes que permaneceram no SWP por decadas apos a morte de Trotsky.
Apesar dos esforcos para sabotar o trabalho do Comite Internacional, a investigacao sobre Seguranca e a Quarta Internacional continuou e levou a descobertas de extraordinaria importancia.
Apos a decisao de iniciar a investigacao, documentos criticos nao publicados do governo dos EUA, depositados nos Arquivos Nacionais em Washington, DC, relacionados ao assassinato, foram descobertos por Alex Mitchell, editor do Workers Press (o jornal da secao britanica do CIQI). Em agosto de 1975, o trotskysta norte americano David North, agindo em nome do CIQI, localizou e fotografou Mark Zborowski em San Francisco. Na decada de 1930, antes de emigrar para os EUA em 1941, Zborowski desempenhou um papel central no fornecimento de informacoes que levaram ao assassinato do filho de Trotsky, Leon Sedov, dois dos secretarios politicos deTrotsky, Erwin e Rudolf Klement, e um desertor da GPU que declarou seu apoio a Quarta Internacional, Ignace Reiss. Os resultados iniciais da investigacao da Seguranca da Quarta Internacional foram publicados no final de 1975 sob o titulo HOW THE GPU MURDERED TROTSKY.
Em dezembro de 1976, Mitchell e North viajaram para a cidade do Mexico, onde entrevistaram pessoas que foram testemunhas dos eventos em torno do assassinato. O progresso posterior da investigacao nos Estados Unidos provou que a secretaria pessoal do lider do SWP James P. Cannon de 1938 a 1947, Sylvia Caldwell (nascida em Callen), era um agente da GPU. O CIQI descobriu documentos estabelecendo que Joseph Hansen, secretario de Trotsky no Mexico de 1937 a 1940, que se tornaria um dos lideres maximo do SWP ate a sua morte em 1979, havia sido um agente da GPU e, mais tarde, um informante do FBI. Como era de se esperar, dada sua atividade como espiao e informante do governo, foi Joseph Hansen quem atuou na lideranca do SWP por decadas como o oponente mais consequente da "isca de agentes"
As descobertas iniciais da Seguranca e a Quarta Internacional foram publicadas entre 1975 e 1978. Desenvolvimentos posteriores - especialmente documentos obtidos por meio do processo iniciado por Alan Gelfand contra a espionagem do governo dentro do SWP - corroboraram totalmente os pontos mais criticos da investigacao do Comite Internacional. Outras corroboracoes foram obtidas atraves da liberacao de documentos da policia secreta da GPU-KGB apos a dissolucao da Uniao Sovietica em 1991.
Mais recentemente, o trabalho de pesquisadores independentes que fizeram uso das descobertas do Seguranca e a Quarta Internacional, bem como documentos adicionais liberados de arquivos do Estado no Mexico, descobriram evidencias importantes que tornam possivel uma compreensao muito detalhada de como o assassinato de Trotsky foi planejado e realizado.
Analisando essas novas informacoes - combinadas com um exame da historia pessoal de Sylvia Ageloff, bem como de suas atividades politicas enquanto era ostensivamente um membro do SWP, e seu relacionamento de trabalho proximo com Ramon Mercader - o Comite Internacional esta agora em condicoes de fornecer um relato preciso do papel critico executado por Ageloff no planejamento do assassinato de Trotsky.
O relato a seguir refuta a narrativa incontestada durante 80 anos de que Ageloff era uma inocente ingenua que foi usada por Mercader para obter acesso a Trotsky. Essa pessoa publica inventada por Ageloff e Mercader logo apos o assassinato. Os fatos reais ocultados pela historia patetica "Pobre Sylvia" nunca foram investigados seriamente. A narrativa adquiriu um status mitico. Mas ese mito nao tem base na realidade.
A aceitacao do mito exigia interpretar os aspectos mais duvidosos e ate mesmo inacreditaveis da relacao Ageloff-Mercader da maneira mais inocente e apolitica. Ageloff tinha que ser vistsa como um "tipo de idiota", uma mulher isolada, vagando cegamente pela vida, e tao estupida ao ponto de ser incapaz de reconhecer contradicoes transparentes e bizarras na misteriosa historia da vida e atividades do homem com quem ela manteve relacionamento pessoal por quase dois anos.
Mas assim que o mito e substituido por uma revisao objetiva do registro factual, a jovem do Brooklyn aparece sob uma luz totalmente diferente, De 1938 a 1940, Ageloff se envolveu em um padrao de comportamento intencional que avancou t consistentemente com os esforcos da GPU para cercar e matar Trotsky que fazia qualquer explicacao baseado em inocencia insustentavel.
Em cada etapa da preparacao do assassinato, foi Sylvia Ageloff quem desempenhou papel decisivo na integracao de Mercader ao movimento trotskysta e, em ultima instancia, "a villa fortificada de Coyacan. A conclusao da presente investigacao e que Angeloff foi um agente da GPU e cumplice de Ramon Meercader no assassinato de Leon Trotsky.
Em 1940, a policia mexicana conduziu a unica investigacao contemporanea sobre o assassinato e determinou que Ageloff era cumplice do assassinato de Trotsky. As autoridades mexicanas a prenderam, encarceraram e acusaram-na de assassinato e a processaram. Ageloff parece ter sido salvo da condenacao pela intervencao diplomatica das autoridades norte americanas. Na epoca, o SWP nao forneceu relatorios sobre a investigacao mexicana de Ageloff em andamento e manteve os membros do partido no escuro. O SWP aceitou sem questionar o relato auto se absolvendo que Agelof forneceu da cadeia de eventos que levou ao assassinato de Trotsky. Esta investigacao deve, portanto comecar examinando o mito da "Pobre Sylvia".
