Friday, 17 April 2026

DA TRAICAO DAS DIRECOES A INTEGRACAO MATERIAL: UMA NOVA LEITURA SOBRE A PARALISIA DO PROLETARIADO E A LUTA ANTI-IMPERIALISTA

INTRODUCAO :50 ANOS DE CAMINHADA E A NECESSIDADE DE REPENSAR A TEORIA -Ha mais de 50 anos, ingressei na luta política dentro do trotskismo, mais especificamente no Workers Revolutionary Party, (WRP), liderado por Gerry Healy. Durante décadas, acreditamos firmemente em uma premissa central: a revolução seria fruto da consciência do proletariado industrial, e a principal causa dos fracassos históricos e da paralisia das massas era a traição das direções burocráticas e reformistas. Para nós, a crise não era do sujeito revolucionário, mas de sua liderança. Bastava  nos, (assimilando a dialética hegeliana reconstruída materialisticamente por Lenin, no Caderno de Anotações da Lógica de Hegel, volume 38 de sua Obra Coletiva), construir o partido corretamente , com a linha política adequada, para que as massas proletarias retomassem a estrada da transformação socialista.

No entanto, a realidade das últimas décadas impos desafios que essa visão não conseguia explicar. Por que, mesmo diante de crises econômicas profundas, de guerras e de exploração crescentes, o proletariado não reagia como esperávamos? Por que as massas populares aceitava repetidamente acordos,bgovernos e lideranças que, na pratica, traziam seus interesses fundamentais? Por que, ao invés de avançar na luta de classes, víamos o crescimento do reformismo, do nacionalismo, do racismo e, mais recentemente, da política identitárias? Foi nesse processo de questionamento que entrei em contato com as obras de May Shaun, J Sakey, Zak Cobe e Loren Goldner, que abriram uma nova perspectiva: a paralisia, apatia das massas proletarias não e apenas frutos de erros políticos, ou de traições subjetivas, mas tem uma base material profunda. O sistema capitalista não só explora, mas integra setores da própria classe  proletaria em sua lógica, transformando parte dos explorados em cúmplices, mesmo que menores, da exploração.
Essa exposição e uma síntese das leituras das obras dos mencionados autores. Ela busca unir minha experiencia de militante , com essas novas análises, oferecendo uma visão mais completa sobre o funcionamento do sistema, a realidade da América Latina e os desafios que a luta revolucionária enfrenta hoje - em particular minha apreensão que o proletariado do  Global Sul não pode contar com o apoio da classe trabalhadora dos países centrais do imperialismo no Global Norte, que se tornou uma aristocracia proletaria integrada ao sistema vampirico imperialista.

CAPITULO 1:  A VISAO TRADICIONAL E OS SEUS LIMITES
Para a tradição trotskysta da qual venho, a história da classe trabalhadora e marcada por uma série de traições. Desde a adesão social democratas a Primeira Guerra Mundial em 1914, passando pela burocratização e o restabelecimento do  capitalismo  na União Sóvietica, o apoio de setores de grupos de exquerda que clamam ser revolucionários as "revoluções coloridas" da CIA, USAID e  ONGs da Soros Foundations, na Libia, Síria e Ucrânia, os acordos de classes e a cooptação dos sindicatos nos dias atuais, a explicação era sempre as mesmas: as direções traíram, continua traindo as massas proletarias.
Essa visão tem méritos históricos. Não se pode negar que lideranças políticas e sindicais movidas por interesses de poder ou por uma visão reformista, abandonaram a perspectiva de transformacao social e passaram administrar o sistema capitalista em nome da "estabilidade" e do "diálogo social". Mas essa explicação tem um limite fundamental: ela não responde a pergunta que sempre me inquietou: por que as massas aceitam essas traições?
Se as massas fossem realmente potencialmente revolucionárias por natureza, como acreditávamos, bastaria que a direção correta aparecesse para que elas abandonassem as lideranças traidoras e retomassem as lutas. Mas a realidade mostrou que, muitas vezes, as massas proletarias não só aceitam as traições, mas defendem as lideranças que traíram. Elas parecem não aprender com as lições do passado, repetindo padrões de comportamento que, no longo prazo, levam a sua própria derrota.
Foi esse impasse que me levou buscar novas explicações, que fossem além da análise política e mergulhassem na estrutura econômica e social do capitalismo moderno. E foi aí que a obra desses quatro  autores se tornou uma peça chave para a minha compreensão.