O MITO DE SYLVIA AGELOFF
De acordo com a versao convencional dos acontecimentos, Sylvia Ageloff era uma assistente social ingenua e caseira do Brooklin. Aparentemente desesperada por afeto, a jovem membro do SWP foi facilmente seduzida pelo arrojado Jacques Mornard, um dos pseudonimos usados pelo assassino e o nome que ele usou quando se conheceram. Ele teria explorado cruelmeente as vulnerabilidades emocionais e inexperiencia de Ageloff, e eventualmente a enganou para que ele entrasse na casa de Trotsky.
Mercader teria usado a oportunidade involuntariamente fornecida pela simploria Angeloff para realizar o ataque. De acordo com essa narrativa, Ageloff, durante quase dois anos de relacionamento intimo com Monard, negligenciou ou ignorou as contradicoes gritantes em sua historia de capa, que incluia o uso de varios nomes, mentiras transparentes sobre sua origem familiar, negocios misteriosos atividades e acesso inexplicaveis a grande quantias de dinheiro.
Como os tres macacos, mas transformados em uma pessoa, Ageloff nao viu o mal, nao ouviu o mal e acima de tudo nao fez o mal.
Essa historia - que a absolve de qualquer responsabilidade criminal pelas consequencias de suas acoes - foi originalmente inventada pelo proprio Mercader, "Sylvia nao teve nada a ver com isso", disse ele aos interrogadores da policia apos sua prisao. [1] Ele manteve sua historia ate a sua morte em Cuba em 1978. Seu irmao, Luis Mercader, diria mais tarde sobre Meercader: "Ele nunca traiu os seus"[2] Seu advogado, Eduardo Ceniceros, reconheceu apos a morte de Mercader: "Ele nunca confessou nada a ninguem, mesmo tendo passado pelas mais terriveis tempestades"[3]
O alibi que o assassino forneceu para Ageloff -
mesmo quando Mercader negava que ele mesmo tivesse algo a ver com a policia secreta stalinista - tornou-se a base para a imagem patetica da "pobre Sylvia".
Angeloff teria ficado, como se afirmam ha muito tempo, tao chocada com a traicao de Mercader que ficou histerica e nao pode responder as perguntas feitas pela policia mexicana ou por agentes federais dos EUA que investigaram o ataque. Ageloff afirmava ser um membro leal do SWP que havia se envolvido em um drama que nao estava preparada para entender. Parecendo traumatizada, Ageloff deixou o movimento trotskysta e nunca mais se envolveu na politica radical. Excetuando o governo mexicano, logo apos o assassinato, ninguem - e muito menos o SWP - parecia particularmente intreressado em examinar criticamente o alibi fornecido a Ageloff pelo assassino.
Dois filmes importantes sobre o crime - The Assassination of Trotsky (1972 de Joseph Losey e The Chosen (2016) de Antonio Chavarrias - colocaram o mito no centro de seu relato sobre o trama do assassinato. Quanto a Ageloff, ela seguiu a frente, passando os 55 anos restantes de sua vida em um snonimato rico. Por fim residindo em um confortavel apartamento em Manhattan, Ageloff morreu em 1995 com a idade de 86 snos sem deixar nenhuma explicacao detalhada de como ela desempenhou um papel tao critico em uma tragedia do seculo XX.
Um fato irrefutavel emerge da reconstrucao cuidadosa da conspiracao para assassinar Trotsky: se remove Ageloff da cadeia dos eventos nao teria havido assassinato em agosto de 1940. Sem a oportunidade proporcionada por seu relacionamento com Sylvia Ageloff, Mercader nao teria conseguido entrar no complexo residencial de Trotsky. No periodo antes do assassinato, ter perguntado seriamente quem e o noivo de Sylvia? teria aberto a porta para uma serie de questoes envolvendo Mercader e Angeloff. Mesmo o exame mais supperficial das bona fides de "Jacques Mornard-Frank Jacson" - uma tarefa certamente justificada apos o atentado malsucedido contra a vida de Trotsky por agentes stalinistas em 24 de maio de 1940 - teria o transformado em alvo de suspeitas, cortado seu acesso a Trotsky e levantado a pergunta: porque Sylvia Ageloff o trouxe?
Isso foi mais ou menos admitido pelo lider do SWP James P Cannon em um discurso no plenario do SWP em 28 de setembro de 1940, seis semanas apos a morte de Trotsky: "Ha um certo descuido no movimento como ressaca do passado. Nos investigamos profundamente o passado das pessoas, mesmo em posicoes de lideranca - de onde vieram, como vivem, com quem sao casadas, etc. Sempre que no passado essas questoes - elementares para uma organizacao revolucionaria - foram levantadas, a oposicao pequeno burguesa gritava: "Meu Deus, voce esta invadindo a vida privada dos camaradas! Sim, isso e exatamente o que estamos fazendo, ou mais corretamente - ameacando fazer - nada aconteceu no passado. Se tivessemos verificados essas questoes com um pouco mais de cuidado, poderiamos ter evitado algumas coisas ruins no passado [4]
Os comentarios de Cannon, sobre os quais ele nao entrou em detalhes, foram um reconhecimento de que o SWP nao havia investigado as pessoas que cercavam Trotsky em Coyacan e "em posicao de lideranca" no partido.
Cannon afirmou que era necessario fazer mais perguntas e "verificar as coisas com um pouco mais de cuidado". Isso foi, para dizer o minimo, um eufemismo. Quando Cannon disse essas palavras, Sylvia Ageloff estava detida pela policia mexicana sob a acusacao de homicidio. Mas as acoes de Cannon nao corresponderam com suas palavras. O SWP manteve silencio absoluto em relacao a Ageloff apos a morte de Trotsky, peermitindo que ela se retirasse para o anonimato. O jornal do SWP, The Militant, nao noticiou sua prisao apos o assassinato, e em 1950, quando Ageloff apareceu perante o Comite de Atividades Antiamericanas da Camara, nao fez nenhuma anotacao de seu depoimento
CONTRADICOES ENTRE MITO E REALIDSADE: QUEM FOI SYLVIA AGELOFF?
Esta investigacao examina questoes criticas relativas a Sylvia Ageloff: Qual era sua formacao familiar? Qual foi sua historia politica? Ela tinha contacto pessoais com stalinistas, por meios de amigos ou familiares? Como ela foi apresentada ao movimento e quais contribuicoes ela faz, se houver, que justificaria sua proximidade com Trotsky? O que as autoridades mexicanas acreditam quanto a culpa ou inocencia de Ageloff?Como os fatos se compararam aos alibis de Ageloff?
Essas perguntas agora podem ser respondidas com base em um registro factual, que inclui informacoes relacionadas ao treinamento academico significativo de Ageloff, relatorios da imprensa, observacoes contemporaneas daqueles que conheceram Ageloff e Mercader, declaracoes da familia Ageloff submetidas durante o julgamento mexicano de Ageloff e Mercader, publicacoes sobre o assassinato, relatorios do FBI descobertos pela investigacso do Seguranca e a Quarta Internacional e outros materiais valiosos.
Esta investigacso tambem faz uso de pesquisas que foram recentemente conduzidas em espanhol, incluindo "Acoes Ministeriais no Homicidio de Leon Trotsky" publicada pelo departamento federal de criminologia do Mexico e de autoria do proeminente criminologista mexicano Martin Gabriel Cruz (Instituto Nacional de Ciencias Penais de Mexico, 2918). Este trabalho contem uma analise retrospectiva detalhada da investigacao criminal mais importante da historia mexicana e inclui uma reproducao de processos judiciais criticos no processo contra Ageloff e Mercader. Ele contem um apendice de transcricoes de interrogatorios de testemunhas importantes, incluindo Ageloff e o proprio Mercader.
Este ensaio tambem faz referencias a dois importantes livros em espanhol: O Ceu Prometido: Uma Mulher a Servico de Stalin de Gregorio Luri (Editorial Ariel, 2016); e Ramon Mercader: O Homem do piolet, de Eduard Puigventos Lopes (Now Books, 2015)
E possivel, com base neste registro probatorio, comparar a mitica Sylvia Ageloff com a pessoa real.
A persistencia do mito da "pobre pequena Sylvia" requer aceitacao acritica da persona - a de uma assistente social ingenua e inexperiente, ou seja, o tipo de pessoas que poderia estar escrevendo cartas para Miss Lonelyhearts - que foi anexada a ela pelo SWP e foram depois popularizadas em narrativas cinematograficas ficcionais. A persistencia desse mito depende de ele nunca ser questionado, pois a persona construida nada tem a ver com quem Ageloff realmente foi.
A investigacao comeca necessariamente com um exame da familia Ageloff
SAMUEL AGELOFF
Sylvia Ageloff, nascida em 1909, era filha de Samuel Ageloff (1884-1972) e Anna Maslow (1881-1930), imigrante russos que falavam russos em casa. Samuel nasceu em Lepel, Bielo-Russia e imigrou para os EUA por volta de 1900, casando-se com Anna em 1902. Apos a morte de Anna, Samuel se casou novamente.
Samuel Ageloff se tornou um rico empresario imibiliario na cidade de Nova York. De acordo com Roberta Satow, autora de um relato ficcional da vida das irmas Ageloff intitulado As Duas Irmas de Coyacan:"Ate 1917, ele se interessou principalmente pela reforma de moradias familiares, mas depois foi pioneiro na construcao de garagens publicas. Ele tambem construiu residencias em Coney Island e Bensonhurst e lojas na Flatbush Avenue. Mais tarde, ele construiu predios de apartamentos em Williamsburg e alugou edificios de escritorios por noventa e nove anos e alugou os escritorios, incluindo um predio de escritorios em frente a uma Academia de Musica.
Embora a historia de Satow seja ficticia, as informacoes de fundo que ela reuniu sobre Samuel Ageloff sao factualmente precisas. Suas pesquisas descobriu que Samuel Ageloff construiu 48 casas em Coney Island, 65 em Bensonhurst e muitas lojas na Flatbush Avenue, no Brooklin. Ele construiu as duas torres Ageloff, localizadas na East Third Street e Fourth Street em Manhattan, em 1929. [6]
"Era uma familia muito rica", disse Satow ao WSWS[7] Alem de empresarios de sucesso, a familia incluia artistas e psicologos. O WSWS conversou com Amy Feld, parente dos Ageloffs e psicologa de profissao, que disse que as irmas eram parentes do pintor franco-russo Marc Chagall e do psicologo de renome internacional Abraham Maslow, que desenvolveu a teoria da "hierarquia das necessidades"
Os Ageloffs tiveram quatro filhas: Lilliam (1902-1986, Hilda (1906-1997), Sylvia (1909-1995) e Ruth (1913-2009); e dois filhos: Allan (1903-1997) e Monte (1907-1965). Sylvia veio de uma familia altamente politica, e tres das irmas entraram na politica socialista na juventude.