CAPITULO 2: MAY SHAUN E A TRANSFORMACAO DO PROLETARIADO NO CAPITALISMO GLOBALIZADO
May Shaun, também ex membro do ERP de Gerry Healy, ex líder sindical, desenvolveu em seu livro Capitalismo in Crisis: Trade Union and the Question of Agency, uma análise que rompe com as premissas tradicionais  do trotskysmo e que confirma a minha apreensão.
 2.1 O FIM DO PROLETARIADO QUE MARX CONHECEU 
May Shaun parte de uma constatação irrefutável: 0 proletariado industrial que Marx descreveu no Século XIX - concentrado nas fábricas da Europa e dos Estados Unidos, ligado diretamente a produção de valor e com um interesse objetivo em derrubar o sistema -  não existe mais nos países centrais do imperialismo. A globalização e a reestruturação produtiva do capitalismo transferiram a maior parte da produção industrial para os países do Sul Global, onde a mão de obra e dez a vinte vezes mais barata e a exploração pode ser mais intensa.
Essa mudança não foi apenas uma alteração geográfica da produção; ela transformou profundamente a natureza da classe trabalhadora em todo o mundo. May Shaun escreve::
("0 proletariado que Marx conheceu -  concentrado, organizado, ligado diretamente com a produção de valor e com um interesse objetivo em derrubar o sistema -  foi desmantelado nos países centrais. O capitalismo ao se globalizar, separou a produção do consumo, e transformou a classe trabalhadora do Ocidente em um grupo que não produz mais o valor que sustenta o sistema, mas apenas o consome."Capitalism in Crisis" pág 45)
Para Mat, a classe trabalhadora dos países centrais do imperialismo, os países ricos, deixou de ser a principal classe produtora de mais-valia. Hoje,vessa funcao e desempenhada pelo proletariado do Sul Global, que trabalha em condições de super-exploracao para produzir os bens que são consumidos nos países centrais imperialistas.

2.2 A CLASSE TRABALHADORA OCIDENTAL COMO "CONSUMIDORES DE ULTIMA INSTANCIA"
Uma das ideias mais importantes de Mat Shaun e a de que a classe trabalhadora dos países ocidentais se transformou em  "consumidores de última instância"  - (uma tese proposta pela primeira vez,em relação com os EUA por Michael Hudson, Super Imperialismo) - Eles não produzem mais o valor que garante o seu padrão de vida; esse valor e produzido por trabalhadores do Sul Global, e transferido para o Norte Global através de mecanismos comi o intercâmbio Desigual, que veremos mais adiante na análise de Zak Cope.
Essa condição transformou a natureza dos interesses da classe trabalhadora Ocidental. Eles não tem mais um interesse objetivo em derrubar o sistema, pois o sistema e a fonte do seu bem estar. Pelo contrário, eles tem um interesse direto em manter o sistema tal como ele e, pois qualquer mudança que afete o fluxo de valor do Sul para o Norte Global significaria a queda do seu padrão de vida.

 (" A classe trabalhadora dos países ocidentais não e mais explorada no sentido clássico. - ou, pelo menos, não e explorada na mesma medida que os trabalhadores do Sul Global são. Eles recebem uma parte do valor extraído da periferia, e por isso se tornam cúmplices da exploração. Para eles, o capitalismo não e uma fonte de sofrimento, mas sim a garantia do seu emprego, do seu salário, dos seus serviços sociais e do seu padrão de vida" - Capitalism in Crisis, pag 62:-)
E por isso que, segundo Mat Shaun, não podemos mais contar com o apoio da classe trabalhadora Ocidental para a luta revolucionária. Eles não vão aliar-se aos trabalhadores do Sul Global, pois isso significaria abrir mais dos seus privilégios. Pelo contrário, eles vão defender o sistema que lhes garante esses privilégios, mesmo que isso signifique apoiar governos de direita, políticas racistas e medidas que aumentem a exploração dos países pobres.