HILDA AGELOFF
EM 2 de setembro de 1931, o Brooklyn Daily Eagle relatou que Hilda Ageloff havia viajado para a Uniao Sovietica e entrevistado Nadezhda Krupskaya, viuva de Lenin, que era membro da Comissao de Educacaso Publica da Uniao Sovietica, Essa viagem aconteceu dois anos depois que Trotsky foi exilado para a Turquia, quando seus seguidores eram perseguidos pelo regime stalinista na Uniao Sovietica. Krupskaya, que simpatizava com Trotsky, muito antes fora forcada denunciar a Oposicao de Esquerda.
De acordo com o Brooklyn Daily Eagle: A Srta. Hilda Ageloff, de Westminster Road, 198, contou hoje sobre sua entrevista com Madame Lenin, que foi o ponto alto de sua viagem de tres meses e meio a Russia.
Como a srta. Ageloff estava fazendo um estudo especial sobre os novos metodo de educacao progressiva usados nos jardins de infancia e nas creches que cuidam das criancas nas fazendas e cidades comunais, ela desejou perguntar a sra. Lenin muitas perguntas...
Nao foi facil marcar uma entrevista. Muito correspondentes de jornais estrangeiros foram recusados...Mas as dificuldades suavizaram e, finalmente, um dia a Srta. Ageloff se viu na presenca da esposa do homem que a Russia reverencia como seu salvador".
Hilda Ageloff e citada como tendo dito: "Quando eles estavam comecando este trabalho apos a revolucao, nao teriam sido possivel, mas Madame Lenin acredita que o povo foi conquistado para os principios do comunismo" O artigo concluiu: "A propria Srta. Ageloff compartilha um pouco do entusiamo de Madame Lenin e disse que pretende retornar a Russia para trabalhar mais com o movimento de educacso progressista"
Em 27 de dezembro de 1931, o New York Times publicou um artigo com a assinatura de Hilda Ageloff intitulado "O Soviete Empurra o Trabalho Pre-Escolar" Grandes Avancos Relatados. "Esta historia foi o artigo principal em uma serie de domingo intitulada" As tendencias e mares do mundo da educacao moderna"
Seu artigo era um relatorio pro-stalinista do sistema educacional do pais e uma glorificacao dsa burocracia stalinista. Era o tipo de artigo que so poderia ter sido escrito por um stalinista ou um companheiro de viagem stalinista.
O relatorio de Angeloff elogiou especificamente os avancos feitos pelas "autoridades" na Uniao Sovietica "desde a deposicao de Lunarcharsky como Comissario de Educacao Publica". Anatoly Lunacharsky foi deposto de seu cargo em 1929 na tentativa da burocracia de marginalizar qualquer pessoa associada com Trotsky, que havia sido expulso da Uniao Sovietica.
O artigo de Hilda Ageloff elogiou o fato de que "as autoridades agora embarcaram em um programa vigoroso de construcao nos principais centros industriais e regioes agricolas coletivizadas" Continuando sem critica a narrativa stalinista, ela escreveu: "As autoridades estao lutando arduamente" e realmente estao realizando "um grande trabalho humanitario". A maneira pravica, Ageloff escreveu que o sucesso do "proximo plano de cinco anos" "dependera dos jovens comunistas, os pais do futuro"
Enquanto alguns norte americanos puderam viajar para as Uniao Sovietica durante este periodo para fins de intercambio profissional e cultural, marcar um encontro com a viuva de Lenin, uma das figuras mais proeminentes da Uniao Sovietica, para discutir a politica de educacao do Estado foi, como o Brooklyn Daily Eagle observou, "nao e facil de organizar" Hilda Ageloff nao teria sido capaz de se encontrar com a viuva de Lenin sem a aprovacao dadas nos niveis mais altos do governo sovietico, isto e, pelo proprio Stalin. A familia Ageloff tinha a confianca das autoridades sovieticas, que tornaram sua viagem possivel.
Em sua viagem a Europa, Hilda foi acompanhada por suas irmas, embora nao esteja claro se elas foram com ela para a Russia. Mas Gregorio Luri escreveu em sua biografia da familia Mercader: "As tres irmas voltaram aos EUA no final de agosto de 1931, convencidas de que o futuro da humanidade passaria pela URSS. [8]. Nesse ponto, Sylvia teria 22 anos e Ruth apenas 18.
RUTH AGELOFF
Ruth Ageloff, irma mais nova de Sylvia, tambem viveu uma vida politica e se casou em uma outra complicada familia politica.
Segundo Christopher Phelps, autor do livro Young Sydney Hook: Marxist and Pragmatist, Ruth e Sylvia foram convencidas aderir ao American Workers Party/Partido Americano dos Trabalhadores (AWP), partido de esquerdas dirigido pelo pregador radical Aj Muste, por James Burnham e Hook, que eram professores na New York University (NYU) quando Ruth e Sylvia eram alunas la.[9]Chama atencao que Phelpes em uma nota de rodape biografica que as irmas Ageloff "recusaram todas as entrevistas desde entao e se recusaram a ser entrevistadas para esta biografia.[10]
Ruth Ageloff tambem serviu como secretaria de Trotsky na cidade do Mexico no inicio de 1937, quando ela tinha 23 anos. Nao esta claro exatamente como ela obteve esse cargo. Com toda a probabilidade, ela ofereceu seus servicos. Dada a seguranca frouxa mantida pelos trotskystas norte americanos, suas fluencia em russo foi suficiente para permitir que ela fosse enviada ao Mexico. Este foi um metodo empregado pelos stalinistas para infiltrar agentes na pequena equipe do SWP. Apenas um ano depois, em 1938, Sylvia Callen, uma stalinista de Chicago, mudou-se para Nova York e se ofereceu para trabalhar no escritorio nacional do SWP. Em questao de meses, ela se tornou a secretaria pessoal do lider do SWP James P Cannon.
O obtuario de Ruth Ageloff (nome de casado Poulos) do New York Times, publicado em 4 de fevereiro de 2009, diz: "POULOS - Ruth G. 13 de novembro de 1913 a 31 de janeiro de 2009. Viuva de John G. Poulos, filha dos imigrantes russos Anna Maslow e Samuel Ageloff ...Em 1936 {sic} e 37 ela morou na cidsde do Mexico como secretaria de Leon Trotsky e da Comissao John Dewey....[11]
Trotsky so chegou ao Mexico em Janeiro de 1937. Ruth trabalhava para Trotsky no Mexico e, de acordo com Sylvia, fora recomendada por James P. Cannon. O criminologista mexicano Martin Gabriel Barron Cruz escreveu que depois do assassinato, as autoridades mexicanas "questionaram Sylvia a respeito de quem havia recomendado Ruth a Trotsky e ela confessou que tinha sido Cannon, "lembrando que sempre quando qualquer pessoa nos EUA queria se relacionar a Trotsky, isso foi feito atraves do SWP [12]{e desta forma sua irma} obteve um cartao apresentando-a a Trotsky." [13]
A vida politica de Ruth continuou apos seu trabalho no Mexico. Em junho de 1940, apos retornar da cidade do Mexico, casou-se com John Poulos (1911-1980), um sindicalista que ganhou destaque durante o movimento grevista dos anos 1930 e se tornou delegado no congresso de fundacao do Congresso de Organizacoes Industriais em 1938 e um membro do Comite Nacional do SWP, Poulos mais tarde deixaria o SWP para se juntar ao Partido dos Trabalhadores dirigido por Max Schatman. Ele permaneceu ativo no movimento Schachtmanita ate a sua morte e foi um colaborador regular de sua publicacao Acao Trabalhista.
O irmao de Poulos e seu colaborador de longa data, Constantine Poulos, foi empregado durante a Segunda Guerra Mundial pela Overseas News Agency, que foi financiada pela Inteligencia britanica e foi usada para fornecer credenciais de imprensa aos ativos da inteligencia britanica.[14]. Ele tambem tinha uma historia politica complexa e era aparentemente um stalinista. Durante a Guerra Civil Grega, Constatine Poulos foi o primeiro jornalista norte americano a integrar a milicia EAM-ELAS, dirigida pelo Partido Comunista. Apos a Guerra civil, ele serviu como intermediasrio entre os negociadores dos EUA e a direcao stalinista do EAM-ELAS. Constantine foi entao expulso da Grecia pelo governo monarquista por seus lacos com o Partido Comunista. Na decada de 1950, John entrou na lista negra e foi afastado de seu cargo no sindicato United Auto Workers [15].
John Poulos e Ruth Ageloff permaneceram casados ate a sua morte em 1980. Seu filho, Eric Poulos, que havia dado entrevista sobre sua mae e tia, foi contatado por este autor, mas nao respondeu a um pedido de comentario.
SYLVIA AGELOFF
Sylvia Ageloff tinha 29 na primavera de 1938 quando decidiu viajar para a Europa. Desde a viagem de sua irma Hilda a Uniao Sovietica sete anos antes, Ageloff tinha viajado muito, obtido um diploma avancado e se envolvido profundamente na politica socialista.
Alem do ingles, Ageloff era fluente em pelo menos russo e frances. Ela havia terminado o ensino medio com especializacao em teatro. Mais tarde, ela colocaria suas habilidades de atuacao em uso apos o assassinato de Trotsky. Ageloff continuou sua educacao apos se formar no ensino medio. Em uma epoca que era raro as mulheres buscarem uma educacao universitaria, quanto mais uma graduacao avancada, ela concluiu a faculdade com um diploma de psicologia pela Universidade de Nova York. Ageloff entao obteve o titulo de mestre em psicologia infantil na Universidade de Columbia em 1934.
Um relatorio do FBI datado de 3 de setembro de 1940, preparado pelo agente George J Starr, forneceu uma revisao detalhada da historia politica de Ageloff, compilada por meio de entrevista com informantes.
Ageloff apoiou o reverendo radical Aj Muste, tasnto no Congresso para a Acao Trabalhista Progressita (CPLA) quanto no AWP, que foi fundado em 1933. Ela entao se juntou ao Partido dos Trabalhadores (EUA) - o produto da fusao entre a AWP e a Liga Comunista Trotskysta da America (CLA) em dezembro de 1934.
O relatorio do FBI explicou que Ageloff inicialmente se juntou ao AWP com suaas irmas.