2.3 O CRESCIMENTO DO NACIONALISMO, RACISMO E FASCISMO NO OCIDENTE
May Shaun explica exatamente por que vemos o crescimento de movimentos nacionalistas, racistas e fascistas nos Estados Unidos e na Europa: e a reação da classe trabalhadora Ocidental a ameaça de perder seus privilégios.
Quando a crise global do capitalismo global reduz I fluxo de valor do Sul para o Norte, o padrão de vida da classe trabalhadora Ocidental começa cair. Em vez de culpar o sistema capitalista, eles culpam os imigrantes, os povos do Sul Global e os movimentos que lutam por igualdade. Eles acreditam que, se fecharem as fronteiras e opuserem a "invasao" de estrangeiros, eles poderão manter os seus privilégios.

("O nacionalismo, o racismo e o fascismo não são fenômenos acidentais ou fruto da ignorância das massas. Eles sai a expressão política dos interesses da classe trabalhadora Ocidental, que se vê ameaçada pela queda dos seus privilégios. Em vez de lutar contra o sistema que gera a desigualdade, eles lutam contra aqueles que são ainda mais explorados do que eles, para garantir que o fluxo de valor continue chegar até eles"- Capitalismo in Crisis pág 87).
Essa análise confirma minha tese: o proletariado do Sul Globak não pode contar com o apoio da classe trabalhadora dos países imperialistas. Essa classe se tornou parte do sistema, e a sua luta e para manter os seus privilégios, não para transformar o mundo.

2.O FIM DA FUNCAO DIS SINDICATOS COMO ESCOLAS PARA REVOLUCAO
May Shaun também analisa a transformação dos sindicatos, que na tradução trotskystas eram vistos como as escolas da revolução. Para ele, os sindicatos dos países ocidentais, deixaram de ser organizações de luta de classe e se TRANSFORMARAM em instituições que administram os interesses da aristocracia operária dentro do sistema capitalista.
Os sindicatos não lutam mais por uma transformação radical da sociedade, eles lutam apenas para manter os salários e benefícios de seus membros, mesmo que isso significa apoiar políticas que prejudicam os trabalhadores do Sul Globak. Eles se tornaram na pratica, instrumentos de integração da classe trabalhadora Ocidental no sistema imperialista.

("Os sindicatos dos países Ocidentais não são mais organizações de classes, eles são organizações de defesas de privilegios.Eles não querem acabar com o capitalismo; querem que o capitalismo continue funcionando  de forma a garantir que os seus membros mantenham o seu padrão de vida. E por isso que eles se aliam a governo e as empresas e abandonam qualquer perspectiva internacionalista" - Capitalismo in Crisis pág 112.)

CAPUTULO 3:  J SAKEI E O VAMPIRISMO DO VALOR: O IMPERIALISMO COMO SISTEMA PARASITA
Se Mata Shaun descreve a transformação da classe trabalhadora Ocidental, J SAKEI, autor dos livros They Settlers:The Mythology of the White Proletariat e The "Dangerous Class" and Revolutionary Theory desenvolve a metaforavdo vampirismo para explicar  como o sistema funciona como um todo. Para SAKEI, o capitalismo imperialista não e apenas um sistema economico; e uma relação social que suga a vida, o trabalho e o futuro dos povos oprimidos para manter a prosperidade do centro.