O Partido dos Trabalhadores (EUA) foi uma formacao politica ampla e heterogenea formada quando a Grande Depressao e a onda de greves radicalizaram amplo setores da classe trabalhadora e da classe media. A fusao com a AWP tinha como objetivo fornecer ao movimento trotskyistas americano um ambiente mais amplo no qual pudesse educar e conquistar as camadas radicalizadas para o marxismo genuino.
O AWP era composto de radicias e lideres trabalhistas que haviam ganho destaques na greve da Toledo Auto-Lite em 1934, bem como atraves ds formacao de conselhos de desempregos do partido, principalmente no meio-oeste industrial e nas empresas empobrecidas regioes ds Apalaches. O AWP era amorfo na composicaso social e ecletico na promocao da politica socialista. Mas se opos ao stalinismo e conquistou seguidores importantes entre os trabalhadores e os desempregados.
A fusao com o movimento trotskyista pertubou a direita do AWP, fazendo com que lideres da AWP como Louis Budenz e Henry Howe rompesse com o Partido dos Trabalhadores (EUA) e se unissem ao movimento stalinista. A fusao tambem pertubou a secao dos afluentes cristaos progressistas que haviam apoiado financeiramente Muste e o AWP, desde que isso envolvesse principalmente um apoio radical aos desempregados. Esses apoiadores financeiros foram se afastando enquanto Muste e seu movimento flertavam com a politica revolucionaria.
Poucos meses depois de sua formacao em 1934, o Partido dos Trabalhadores (EUA) foi lancado em uma serie de conflito sobre a proposta dos trotskyistas de entrada no Partido Socialista (SP), que vinha passando por um crescimento de membros e sua radicalizacao de suas linhas politica.Quando a faccao trotskyista no Partido dos Trabalhadores (EUA) entrou no SP em 1936 o Partido dos Trabalhadores (EUA) deixou de existir.
Ageloff, primeiro dentro do SP e depois dentro do SWP, era aparentemente proxima do grupo de trotskyistas de Nova York em volta de Martin Abern, um ex-membro ds IWW e lider do movimento da Juventude Comunista na decada de 1920. Ele foi expulso do Partido Comunista em 1928 por seu apoio a Trotsky e se tornou um membro fundador do CLA, junto com Cannon e Schchtman. Embora Abern tenha desempebhado um papel corajoso na fundacao da CLA, sua tendencia a panelinha fez dele um polo de atracao para elementos pequenos burgueses, especialmente na secao do partido em Nova York
Ageloff tornou-se membro do Partido Socialista dos Trabalhadores/SWP na sua fundacao em janeiro de 1938, mas apoiou a tendencia de oposicao da minoria lideradas por Schchtman e Abern durante a luta de faccoes de 1939-1940.. Em abril de 1940, ela deixou o SWP e se juntou ao Partido dos Trabalhadores, fundado pela minoria depois que ele deixou o SWP.
A FORMACAO DE AGELOFF COMO PSICOLOGA ESPECIALISTA
Em sua vida profissional, Ageloff foi uma psicologa especialista, treinada para observar as pessoas com atencao e ouvir o que elas dizem. Sua tese de mestrado, intitulada "UM estudo de fatores de "prestigio" e "objetivo" na sugestionabilidade em uma comparacao de diferencas raciais e sexuais" permanece arquivada na Biblioteca Butler da Universidade de Columbia. Sua pesquisa a levou a concluir que os individuos sao psicologicamente suscetiveis a abandonar o bom senso quando pressionados por pessoas que respeitam. Era uma area curiosa de especializacao para uma mulher que mais tarde alegaria que ela mesma foi enganada por Mercader..
A American Psychological Association (APA) define "sugestionabilidade" como "uma inclinacso para adotar prontalmente e sem criticas as ideias, crencas, atitudes ou acoes de outras". A APA define "sugestao de prestigio", que foi o foco especifico da tese de Ageloff, como "uma mensagem cuja persuasao deriva de sua entrega ou atribuicao a uma pessoa de status reconhecido."
A dissertacao de Ageloff testou alunos negros e brancos para determinar sua suscetibilidade as declaracoes de uma figura que eles respeitavam - seu professor - mesmo quando as diretrizes do professor se tornaram cada vez mais duvidosas e inadequadas. Ageloff descreveu sua abordagem: "Propomos aqui estudar as diferencas entre os mesmo grupos raciais, a saber, brancos e negros, mas com uma serie de testes"com o objetivo de medir "a influencia pessoal do experimentador". Ela previu que, quando uma crianca foi influenciada por uma figura respeitada, "o sujeito pode mostrar uma tendencia a formar julgamentos erroneos" ou "agir como uma imitacao ou sob a influencia de outra pessoa", ao contrario de quando a criancsa meramente recebeu sugestoes por escrito ou orais de um estranho. [16]
Eric M Gurevitch, parente das irma Ageloff e autor do artigo de 2015 "Pensando com Sylvia Ageloff, publicado no Hypocrite Reader, foi a primeira pessoa a verificar a tese de Ageloff na biblioteca de Columbia. Em uma entrevista com este escritor, Gurevitch disse: "As vezes ela e descrita como a idiota enganada, as vezes ela e a mulher judia sexualmente frustrada e feia, ou variacoes disso. Mas esses sao apenas cliches e tropos" Ele acrecentou mais tarde: "O que quer que alguem pense que aconteceu, ela nao e estupida".[17]
Gurevitch explicou: "A dissertacao, sua tese de mestrado, e claramente algo que foi produzido sob a orientacao de psycologos sociais realmente de ponta. Ela tem uma nocao real deste novo campo emergente da psicologia social."
"Sua pesquisa e sobre essa ideia de quem e ingenuo" disse Gurevitch. "A parte engracada de tudo isso e que a historia e inteiramente sobre como voce se conforma com as coisas que outras pessoas querem impressionar em voce. E curioso que isso seja algo em que ela esteja realmente interessada"
Roberta Satow, autora de Duas Irmas de Coyoacan, que tambem e psicanalista de profissao, explicou: "A sugestiobilidade e uma forma de seducao, se voce quiser. E ela foi seduzida, entao, e fascinante que este tenha sido o assunto de sua dissertacao [18]
A historia de que Ageloff foi "enganada" e plausivel apenas se aceitarmos que ela nunca consisderou a possibilidade de estar sendo enganada. Mas, como mostra sua tese, Ageloff havia estudado em profundidade o proprio fenomeno do qual ela foi ostensivamente vitima pouco anos depois..
VERAO DE 1938: AGELOFF VIAJA A EUROPA PARA A CONFERENCIA DE FUNDACAO DA QUARTA INTERNACIONAL
|A viagem de Ageloff a Europa no verao de 1938, durante a qual conheceu Mercader (que se autodenominava "Jacques Mornard"), foi uma experiencia crucial em sua vida. Sua viagem nao foi um periodo de ferias, como ela diria mais tarde. Em vez disso, um exame de sua atividade na Europa estabelece que Agleoff estava engajada no trabalho politico relacionado a preparacao da conferencia de fundacao da Quarta Internacional, que foi realizada em setembro de 1938. No livro This is My Story, o lider do Partido Comunista Louis Burdenz, que em 1938 estava gerenciando os esforcos da GPU para se infiltrar no SWP, referiu-se a Ageloff como um "mensageiro" do movimento trotskyista.
A viagem de Ageloff a Europa teve como pano de fundo o Grande Terror de Stalin e uma campanha assassina do GPU para exterminar membros da Quarta Internacional na Europa. Nao era a hora nem o lugar para um trotskyista tirar ferias pessoais. O contexto de sua viagem torna a escolha de uma companheira de viagem, a stalinista Rub Weil, ainda mais inexplicavel.
Em fevereiro de 1938, semanas antes de Ageloff decidir viajar para a Europa, a rede GPU assassinou o filho de Trotsky, Leon Sedov, na Clinique Mirabesau em Paris. O agente da GPU, Mark Zborowski, cujo nome de partido dentro do movimento trotskyista frances era Etienne, forneceu a GPU informacoes criticas que lhe permitiram realizar o assassinato. Zborowski tambem ajudou a preparar tres outros assassinatos: o de 1) Erwin Wolf, um secretario politico de Trotsky, que foi assassinado pela GPU apos entrar na Espanha em julho de 1937; 2) Ignace Reiss, que desertou da GPU e foi assassinado na Suica em setembro de 1937; e 3) Rudolf Klement, secretario da Quarta Internacional, assassinado em Paris em julho de 1938.
Em meio a essa carnificina, onde os trotskyistas eram alvos dos stalinistas, Sylvia Ageloff viajou a Paris com alguem que ela sabia ser um stalinista ativo: o agente da GPU Ruby Weil. [19]
O QUE SYLVIA AGELOFF SABIA EM 1938 SOBRE SUA PARCERA DE VIAGEN, A AGENTE DA GPU RUBY WEIL
Ageloff mais tarde alegou que nao sabia que Weil era um agente stalinista e comcordou viajar com ela para Europa porque eram amigas. Essa amizade se tornou um aspecto critico da historia stalinista para introduzir Mercade/Monard no meio trotskyista. Se alguem lhe perguntasse como entrou em contacto com o movimento, ele poderia inocentemente explicar que sua conhecida, Rubi Weil, o apresentou a amiga dela Sylvia.
Mas se Sylvia sabia que Rubi Weil estava no Partido Comunista, porque ela viajaria com Weil a caminho para preparar a conferencia secreta de fundacao da Quarta Internacional, especialmente durante o Grande Terror Stalinista e sob as condicoes em que a GPU estava matando trotskyistas em Paris e atraves da Europa?
Rastrear o que Sylvia Ageloff e suas irmas sabiam sobre os Weils na epoca em que decidiram viajar para a Europa juntas requer uma revisao das declaracoes feitas apos o assasinato de Trotsky.