3.1. O IMPERIALISMO COMO SISTEMA QUE SUGA "SANGUE"
SAKEI argumenta que as potências ocidentais não conseguem mais se sustentar apenas com o trabalho dos seus próprios trabalhadores. Elas precisam existir parasitariamente sobre o trabalho super-explorado das nações oprimidas e das minorias nacionais, tanto no exterior quanto dentro das  próprias fronteiras  dos países ricos.

("Norte América e tai decadente que não tem um proletariado próprio, mas precisa existir parasitariamente sobre o proletariado colonial das nações oprimidas e das minorias nacionais. Verdadeiramente, uma Babilônia, "cuja vida era a morte"-Settlers pag 11).
Essa metáfora não é apenas poética: ela e a uma descrição precisa da realidade. Todo o bem estar social,vos salários mais altos, os serviços públicos e o padrão de vida dos países ricos são, na verdade, sangue roubado  de outras partes do mundo.

("Todo o sistema de privilégios dos colonos brancos, desde o salário mais alto até os serviços sociais e um sangue roubado. Não é produto do trabalho daqui (dos EUA), mas do trabalho escravo, do trabalho super explorado no Sul Global e do trabalho forçado dos presos e colonizados internos"  Settlers pág 47)

3.2. A CLASSE TRABALHADORA DIS PAISES IMPERIALISTAS COMO CUMPLICE DO VAMPIRISMO
O ponto mais polêmico e, aí mesmo tempo mais esclarecedor de SAKEI e sua análise da classe proletariados países ocidentais, que confirma e amplia o que Mat Shaun já havia dito. Para SAKEI, o que Marx chamou de proletariado se transformou, aí longo do tempo, em uma aristocracia operária. Essa classe não é mais explorada no sentido clássico; ela se tornou parte do sistema de exploração, recebendo uma parte dos despojos do roubo imperialista.

("O que Marx chamou de proletariado, na Europa e na América do Norte, se transformou numa aristocracia operária, que em vez de vender sua força de trabalho para sobreviver, vive da apropriação do trabalho alheio. Eles não são explorados - eles são os exploradores menores, que compartilham os despojos do vampirismo imperialista"- Settlers pág 62).
E por isso que essa classe não tem interesse real em derrubar o sistema. Para ela, o capitalismo não é uma fonte de sofrimento, mas sim a fonte do seu bem-estar. Ela defende o sistema com unhas e dentes, e aceita as traições das suas lideranças por que essas traições garantem a continuidade do fluxo de riqueza que a sustenta.

("Está classe não tem interesse em derrubar o sistema, pois o sistema e a fonte do seu bem-estar. Ela é como um parasita que, aí invés de atacar o corpo que a sustenta, defende-o com todo o seu poder" vSettlers página 88)

3.3 O LUPEMPROLETARIADO E A RECICLAGEM DO ESTADO

Sakey tambem retoma e atualiza o conceito de lupemproletariado, que Marx havia descrito como a "classe perigosa", mas que ele via com desconfiança. Para SAKEI, o lupemproletariado  -  os marginalizados, os desempregados crônicos, os trabalhadores informais, os excluídos do sistema produtivo -  e uma força ambivalente. Por um lado, eles são os unicos que não tem nada a perder com a derrubada do sistema, por outro, eles são alvo  facilvda manipulação do Estado.
No capítulo intitulado RECYCLINGVTHE LUMPEN: COUNTER-INSURGENCY & THE STATE, ele explica como o sistema aprendeu usar essa força a seu favor. O Estado não reprime apenas; ele recicla. Ele transforma gangues, organizações de ruas e grupos marginalizados em instrumentos de repressão, pagando-os com migalhas para que lutem contra os movimentos revolucionários evdespolutizemvas comunidades oprimidas:

("O Estado recicla o LUMPEN como instrumento de repressão precisamente por causa do vácuo deixado pela falha da esquerda em se envolver com a "classe perigosa" página 14