Em dezembro de 1950, Sylvia e Hilda Ageloff foram chamadas parsa testemunharem perante o Congresso sobre o assassinato de Trotsky e o papel do GPU nele. Ambas as irmas testemunharam que sabiam que Weil era ativo no movimento stalinista: "Os rumores eram que ela estava ingressando no Partido Comunista", disse Sylvia Ageloff sob juramento. [20]
Em seu depoimento, Hilda Ageloff explicou que conheceu Ruby Weil "no American Workers Party ao qual pertenciamos em 1936 ou por ai.{sic: o AWP fundiu-se com o trotskysta CLA em dezembro de 1934 e deixou de existir como uma organizacao independente} Ruby Weil trabalhou no jornal com seu cunhado, Harry Howe. Foi assim que a conheci. Depois disso, ela deixou o partido e parou de trabalhar no jornal. Harry Howe tambem deixou o jornal, eu creio"[21]
|Em 1940, Sylvia Ageloff disse a policia mexicana durante um interrogatorio logo apos o assassinato de Trotsky que, na epoca em que concordou em viajar com Rubi Weil ela tinha conhecimento das afiliacoes stalinista dela. Uma transcricao de uma entrevista policial diz" " ela sabia que o marido de uma das irmas (Weil), chamado Harry Howe, havia pertencido ao AWP e que mais tarde ele se filiou aos stalinistas. Howe mora atualmente em Nova York, mas ela nao sabe o endereco dele."[22]
Harry Howe nao era apenas um defensor comum de Aj Muste. Em 1935, Howe tinha sido o editor associado do New Militant, o jornsl do Partido dos Trabalhadores (EUA) que foi formado apos a uniificacao do Musteite AWP e do Trotskyista do CLA. O nome de Howe aparece ao lado de Casnnon na lista de editores do jornal.[23] Howe foi um membro proeminente da New York Labour School, dirigida pelo Congress for Progressive Labour Action, dirigido por Muste, e foi listado como um conferencista em um curso sde 1932 sobre jornalismo trabalhista. [24]
Cartas particulares mostram que Howe foi muito hostil a fusao com os trotskystas. Uma carta de 1934 escrita por Howe a um membro da AWP deixa clara sua hostilidade ao trotskyismo: "Estamos nos movendo na direcao daquele sectarismo que negamos tao veermente". O partido estava "indo para a esquerda muito rapido...Estou ficando bastante farto desse negocio de competir com todos os outros grupos pequenos pela pureza revolucionaria.[25]
A esposa de Muste era irma de Rubi Weil,, Marion Weil. Mais tarde, em uma comunicacao de 25 de setembro de 1940 do consulado mexicano ao Departamento de Estado dos EUA, foi revelado que Joseph Hansen havia dito ao governo dos EUA que Sylvia Agelof sabia, quando decidiu viajar com Ruby Weil, que sua irma Marion tambem era stalinista e que uma terceira irma Weil, Gertrude, tambem pode ter estado envolvida nos arranjos do encontro entre Ageloff e Mercader. A comunicacao divulgada por meio da Seguranca e a Quarta Internacional, diz:O Sr. Hansen insinuou que informacoes valiosas podem ser obtidas da seguinte maneira: o Departamento se lembrara da mencao anterior em despachos [sic]deste escritorio de Rubi Weil. Ela, segundo Hansem, e uma das tres irmas, sendo as outras duas chamadas Gertrude e Marion.[27] A primeira e casada com um rabino, mora em Albuquerque, Novo Mexico; nunca se envolveu em politica de nenhum tipo. embora fosse aquela que Marion mencionou em uma carta enderecada a Sylvia Ageloff, em Paris, como estando interessa em que Sylvia conhecesse Jacson. A explicacao de Hansen para o uso do nome de Gertrude nesta conexao e que Marion e ha muito tempo uma stalinista fanatica e devota, e se ela se mostrar como a parte interessada em um encontro entre Jacson e Sylvia, esta poderia ter [sic] razao para suspeitar de seus motivos.
O Departamento poderia conseguir Gertrude algumas valiosas informacoes. Hansen disse que essa informacao foi dada por Sylvia a seu irmao, Monte.
Hilda Ageloff mais tarde testemunhou que as irmas Ageloff conheciam Marion Weil na epoca em que Sylvia Ageloff viajava com Riby Weil: "Uma vez liguei para Marion, a irma dela (de Rubi), perguntei como ela estava, e ela disse que estava tudo bem."[28]
JULHO DE 1938: AGELOFF E "JACQUES MORNARD" SE ENCONTRAM EM PARIS
No inicio de julho em Paris, de acordo com a versao incontestada da historia, Weil, apresentou Ageloff a "Jacques Monard". Ele tratou Ageloff com generosidade e a seduziu a se apaixonar por ele. Mornard disse que era um jornalista esportivo, escrevendo para jornais como La Nacion Belge, Le Soir, Les Dernieres Nouvelles, Auto e Les Sports.[29]. Ele tinha muito dinheiro para gastar, disse ele, porque era filho de um diplomata belga que havia morrido em 1926.
Em declaracao tomada pela policia mexicana apos o ataque, Ageloff explicou que nunca o viu trabalhar ou leu seus artigos publicados. Ela "aceitou como verdade o que Jacson disse a ela" , usando o nome "Jacson", que ele usou ao chegar a America do Norte em 1939. Ele "sempre teve muito dinheiro e frequentou os melhores lugares", continuou Ageloff [30]
A primeira pergunta obvia e porque Ageloff, uma intelectual altamente educada e supostamente uma revolucionaria socialista comprometida com responsabilidade de alto nivel no movimento trotskysta, mergulharia sem pensar em um relacionamento com um playboy rico, cuja familia - se desse para acreditar no que ele dizia - teve ligacoes diretas com o estado reacionario belga
De qualquer forma, era flagrantemente obvio, desde os primeiros estagios do relacionamento de Angeloff com Mornard, que seu novo amante nao era pessoa de confianca. As circunstancias de seu encontro inicial eram improvaveis e haviam contradicoes gritantes em sua narrativa pessoal. E dado o contexto politico - os Julgamentos de Moscow e o terror stalinista na Uniao Sovietica e os assassinatos de trotskystas na Espanha (Erwin Wolf), Suica (Ignace Reiss) e Franca, (Leon Serdov e Rudolf Klement) - e impossivel que Ageloff nunca considerou a possibilidade de que Mornard fosse um agente stalinista
notas a seguir. - continua Parte 2
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