Para Sakey a única maneira do movimento revolucionariovevitar que o lupemproletariado seja "reciclado" pelo Estado, (como no caso do ISIS ou das gangues de Chicago) e integra-losvorganicamente na luta, tratando-os não como "escórias", mas como uma foelrca cujas habilidades de sobrevivência e ilegalidade são necessárias para derrubar o sistema.
SAKEI argumenta que o movimento revolucionário deve oferecer uma alternativa de identidade e propósito que supere a oferta do Estado ou do fascismo.
Aqui estão os pontos principais da estratégia de SAKEI:
3.2 SUPERAR 0 ESTIGMA E O PRECONCEITO TEORICO
SAKEI crítica a esquerda tradicional por olhar o lumpen com  "despreso moralista", o que acaba empurrando essa classe para os braços da reação. Para ele o revolucionário deve entender o lumpen Como uma classe desligada que tem um potencial radical unico
Sakayvdedica parte do livro  aí que chama de "laboratório de Não, que havia percebido que, na China, os "elementos desclassificados" (soldados, vagabundos,cbandidos,camponeses sem terras)ceram os mais corajosos no campo de batalha. A estratégia de Mão não foi ignora-los, mas dar-lhes uma ideologia clara.
Para evitar que o lumpen, o precariado seja recrutado pelo imperialismo (como "ferramentas subornadas") Sakei defende  que o movimento revolucionário deve ser capaz de fundir o proletariado consciente com o lumpen radical em uma nova força de combate. Se o movimento não "ocupar" a vida dessas pessoas, o Estado o fará através do crime ou do para militarismo.
3.3 A ILEGALUDADE COMO VANTAGEM
SAKEI observa que o lumpen javvive fora da lei. O movimento revolucionário deve usar essa "experiência na ilegalidade" em vez de tentar transformá-los em trabalhadores disciplinados de fabricas
 RESUMINDO A LOGICA DO SAKEI

A única forma de impedir que o Imperialismo crie ISUS, Esquadrões da  Mortes, milícias a partir do lumpen e a esquerda revolucionária ser mais radical e mais organizada nas ruas do que os serviços de Inteligencias. Para SAKEI, a neutralidade,ou o despreso pelo lumpen e, na pratica, uma ajuda ao imperialismo

CAPITULO 4: ZAK COPE  E A MECANICA DE TRANSFERENCIA DE VALOR

Dado que a obra de Zak Cobe já foi sumarizada neste meu blogger, serei breve com ele aqui. Eu só diria se SAKEI explica a dimensão política e social do vampirismo imperialista, Zak Cobe nos seus livros Divided World and Divided Class e The Wealth of(some) Nations, fundamenta essa análise na economia, que com dados e números demonstra como o valor produzido pelos proletários do Sul Global e sistematicamente transferido para o Norte Global mantendo a desigualdade e a exploração. Para ele o principal mecanismo para a transferência de valor e a troca desigual. O países do Sul Globak exportam matérias-primas e produtos de baixo valor agregado a preços baixos,vê quanto importam produtos manufaturados e serviços de alto valor agregado a preços altos. Essa diferença de preços significa que, a cada transação, bilhões de dólares de trabalho não pagos são transferidos do Sul Global para o Norte
Diz ele:("O que chamamos de "comércio internacional"não e uma troca igual, mas um processo pelo o qual o Norte Global extrai, ano após ano, bilhões de dólares do trabalho não pago da regiao. Isso não é desenvolvimento Desigual,- e exploração pura e simples, onde o valor criado por camponeses, operários e trabalhadores precários da América Latina flui como sangue para as esovmconomias centrais" The Wealth of (some) Nations - pág 87
Cope calcula que a América Latina, por exemplo, transfere anualmente um valor equivalente várias vezes o seu PIB para os países ricos. Esse valor não é fruto de investimentos produtivos, mas roubo ouro e simples.

4.1 A CRIACAO DE CUMPLICES LOCAIS

Um dos pontos que mais ressoou com a minhas observacoesvsobrevavrealidade na América Latina e a análise de Cope sobre a existência de cúmplices LOCAIS. O IMPERIALISMO não explora apenas de fora, ele cria aliados dentro dos próprios países oprimidos, que se beneficiam da exploração e, por isso defendem o sistema.
Esses cúmplices incluem a burguesia local, os burocratas estatais, as elites políticas e o que mais importantes para a nossa análise, setores privilegiados da própria classe trabalhadora. Esses setores recebem uma parte dos despojos da exploração, na firma de salários mais altos, benefícios sociais e acesso ao consumo e estabilidade no emprego. Eles se tornam, na pratica, "vamoiris menores", que vivem as custas da exploração li dos setores mais pobres da população e da pilhagem dos recursos naturais do seu próprio país.
E por isso que, mesmo na América Latina, vemos setores da classe trabalhadora apoiando governos reformistas ou mesmo da direita. Eles não o fazem por ignorância, mas porque tem um interesse material na manutenção do sistema.

4.3 A EXPLICAÇÃO PARA A PARALISIA

A Análise de Cope responde diretamente a pergunta por que as massas populares aceitam traições? Porque para esses setores privilegiados,a traição não é algo negativo. Pelo contrário, ela e a garantia da manutenção dos seus benefícios. A revolução, que para nós e a solução para a exploração, para esses setores mais privilegiados aparece como uma ameaça, pois significaria o fim dos seus pequenos privilégios e a perda do acesso ao consumo e a estabilidade.

5 LOREN GOLDNER E A DECADÊNCIA DO CAOITALISMO

SE Sakai explica a dimensão política e Cope a dimensão econômica, Loren Goldner completa essa visão com a análise da decadência do capitalismo e da transformação da própria relação de classe. Ele une a crítica da economia política com a história dos movimentos operários, mostrando que a paralisia do proletariado não é um fenômeno passageiro, mas sim o reflexo de uma mudança estrutural no sistema.

5.1 A AMERICA LATINA COMO "FACE REAL" DO CAPITALISMO
Goldner vê a América Latina como um laboratório histórico, onde o capitalismo mostra a sua verdadeira face, sem as máscaras do bem-estar-social que ele conseguiu criar nos países centrais do imperialismo no Norte Global. Para ele, o que no Norte e visto como "crise econômica"  na América Latina e a normalidade cotidiana
Essa realidade não é um acaso, e o resultado da função que a região desempenha no sistema global, ser a fonte de riqueza que alimenta o desenvolvimento dos países imperialistas.

5.2:'A DIVISAO DO PROLETARIADO E A INTEGRACAO MATERIAL
Goldner confirma e aprofunda a análise de Sakei, Cope e Mat Shaun, sobre a divisão da classe trabalhadora. Para ele, a ideia de um proletariado homogêneo e revolucionário, que tínhamos nos textos clássicos nunca existiu de fato, especialmente na América Latina. A classe trabalhadora sempre foi dividida entre uma minoria privilegiada e uma maioria explorada. Para ele essa divisão tem uma base material solidaenrauzada na estrutura global da exploração capitalista. Ele argumenta que a integração de grandes setores da classe trabalhadora dos países avançados não é resultados apenas de manipulação ideológica, mas de uma partilha real dos despojos extraídos do Sul Global. 
Essa base material explica por que a divisão dentro do proletariado e tão profunda e persistente não é um desvio político temporário, mas uma característica estrutural do Capitalismo contemporâneo que molda a própria consciência e o comportamento de milhões de pessoas.

Para terminar, exemplo histórico que mostra como a divisão entre setores privilegiados e não privilegiados podem levar até em conflitos armados ocorreu nas últimas décadas do último século na Irlanda do Norte, indico os livros, Norhern Ireland: The Orange State de M Farrell e  Ireland:  The key to the British Revolution,'de David Reed que mostraram como privilégios econômicos usufruídos pelo proletariado protestantes  da Irlanda do Norte, na época negado aos irlandeses católicos, levaram os operários protestantes apoiarem grupos fascistas com suas milicias terroristas e o proletariado sionistas de Israel 


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